Quem vir o título deste post pode achar que é irônico, mas não é, nunca foi ou será.
Eu sei que muitos, talvez, estamos frustrados com a atuação do time no jogo de ontem, quando fomos eliminados pelo Anaheim Ducks.
Porém, vamos aos miúdos, ou fatos, se preferirem.
O time que vimos atuar esta temporada é praticamente o mesmo que foi eliminado na primeira rodada do PO passado pelo Oilers. Claro, tivemos algumas melhorias, como Dominik Hasek, Markov, Bertuzzi e Calder, de veteranos, e algumas surpresas como Kronwall, Quincey, Filppula, Kopecky, Hudler e uma atuação fenomenal do Daniel Cleary (principalmente no PO).
O time veio meio que cambaleando na temporada. Ganhava oito, perdia duas; ganhava duas, perdia oito. Talvez não com essa freqüência exata, mas um tanto inconstante, até que terminou a temporada regular empatado como líder geral da liga, ficando em segundo por critérios de desempate.
Mesmo assim, ninguém botava fé na equipe.
Pavel Datsyuk, com fama de "amarelão", pelas atuações em POs anteriores, era o mais retaliado, embora tenha carregado o time nas costas depois da contusão de Zetterberg. Mesmo assim, ninguém botava fé nele e acabou computando 16 pontos em 18 jogos.
Começaram os POs e pegamos o oitavo time da nossa conferência - Calgary Flames - liderado por dois jogadores que são referência em suas respectivas posições - Jarome Iginla e Miika Kiprusoff - e com algumas outras estrelas. Resultado? Vencemos. O Detroit Red Wings conseguiu passar pela primeira prova de fogo.
Depois, com a eliminação do Dallas Stars pelo Vacouver Canucks, veio o San Jose Sharks, considerado por muitos o favorito aos títulos da conferência leste e da Stanley Cup. Resultado? Vencemos. Anulamos (Lidstrom) Joe Thorton e sua patota. Viramos os jogos 2 e 4, depois de estarmos perdendo por dois gols, e vimos que ainda tínhamos cartas na manga. O Detroit Red Wings conseguiu passar pela segunda prova de fogo.
Vieram os Ducks. Um time completo. Jogando quatro com linhas, como nós começamos os POs, e sendo agressivos.
A essa altura - e desde bem antes - já não contávamos com jogadores-chave na escalação, tendo perdido Niklas Kronwall em março e Mathieu Schneider na série contra o Sharks. Era hora de gente nova - nova mesmo - mostrar do que era capaz.
Kyle Quincey, um moleque de 22 anos, fez sua estréia em POs (jogo 6 contra o Flames - substitundo Lebda) e disse: eu vim para ficar. Kyle Quincey recebe de mim a mesma ovação que usei pra Kronwall: "Ele joga como quem joga uma pelada com amigos. Ele joga sem compromisso, sem pressão". O primeiro taco que Kyle Quincey segurou na vida foi seu cordão umbilical. O Detroit Red Wings não pode se dar ao luxo de mandá-lo embora tão cedo. Esse menino-véi-amarelo-do-buchão vai ser tão importante quanto Chelios, tamanha a calma e precisão nos passes, dribles atrás do gol e posicionamento ímpares para um calouro.
Não vou falar mal do Andreas Lilja, embora tenha dado o gol da vitória no jogo 5 para o Selanne.
Não vou falar mal do Robert Lang, embora tenha feito pouco - mas o pouco que fez foi muito - no PO, permitindo-nos vencer dois jogos decisivos (um em cada série antes das finais da conferência).
Não vou falar mal do Todd Bertuzzi, embora não tenha feito absolutamente nada de útil desde que chegou na equipe, afinal saía de cirurgia.
Não vou falar mal do Dominik Hasek, embora não tenha jogado o melhor que sabe no jogo 6 contra o Anaheim Ducks, permitindo três gols em rebotes que, caso tivesse tentado jogar como deveria - tentando acabar as jogadas -, tem seu estilo e foi assim que foi campeão da SC conosco e tem seis vezina na estante de prataria da sua casa.
Não vou falar mal de Mikael Samuelsson, embora não tendo chutado quase que em empty net na prorrogação do jogo 5 contra o Ducks e não tenha tido uma atuação condizente com seu talento no jogo 6.
Não vou falar mal de Pavel Datsyuk, embora não tenha sido o que esperávamos - mesmo tendo sido quase isso.
Não vou falar mal de Henrik Zetterberg, embora não tenha sido o que esperávamos - mesmo tendo sido quase isso.
Não vou falar mal de Kris Draper, embora não tenha jogado aquele cara que todos nós cansamos de ver batendo e armando jogadas como poucos na liga.
Não vou falar mal de Kirk Maltby, embora não tenha sido o jogador que deveria ter feito jus à sua renovação de contrato e não tenha marcado gols que, para ele, eram fáceis de marcar.
Não vou falar mal de Mike Babcock, embora tenha tido a oportunidade de tirar Bertuzzi do time para o jogo 6 contra o Ducks, colocar Hudler e voltar a jogar com quatro linhas.
A esses e a todos os outros - principalmente a Nicklas Lidstrom, Chris Chelios, Daniel Cleary e ao dono de uma das próximas camisas a serem penduradas na Joe Louis Arena: Tomas Holmstrom - tenho apenas uma coisa a dizer: Muito obrigado.
Muito obrigado por terem mostrado-nos que esse fanatismo que nos faz ficar em casa às sextas-feiras, brigar com namorada, beber sozinho, comentar com gente que não entende bulhufas de hockey no gelo não é em vão.
Muito obrigado por terem mostrado-nos que com os que vão sair (quase certo que Robert Lang e Kyle Calder) e alguns outros que vão entrar (Igor Grigorenko e Jimmy Howard - caso Hasek não volte), teremos muitas - e boas - emoções na próxima temporada.
Muito obrigado.
zeh.
GO WINGS!