(foto: fórum LetsGoWings.com)
A temporada regular é passado. Com 51 vitórias e 112 pontos, o Detroit Red Wings conquistou a segunda colocação geral na Conferência Oeste. Nos playoffs, o caminho até a Copa Stanley passa pelo Columbus Blue Jackets, que se classificou em sétimo lugar, com 41 vitórias e 92 pontos.
Apesar da diferença na pontuação, em 2009 o Columbus conquistou apenas cinco pontos a menos que o Detroit (59 a 54) e desde o dia-limite a campanha da equipe é superior, com dois pontos a mais (22 a 20).
Se para contar a história dos Red Wings em playoffs é preciso uma coletânea enciclopédica, no caso dos Blue Jackets uma folha de caderno pela metade já basta. É a primeira vez que a equipe se classifica em seus oito anos de vida.
Na transformação entre time cretino a 'playoffista', os Blue Jackets devem muito ao treinador Ken Hitchcock. O bom e velho Bill foi campeão em 1999, com o Dallas Stars, e é um dos treinadores mais experientes e vitoriosos da liga (em temporada regular).
Quem diria que o time de Rick Nash não seria o time de Rick Nash? Goleador (40 gols) e artilheiro do time (79 pontos), Nash foi superado pelo novato goleiro Steve Mason, que foi convocado em novembro e tanto agradou que assumiu a vaga de titular. Com 91,6%, 2,29 gols sofridos por jogo e 10 shutouts, Mason será vencedor do Troféu Calder (melhor novato), finalista do Troféu Vezina (melhor goleiro) e receberá até alguma consideração para o Troféu Hart (jogador mais importante para seu time).
O elenco dos Blue Jackets não é tão profundo, mas há o que se temer no adversário. Nash nós já conhecemos pelos dois hat tricks marcados contra o Detroit na temporada. Kristian Huselius é um atacante perigoso e R.J. Umberger é o "Tomas Holmstrom" do time: é ele quem faz a parede em vantagem numérica.
Outro atacante digno de nota é Jason Williams, que jogou pelos Red Wings entre 2000-01 e 2006-07. Williams foi contratado durante a temporada para suprir a carência do time por um jogador destro para jogar em vantagem numérica. Outro bom reforço trazido pela gerência foi o versátil Antoine Vermette, dono de 13 pontos em 17 jogos desde o dia-limite de trocas.
Quem deve aparecer bastante é o atacante Raffi Torres. Os torcedores vão se lembrar dele por um tranco que quebrou um jogador dos Wings — eu só não me lembro quem e quando. Torres é durão, agressivo e perigoso.
Obs: a vítima de Torres foi o próprio Williams, hoje companheiro nos Blue Jackets. Graças ao Guilherme podemos rever o lance.
Atacantes defensivos eles também têm, e dos bons. Com Manny Malhotra no gelo, o Columbus sofre pouquíssimos gols. Michael Peca já venceu o Troféu Selke no passado e pode se reenergizar com os playoffs.
Os jogadores de defesa do time não são grandes coisas, mas Fedor Tyutin e Jan Hejda estão entre os melhores defensores "defensivos" da liga nesta temporada. Hejda tem +23, saldo digno de Red Wings. Mike Commodore, o defensor que nadou em dinheiro — para quem não viu a foto, Commodore foi clicado enquanto nadava em dólares numa cama —, também é confiável e muito forte.
Quem pode reforçar o time é o atacante Derick Brassard, que teria tudo para competir diretamente pelo Calder se não tivesse se machucado durante uma briga em dezembro. Brassard pode retornar durante a primeira fase, talvez no jogo 3. Fredrik Modin, ausente desde março, também deve jogar. Com Modin e Brassard, a equipe forma três boas linhas ofensivas.
A maior deficiência do Columbus está no time de vantagem numérica, o pior da liga durante a temporada, com apenas 12,7% de aproveitamento (41 gols marcados). Os Red Wings foram os melhores nesse quesito, com 25,5% e 90 gols marcados. Por outro lado, os Blue Jackets mataram 82,1% das penalidades e os Wings apenas 78,3%.
Resumindo: o Columbus não é time de um jogador só. Há bons jogadores espalhados pelas linhas de ataque e pelo menos duas linhas de defesa razoáveis. A força da equipe está no esquema de jogo implantado por Hitchcock. E tudo que eles precisam é que Mason seja tão bom quanto foi até agora.
Durante a temporada regular Detroit e Columbus se enfrentaram seis vezes. Cada um venceu três confrontos, com destaque para a goleada dos Blue Jackets por 8-2.
Nenhum jornalista internacional apostou nos Blue Jackets nesta série. Todos apontam vitória do Detroit em cinco ou seis jogos. A vantagem do Columbus está no gol. Nas demais posições, os Wings ganham de goleada. Entre os treinadores, os dois estão muito bem servidos.
Esse é o Columbus Blue Jackets. Ou, pelo menos, foi isso o que eu me lembrei. E mais o fato de que é muito melhor pegar os vizinhos de Columbus do que cruzar o país para enfrentar o Anaheim Ducks.