Contagem regressiva para a Copa.

 Contagem regressiva para a Copa.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Dois (péssimos) pontos

1) "O grande ponto é a saúde", disse Holland. "Se nós pudermos chegar na pré-temporada (19/09) e ter Datsyuk, Zetterberg, Helm e Weiss no gelo, nós estaremos otimistas que teremos o potencial para ser um clube decente de hóquei"

Faça uma autópsia dessa frase. Não falamos mais em buscar a Copa Stanley, fazer milhões de pontos, trucidar adversários. Agora estamos ok se formos decentes.

2) Red Wings renovou com Daniel Cleary. Dispensa comentários.

E assim começa a temporada 2014-15.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Era uma vez

Eu sou do tempo em que os jogadores sem contrato aceitavam propostas inferiores dos Red Wings porque queriam jogar em Detroit.

Era o time que sempre estava disputando a Copa Stanley e, por isso, valia a pena abrir mão de dinheiro em troca de uma chance de vencer o Santo Graal.

Não é preciso voltar muito longe no tempo, até 2002, por exemplo, quando Ken Holland arrematou uma dúzia dos melhores agentes livres do mercado. Outro dia mesmo, Marian Hossa veio para a Joe Louis Arena para ganhar a Copa. Não ganhou.

Hoje, na abertura do mercado de agentes livres, os Wings tinham como objetivo contratar um defensor, de preferência destro. Terminaram o dia com a renovação de contrato de Riley Sheahan e Petr Mrazek, antes de apelar para o plano Q: Kyle Quincey.

Holland ofereceu $ 8,5 milhões por 2 anos para Quincey, depois de ser esnobado por todos os defensores que ele sondou.

Dan Boyle preferiu os $ 9 milhões por 2 anos dos Rangers aos $ 10 milhões dos Wings.

Anton Stralman sequer considerou Detroit como um possível destino.

Stephane Robidas preferiu os Maple Leafs, pelo mesmo preço que os Wings pagariam.

Matt Niskanen tinha uma lista de times com quem conversaria e o Detroit não estava entre eles.

Este blog é do tempo em que os jogadores sem contrato queriam jogar nos Red Wings e isso rendia diversos posts no blog. Não mais.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Além de Asas e Tigres

Snoopy’s got a gun.
Apenas para dar algum movimento enquanto não começa mais uma etapa do PGA Tour, recomendo ao amigo torcedor que dê um pulinho neste pequeno tumblr (o fotolog dos anos 10, para os mais jurássicos de internet): http://goobingdetroit.tumblr.com/

O projeto consiste, basicamente, em comparar fotos de 2009, 2011 e 2013 de alguns bairros de Detroit, utilizando o Google Street View e o mesmo serviço do Bing, da Microsoft. Nada muito diferente do que já vimos por aí, mas achei curioso.

Já há uma luz no fim do Tunel, como revelou em janeiro Cláudia Trevisan, do Estadão. Moradores acreditam que em cinco ou dez anos a cidade pode voltar a ser grande.

Mesmo sabendo que Datsyuk ou Abdelkader não vão correr o risco de ficar sem poste de luz na rua de suas respectivas residências, esse tipo de imagem não é exatamente um estímulo para algum jogador vir jogar e morar em Detroit. Isso vale tanto para as propriedades de Mike Ilitch (Red Wings e Tigers) quanto para outras agremiações esportivas da cidade (Pistons e Lions).

Que os bons tempos retornem logo. Detroit merece.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Jogo 4

Dia 04 de maio de 2013, em Detroit, os Red Wings perderam por 4-0 do Anaheim Ducks, deixando o placar da série em 2-1 para o time da Califórnia. No Jogo 4, vitória de Detroit na prorrogação, série empatada, e a decisão seguiria para sete jogos, com a equipe de Michigan classificada.

Dia 18 de abril de 2010, em Detroit, os Red Wings perderam por 4-2 do Phoenix Coyotes, deixando o placar da série em 2-1 para o time do Arizona. No Jogo 4, vitória de Detroit por 3-0, série empatada, e a decisão seguiria para sete jogos, com a equipe de Michigan classificada.

Dia 05 de maio de 2009, em Anaheim, os Red Wings perderam por 2-1 do Anaheim Ducks, deixando o placar da série em 2-1 para o time da Califórnia. No Jogo 4, vitória de Detroit por 6-3, série empatada, e a decisão seguiria para sete jogos, com a equipe de Michigan classificada.

Dia 30 de abril de 2007, em San Jose, os Red Wings perderam por 2-1 do San Jose Sharks, deixando o placar da série em 2-1 para o time da Califórnia. No Jogo 4, vitória de Detroit na prorrogação, seguida por outras duas vitórias, com a classificação vindo no sexto jogo.

22 de abril de 2014. Detroit é humilhado em casa pelo Boston Bruins. Shutout para o goleiro deles. Série 2-1 para o time de Massachussets. E no Jogo 4?

No Jogo 4 James Howard estará no gol. Howard, na melhor pós-temporada de sua carreira, defendendo 93,1% dos chutes que vê pela frente, cedendo apenas dois gols por jogo.

No Jogo 4 Henrik Zetterberg poderá estar no gelo, voltando de uma cirurgia para reparar suas costas, ainda não 100% (e vamos encarar, Zetterberg nunca mais estará 100%). O capitão Red Wing é o maior artilheiro em playoffs desde a temporada 2005-06.

Esperamos que o Gustav Nyquist de fevereiro e março esteja no gelo. Que a defesa frágil e inconsistente não dificulte o trabalho de seu goleiro (que acaba sendo culpado pela torcida depois). Esperamos fazer gols, porque não se ganha de um vencedor de troféu dos Presidentes com dois gols a cada três jogos.

Se tudo isso der certo, temos alguma chance de vencer. Talvez meio-a-meio, quem sabe.

Houve outra oportunidade em que Detroit esteve atrás por 2-1 em uma série*. Em 25 de abril de 2006, contra Edmonton. Detroit venceu o Jogo 4, mas não a série, porque aqueles Oilers eram mais rápidos, mais jovens e mais famintos. Te lembram alguém?

(Também ficamos atrás de Nashville em 2012. Dane-se)

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Bruins (1) vs Red Wings (8)

Primeira rodada
BostonEstatísticasDetroit
117Pontos93
54Vitórias39
19Derrotas28
9OT/SO15
3.15Gols pró/jogo2.65
2.08Gols contra/jogo2.70
21.7PP (%)17.7
83.6PK (%)83.0

Calendário

18/04 - Sexta-feira - 20h30 - Boston
20/04 - Domingo - 16h - Boston
22/04 - Terça-feira - 20h30 - Detroit
24/04 - Quinta-feira - 21h - Detroit
* 26/04 - Sábado - 16h - Boston
* 28/04 - Segunda-feira - A definir - Detroit
* 30/04 - Quarta-feira - A definir - Boston

* Se necessário

Histórico em temporada regular
  • Total: 252 vitórias de Detroit, 236 vitórias de Boston, 95 empates
  • Desde o locaute 2004: oito vitórias de Detroit, três vitórias de Boston
  • Em 2013-14: três vitórias de Detroit, uma de Boston
  • Séries de playoffs: três vitórias de Detroit ('42, '43, '45), quatro vitórias de Boston ('41, '46, '53, '57)

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Vinte e três

Vinte e três
Em 4 de abril de 1991, em St. Louis, o Detroit Red Wings entrou no gelo pelos playoffs da NHL. E de lá não saiu. Com o ponto conquistado na derrota nos pênaltis para o Pittsburgh Penguins hoje, os Red Wings se classificaram para a pós-temporada pelo 23º ano consecutivo.

Em abril de 1991, Nicklas Lidstrom ainda não havia estreado por Detroit. Hoje seu número está eternizado na Joe Louis Arena. Em abril de 1991, Riley Sheahan não havia nascido. Nem Tomas Jurco, autor de dois dos gols de hoje, que ainda esperaria um ano e meio para chegar ao mundo.

Em abril de 1991, Tomas Tatar tinha cinco meses de idade. Brian Lashoff tinha nove meses, Danny DeKeyser havia acabado de completar um ano. Gustav Nyquist tinha um ano e meio, Luke Glendening havia nascido em Grand Rapids há pouco menos de dois anos, somente dois meses mais novo que Joakim Andersson ou Brendan Smith.

Em abril de 1991, antes de Mike Babcock ou Dave Lewis ou Scotty Bowman, Bryan Murray treinava a equipe. Naquela noite, o goleiro era Tim Cheveldae. Chris Osgood seria recrutado poucos meses depois. Brad McCrimmon estava na defesa, Steve Yzerman tinha 25 anos, Sergei Fedorov era calouro.

E, é claro, em Chicago, Chris Chelios já era um veterano de 29 anos, em sua oitava temporada na NHL e primeira pelos 'Hawks.

Vinte e três anos. Mais do alguns de nós já vivemos. As únicas certezas na vida? A morte, os impostos, e os playoffs. Aqui em Detroit é assim.

terça-feira, 8 de abril de 2014

414, só mais 1, e quase 23

Nessa temporada de números, os realmente inesquecíveis serão o aposentado #5 de Nicklas Lidstrom e o eventual 23, número de participações consecutivas nos playoffs, que pode ser garantido com um ponto amanhã contra o Pittsburgh Penguins.

Mas hoje o número é 414, número de vitórias conseguidas pelo Detroit Red Wings sob o comando do treinador Mike Babcock, agora o maior vencedor entre os 26 técnicos que já treinaram a equipe.

Babcock ultrapassou as 413 vitórias de Jack Adams, que treinou a equipe por 20 temporadas, mesmo com 263 jogos a menos. Adams dá o nome ao troféu de melhor treinador da temporada, ao qual Babcock pode ser um dos candidatos no fim deste ano.

Detroit foi acometido por uma onda de lesões ainda mais forte que as das últimas temporadas, teve que usar jovens em funções normalmente reservadas aos veteranos, e ainda assim está em bom caminho para alcançar os playoffs. Após a vitória desta noite, por 3-2 em cima do Buffalo Sabres, o site sportsclubstats.com nos dá 98,9% de chances de classificação, sendo necessário apenas um ponto em alguma das três partidas finais para a confirmação.

Babcock fez um de seus melhores trabalhos na carreira durante esta temporada, e posiciona o time na rota para o número mais importante de todos, a 12ª Copa Stanley da franquia.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Um grande fim de semana

Os Red Wings não têm nada a reclamar dos últimos dias, em especial desse fim de semana.

Além de ter vencido os dois jogos que disputou, contra Toronto Maple Leafs e Tampa Bay Lightning, o Detroit assistiu às derrotas dos principais adversários na luta pelas duas últimas vagas nos playoffs da Conferência Leste.

Os Maple Leafs, com 80 pontos em 76 jogos, perderam na sexta-feira e no sábado e já somam oito derrotas consecutivas, com chances mínimas (4,9%) de ir aos playoffs.

O Washington Capitals, com 81 pontos em 75 jogos, perdeu no sábado e conquistou apenas um ponto com uma derrota nos pênaltis no domingo e tem 20,2% de chances.

Apenas um ponto à frente está o Columbus Blue Jackets, com 82 em 74 jogos. Na sexta-feira o time foi derrotado, mas no sábado conquistou uma vitória na prorrogação, aumentando suas chances para 78,8%.

Os Wings têm 84 pontos em 75 jogos e suas chances são de 80,9%, segundo o Sports Club Stats.

Fala-se em 92 pontos como o número mágico para conquistar a classificação. Para o Detroit, isso representa 4 vitórias nos 7 jogos restantes.

O primeiro critério de desempate é o número de vitórias no tempo normal e na prorrogação, a coluna ROW, em inglês. Neste quesito, os Wings perdem apenas para os Blue Jackets, 33 a 30, e levam vantagem contra os demais concorrentes.

Os próximos jogos do time serão contra Boston Bruins (quarta-feira) e Buffalo Sabres (sexta-feira), em Detroit, e Montreal Canadiens (sábado).

No momento em que as vitórias valem mais do que dois pontos, contar com jogadores retornando de contusão faz toda a diferença. Nos últimos jogos, Darren Helm, Tomas Jurco e Justin Abdelkader reforçaram o time.

Outro dia mesmo a quarta linha era formada por Teemu Pulkkinen, Cory Emmerton e Landon Ferraro. Hoje não há lugar nem pro Todd Bertuzzi.

sábado, 29 de março de 2014

Se vai torcer pra perder, nem torça

Uma tendência tomou conta da liga americana de cestobol recentemente, o "tanking". "Tanking" é a prática de perder jogos de propósito, jogando temporadas no lixo na esperança de conseguir bons atletas no recrutamento. Na temporada atual, estima-se que 10 dos 30 times da liga estejam seguindo tal prática.

No cestobol isso faz algum sentido, embora especialistas se apressam a dizer que não é uma garantia de sucesso. Os atletas recrutados já estão prontos para a NBA, em um esporte em que um jogador faz muita diferença.

E no hóquei? Os atletas recrutados tem 17 ou 18 anos, vão chegar à NHL no mínimo aos 20 anos, quando não mais tarde, e um atleta sensacional não quer dizer muita coisa. Ainda assim, tem gente querendo que o Detroit Red Wings não chegue à pós-temporada, para pegar uma boa escolha no próximo recrutamento.

Na manhã deste sábado, o site sportsclubstats.com estima que os Red Wings tem 51,3% de chance de classificação. Isso vai mudar com a partida desta noite contra o Toronto Maple Leafs, podendo chegar num máximo de 66,7% e num mínimo de 35,7%.

Ou seja, estamos muito perto da zona de classificação. Se a equipe não alcançar os playoffs, vai ficar com a 13ª ou 14ª escolha no próximo de recrutamento. Mas, caso a classificação aconteça, mesmo com uma derrota na primeira rodada, Detroit fica com a 15ª ou 16ª escolha. Vale a pena abrir mão da classificação (ou seja, renda de no mínimo mais duas partidas em casa, a manutenção da sequência de playoffs consecutivos, e a chance de surpreender a todos e chegar nas Finais) por causa de uma ou duas escolhas no recrutamento?

Mais do que isso, boas escolhas significam sucesso? Claro, todos apontam para Chicago e Pittsburgh e concluem que sim, passar algumas temporadas na parte de baixo da tabela é uma receita para títulos.

Mas e o Buffalo Sabres, pior time da liga, que nos últimos seis anos teve cinco escolhas entre as 14 primeiras (a faixa que Detroit ocuparia se não fosse aos playoffs)?

E o incrível caso de Edmonton, que teve três primeiras escolhas no geral consecutivas, e cinco entre as 10 primeiras nos últimos seis anos? Eles tem hoje a segunda pior campanha da liga, e as manchetes recentes são "Eles recrutaram os jogadores errados". Somente dois jogadores recrutados pelos Oilers desde 2001 tem plus-minus positivo (+2 e +12). Leia essa frase de novo.

O terceiro pior time da liga é o Florida Panthers, mesmo com suas 10 escolhas entre as 10 primeiras nos últimos 13 anos, e só uma seleção fora das três primeiras nos últimos quatro anos.

Na frente deles, quarto pior da liga, está o New York Islanders, com suas seis escolhas entre as 10 primeiras nos últimos oito anos. E em sexto, o Carolina Hurricanes, que tiveram oito escolhas entre as 10 nos últimos 12 anos.

Mas você pode falar que esses times são mal gerenciados, então é claro que seus resultados são ruins. Talvez analisando os melhores grupos de prospectos de cada equipe fique realmente provado que o tanking traz resultados. Para isso, vamos ao Hockey's Future, site especializado em prospectos, e descobrir que franquias tem os melhores grupos de promessas. Do ranking deles:

1º Tampa Bay
2º Buffalo
3º Anaheim
4º Dallas
5º NY Islanders
6º Florida
7º Minnesota
8º Columbus
9º Detroit
10º Chicago

A lista nos traz três dos piores times da liga. Também tem Anaheim, Chicago e Detroit, equipes com presença constante nos playoffs e títulos recentes. Exceto pelos três fracos, todos estão classificados, ou brigam por vaga, neste ano.

Ou seja, a relação entre bons prospectos e fracasso na NHL não é clara. Se você é bem gerenciado, vai saber recrutar e montar um bom time. Senão, não importa quantas boas escolhas você tenha, vai continuar por baixo. Edmonton, com todas as suas boas escolhas está na 20ª posição no ranking.

O que me traz à pergunta: por que alguns torcedores acham que Detroit deve ir mal para Ken Holland e cia. selecionarem bons jogadores? Todos conhecem os casos de Pavel Datsyuk, Henrik Zetterberg, Tomas Holmstrom e Johan Franzén. Mas você sabia que Gustav Nyquist era selecionável no recrutamento de 2007, e ninguém o recrutou? E que ele foi selecionado apenas na 4ª rodada de 2008?

E olhe na lista dos melhores prospectos que Detroit tem para o futuro. Anthony Mantha foi pego com a 20ª escolha, Tomas Jurco na 35ª, Xavier Ouellet na 48ª, Ryan Sproul na 55ª, Alexei Marchenko na 205ª, Riley Sheahan na 21ª, o trocado Calle Jarnkork na 51ª, Teemu Pulkkinen na 111ª, Petr Mrazek na 141ª, Tomas Tatar na 60ª, Mitch Callahan na 180ª e Adam Almquist na 210ª. Sem contar que alguns desses vieram após Detroit trocar sua 1ª escolha por duas de 2ª rodada.

Obviamente, nem todos esses vão se tornar jogadores de alto nível, e já falamos muito sobre como Detroit conta muito com a sorte no caso de Datsyuk e Zetterberg, por exemplo. Mas é inegável que as escolhas de 3ª ou 4ª rodada de Detroit são melhores que as de Edmonton nas cinco primeiras escolhas. Ken Holland e, principalmente, Hakan Andersson, esses caras não precisam de escolhas altas para encontrar jogadores de talento.

Mas, mesmo se fosse o caso, alguém já parou para analisar que o recrutamento deste ano é fraco? A queda de nível depois das quatro primeiras escolhas é muito grande, e mesmo essas quatro primeiras escolhas são piores que qualquer das cinco primeiras do ano passado, e não sou eu que falo isso.

Nunca faz sentido torcer para seu time perder. Alguns acham que a eliminação é o "chacoalhão" que a gerência de Detroit precisa para deixar de utilizar veteranos e começar a dar chance aos garotos, talvez não percebendo que os veteranos já estão sendo deixados de lado e os garotos já estão carregando o time nas costas (o que por vezes parece ser pressão demais para eles, que precisam de uma presença veterana para acalmar os ânimos).

Se a sua torcida este ano é por noites tranquilas no fim de abril e começo de maio, se quer desistir de um time que brigou o ano todo por uma classificação que essa molecada merece... Então pode ir jogar golfe agora, você não vai fazer falta.

Àqueles que ficam? Let's go, Red Wings. Mais um "jogo do ano" esta noite, em Toronto, 20h de Brasília.

sexta-feira, 21 de março de 2014

É isso aí!

No futebol brasileiro, dizem que há coisas que só acontecem com o Botafogo. Pois nesta temporada da NHL, definitivamente há coisas que só acontecem com os Red Wings.

O jogo extraordinário contra os Penguins nesta quinta-feira exemplifica isso.

Com um elenco digno de AHL contra um dos melhores times da Liga, os Red Wings se esforçaram bravamente durante (quase) toda a noite e mereceram a vitória por 5-4 na prorrogação, mas os detalhes é que contam a história desta noite já inesquecível para os torcedores do Detroit.

Os Wings abriram 2-0 no placar com Daniel Alfredsson, no primeiro período, e Gustav Nyquist, nos minutos iniciais do segundo, em chute que desviou em um defensor dos Penguins antes de entrar.

A vantagem se manteve até os minutos finais do segundo, quando o Pittsburgh marcou dois gols em 25 segundos para empatar o jogo. Se os Wings se perderam completamente após o primeiro gol, depois do empate eles sumiram. Em vantagem numérica de 5-contra-3, os Penguins viraram o jogo para 3-2.

Enquanto mantiveram a liderança no placar, e mesmo antes do gol de Alfredsson, os Wings demonstravam uma raça poucas vezes vistas na Joe Louis Arena, hoje com muitos lugares vazios. A vontade de ganhar era tamanha que fazia do nosso elenco de AHL um Time das Estrelas.

No hóquei no gelo é assim: muitas vezes um time com mais vontade de ganhar supera um adversário mais talentoso. Quantas vezes o próprio Detroit não perdeu confrontos nos playoffs desta maneira?

Playoffs. Jogamos pelos playoffs, ainda que seja 20 de março, para que sejam 23 anos consecutivos competindo pela Copa Stanley.

Na metade do terceiro período, Tomas Tatar empatou o jogo, depois de passe de Riley Sheahan. Os juízes haviam marcado uma penalidade contra James Neal por jogar pra longe o taco de um defensor do Detroit, o que aparentemente não existe no livro de regras, transformando a então vantagem numérica dos Penguins em 4-contra-4 e abrindo o gelo para os jovens dos Wings.

Menos de três minutos depois, o veterano Todd Bertuzzi lançou o disco em direção ao gol, o disco bateu em um defensor dos Penguins e entrou, recolocando os Wings à frente no placar.

A torcida já flertava com a improvável vitória, até que Craig Adams marcou seu primeiro gol em 64 jogos. Justamente nesta noite.

Quando o jogo parecia caminhar para a prorrogação, o que asseguraria ao menos um ponto, David Legwand, de 33 anos e 963 jogos na carreira, agrediu Evgeni Malkin com a ponta do taco, acertando o russo com uma espetada.

Restavam 3:46 no relógio e Legwand foi expulso da partida, deixando o Detroit com um jogador a menos pelos 5 minutos seguintes.

Os Penguins pressionaram em busca da vitória, para afundar os Red Wings e impedir aquele que pode ser o confronto de primeira rodada nos playoffs. De alguma forma, Jimmy Howard e seus defensores evitaram o gol, mas nunca conte com Landon Ferraro quando o seu time precisar rifar um disco.

O jogo foi para a prorrogação. Um ponto assegurado, sensação de dever cumprido. Nas circunstâncias atuais, muito para o elenco de novatos (e de veteranos estúpidos que cometem penalidades estúpidas), pouco para o esforço do time no primeiro e no terceiro períodos.

Nos primeiros 74 segundos da prorrogação os Wings mataram o restante da penalidade e, quando o número de jogadores se igualou, o time tentou a vitória.

Quando faltavam 10 segundos para o fim do jogo, em seu último ataque, os Penguins tentaram com Chris Kunitz um passe no campo de ataque, o disco foi desviado por Kyle Quincey e ganhou altura. Malkin saltou para tocá-lo com a mão, mas foi atrapalhado por Nyquist, que ligou o contra-ataque lançando Alfredsson na direita. O ex-capitão dos Senators recebeu o disco faltando 5,6 segundos, deixou a torcida toda de pé em um 3-contra-1 e, em vez de passar, chutou, quando faltavam 2 segundos para o apito final. Marc-Andre Fleury defendeu, mas pela terceira vez na noite o disco procurou um defensor dos Penguins para achar o caminho da rede. Faltava meio segundo.

Os Red Griffins venceram o jogo, somaram dois pontos na classificação, continuam vivos na luta para chegar aos playoffs e não perderam nenhum jogador por contusão.

E se esse for o tom daqui em diante, contem com os 23 anos.