O jogo 3 e a noite perdida
Sobre o jogo 3, extraído do meu artigo publicado ontem na edição n.º 153 de TheSlot.com.br:
"Em Calgary todo mundo sabia que seria diferente, principalmente porque os Red Wings entraram diferentes no gelo. Mike Babcock promoveu o retorno de Todd Bertuzzi, como deveria mesmo fazer, mas mexeu na linha mais quente do time, formada por Jiri Hudler, Valtteri Filppula e Johan Franzen, sacando Hudler. Consequência: o trio que surpreendia o Calgary pela velocidade e entrosamento e que marcou gol nos dois jogos foi quebrado. O Detroit, que chutava a gol a todo momento, deixou de chutar. E os Flames venceram de virada e voltaram para a disputa da série.
Dois momentos cruciais no jogo 3: no começo do primeiro período, os Red Wings tiveram seis minutos de vantagem numérica praticamente ininterruptos e não aproveitaram. Tivesse marcado um gol naquele momento os Flames se desesperariam; no primeiro minuto do terceiro período, com o jogo empatado em 1-1, Dan Cleary derrubou Dion Phaneuf com um dos trancos mais lindos que eu já vi. Mesmo sem capacete, Cleary pegou o disco e passou para Kris Draper marcar.
Com 2-0 na série, à frente no placar no terceiro período, após marcar um gol de pura raça e tirando o melhor defensor do adversário por alguns minutos da partida. Não é motivação suficiente para jamais olhar para trás e vencer a partida? Para o Detroit não. Curiosamente, Mark Giordano, ocupando o lugar de Phaneuf no time de vantagem numérica, empatou a partida quatro minutos depois. E coube ao capitão Jarome Iginla, tão questionado nos dois primeiros jogos, a honra de marcar o gol da vitória, em chute que Kiprusoff pegaria, mas que Dominik Hasek não pegou.
E assim os Flames estão vivos na série em que os Red Wings tiveram todas as oportunidades de matar em três partidas. E eu mantenho meu palpite: Calgary em seis."
Também nessa edição, o artigo de Marcelo Constantino questiona qual é o Detroit desses playoffs:
"A grande dúvida que muitos tinham quanto ao Detroit Red Wings era sobre qual time estaria no gelo nesta série contra o Calgary Flames. Não quanto à formação, elenco, não. Quanto ao espírito do time. Seria o mesmo das últimas três decepcionantes eliminações precoces ou seria um time com uma cara nova, com vontade, determinação e empenho incessantes?
Passados três jogos da série ainda não há uma resposta definitiva. Ou melhor, até há: é algo intermediário. Se não é um time com aquela raça que caracteriza um time batalhador e de sucesso em playoffs — como o Edmonton Oilers do ano passado, ainda que não tenha sido campeão —, é verdade que o time está longe daquela apatia e falta de sangue demonstrados nas últimas eliminações.
Se o jogo 1 foi completamente desequilibrado, com os Wings mandando e desmandando no jogo, o jogo 3 já foi bem diferente, mas não o inverso. Foi uma partida equilibrada."
Marcelo credita o placar da série principalmente ao pífio desempenho dos Red Wings em vantagem numérica:
"Aliás, até o momento eu vejo dois fatores diferenciais na série, que a levaram até o placar atual de 2-1 para os Wings: a péssima apresentação dos Flames nos dois primeiros jogos e a deficiência do time de vantagem numérica (VN) dos Wings.
Você eventualmente haverá de perguntar: "Deficiência do time de vantagem numérica dos Wings?!" Sim, exatamente isso. Não é porque o time marcou dois gols nessa situação que podemos concluir que está satisfatória. Porque não está. Os Flames entregaram o jogo 2 logo no começo, quando tomaram várias penalidades consecutivas, ficando praticamente uns dez minutos apenas matando penalidades — inclusive com desvantagem de dois homens algumas vezes. Durante todo aquele tempo em que se alternavam jogadores dos Flames no banco de penalidades, o time de VN dos Wings marcou apenas um gol. Dizer que "ao menos marcou um" é pensar pequeno diante do oceano de oportunidades que surgiam.
Cansei de ver o disco rolar de taco em taco, apenas para serem disparados de longe, sempre por Nicklas Lidstrom e Mathieu Schneider. Estivesse em vantagem de um ou dois homens, essa era a saída principal. E não há dúvidas, eles chutavam várias vezes. E bem, como ótimos jogadores que são. Mas é pouco, como se mostrou no fim das contas.
Isso facilita sobretudo o ótimo time de matar penalidades dos Flames, que já sabe que o disco irá para um dos dois bater. Aliás, como ambos os defensores são canhotos, quando um está no ponto ideal para bater, o outro não está — ou seja, até nisso o trabalho dos Flames é facilitado. Raras foram as vezes em que Pavel Datsyk ou Henrik Zetterberg tentaram bater de mais perto, ao lado do gol, ou ainda cruzar um disco em direção ao gol para o sempre atarefado Tomas Holmstrom tentar cavar um gol."
Você pode ler o artigo na íntegra em TheSlot.com.br.
Betterberg
Um comentário:
Concordo com as colocaçoes do Humberto e do Marcelo. Espero que a historia do 4 jogo seja totalmente diferente e o time jogue com mais vontade e atençao. No dia do jogo 3 eu ate comentei com o Humberto, e incrivel como que o Detroit nao aproveita praticamente nehum PP. E leva muitos gols assim, parace que o time nao treina a jogada e quando acontece faz de qualquer jeito.
Vamos ver o que rola nesse jogo de hoje, ai ja podemos tirar nossas conclusoes sobre o futuro do time. Ou sair igual aos ultimos anos ou mudar atitude a avançar rumo a Stanley Cup... " esse mais dificil", mais como torcedor nao desisto nunca.
GO WINGS
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