Asas Vermelhas .vs. Patos
Não importa o esporte, determinados times crescem no decorrer da competição, atingindo o padrão de jogo e a confiança que os impulsionam a grandes campanhas.
É o caso do Detroit Red Wings nestes playoffs. Um time, de certa forma, desacreditado, que sofreu diante do Calgary Flames na primeira rodada, mais por erros próprios que por méritos do adversário — mas não se permite aqui encobrir as limitações dos Wings. Vitória em seis jogos naquela série, para enfrentar na seguinte o San Jose Sharks, inimigo ainda mais perigoso.
Os Sharks eram maiores, mais velozes e também tinham um grande goleiro. Um desafio muito maior que o Calgary. E mesmo atrás no placar por duas vezes na série, os Red Wings buscaram a virada e a vitória em seis jogos. Exceto os torcedores, ninguém apostava no Detroit.
Nas finais de conferência, o Anaheim Ducks. A cada rodada o adversário do Detroit é ainda melhor que o anterior. Os Ducks durante boa parte da temporada dividiram com o Buffalo Sabres a liderança da liga, mas como todo grande time que sobra durante a temporada regular, diminuíram o ritmo, porque pouco importava vencer 50 ou 80 partidas.
Nos playoffs, com o time desenhado para essa fase, os Ducks despacharam a retranca do Minnesota Wild e o defensivo Vancouver Canucks em cinco jogos cada.
O grande nome do time é Chris Pronger, um dos melhores defensores da liga e o maior jogador dos últimos anos em playoffs. Pronger estava no Edmonton Oilers que eliminou o Detroit no ano passado. Ele atua em média mais de 30 minutos por jogo e não é surpresa que seja o maior pontuador da equipe até o momento.
Pronger atua ao lado do veterano Sean O'Donnell, permitindo que o treinador Randy Carlyle escale na segunda linha o excelente François Beauchemin com o monstro Scott Niedermayer. Os dois também atuam por cerca de 30 minutos todas as noites. Ou seja, por praticamente todo o jogo os Red Wings terão um (ou dois) grande(s) defensor(es) pela frente.
Não bastasse a defesa invejável, os Ducks têm o melhor goleiro dos playoffs, Jean-Sebastien Giguere. Jiggy foi o grande responsável pela varrida dos Ducks sobre os Red Wings em 2003, tanto que recebeu o Troféu Conn Smythe por sua atuação nos playoffs. Seus números atuais são de dar inveja: 1,28 gol sofrido por jogo e 95,2% de defesas.
O ataque do time não tem a mesma excelência da defesa. Nesse aspecto possivelmente os Ducks sejam inferiores aos Sharks, por exemplo.
A primeira linha da equipe é formada por Chris Kunitz, Andy McDonald e o veterano Teemu Selanne. Um misto de velocidade, habilidade, força e experiência, que aliás caracteriza também a linha juvenil, composta por Corey Perry, Dustin Penner e Ryan Getzlaf. São duas linhas perigosíssimas que demandarão total atenção dos Red Wings. E como Nicklas Lidstrom é um só e deve marcar Selanne, o outro trio enfrentará possivelmente Chris Chelios.
Na linha defensiva do time está Samuel Pahlsson, finalista ao Troféu Selke, concedido ao melhor atacante defensivo da liga. Ao seu lado estarão Travis Moen e Rob Niedermayer. Pense nos anos gloriosos da Grind Line em Detroit. Esses caras dos Ducks estão nesse ritmo.
Se o jogo físico vier à tona, os Wings que se cuidem, porque o Anaheim foi o recordista de brigas na temporada, com imensa vantagem para os demais. Aparentemente qualquer um no time é capaz de derrubar as luvas e brigar, ao contrário do que se vê em Detroit.
Dito tudo isso, não há outro veredito: os Ducks são os favoritos.
Mas os Red Wings cresceram durante os playoffs. Sem dúvida jogaram melhor contra os Sharks que contra os Flames. E no ritmo que encerraram a última série estarão mais preparados amanhã do que em qualquer outro momento da temporada.
É certo que o cansaço será um fator a pesar contra os Wings, mas jogando com inteligência e explorando os pontos fortes do time, é possível encarar — e até mesmo derrotar — o adversário.
O grande responsável pela mudança de postura em Detroit é o treinador Mike Babcock, que gradualmente substituiu o estilo de posse do disco (puck possession) para o rifar-e-perseguir (dump-and-chase). Assim o time põe o disco na área adversária e batalha nas bordas por ele. Foi basicamente assim que o Detroit se sagrou três vezes campeão sob o comando de Scotty Bowman.
Ainda há para onde crescer nesses playoffs e o Anaheim é o adversário ideal contra quem o Detroit pode atingir o seu limite. E depois do que os Wings fizeram nas duas rodadas disputadas, não dá pra não acreditar nessa possibilidade.
Amanhã vamos escrever mais detalhadamente sobre o que é preciso para se caçar patos. Lidstrom leu o nosso guia e já começou:
Betterberg, Humbertuzzi, Fernandsson... enfim, um RED WING!
3 comentários:
Vamos ver...
Pronger, Niedemeyers, Selanne, Beauchemin, Getzlaf, McDonald e Giguerre.
Dá duas linhas e meia.
Considerando que o Pronger e o Selanne não são mais crianças e jogam mais ou menos uns 30 minutos por partida, vão cansar.
Como foi dito pelo Humbertuzzi, e reforçado por mim acima, o Patos não tem 4 linhas fortemente fortes.
O que quer dizer que começamos a série com Calder e, com o andar da carruagem vermelha, poderemos ter Hudler de volta mais na frente.
A vantagem disso é que vamos rodar 4 linhas, creio eu q 1x1, 2x2, 3x3 e 4x4. Teoricamente. O que não daria certo.
Talvez, com Hudler, seria bacana sair 1x1 e 2x1, 2x2 e 2x3, 4x3 e 1x4, dando pouco tempo de gelo pra linha 4 - o bastante pra molecada marcar gol e botar a linha 1 em pequenos shifts contra os gordos e lezos do Patos.
Agora, como já disse, é esperar pra ver!
zeh.
GO WINGS!
P.S.: Sou contra o Dump-n-Chase. Continuo achando o Trapping melhor, ainda mais contra um time como o Patos.
Dump-and-chase foi assimilado pelo time. Tem funcionado. Vai encontrar adversários perigosos agora na defesa. Vai ser mais complicado para a tática. Vai precisar de mais velocidade para aplicá-la senão seremos pegos muito abertos toda hora quando não conseguir chegar para combater depois de lançado o disco. Contra esses cara, realmente a velocidade será a chave. Assim acho que o Datsyuk e o Zetta serão chave e terão que jogar mais do que na última partida, onde eles sumiram. Agora sim é a hora dos heróis.
Vai ser uma serie muito dificil, o time do Ducks possui uma equipe bem firme e experiente. Tambem acho que a velocidade vai ser um ponto chave pro Wings e espero que Bertuzzi acorde e mostre o seu talento. Vamos ver como o time vai reagir hoje e espero que saia na frente.
GO WINGS
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