sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Moneypuck?

Introdução – Estatísticas no esporte

A Major League Baseball (MLB) foi fundada em 1869. As características do beisebol, basicamente as mesmas desde então, sempre proporcionaram uma quantidade limitada de possibilidades. Um arremessador contra um rebatedor, num duelo individual, até o momento em que as circunstâncias exigissem a participação de mais alguém.

Essa limitação sempre foi favorável aos estatísticos, e por anos, décadas, mais de um século, um rebatedor era definido por três números: média de rebatidas (BA), home runs (HR), corridas impulsionadas (RBI). O cálculo era simples:
  • -BA: número de rebatidas dividido pelo número de at-bats;
  • -HR: rebatidas de quatro bases (em geral, para fora do campo de jogo);
  • -RBI: número de jogadores que anotam corrida devido à ação de um jogador.

Parecia simples, e por muito tempo foi assim, mas esses números traziam falhas. A média de rebatidas não leva em conta todas as aparições no bastão, home runs representam uma baixa porcentagem das aparições (a melhor marca é de 9,25%), e corridas impulsionadas dependem muito mais da equipe de que de cada atleta.

Se as estatísticas tradicionais eram utilizadas para se analisar um atleta, novas estatísticas surgiram para aprimorar essa análise, retirando os elementos contextuais (em geral, o time que o jogador defende) e aleatórios (uma diferença de meio metro pode representar uma rebatida dupla, tripla ou um home run, dependendo da direção e dimensão do campo de jogo).

Estatísticas no hóquei

O hóquei no gelo sempre foi o patinho feio dos esportes americanos. A cobertura da mídia sempre foi minúscula em relação aos outros esportes, e o mesmo acontecia com o aspecto estatístico.

Sendo assim, muito do que hoje conhecemos como estatísticas avançadas no hóquei foi produto de torcedores, e não da mídia. O primeiro a tentar organizar dados foi o blogueiro Vic Ferrari (um pseudônimo, seu nome é Tim Barnes), em 2007. Assim como no beisebol, a tentativa era descartar o fator aleatório e de sorte dos números comumente utilizados.

Diferente do beisebol (arremessador contra rebatedor, um arremesso de cada vez) e futebol americano (ataque contra defesa, uma jogada de cada vez), o hóquei é um esporte que não para, em que os jogadores atacam e defendem, e muita coisa acontece entre um apito e outro (por isso também a dificuldade em estabelecer boas estatísticas para o futebol).

Nó hóquei, três estatísticas tradicionais tem destaque, gols, assistências e plus-minus. Porém, todas essas estatísticas se baseiam no gol: quem fez, quem ajudou, quem estava no gelo. Mas nem todos os gols são feitos da mesma forma.

Um central pode receber um passe dentro da sua zona defensiva, carregar o disco sozinho e fazer o gol, sendo creditado pelo gol e um companheiro pela assistência. Mas, em outros casos, a equipe vai estar na zona ofensiva, passar o disco várias vezes, chutar, recuperar o rebote, trocar um ou dois defensores, chutar de novo, recuperar outro rebote, passar novamente para deslocar o goleiro, obstruir sua visão com um atleta dentro do crease, chutar e fazer o gol. Nesse caso, seis ou sete jogadores podem construir o gol, mas só os últimos três que tocaram no disco serão creditados, com alguns deles não recebendo nem mesmo o plus-minus.

No exemplo desse segundo gol, quais foram as contribuições? Segurar o disco na zona ofensiva, recuperar rebotes, todas as ações direcionadas a uma meta: chutar. Sem chute, não se faz gol.
Assim como é essencial que um jogador de beisebol rebata a bola, o essencial para o jogador de hóquei é chutar. Por muito tempo, toda a matemática do hóquei se baseou no gol. Porém, na temporada passada, porcentagem de chutes convertida em gol ficou em somente 8,9%. É como qualificar tudo que um time de beisebol faz somente pela quantidade de home runs rebatidos.

Corsi

Um dos assistentes do Buffalo Sabres em 2006, Jim Corsi, anotava todos os chutes de uma partida, fossem eles em direção ao gol, na trave, ou para fora. O ideal é que o time sempre chutasse mais do que o adversário. O treinador Darcy Regier mencionou isso em uma entrevista no rádio, que Ferrari estava escutando. Nascia o Corsi, estatística-base para a compreensão do hóquei em 2014.

Cada chute é um evento Corsi. A estatística é geralmente expressa em porcentagem (Corsi%), e indica por quantos eventos Corsi a equipe foi responsável.

Simplificando: Numa partida entre Canadá e Estados Unidos, no primeiro período o Corsi ficou 15 a 10 a favor do Canadá. Nesse caso, o Corsi da seleção canadense é de 66%, pois dois terços dos chutes foram efetuados pelos canadenses.

Utilizando o exemplo do melhor time em Corsi% na história, o Detroit Red Wings de 2007-08. O Corsi daquela equipe ficou em 59,15%, indicando que a cada 100 chutes efetuados, 59 eram de Detroit. Não coincidentemente, os Red Wings ganharam a Copa Stanley naquele ano.

E aquele time não foi exceção. O líder em Corsi% em 2009-10 foi o Chicago Blackhawks (56,29%), campeão da Copa. O campeão de 2012, Boston Bruins, tiveram Corsi% de 53,39% e ficaram em terceiro na liga. Em 2013, o campeão Chicago ficou em quinto com 53,39%. E o campeão do ano passado, o Los Angeles Kings, liderou a liga com 55,58%. Dos oito campeões desde 2007, somente dois não estavam entre os cinco primeiros em Corsi%. E entre os líderes em Corsi% nessas temporadas, somente uma equipe não ficou entre os dois primeiros classificados em sua conferência ou chegou à final da Copa.


Gols são imprevisíveis. Você pode fazer tudo certo e não fazer o gol, ou fazer tudo errado e encontrar um gol. Mas quem chuta mais tem mais chances de fazer um gol. Quem cede menos chutes corre um menor risco. Na temporada 2013-14, a porcentagem de chutes média é de 8,75%. Nos últimos anos, foi de 8,9%, 9,15%, 8,95% e 8,99%.

Corsi pode ainda não ser a estatística perfeita, mas é um bom indicador da qualidade de cada equipe. Se um time tem bons resultados e um Corsi baixo, tudo indica que esse time é uma aberração estatística e pode regredir à situação mais condizente com seus números.

Corsi individual

Se o Corsi pode ser utilizado para descobrir que equipe cria mais chances, o mesmo pode ser feito para cada jogador. O cálculo é o mesmo: durante o tempo em que o jogador X esteve no gelo, quem chutou mais?

O Corsi individual é menos certeiro nas análises. E essa incerteza tem explicação: um jogador troca de linha várias vezes ao longo de uma temporada, tem companheiros mais ou menos habilidosos, a variação de porcentagem de chutes pode ser muito grande, o treinador pode utilizá-lo mais em faceoffs na zona ofensiva ou defensiva, ou contra linhas adversárias mais fortes ou mais fracas. Ainda assim, o Corsi ainda é uma estatística muito útil.

Como esse é um blog sobre os Red Wings, vamos usar como exemplo o time do ano passado. Com todas as lesões que atingiram a equipe, o time foi carregado nas costas pelos jovens que haviam ganho a Calder Cup pelo Grand Rapids Griffins no ano anterior. E veja quem liderou o time em Corsi%:

Com esses atletas no gelo, os Red Wings chutaram bem mais do que os adversários. Além disso, os quatro garotos fizeram gols numa frequência maior do que a média da liga, com Nyquist marcando em 18,3% dos chutes, Sheahan em 15,3%, Tatar em 12% e Jurco em 10,4% dos disparos (repetindo: a média do ano passado foi de 8,75%).

Por outro lado, a torcida se acostumou a xingar alguns atletas, que apareceram com os piores Corsi da equipe:

Glendening foi creditado por zerar Sidney Crosby em um jogo contra Pittsburgh, mas seus resultados foram fraquíssimos. Na verdade, foi o 26º pior entre 702 jogadores da Liga. Fazer um gol em 56 jogos também não ajudou muito. Juntos, hoje esses jogadores somam mais de $18 milhões em salários.

O verão das estatísticas

Assim foram chamadas as últimas férias. As franquias da NHL correram atrás de especialistas, contratando blogueiros, webmasters e até jogadores de pôquer que procuram tendências e tentam encontrar outros segredos matemáticos que ajudem na construção de elencos competitivos.

O próprio Detroit Red Wings entrou na onda, contratando JimHiller, ex-treinador do Tri-City Americans, da WHL. Hiller havia saído do time e passaria o ano desempregado, trabalhando com um colega em um software de análise estatística de hóquei. Os Red Wings ofereceram uma vaga como técnico assistente, além de financiar a dupla na criação do software, que obviamente será de uso exclusivo de Detroit.

As estatísticas no hóquei provavelmente nunca vão atingir o nível de sofisticação e aceitação que elas tem no beisebol. Os Red Wings, ainda que tenham demorado para trazer um especialista para dentro da franquia, já começam à frente de muitas equipes pelo simples fato de sempre terem prezado pela posse do disco. As práticas de Scotty Bowman e Mike Babcock são basicamente as mesmas que as abordagens matemáticas hoje sugerem.

Muitos desses números precisam de uma amostragem grande. A temporada está no começo, e um ou dois jogos podem alterar os índices. Vamos acompanhar a evolução dos Red Wings de tempos em tempos, a partir da marca de 20 jogos disputados.


Se acostumem com esses novos números. Eles nunca vão substituir gols e assistências, mas já estão deixando sua marca na liga. Não é à toa que tantos canais já deixam o número de chutes fixamente no placar (a Fox Sports Detroit, por exemplo), e os principais colunistas da América do Norte já fizeram um intensivo de matemática esportiva. Nas próximas datas-limites de trocas e contratações de agentes-livres, esses números serão ainda mais importantes.

Bill James, o guru das revolução analítica do beisebol, diz que sua meta é "o conhecimento objetivo" do esporte. O hóquei está dando seus primeiros passos, mas está chegando lá.

sábado, 20 de setembro de 2014

Sobre as lesões dos últimos anos

A essa altura, todos já sabem que Anthony Mantha, o melhor prospecto do sistema dos Red Wings em anos, fraturou a tíbia no torneio de prospectos e ficará afastado do hóquei por algo entre seis e oito semanas.

Se tem algo que cansamos de falar nas últimas temporadas, é de lesões. Algumas por acidente, outras por despreparo, o fato é que as lesões vão se acumulando, culminando na horrorosa temporada passada, quando os Red Wings lideraram a liga em jogos perdidos por contusão.

Com ajuda das sensacionais planilhas de Michael Petrella, ex-blogueiro do The Production Line, compilamos todas as lesões ocorridas em Detroit desde a temporada de 2008-09 (com exceção de 2013, a temporada do locaute), para tentar compreender se somos azarados ou mal cuidados.

Pegue uma bebida alcoólica de sua escolha, e vamos lá.

2008-09

Jogador Lesoes Jogos
Darren McCarty Virilha, hérnia 43
Tomas Holmstrom Joelho, costas, hérnia 31
Chris Chelios Joelho 25
Andreas Lilja Apendicite, concussão 21
Kris Draper "Upper body", virilha 17
Brad Stuart Joelho, costelas 14
Pavel Datsyuk Virilha, pé 12
Johan Franzén Joelho, quadril, mão 11
Brian Rafalski Virilha, "upper body" 9
Brett Lebda Costas 8
Dan Cleary Córnea arranhada 8
Marian Hossa Pescoço, virilha 8
Henrik Zetterberg Virilha, costas 7
Nicklas Lidstrom Nariz, tornozelo, testículos 7
Derek Meech Virilha 6
Tomas Kopecky Rosto 6
Jakub Kindl Virilha 5
Valtteri Filppula Dedão, costas 4
Jim Howard Dedo 3
Cory Emmerton Costas 1
Jonathan Ericsson Apendicite 1
Kirk Maltby Tornozelo 1
Niklas Kronwall Tornozelo 1
Total 249


(Só para constar: essa "hérnia vai aparecer várias vezes. Entenda-a como "hérnia esportiva", ou "pubalgia". É uma inflamação na região pélvica, e no hóquei o termo é utilizado para lesões crônicas na virilha. Nossas fontes usaram "virilha" e "hérnia" de forma separada para as primeiras temporadas, e é esse padrão que iremos seguir)

Nessa temporada, o topo da lista dos lesionados é formado por jogadores veteranos. Darren McCarty e Tomas Holmstrom com hérnia não causa estranheza, já que esses jogadores eram conhecidos, se não pela velocidade, pelo empenho em ir às bordas e sacrificar o corpo pela equipe.

Mas acidentes acontecem. Chris Chelios perdeu 25 jogos após ser atingido por um chute no joelho. O mesmo ocorreu com Pavel Datsyuk, perdendo sete partidas após ser atingido no pé. Andreas Lilja perdeu muito tempo, nesta temporada e na seguinte, após sofrer uma concussão durante uma briga. E a lesão acidental mais memorável dessa temporada, quando Nicklas Lidstrom foi atingido por um taco nos testículos durante a série contra Chicago, e ficou de fora por duas partidas.

Ao final da temporada, 23 jogadores sofreram uma lesão em algum momento. O pior momento da equipe foi em uma partida da pós-temporada, em 27 de maio, quando seis jogadores ficaram de fora simultaneamente.

Alguns acidentes e veteranos lesionados. Até aqui, nada demais.

2009-10

Jogador Lesões Jogos
Andreas Lilja Pós-concussão 61
Johan Franzén Joelho 55
Jason Williams Fíbula fraturada 38
Niklas Kronwall Joelho 33
Valtteri Filppula Pulso, virilha 27
Kirk Maltby Gripe, ombro 23
Dan Cleary Ombro, virilha 18
Patrick Eaves Pé, tornozelo, gripe, concussão, cotovelo 14
Jonathan Ericsson Gripe, joelho 14
Tomas Holmstrom Pé, quadril 14
Henrik Zetterberg Ombro 8
Darren Helm Ombro, pulso 6
Brian Rafalski Gripe, costas 4
Brad May Olho, "lower body" 3
Chris Osgood Gripe 3
Pavel Datsyuk "Upper body" 2
  Total 323


No topo da lista, Lilja segue com a concussão da temporada anterior. Em seguida, com lesão sofrida logo nos primeiros jogos, Johan Franzén. Com outra fratura, o próximo da lista é Jason Williams. O próximo é Niklas Kronwall, atingido no joelho por George Laraque. E mais um azarado, Valtteri Filppula, com o pulso quebrado após levar uma tacada. Mas aqueles que tem a memória mais apurada se lembram que a sorte havia acabado muito antes, quando Darren Helm tropeçou no taco de um prospecto e lesionou o ombro no training camp.

Isso ainda sem contar Holmstrom, que fraturou o pé treinando os desvios que sempre fez tão bem. Não precisa ser um gênio para dizer que essa temporada foi a do azar. Acidentes, incidentes e acasos, tanto que nesta temporada somente 16 jogadores perderam algum jogo por lesão.

O pior momento foi de 14 de dezembro a 12 de janeiro, quando durante um mês o time ficou sem ao menos sete jogadores. Em 23 de dezembro, nada menos que nove (NOVE!) titulares estavam contundidos simultaneamente,

2010-11

Jogador Lesões Jogos
Chris Osgood Virilha, hérnia 53
Mike Modano Pulso 41
Pavel Datsyuk Mão, "lower body" 26
Kris Draper Virilha 22
Brian Rafalski Joelho, costas 19
Brad Stuart Mandíbula 15
Dan Cleary Tornozelo 14
Patrick Eaves Cotovelo, virilha, gripe 14
Valtteri Filppula Virilha, gripe, joelho 10
Tomas Holmstrom Mão 9
Jonathan Ericsson Costas 8
Johan Franzén Concussão, virilha, tornozelo 8
Justin Abdelkader Costela 6
Jim Howard Costas, joelho, ombro 6
Henrik Zetterberg Tornozelo, joelho 6
Niklas Kronwall Ombro 5
Jan Mursak 4
Jiri Hudler Gripe 3
Todd Bertuzzi Costas 1
  Total 270

A virilha volta ao topo da lista, impulsionada pelos 40 jogos perdidos por Chris Osgood. Pela natureza da posição, é natural que um goleiro sofra essas dores.

O que não é natural é Datsyuk fraturar a mão e perder 19 partidas após tropeção no taco de Mikael Samuelsson, então jogador de Vancouver. Ou Mike Modano ter o pulso cortado por um patim e ficar de fora de 41 jogos. Ou Dan Cleary ser atingido por um chute de Brad Stuart, fraturar o tornozelo e perder 14 jogos. Ou o próprio Stuart ser alvo de um cotovelo voador e perder 15 jogos com a mandíbula fechada por cabos.

As lesões de Detroit chegaram à capa da revista TheSlot, com o exato momento em que Holmstrom é atingido e quebra a mão, perdendo 9 jogos. A matéria ainda trazia a foto de Jimmy Howard caído no gelo, após um disco acertar o único espaço que não tinha proteção.

Naquela semana, em três partidas Detroit esteve desfalcado de sete jogadores. 19 jogadores passaram algum tempo no departamento médico. Mas por azar. Muito, muito azar.

2011-12

Jogador Lesões Jogos
Patrick Eaves Perna, costas, mandíbula, concussão 64
Jan Mursak Tornozelo 36
Darren Helm Virilha, joelho, pulso 18
Jim Howard Mão, virilha 15
Jonathan Ericsson Pulso 13
Nicklas Lidstrom Gripe, tornozelo 12
Mike Commodore Joelho, pé 11
Pavel Datsyuk Virilha, joelho 11
Joey MacDonald Costas 11
Todd Bertuzzi Otite, virilha 10
Chris Conner Pulso 9
Jakub Kindl Abdomen 8
Dan Cleary Joelho 7
Tomas Holmstrom Virilha, joelho 6
Johan Franzén Costas 5
Ian White Rosto 4
Justin Abdelkader Gripe 1
Valtteri Filppula Tornozelo 1
Kyle Quincey Virilha 1
Brad Stuart Gripe 1
  Total 244


Quando essa temporada começou, os torcedores dos Red Wings provalmente já assistiam o jogo com uma garrafa de vodka ao lado do computador. Mas as lesões diminuíram um pouco.

Patrick Eaves lidera a lista dos contudidos, com 60 jogos perdidos em um só lance, um chute que bloqueou com a cara. Nesse lance, Eaves fraturou a mandíbula e sofreu uma concussão. Mike Commodore também se machucou num bloqueio, mas perdeu só três jogos. Lidstrom não teve tanta sorte, fraturando o tornozelo e ficando de fora de onze partidas. Helm sofreu contusão similar a de Modano, com o pulso cortado por um patim.

Essa talvez tenha sido a temporada mais tranquila em relação a contusões. Sim, vinte jogadores ficaram ao menos algum jogo de molho, dez deles perdendo um mínimo de dez jogos. Mas foi melhor que a temporada anterior, e isso já era alguma coisa.

Ainda assim, de 9 a 21 de setembro, Detroit não pode contar com oito atletas.

A temporada 2013 não foi computada, por dois motivos.
a) Petrella foi menos detalhista em suas planilhas, desmotivado para acompanhar a liga após o locaute. Não o culpo; e
b) sendo uma temporada curta, com menos tempo de preparação e maior concentração de jogos, os atletas perderam jogos em proporção maior do que em outros anos. Por isso, vamos para a temporada de

2013-14

Sabe a garrafa de vodka do tópico acima? Beba.

Jogador Lesões Jogos
Stephen Weiss Virilha, hérnia 56
Darren Helm Virilha, ombro, costas 40
Pavel Datsyuk Cabeça, virilha, joelho 37
Henrik Zetterberg Costas 37
Jonathan Ericsson Ombro, costelas, dedo 34
Johan Franzén Concussão 27
Mikael Samuelsson Ombro 24
Jonas Gustavsson Virilha 23
Dan Cleary Joelho 22
Dan DeKeyser Ombro 16
Daniel Alfredsson Virilha, costas 13
Justin Abdelkader Cabeça, perna 12
Joakim Andersson Virilha, pé 12
Jim Howard Joelho 12
Patrick Eaves Joelho, tornozelo 11
Todd Bertuzzi "Upper" 8
Tomas Jurco Costelas 7
Brendan Smith Ombro 6
Jakub Kindl Joelho 6
Cory Emmerton Dedo 6
Gustav Nyquist Não anunciada 3
Jordin Tootoo Ombro 3
Niklas Kronwall Cabeça 2
  Total 417


É aqui que queríamos chegar. 417 jogos, mais do que qualquer equipe na liga, 128 deles por problemas na virilha.

Algumas lesões são naturais do esporte, de contato, extremamente físico. Ombro, joelho, costelas, concussões, tornozelo, pé. Mas virilha e costas? Cadê a preparação física desse time?

Não é exagero dizer que perdíamos um atleta por jogo. Nas vezes em que podíamos comemorar a volta de um, outro saía do gelo até o 2º período. Vinte e três jogadores passaram algum momento no departamento médico.

Helm teve problemas nas costas durante a temporada anterior, e continuou sofrendo durante este ano. Stephen Weiss assinou um contrato gigantesco, chegou lesionado, e escondeu as dores até não conseguir mais. Henrik Zetterberg se aguentou até a(s) Olimpíada(s), mas nada além disso. Cleary e Daniel Alfredsson fizeram a turnê de encerramento da carreira quase que dentro de ambulâncias - e mesmo assim os dois podem voltar para a próxima temporada.

De 17 a 25 de março, nove jogadores ficaram de fora do time. Mas essa temporada foi pior. Olhe para o topo da lista: Datsyuk, Zetterberg, Franzén, Weiss, jogadores essenciais, todos perdendo no mínimo 27 jogos. Jonathan Ericsson, segundo melhor defensor do time (o que mostra o quanto a defesa é frágil, e não o quanto ele é bom), perdeu 34, e ainda não se recuperou 100% da lesão no dedo.

Mas a virilha...


Esse gráfico traz, ano a ano, as principais lesões que afetaram os Red Wings. E a virilha não era tão significativa até a temporada passada, aquela ponta totalmente desproporcional no final. E quando vemos o quadro cumulativo...


Eis que a virilha aparece em segundo lugar, com 242 jogos perdidos nas cinco temporadas analisadas. Mas, repito, 128 deles foram só no ano passado. Considerando só as lesões púbicas do ano passado, a virilha já seria a terceira maior responsável por jogos perdidos nos últimos cinco anos!

A gerência de Detroit já disse que está analisando a forma como essas lesões são prevenidas e tratadas, e é bom mesmo que isso aconteça. Darren Helm já perdeu alguns treinos de preparação para a temporada com dores, então o que quer que estejam fazendo de diferente ainda não surtiu efeitos.

Embora até consigamos ver algum ponto positivo nas lesões do ano passado, que forçaram a gerência a finalmente utilizar os prospectos que entopem a equipe afiliada de Grand Rapids, não podemos contar com a sorte de três ou quatro garotos carregarem o time nas costas até os playoffs.

A próxima temporada vai ser melhor, porque imagino que nem é possível ser pior. Mas a janela de Datsyuk e Zetterberg está se fechando a cada ano, e a saúde deles é 60% do time.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Dois (péssimos) pontos

1) "O grande ponto é a saúde", disse Holland. "Se nós pudermos chegar na pré-temporada (19/09) e ter Datsyuk, Zetterberg, Helm e Weiss no gelo, nós estaremos otimistas que teremos o potencial para ser um clube decente de hóquei"

Faça uma autópsia dessa frase. Não falamos mais em buscar a Copa Stanley, fazer milhões de pontos, trucidar adversários. Agora estamos ok se formos decentes.

2) Red Wings renovou com Daniel Cleary. Dispensa comentários.

E assim começa a temporada 2014-15.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Era uma vez

Eu sou do tempo em que os jogadores sem contrato aceitavam propostas inferiores dos Red Wings porque queriam jogar em Detroit.

Era o time que sempre estava disputando a Copa Stanley e, por isso, valia a pena abrir mão de dinheiro em troca de uma chance de vencer o Santo Graal.

Não é preciso voltar muito longe no tempo, até 2002, por exemplo, quando Ken Holland arrematou uma dúzia dos melhores agentes livres do mercado. Outro dia mesmo, Marian Hossa veio para a Joe Louis Arena para ganhar a Copa. Não ganhou.

Hoje, na abertura do mercado de agentes livres, os Wings tinham como objetivo contratar um defensor, de preferência destro. Terminaram o dia com a renovação de contrato de Riley Sheahan e Petr Mrazek, antes de apelar para o plano Q: Kyle Quincey.

Holland ofereceu $ 8,5 milhões por 2 anos para Quincey, depois de ser esnobado por todos os defensores que ele sondou.

Dan Boyle preferiu os $ 9 milhões por 2 anos dos Rangers aos $ 10 milhões dos Wings.

Anton Stralman sequer considerou Detroit como um possível destino.

Stephane Robidas preferiu os Maple Leafs, pelo mesmo preço que os Wings pagariam.

Matt Niskanen tinha uma lista de times com quem conversaria e o Detroit não estava entre eles.

Este blog é do tempo em que os jogadores sem contrato queriam jogar nos Red Wings e isso rendia diversos posts no blog. Não mais.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Além de Asas e Tigres

Snoopy’s got a gun.
Apenas para dar algum movimento enquanto não começa mais uma etapa do PGA Tour, recomendo ao amigo torcedor que dê um pulinho neste pequeno tumblr (o fotolog dos anos 10, para os mais jurássicos de internet): http://goobingdetroit.tumblr.com/

O projeto consiste, basicamente, em comparar fotos de 2009, 2011 e 2013 de alguns bairros de Detroit, utilizando o Google Street View e o mesmo serviço do Bing, da Microsoft. Nada muito diferente do que já vimos por aí, mas achei curioso.

Já há uma luz no fim do Tunel, como revelou em janeiro Cláudia Trevisan, do Estadão. Moradores acreditam que em cinco ou dez anos a cidade pode voltar a ser grande.

Mesmo sabendo que Datsyuk ou Abdelkader não vão correr o risco de ficar sem poste de luz na rua de suas respectivas residências, esse tipo de imagem não é exatamente um estímulo para algum jogador vir jogar e morar em Detroit. Isso vale tanto para as propriedades de Mike Ilitch (Red Wings e Tigers) quanto para outras agremiações esportivas da cidade (Pistons e Lions).

Que os bons tempos retornem logo. Detroit merece.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Jogo 4

Dia 04 de maio de 2013, em Detroit, os Red Wings perderam por 4-0 do Anaheim Ducks, deixando o placar da série em 2-1 para o time da Califórnia. No Jogo 4, vitória de Detroit na prorrogação, série empatada, e a decisão seguiria para sete jogos, com a equipe de Michigan classificada.

Dia 18 de abril de 2010, em Detroit, os Red Wings perderam por 4-2 do Phoenix Coyotes, deixando o placar da série em 2-1 para o time do Arizona. No Jogo 4, vitória de Detroit por 3-0, série empatada, e a decisão seguiria para sete jogos, com a equipe de Michigan classificada.

Dia 05 de maio de 2009, em Anaheim, os Red Wings perderam por 2-1 do Anaheim Ducks, deixando o placar da série em 2-1 para o time da Califórnia. No Jogo 4, vitória de Detroit por 6-3, série empatada, e a decisão seguiria para sete jogos, com a equipe de Michigan classificada.

Dia 30 de abril de 2007, em San Jose, os Red Wings perderam por 2-1 do San Jose Sharks, deixando o placar da série em 2-1 para o time da Califórnia. No Jogo 4, vitória de Detroit na prorrogação, seguida por outras duas vitórias, com a classificação vindo no sexto jogo.

22 de abril de 2014. Detroit é humilhado em casa pelo Boston Bruins. Shutout para o goleiro deles. Série 2-1 para o time de Massachussets. E no Jogo 4?

No Jogo 4 James Howard estará no gol. Howard, na melhor pós-temporada de sua carreira, defendendo 93,1% dos chutes que vê pela frente, cedendo apenas dois gols por jogo.

No Jogo 4 Henrik Zetterberg poderá estar no gelo, voltando de uma cirurgia para reparar suas costas, ainda não 100% (e vamos encarar, Zetterberg nunca mais estará 100%). O capitão Red Wing é o maior artilheiro em playoffs desde a temporada 2005-06.

Esperamos que o Gustav Nyquist de fevereiro e março esteja no gelo. Que a defesa frágil e inconsistente não dificulte o trabalho de seu goleiro (que acaba sendo culpado pela torcida depois). Esperamos fazer gols, porque não se ganha de um vencedor de troféu dos Presidentes com dois gols a cada três jogos.

Se tudo isso der certo, temos alguma chance de vencer. Talvez meio-a-meio, quem sabe.

Houve outra oportunidade em que Detroit esteve atrás por 2-1 em uma série*. Em 25 de abril de 2006, contra Edmonton. Detroit venceu o Jogo 4, mas não a série, porque aqueles Oilers eram mais rápidos, mais jovens e mais famintos. Te lembram alguém?

(Também ficamos atrás de Nashville em 2012. Dane-se)

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Bruins (1) vs Red Wings (8)

Primeira rodada
BostonEstatísticasDetroit
117Pontos93
54Vitórias39
19Derrotas28
9OT/SO15
3.15Gols pró/jogo2.65
2.08Gols contra/jogo2.70
21.7PP (%)17.7
83.6PK (%)83.0

Calendário

18/04 - Sexta-feira - 20h30 - Boston
20/04 - Domingo - 16h - Boston
22/04 - Terça-feira - 20h30 - Detroit
24/04 - Quinta-feira - 21h - Detroit
* 26/04 - Sábado - 16h - Boston
* 28/04 - Segunda-feira - A definir - Detroit
* 30/04 - Quarta-feira - A definir - Boston

* Se necessário

Histórico em temporada regular
  • Total: 252 vitórias de Detroit, 236 vitórias de Boston, 95 empates
  • Desde o locaute 2004: oito vitórias de Detroit, três vitórias de Boston
  • Em 2013-14: três vitórias de Detroit, uma de Boston
  • Séries de playoffs: três vitórias de Detroit ('42, '43, '45), quatro vitórias de Boston ('41, '46, '53, '57)

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Vinte e três

Vinte e três
Em 4 de abril de 1991, em St. Louis, o Detroit Red Wings entrou no gelo pelos playoffs da NHL. E de lá não saiu. Com o ponto conquistado na derrota nos pênaltis para o Pittsburgh Penguins hoje, os Red Wings se classificaram para a pós-temporada pelo 23º ano consecutivo.

Em abril de 1991, Nicklas Lidstrom ainda não havia estreado por Detroit. Hoje seu número está eternizado na Joe Louis Arena. Em abril de 1991, Riley Sheahan não havia nascido. Nem Tomas Jurco, autor de dois dos gols de hoje, que ainda esperaria um ano e meio para chegar ao mundo.

Em abril de 1991, Tomas Tatar tinha cinco meses de idade. Brian Lashoff tinha nove meses, Danny DeKeyser havia acabado de completar um ano. Gustav Nyquist tinha um ano e meio, Luke Glendening havia nascido em Grand Rapids há pouco menos de dois anos, somente dois meses mais novo que Joakim Andersson ou Brendan Smith.

Em abril de 1991, antes de Mike Babcock ou Dave Lewis ou Scotty Bowman, Bryan Murray treinava a equipe. Naquela noite, o goleiro era Tim Cheveldae. Chris Osgood seria recrutado poucos meses depois. Brad McCrimmon estava na defesa, Steve Yzerman tinha 25 anos, Sergei Fedorov era calouro.

E, é claro, em Chicago, Chris Chelios já era um veterano de 29 anos, em sua oitava temporada na NHL e primeira pelos 'Hawks.

Vinte e três anos. Mais do alguns de nós já vivemos. As únicas certezas na vida? A morte, os impostos, e os playoffs. Aqui em Detroit é assim.

terça-feira, 8 de abril de 2014

414, só mais 1, e quase 23

Nessa temporada de números, os realmente inesquecíveis serão o aposentado #5 de Nicklas Lidstrom e o eventual 23, número de participações consecutivas nos playoffs, que pode ser garantido com um ponto amanhã contra o Pittsburgh Penguins.

Mas hoje o número é 414, número de vitórias conseguidas pelo Detroit Red Wings sob o comando do treinador Mike Babcock, agora o maior vencedor entre os 26 técnicos que já treinaram a equipe.

Babcock ultrapassou as 413 vitórias de Jack Adams, que treinou a equipe por 20 temporadas, mesmo com 263 jogos a menos. Adams dá o nome ao troféu de melhor treinador da temporada, ao qual Babcock pode ser um dos candidatos no fim deste ano.

Detroit foi acometido por uma onda de lesões ainda mais forte que as das últimas temporadas, teve que usar jovens em funções normalmente reservadas aos veteranos, e ainda assim está em bom caminho para alcançar os playoffs. Após a vitória desta noite, por 3-2 em cima do Buffalo Sabres, o site sportsclubstats.com nos dá 98,9% de chances de classificação, sendo necessário apenas um ponto em alguma das três partidas finais para a confirmação.

Babcock fez um de seus melhores trabalhos na carreira durante esta temporada, e posiciona o time na rota para o número mais importante de todos, a 12ª Copa Stanley da franquia.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Um grande fim de semana

Os Red Wings não têm nada a reclamar dos últimos dias, em especial desse fim de semana.

Além de ter vencido os dois jogos que disputou, contra Toronto Maple Leafs e Tampa Bay Lightning, o Detroit assistiu às derrotas dos principais adversários na luta pelas duas últimas vagas nos playoffs da Conferência Leste.

Os Maple Leafs, com 80 pontos em 76 jogos, perderam na sexta-feira e no sábado e já somam oito derrotas consecutivas, com chances mínimas (4,9%) de ir aos playoffs.

O Washington Capitals, com 81 pontos em 75 jogos, perdeu no sábado e conquistou apenas um ponto com uma derrota nos pênaltis no domingo e tem 20,2% de chances.

Apenas um ponto à frente está o Columbus Blue Jackets, com 82 em 74 jogos. Na sexta-feira o time foi derrotado, mas no sábado conquistou uma vitória na prorrogação, aumentando suas chances para 78,8%.

Os Wings têm 84 pontos em 75 jogos e suas chances são de 80,9%, segundo o Sports Club Stats.

Fala-se em 92 pontos como o número mágico para conquistar a classificação. Para o Detroit, isso representa 4 vitórias nos 7 jogos restantes.

O primeiro critério de desempate é o número de vitórias no tempo normal e na prorrogação, a coluna ROW, em inglês. Neste quesito, os Wings perdem apenas para os Blue Jackets, 33 a 30, e levam vantagem contra os demais concorrentes.

Os próximos jogos do time serão contra Boston Bruins (quarta-feira) e Buffalo Sabres (sexta-feira), em Detroit, e Montreal Canadiens (sábado).

No momento em que as vitórias valem mais do que dois pontos, contar com jogadores retornando de contusão faz toda a diferença. Nos últimos jogos, Darren Helm, Tomas Jurco e Justin Abdelkader reforçaram o time.

Outro dia mesmo a quarta linha era formada por Teemu Pulkkinen, Cory Emmerton e Landon Ferraro. Hoje não há lugar nem pro Todd Bertuzzi.