Contagem regressiva para a Copa.

 Contagem regressiva para a Copa.

domingo, 31 de maio de 2009

Abracadabra

(imagem: fórum LetsGoWings.com)


Don Cherry comentou após o jogo que não importa quantos chutes o Pittsburgh Penguins deu a mais que o Detroit no jogo 2. O importante é a qualidade do chute, o que envolve tanto a precisão e a potência de quem chuta quanto a habilidade de quem está à frente do goleiro para encobrir sua visão ou desviar o disco para dentro do gol.

Não faltou essa combinação no gol de Jonathan Ericsson, que empatou o jogo no começo do segundo período. Marc-Andre Fleury não viu o disco até que ele estivesse dentro do gol, porque Darren Helm estava lá o atrapalhando. De novo os Wings conseguiram um gol após um icing da defesa dos Penguins.

O goleiro dos Penguins também não tinha a menor chance de impedir o segundo gol porque Tomas Holmstrom estava lá causando um terremoto na área. O disco sobrou para Valtteri Filppula encaixar um chute de backhand inexplicável. Méritos para Marian Hossa, que roubou o disco no ataque, e Niklas Kronwall, que manteve a posse ofensiva na linha azul.

Momento da confissão: foi falta de Hossa em Pascal Dupuis (ou em algum outro pinguim qualquer). Como se não bastasse segurar o adversário, Hossa ainda quebrou seu taco. Se fosse contra os Wings, eu arrancaria meus cabelos.

Exatamente um segundo mais tarde que no jogo 1, desta vez aos 2:47, Justin Abdelkader marcou o gol do 3-1, o que vai se tornando um hábito na Joe Louis Arena.

Aliás, o placar da série aponta Abdelkader 2 x 1 Crosby + Malkin. E ninguém vai derrotar o Detroit enquanto o cara da quarta linha, ou melhor, o cara da AHL for o goleador da série.

Evgeni Malkin deixou o jogo com -2. É a mina de ouro. Sua linha foi a que mais sofreu gols nos playoffs pelo time de Pittsburgh. Sua briguinha com Henrik Zetterberg no fim do jogo apenas demonstra sua total frustração diante da incapacidade de derrotar os Red Wings.

O impacto dos jogos em dias consecutivos ficou nítido na segunda metade do primeiro e do segundo período. O Detroit dominava os dez, doze minutos iniciais para se segurar no restante, quando os Penguins aceleravam o jogo e passavam com facilidade pelas pernas cansadas vestindo vermelho e branco.

É melhor começarmos a nos acostumar com a ideia: Chris Osgood vencedor do Troféu Conn Smythe 2009.

Enquanto isso meu relógio marca 2 pras 12...

Sétimo jogador

(imagem: fórum LetsGoWings.com)

Ironias do destino...

Durante o primeiro período do jogo 1, quando Red Wings e Penguins empatavam em 0-0, a equipe da CBC exibiu imagens dos treinamentos dos visitantes. Sergei Gonchar chutava o disco nas bordas para que ele ricocheteasse e voltasse em direção ao gol. Marc-Andre Fleury estava lá para entender como as sinuosas bordas da Joe Louis Arena se comportavam. Evgeni Malkin aproveitava o rebote da natureza e chutava no goleiro.

De volta ao jogo, aos 13:38, Conn Stuart aproveitou um disco mal isolado na linha azul, chutou pra fora e as bordas mágicas empurraram o disco nas pernas de Fleury, que completou o serviço. Detroit 1-0.

No último minuto do segundo período, o chute de Brian Rafalski foi das bordas para o taco de Johan Franzen. A Mula, atrás do gol, chutou de backhand, o disco acertou Fleury e morreu na rede. Detroit 2-1.

Porque aqui as bordas trabalham a nosso favor.

Os Red Wings tiveram sorte em sair invictos do segundo período, quando os Penguins pressionaram e por pouco não conseguiram marcar. Chris Osgood foi o herói da noite, impedindo o gol de Malkin em breakaway e fazendo várias outras defesas impressionantes nesse jogaço que abriu a disputa da Copa Stanley 2009.

Outra dose de sorte no terceiro gol. No começo do terceiro período, lá estava a linha 4, em um dos seus raros turnos. Justin Abdelkader pegou com a mão o disco a dois metros de altura, jogou no gelo e marcou o primeiro gol de sua carreira. Detroit 3-1.

Como é bom largar na frente, ainda mais quando as principais estrelas do time fizeram sua parte na primeira vitória. Henrik Zetterberg esteve na cola de Sidney Crosby a noite toda. Marian Hossa voou pelo gelo, Nicklas Lidstrom não parecia baleado e Osgood roubava o jogo.

E sem Pavel Datsyuk. Alguém imagina que os Penguins poderiam derrotar os Wings sem Crosby ou Malkin? Pois os Wings podem derrotá-los sem Datsyuk.

Os Penguins 2009 não são os mesmos do ano passado. Ontem eles venceriam o jogo por pontos, não fosse o nocaute dos Wings. Mas algumas coisas não mudam, como o domínio absurdo nos faceoffs. Os Wings venceram 39 de 55 disputas, 71% de aproveitamento. Zetterberg humilhou Crosby, com 11 em 16. Darren Helm humilhou Jordan Staal, 9 em 13.

Os Wings pecaram nos discos perdidos. Vinte giveaways. Não se pode errar desse jeito na final da Copa.

Dois jogos sem sofrer gols em vantagem numérica. Ontem o time de matar penalidades foi incrível nas duas chances que os adversários tiveram.

Não sei o seu, mas o meu relógio marca agora 3 para as 12.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A dinastia dos Wings (1992-presente)

Texto escrito e publicado por James Mirtle no blog From the Rink.


Eu me lembro de publicar uma enquete no ano passado, logo após o Detroit conquistar sua 11.ª Copa Stanley, perguntando se poderíamos considerar os Red Wings — vencedores de quatro Copas em 11 temporadas naquele momento — uma dinastia.

Os resultados foram preponderantes na categoria "sim", e eu tenho certeza que eles seriam ainda mais um ano depois com os Red Wings perto de mais um potencial triunfo.

Detroit é um grande time há tanto tempo que eu não consigo me lembrar sua última temporada ruim. Eu sou muito novo (e de jeito nenhum novo como antes) e eles têm sido um time de ponta por um extenso período de tempo que aceitamos isso como verdade no mundo do hóquei.

Olhando o gráfico acima, que apresenta o aproveitamento dos Red Wings desde o fim da era dos Seis Originais até hoje, você vai ver que nas primeiras 24 temporadas após a expansão o Detroit teve apenas duas com um aproveitamento superior à modesta marca de 56%.

Nas 17 temporadas seguintes desde 1990-91, eles tiveram 17 seguidas.

Neste período de tempo, os Red Wings tiveram média de 66,6% de aproveitamento, o equivalente a uma temporada de 109 pontos, o que é muito mais que qualquer outra franquia conseguiu neste tempo.

Eles também dominaram nos playoffs, vencendo incríveis 29 fases nos playoffs nas últimas 14 temporadas. Eu acredito que os Avs e os Devils são os próximos com 19 e 18 neste período de tempo, mas é uma diferença impressionante.

Os Red Wings tiveram um recrutamento maravilhoso em 1989, selecionando Nicklas Lidstrom, Sergei Fedorov, Vladimir Konstantinov, Mike Sillinger, Dallas Drake e Bob Boughner em um único evento e se estabelecendo para quase duas décadas de excelência prolongada.

[Nota do blog: Michael Farber, da Sports Illustrated, escreveu sobre o recrutamento de 1989 e o Detroit Red Wings. Nosso leitor e comentarista oficial, Guilherme Calciolari, traduziu. O texto está disponível aqui.

Qualquer estatística que você escolhe desde aquele ponto vai te impressionar, mas eu gosto mais desta: desde que Lidstrom se juntou ao time como um calouro em 1991-92, o mais baixo que o Detroit terminou a temporada no geral foi em sexto, o que eles fizeram em 1998-99. Houve outros dois anos em que o Detroit foi quinto na NHL nesses 17 anos e um em que foi quarto, mas nas outras 13 temporadas eles foram primeiro, segundo ou terceiro.

E os Wings não ficam abaixo do terceiro lugar há uma década.

As dinastias de cada era estão para sempre ligadas às suas estrelas — os Habs dos anos 1960 e 1970 com Beliveau e Dryden, os Isles com Bossy e Trottier no começo dos anos 1980, e mais tarde os Oilers com Gretzky, Messier, Coffey e Fuhr — mas a única verdadeira constante em todas as vitórias do Detroit ao longo dos anos tem sido um defensor sueco de porte médio que eles escolheram com a 53.ª escolha geral no recrutamento vinte anos atrás.

Agora com 39, Lidstrom disputou mais jogos de playoffs que todos os jogadores, exceto seis, em todos os tempos, e se a final deste ano for a seis jogos, ele chegará ao quarto lugar com 234 jogos, empatando com Claude Lemieux. Considerando que ele tem mais um ano de contrato, Lidstrom pode facilmente ultrapassar Mark Messier e Patrick Roy em jogos de playoffs no próximo ano, deixando apenas Chris Chelios à sua frente na lista.

Quatorze anos atrás, o Detroit disputou as finais pela primeira vez em 29 anos com um Lidstrom de 25 anos ancorando sua linha azul (e um Chris Osgood de 22 anos como goleiro reserva). Agora os Wings e seu capitão estão de volta às finais pela quinta vez desde então e são, sem dúvida, os favoritos para vencer novamente.

Simplesmente incrível.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Lá e de volta outra vez

(imagem: fórum LetsGoWings.com)


O Detroit Red Wings está na final da Copa Stanley.

A vitória por 2-1 na prorrogação do jogo 5 selou a classificação contra o Chicago Blackhawks, time que provou ser capaz de enfrentar os Wings, mas não de derrotá-los, mesmo com os atuais campeões a cada dia aumentando sua lista de desfalques.

Andreas Lilja, Nicklas Lidstrom e Jonathan Ericsson, na defesa; Tomas Kopecky, Kris Draper e Pavel Datsyuk, no ataque. Seis jogadores que seriam titulares em qualquer outro time da liga, entre eles dois futuros membros do Salão da Fama.

Os Hawks também não contavam com alguns dos seus, como Nikolai Khabibulin e Martin Havlat.

O jogo 5 foi um duelo dos goleiros, Cristobal Huet e Chris Osgood, porque os times jogavam e deixavam jogar. Era ataque pra todo lado, geralmente sem perigo de gol.

Parecia que ninguém queria vencer o jogo, que passavam o tempo jogando hóquei. Era o nervosismo. Típico jogo em que o Detroit ataca, ataca e perde, sensação que só aumentou quando o terceiro período terminou. "Lá vem Prorrogação..."

Até que Darren Helm, nome de herói, dono de 12 trancos na noite, marcou o gol da vitória. Helm, recordista absoluto da NHL com cinco gols nos playoffs e nenhum em temporada regular. Ele está nos livros dos recordes da liga agora. Ninguém nunca, jamais e tempo algum marcou tantos gols em playoffs sem marcar em temporada regular.

A imagem que ilustra o post não é de ontem, nem desta temporada. É do passado. É a ilustração perfeita para o jogo 4, quando os Hawks fizeram aquele papelão jogando em Chicago.

Os Red Wings ganhariam a série de qualquer forma, mas fica eternizado o tranco de Niklas Kronwall sobre Martin Havlat como o catalisador do confronto, o lance que acelerou a definição do resultado. Dali em diante os Blackhawks se perderam.

Agora é pensar na final da Copa. É por isso que o post é curto.

É NOSSO, CARAJO! DE NOVO!

Detroit Red Wings.
Campeão do Clarence Campbell '08-09.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Segundo set

Nicklas Lidstrom e Pavel Datsyuk estão fora do jogo 5.

Mike Babcock disse que eles estão perto de retornar e que talvez disputem o próximo jogo. Resta saber se será pelas finais de conferência ou pela Copa Stanley.

O time será o mesmo que derrotou o Chicago por 6-1 no domingo.

Para os fãs de Darren Helm (cortesia de Bruce MacLeod):
Helm lidera os Wings em trancos, com 66, à frente de Dan Cleary, com 45. Sua marca o coloca na quarta posição geral em toda a liga.

Com nome de Darren, não poderia ser diferente :)


Atualização: 14h31
Pelo lado dos Blackhawks, nada de Nikolai Khabibulin e de Martin Havlat.

Aliás, o retorno de Havlat para o jogo 4 foi muito questionado pela imprensa. Depois de ser esmagado por Niklas Kronwall, o risco de sofrer uma concussão era enorme. Tanto Havlat não estava pronto para jogar que deixou o jogo após um tranco de Brad Stuart.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Pensando na próxima jogada

Bruce MacLeod informa que os jogadores contundidos não participaram dos treinos de hoje de manhã no Detroit Red Wings.

Nada de Nicklas Lidstrom (supostamente com dores no tornozelo), nada de Pavel Datsyuk (seu pé está tão inchado que não cabe o patim), nada de Kris Draper (virilha). O último já foi cortado do jogo, inclusive.

As linhas permaneceram as mesmas do jogo 4:

Franzen-Zetterberg-Hudler
Holmstrom-Filppula-Hossa
Cleary-Helm-Samuelsson
Leino-Abdelkader-Maltby

Ericsson-Rafalski
Kronwall-Stuart
Lebda-Chelios
Meech-Lilja

Osgood
Conklin

O Detroit provou que pode vencer sem Lidstrom e sem Datsyuk, mas boa parte dos créditos pela vitória deve ser dada ao Chicago Blackhawks, que não esqueceu o tranco de Niklas Kronwall no jogo 3 e jogou como se tivesse que vingar a morte de Martin Havlat.

No hóquei — em qualquer esporte, na verdade — você tem que pensar na próxima jogada, nunca lamentar pela anterior que foi desperdiçada. Os Blackhawks não pensaram no jogo 4, eles ainda carregavam na cabeça o jogo 3.

E agora estão com um prejuízo irreversível.

Que Lidstrom e Datsyuk retornem ao gelo para que os Red Wings vençam sem sustos.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Mesmo à meia guampa!

Doze segundos de prazer? Chicago, assim nem os especialistas(?) do Boston Medical Group podem ajudar. Esse curto intervalo de tempo foi o bastante para que a esperança de uma virada, desatada após o gol de Jonathan Toews, virar pó. A resposta quase instantânea de Marian Hossa emudeceu de vez a Oca e mexeu com os hormônios da piazada.




Os Blackhawks podem até negar, mas provavelmente gostaram das preliminares. Torcedores dos Wings? Nem tanto. Fomos praticamente sodomizados pelas notícias que chegavam do norte. Nela ficamos sabendo que atuaríamos sem o maior jogador de hóquei de que se tem notícia. Pela primeira vez em sua laureada e imaculada carreira, Nicklas Lidstrom estava de fora de um jogo de pos-temporada. Se nosso irmão em Wings Cauê soltou um “fodeu” de poucos decibéis, aqui mandei uma gama de palavrões e ofensas, escutada nas trincheiras mais remotas.

Mas, para humilhação extrema dos indígenas, nem mesmo a ausência do atual monarca do troféu Norris, aliada a segunda partida sem o atual vencedor do troféu Selke, também finalista do troféu Hart, Pavel Datsyuk, foi suficiente para deter a sanha goleadora dos Red Wings. Não deu nem pro cheiro. Esgualepado, o Guarani de Illinois perdeu o rumo.

Todos estávamos de olho no processo retaliatório(?) prometido pelo Bozo triste, Brian Campbell. Hipócrita ao extremo, o homem(???) que destruiu RJ Umberger nos playoffs de 2006, com o mesmo tipo de tranco imposto por Niklas Kronwall a Martin Havlat, deu seguidas entrevistas onde deixava claro que nosso atleta não passava de um bandido cruel e sanguinário.

Havlat, contrariando as expectativas, jogou. E foi novamente atingido. Novamente de forma leal. A primeira vez por Jonathan Ericsson. Logo depois por Brad Stuart. Cadê Campbell para defender o companheiro? O Bozo triste estava mais preocupado em acumular pontos negativos em seu rating. O farsante, que custa mais de 7 milhões de doletas aos cofres do time da Funai foi mais uma vez uma negação no gelo. Ele até mesmo ajudou a mula Franzen no 2º gol, proporcionando uma bela parede para a o chute mortal de Johan. Esteve presente também quando marcamos três outros tentos. Nas imortais palavras do nosso amigo Guilherme: "Minha anta favorita: Brian Campbell. Declarações absurdas seguidas de um -3... Fantástico!"

Chicago tentou mesmo ser agressivo. Mas raras foram as penalidades cometidas que realmente causaram algum estrago em nossas feras. Até mesmo um show(?) do Hermeto Pascal causa mais hematomas que esse time dos Hawks. O único Wings a sofrer um pouco foi Ville Leino, que tomou um cotovelada na nuca, diferida por Duncan keith. Mo restante, uma pilha de penalidades imbecis por parte do time de Joel, que está sendo massacrado pela mídia nesse exato momento. Ele chorou muito após o jogo. Maior roubo da história? Tá falando do jogo 3 Joel? Mais uma vez mando meu obrigado endereçado a Chicago. Contrataram o homem certo para tirar a hegemonia dos Wings na Central... E também prenderam Huet e Campbell com longos e pesados contratos. Pelo que vimos de Huet ontem, temos que agradecer por isso também.

Voltando aos Wings. Stuart mais uma vez foi digno de nota máxima. Brutal nas bordas, seguro e bem posicionado diante de uma equipe com atacantes velozes.

Valtteri Filppula e Marian Hossa foram infernais. O finlandês foi recompensado após dar passes precisos e fundamentais no jogo 2 e no primeiro tento desse jogo 5. Anotou o seu e foi o melhor no gelo. Hossa vinha sendo perfeito defensivamente, mas ele, melhor do que ninguém, sabe que tem categoria para fazer mais. Brilhou mais uma vez em um jogo 4. Assim como contra o CBJ e os Ducks, o eslovaco produziu dois tentos. E ambos foram gols que quebraram momentos favoráveis aos índios. Em desvantagem numérica, abriu a conta - além do já citado quarto gol da equipe. Hossa elevou seu nível na partida mais importante da série até aqui. Isso diz muito.

Bônus track(?)

- Babcock mandou Osgood pro chuveiro por suposta desidratação antes do início do 3º período. Pra mim foi mais para dar a Ty Conklin um gosto melhor de playoffs. Em toda sua carreira na NHL o goleiro só havia atuado durante pouco mais de 5 minutos em uma pos-temporada. A experiência – substituindo Roloson em uma partida das finais da Stanley de 2006, entre seu Edmonton Oilers, contra os Hurricanes – foi desastrosa. Ontem ele teve 20 minutos, onde cumpriu um fácil dever diante dos indisciplinados guaranis.

- Enquanto o Bozo triste saiu do jogo sem pontuar e com -3 na anca(?), Kronwall saiu da partida com duas assistências e +2. E ainda distribuiu sorrisos para Kris Versteeg, quando o ignóbil tentava, inutilmente, tirar Nick Jr para uma dança.

- O mesmo Versteeg acabou ejetado do prélio. Saiu jurando Hudler. Nesse momento ganhou um tchau categórico de Holmstrom. Mais um momento de alegria naquela tarde mágica.

- Como nossa equipe de vantagem numérica se torna mortal com a presença de Brian Rafalski no gelo. O cara é um monstro na arte de manter o disco na zona ofensiva. No jogo 4 ele recebeu três pedregulhos, ao invés de passes, e mesmo assim manteve o biscoito onde deveria.

- Na coletiva pos-jogo Babcock deixou nas entrelinhas que os Wings está evitando ao máximo colocar os atletas baleados no gelo. Caso fosse um jogo de vida ou morte, certamente Datsyuk e Lidstrom atuariam. Qual equipe pode se dar o luxo de fazer isso?

-Existe a enorme chance dos Penguins varrerem os Canes. Com isso acontecendo é bom Detroit não gastar pólvora em chimango e mandar logo os índios pro espaço. Isso deixaria um enorme hiato até às finais da copa. Isso seria ótimo para os Red Wings. Tempo de sobra para recuperar a turma que está no estaleiro. Para isso é essencial que o jogo 5 seja o último do Guarani na temporada.

domingo, 24 de maio de 2009

A arte de não se importar (com o jogo anterior)

Cada um tem sua reação ao receber uma má notícia. A minha, ao saber minutos antes do jogo que nosso capitão e Troféu Norris vitalício N. Lidstrom estaria fora do jogo hoje, foi colocar as duas mãos na cabeça e soltar baixinho um "fodeu".

Isso porque sua ausência se somava à de Datsyuk e de K. Draper, o jedi dos faceoffs (um dos fundamentos mais subvalorizados do hockey moderno, diga-se). Teríamos, portanto, que contar novamente com a molecada (Ericsson, Abdelkader e Leino). Para contrastar, no lugar do capitão teríamos o imortal Chelios, enfrentando seu ex-time nos playoffs pela primeira vez na série. Quer dizer, escalar Chelios no time foi uma forma eufêmica de dizer que jogariamos com 5 defensores, o que por sí só já seria ruim e, se levarmos em conta que jogamos o jogo passado todo com 5 defensores também, seria pior ainda. Aliás, todas as atenções voltadas para Niklas Kronwall depois do tranco que quase desmanchou Martin Havlat na Sexta-feira.

Mesmo assim eu confiava na capacidade do time de se recuperar depois de ser derrotado, como já presenciamos tantas vezes num futuro recente.

Início de jogo e o time jogando bem, como foi o começo do jogo 3.
Aos 7:41 Zetterberg comete penalidade e vai pro caixão. Todos sabemos que nosso time não passa 1 jogo sem levar um golzinho na desvantagem numérica, portanto qualquer penalidade é apreensão pura. Só que dessa vez foi diferente. O Chicago se precipitou, tumultuando as bordas por trás do gol de Osgood e armou um 2 contra 1, com Filppula passando na medida para Hossa abrir o placar. E eu nem lembrava o último gol SH do time...

Faltando quase 20 segundos pra terminar o primeiro periodo Franzen Mula, sempre ele, escapa pela ala direita e acerta um wrist fraco mas na forquilha de Huet, que é conhecido por suas dificuldades com chutes altos. Peruzão e Wings 2x0.

Dai pra frente foi só controlar o jogo. O blogueiro aqui assistia admirado e resfriado ao estrago que o time fazia no placar e na moral Chicaguense. A cada espirro e assoo de nariz era um gol pra conta do papa. Como disseram os comentaristas da NBC, o Detroit deu hoje uma aula de gerenciamento de posse de puck. Em alguns momentos, com o jogo já 4x1, aconteceram lampejos de brilhantismo, com um jogo de passes tão envolvente que desmanchava a formação defensiva indígena. A destruição, contudo, não era só no placar mas também no orgulho do time guarani, fazendo com que vários jogadores perdessem a cabeça e cometessem penalidades infantís, bem de acordo com a média de idade do time. O Detroit que não é bobo nem nada passou a capitalizar nas oportunidades númericas, com 2 gols de Zetterberg, ambos com extrema categoria na matada de puck com o patins e metendo pro fundo da rede.

6x1 placar final e uma atuação de V. Filppula de tirar o chapéu, fazendo com que ninguém tivesse saudades de Dats.

Na coletiva pós-jogo uma declaração curiosa, para não dizer triste, insana ou maldosa: Joel Quenneville, treinador dos Hawks, disse que a penalidade de Matt Walker aos 20:00 do primeiro período (Roughing - penalidade essa que custou aos Hawks o terceiro gol no começo do segundo período) foi "a pior arbitragem da história dos esportes". Sério? Sério mesmo? Será que Quenneville esqueceu do "errinho" de arbitragem no jogo passado?

Mas tudo bem, Quennie. Não discutiremos. No fim das contas o freguês tem sempre razão.

sábado, 23 de maio de 2009

Interferência dos árbitros e da torcida

(Foto: AP)


Para não cometer nenhum tipo de injustiça, antes de comentar sobre os Red Wings é preciso dizer que os Blackhawks fizeram uma boa partida e mereceram a vitória, principalmente pela atuação em parte do primeiro período.

Dito isso, vamos aos que interessa.

O primeiro período do Detroit ontem foi o pior período do time nos playoffs, tanto pela atuação do time quanto da arbitragem. E olha que de arbitragem nós temos muito o que reclamar nestes playoffs.

O Chicago massacrou o gol de Chris Osgood, mas o primeiro gol só saiu quando Dan Cleary foi penalizado por quatro minutos por taco alto. Os Wings até mataram a primeira penalidade, mas na segunda Patrick Sharp desviou com sucesso o chute de Brent Seabrook. Pouco mais de um minuto depois, os Blackhawks marcaram o segundo gol.

Naquele ritmo o jogo estava perdido. A todo momento Henrik Zetterberg estava no gelo porque os Wings sentiam a falta de Pavel Datsyuk. Mas a situação ficaria ainda pior aos 13:08, quando Niklas Kronwall atropelou Martin Havlat com um daqueles seus trancos.

Os árbitros a princípio não marcaram nada. Quando viram o estrago, Havlat caído no gelo completamente bêbado, decidiram punir Kronwall com uma penalidade grave de cinco minutos por interferência e o expulsaram do jogo.

Interferência é a penalidade marcada por atingir um jogador que não tem o disco. Havlat tinha o disco, mesmo que sob seus pés. Kronwall não tirou os pés do chão antes do choque — depois da batida é que ele voou. O tranco foi absolutamente limpo.

Confira comigo no replay: (atenção: isso é uma imagem!)























A minha teoria é que Kronwall foi expulso porque sua vítima foi Havlat, jogador com histórico de contusões. Fosse um Dustin Byfuglien da vida, o jogo teria seguido normalmente.

Nos cinco minutos de vantagem numérica os Blackhawks não marcaram gol e pouco pressionaram. Fosse o Detroit nesta situação eu estaria arrancando os cabelos. Antes do fim do primeiro e péssimo período Jonathan Ericsson foi punido e os Wings escaparam ilesos mais uma vez.

Terminado o período, expectativa de vida nova para os Red Wings. Então com menos de um minuto o Chicago fez 3-0. Não era a nossa noite.

Aí a famosa teoria da compensação entrou em cena. Os jogadores do Chicago começaram a ser chutados para o banco de castigo por qualquer coisa que fizessem no gelo e os do Detroit ganharam imunidade da arbitragem. Foi somente na terceira penalidade consecutiva contra os Blackhawks que os Red Wings marcaram seu primeiro gol no jogo. Nicklas Lidstrom, que ontem estava chutando pior que a minha avó, chutou da linha azul um disco que passaria perto da bandeirinha de escanteio, mas alguém o desviou no meio do caminho e o disco matou Nikolai Khabibulin.

Ninguém apostaria que em 4:23 os Wings empatariam a partida com três gols, todos marcados por defensores. Quem precisa de atacantes? Brian Rafalski e Jonathan Ericsson levaram os créditos.

A essa altura, não era difícil apostar no Detroit como vencedor do jogo 3. Porque o Chicago amarelou no segundo período. Jonathan Toews e Patrick Kane passaram longe de levar algum perigo ao gol de Chris Osgood. Na idade deles é normal amarelar, ainda mais em finais de conferência contra os Red Wings. O que eles estão passando hoje nós já sofremos com Datsyuk e Zetterberg em outros anos.

Depois de dois períodos malucos, o terceiro foi normal. Exceto pela substituição de Khabibulin, que não voltou para o jogo. Em seu lugar entrou Christobal Huet. O Detroit diminuiu a pressão, o Chicago se recuperou do baque e ninguém quis ganhar o jogo. Se os Wings jogassem como no segundo período, agora contra um goleiro frio e sem ritmo de jogo, venceriam tranquilamente. Mas deixaram a partida ir para a prorrogação e nunca, jamais e em tempo algum venceríamos dois jogos seguidos no tempo extra.

Com menos de dois minutos, Sharp matou o jogo. No lance decisivo o taco de Nicklas Lidstrom quebrou e deixou o principal jogador do Detroit sem o que fazer até arrumar um taco emprestado com Valtteri Filppula — que fez um baita jogo e tem muito talento mesmo.

Aliás, tacos quebrados têm sido tão comuns quanto faceoffs "revogados" nestes playoffs. Será que não dava pra fazer uns tacos mais resistentes? E os juízes não poderiam ser menos exigentes com a regra do faceoff que ninguém conhece?

Na contagem de mortos e feridos, os Red Wings declararam que Datsyuk é dúvida para o jogo 4. Kris Draper saiu do jogo com uma contusão na virilha e provavelmente não joga mais nesta série, talvez nos playoffs — Justin Abdelkader vem aí.

Da parte do Chicago, Khabibulin é dúvida e Havlat está dia-a-dia, embora Joel Quenneville tenha sido irônico ao comentar sobre a situação de Havlat. Acredito que não o veremos mais nos playoffs.

Se o Detroit tivesse vencido ontem, a série estava terminada. Como não venceram, abriram espaço para o Chicago crescer. O jogo 4 vai ser muito pior pra nós do que foi o começo do jogo 3. Tomara que a arbitragem assista ao jogo de longe, muito longe.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Com o pé fora do jogo

Pavel Datsyuk é dúvida para o jogo de hoje em Chicago, depois de machucar o pé bloqueando um chute.

Segundo Mike Babcock, ele está "dia-a-dia", o que quer dizer que vai se esforçar para jogar até ser vetado minutos antes do jogo.

Nos treinos o time teve essa cara:

Holmstrom-Filppula-Hossa
Franzen-Zetterberg-Cleary
Hudler-Helm-Samuelsson
Leino-Draper-Maltby

Aí você diz que o Datsyuk não vai fazer falta porque ele também não faz gol nem dá assistência. É verdade. Mas ele é um monstro defensivamente, capaz de anular uma linha ofensiva do adversário. E sempre existe a expectativa de que ele chegue ao milésimo gol, ou seja, com uma perna só, olhos vendados e taco quebrado, ainda assim o inimigo vai marcá-lo em cima.

Se Datsyuk não jogar, Filppula completa a primeira linha e Helm a terceira. Ville Leino faria sua estreia em playoffs.

A entrada de Kirk Maltby no lugar de Justin Abdelkader já era esperada e não tem nenhuma relação com a ausência de Datsyuk.

Jogo 3 às 21h e Wings em 4 ou 5.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Do infernosson ao céusson

(imagem: fórum LetsGoWings.com)


Não demorou muito para Mikael Samuelsson demonstrar claramente o motivo de eu não gostar dele.

Os Red Wings mataram 61 segundos de 5-contra-4 e depois 59 segundos de 5-contra-3. Então Samuelsson deixou o banco de penalidades e se juntou ao time na defesa. Dezesseis segundos depois, ele domina o disco, gira para o lado errado e rifa para o centro do gelo, em vez de atirá-lo nas bordas como qualquer jogador faria. Não é rebatendo para o meio da defesa que se limpa a jogada, até eu que nunca patinei na vida sei disso. A cagada de Samuelsson levou ao gol de sorte de Jonathan Toews e os Blackhawks abriram o placar.

O Detroit empatou também em vantagem numérica, quando Brian Rafalski não colocou toda a sua força no taco. Não. Ele tinha dois atacantes (Marian Hossa e Tomas Holmstrom) entre o disco e o goleiro. Então o que ele fez foi lançar o disco como um quarterback de futebol americano lança a bola. Ninguém o desviou, mas a precisão do arremesso rendeu dividendos, mais do que um touchdown.

O Chicago não dominou absolutamente o primeiro período, mas levaria a vitória nos pontos tranquilamente.

No segundo período o panorama se inverteu. O Detroit começou a controlar o jogo ao seu estilo, tanto que os Hawks passaram mais de dez minutos sem chutar sequer uma vez a gol — mas se chutassem, Chris Osgood defenderia; mais uma atuação formidável do goleiro, que me leva a pensar que a frase "Só Jesus salva" merece uma atualização: "Só Jesus salva, mas Osgood, além de salvar, não dá rebote".

Então Dan Cleary partiu em contra-ataque (contraataque? contrataque?) e marcou pelo terceiro jogo consecutivo. Cleary seria a minha opção para ser despachado caso os Wings quisessem abrir espaço para Hossa no orçamento, mas agora parece óbvio que o melhor a fazer é simplesmente abrir as portas para o eslovaco procurar outra equipe. Obrigado e um abraço, Hossa. Cleary fica. E por enquanto tem o maior saldo do time, com +14.

Se os Hawks têm a desvantagem da inexperiência, eles têm o benefício da pouca idade e da energia inesgotável. No terceiro período o jovem time continuou tentando, buscando o gol de empate.

Até que Toews achou o gol, desviando um chute da linha azul. Camisa 19 e capitão. Isso não é familiar?

O empate levou o jogo para a prorrogação. E aí todos os torcedores do Detroit esperaram pelo pior.

Não demorou muito para Samuelsson... desta vez não. Agora Samuelsson foi inteligente, pressionou o defensor Brian Campbell na linha azul e bloqueou o passe. Uma brilhante jogada defensiva (ou ofensiva?). Disco dominado, ele lançou Jiri Hudler. O pequenino liderou o 3-contra-1, passou para Valtteri Filppula e o disco terminou no taco de Samuelsson, de frente para Nikolai Khabibulin. E aí o sueco, que não pensa duas vezes antes de chutar, cravou o segundo triunfo dos Wings na série e seu segundo gol da vitória.

Dois a zero na série, que não terá mais do que quatro jogos se o Chicago continuar deixando os Red Wings jogarem como eles gostam. E se os caras de quem não se espera tanto — Cleary, Samuelsson — continuarem marcando gols decisivos.

Quanto tempo faz? Sei não.

Há muitos e muitos anos que eu não via um jogo de hockey como o desta noite, em que o Detroit Red Wings, pasmem, ganhou na prorrogação.


E eu não estou falando de um jogo do Detroit Red Wings, mas de um jogo de hockey, independente de quais times estivessem "em campo".

Quem acompanhou a partida de segunda-feira, entre Pens e Canes (jogo 1 da final do leste), pode, talvez, dizer o mesmo sobre ela; mas, com certeza, não chega aos pés da de ontem.

O que aconteceu no jogo 2 da final do Oeste foi, simplesmente, um jogo aberto. Melhor, um jogo escancarado que se dividido em porções de três minutos teremos, com certeza, uma divisão bem igual do domínio dos times. Me lembrando Wings e Canes em 2002, que foi pra 3 OT, e Wings e Blues, que teve o mesmo destino em 1996.

Entretanto isso não é bastante para classificarmos os times como iguais. Não. A vantagem nesse ponto é do Detroit. Isso não é papo de torcedor, mas um testemunho do que foi exibido na Joe Louis Arena.

- Por que, tio zeh?
- Porque nós vimos o que todos dizem o tempo todo sobre profundidade de um time.

Não é querendo cair no lugar comum, mas quem joga no Hawks além de Kane e Toews (2 gols ontem - um de verdade e outro de cagada)? Havlat e Byfuglien, talvez? Ok, o problema é que desses o mais velho tem 28 anos. Nada contra gente nova, mas onde fica a experiência?

O gol da vitória foi marcado por uma linha que tem experiência, juventude e, também, campeã na temporada passada. Se você fosse pensar em alguem pra fazer o gol jamais seria Samuelsson, certo? E assistências? Hudler e Filppula? Talvez só não ficassem atrás de Abdelkader e Draper.

E, só pra botar lenha na fogueira... Alguém ainda duvida de Chris BabyFace Osgood? Eu não. Não mesmo.

Conn Smythe pra ele? Sim, por quê não?

Wings em 5. Embora possa ser em 6.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

"Eu tô voltando pra casa, outra vez..."

É cedo pra dizer, claro. Mas será que dá pra ter medo de perder?


Encarar o Chicago Blackhawks na final da conferência é quase tão bom quanto ganhar na loteria sem jogar.

Primeiro porque jogar contra um time que levou de 4 a 2 na temporada regular não faz medo. Segundo porque esse time não é essas Coca-Colas todas. Terceiro porque é o Blackhawks.

O ponto em que quero chegar é que apostar no "Chicago Young Guns" é perder dinheiro, afinal a carga de pressão em cima da garotada é grande demais.

Certo, Toews e Kane são excelentes jogadores. E o resto?

Se é pra comparar jogador bons... vamo lá:
Dats é melhor que Toews. Hossa é melhor que Kane. Zetterberg é melhor que Sharp. Franzen é melhor que Havlat. Ericsson é melhor que Keith. Hudler é melhor que Pahlsson. Rafalski é melhor que Seabroke. Osgood é melhor que Khabibulin. Lidstrom é melhor que todo mundo nessa lista e o Babcock é melhor que sorvete de cajá.

Eu, realmente, não acho que estamos correndo perigo de, sequer, perder dois jogos - mesmo fora de casa. Vão ser duas vitórias em Detroit, uma em Chicago e a última, em casa, na quarta-feira da próxima semana.

Todavia, porém, contudo, no entanto... Já vimos de tudo que esse time é capaz. E issi não é um elogio. A maior ameaça ao Red Wings são aqueles jogadores identificados por uma roda e uma asa bordadas no uniforme.

É preciso entender que o Hawks já chegou mais longe do que se podia imaginar e, se for pra fazerem alguma coisa de útil nesse playoff, é facilitar pro Wings.

Desde 1961 que o Chicago não levanta a Copa (e foi contra o Detroit) e desde o século passado (1992) que não a disputa.

Anotem, o Hawks vai ficar, pelo menos, 18 anos sem tomar sidra no Santo Graal do hockey no gelo.

Vamos brincar de índio

(imagem: fórum LetsGoWings.com — "Escola: você tem que ir querendo ou não")


Nesta bela manhã de segunda-feira, assisti ao jogo 1 das finais da Conferência Oeste. E você se pergunta se eu sou mesmo um vagabundo ou milionário. Na verdade sou "concurseiro". Entre estudar Direito Administrativo ou assistir aos Red Wings, escolhi a segunda opção. Quando eu não passar em concurso nenhum, vou pedir emprego ao Mike Illitch.

Pra começar o post e a série é impossível evitar as comparações entre Anaheim Ducks e Chicago Blackhawks.

Em primeiro lugar, que diferença entre um jogo 7 e um jogo 1, mesmo que esse jogo 1 seja em uma fase mais importante que o jogo 7. O fato de não ter assistido ao vivo também pesou.

Em relação aos times, percebe-se que o Chicago não tem uma linha assustadora como a de Ryan Getzlaf. Mesmo a linha de Patrick Kane e Jonathan Toews não amedronta ninguém. Aliás, eu só vi Kane no jogo em três momentos: quando Pavel Datsyuk roubou o disco dele, quando Nicklas Lidstrom roubou o disco dele e quando Henrik Zetterberg roubou o disco dele. Toews só me chamou a atenção porque veste a camisa 19 e usa o C e isso curiosamente me lembra alguém.

Contra os Blackhawks os Red Wings terão muuuito mais espaço no ataque. A defesa dos Ducks escurraçava nossos atacantes, já a defesa do Chicago é mole como a nossa. O time joga e deixa jogar. E assim ninguém ganha do Detroit.

Curioso começo de jogo, quando os três primeiros gols foram marcados sem assistência, aproveitando erros cometidos pelo outro time. Primeiro Adam Burish desviou o disco cagado por Jonathan Ericsson. Depois Dan Cleary aproveitou a merda de Brent Seabrook e fez um golaço — excelente o tempo do gol, pouco depois dos Blackhawks abrirem o placar. No segundo período, Johan Franzen roubou o disco atrás do gol e fez a viradinha.

O par defensivo Duncan Keith e Seabrook, que juntos deveriam ser o "Chris Pronger" do Chicago, esteve no gelo em três dos cinco gols do Detroit, incluindo os dois primeiros. É importante começar desde já a empurrar a moral dos dois para baixo.

Apesar do domínio do jogo, os Wings sofreram o empate no gol em vantagem numérica de Kris Versteeg no começo do terceiro período. Mas o jogo tinha a cara do Detroit. Antes da metade do período Mikael Samuelsson marcou o gol da vitória.

Samuelsson é aquele cara que não me agrada muito, mas que eu reconheço como um baita atacante defensivo e que marca gols importantes quando ninguém os espera. Marcou na final da Copa Stanley no ano passado, marcou no jogo 7 contra os Ducks e não passou em branco ontem.

Menos de dois minutos depois do gol de Samuelsson, Cleary desviou um passe/chute de Franzen e fez seu segundo no jogo. No fim Zetterberg marcou em rede vazia, a caminho de ser o maior goleador da história dos playoffs em gols sem goleiro.

Os Wings deram uma aula de hóquei aos garotos do Chicago. É claro que eles não vão jogar tão mal assim o restante da série, afinal de contas eles derrotaram Roberto Luongo e o Vancouver Canucks. Uma hora a garotada vai reagir, mas já vai ser tarde demais.

O número que mais se destaca nas estatísticas: o Detroit chutou 74 vezes em 60 minutos de jogo. Desses, 43 foram no gol, 20 acabaram bloqueados e 11 erraram o alvo. O Chicago chutou 44 vezes, sendo que 32 chegaram a Chris Osgood.

Interessante notar que Babcock reuniu novamente as linhas "originais", com Datsyuk e Marian Hossa ao lado de Tomas Holmstrom (após Justin Abdelkader passar alguns turnos por ali). Não é o mesmo time do jogo 4 contra os Ducks, nem do jogo 7.

Por fim, um comentário de Cauê Abrão, para elevar o nível de qualidade desse pobre post:

Não me importo se Pavel Datsyuk ou Marian Hossa não marcarem gols. Não me importo nem se eles não marcarem pontos daqui pra frente. Se continuarem com seu jogo defensivo absurdamente eficiente e as linhas "menores" contribuindo ofensivamente, seremos campeões de qualquer jeito.
Bônus: O que é ser índio
Em suma, um grupo de pessoas pode ser considerado indígena ou não se estas pessoas se considerarem indígenas, ou se assim forem consideradas pela população que as cerca. Mesmo sendo o critério mais utilizado, ele tem sido colocado em discussão, já que muitas vezes são interesses de ordem política que levam à adoção de tal definição, da mesma forma que acontecia há 500 anos.

sábado, 16 de maio de 2009

Querem que um novo capítulo de uma velha história comece com o nome de Joel [2]

Eduardo Costa publicou o post abaixo em 25 de outubro de 2008. Não parece que foi ontem, definitivamente, porque o miserável pouco aparece por aqui.

Na ocasião, o Chicago Blackhawks acabava de contratar Joel Quenneville como treinador.

Às vésperas das finais de conferência, sinta o tom profético nas palavras de Eduardo. Grifei a parte mais interessante do texto.


Joel…

Não existe nada pior para um time e sua pseudo-torcida, do que ver seu maior rival escalar o Himalaia, enquanto sua realidade pútrida apenas permite descer os íngremes degraus do purgatório.

Nesse glorioso período (1997-08) em que conquistamos quatro copas Stanley, quatro troféus do Presidente e oito títulos de divisão, o máximo que o Chicago Blackhawks conseguiu foram duas curtíssimas passagens pelos playoffs.

Mas eis que a equipe que mais vezes enfrentamos na história (766 vezes e contando) faz algum uso de sua ruindade extrema e constante e recruta ótimos valores. Um derramamento de dólares também acontece. E agora eles acham que já podem nos remover do topo do planeta hóquei.

Mas eis também que esse mesmo Chicago, insatisfeito com, seu agora ex-treinador Denis Savard, resolve apostar em ninguém mais, ninguém menos que o insolúvel Joel Quenneville para tentar tirar a Heineken de nossas bocas; a Scarlett Johansson de nossas camas; a supremacia da divisão Central, etc...

Hei, Joel não é aquele que treinava o Hajalanche na última temporada, quando varremos a choldra não só na temporada regular, mas também nos playoffs?

Não é o mesmo Joel que, treinando o St. Louis Blues foi eliminados pelos Red wings nos playoffs de 1997, 1998 e 2002?

Enxergam o que todas essas quatro pós-temporadas em que Joel esteve em nosso caminho nos reservaram em seu final?

Muito obrigado Chicago por dar emprego ao homem. Mesmo que hoje escutemos milhares gritando “Detroit Sucks”, algo muito profundo e original, por sinal. E mesmo com todas suas intenções sórdidas e mesquinhas, nós, torcedores do time 11 vezes campeão da copa Stanley estaremos torcendo por sua presença nos próximos playoffs.

E cuidem bem de Patrick Kane e Jonathan Toews, pode ser que um dia eles tenham que vir para cá, como fez seu ex-capitão Christos Kostas Tselios, para poder ver a Stanley de forma mais íntima.

Meus irmãos em Wings, hoje, a partir das 22:30h de Brasília; 21:30h de Fortaleza; 20:30h de Manaus; 19:30 de Rio Branco, teremos o clássico de número 767. E mesmo que a zebra dite as regras no United Center e nosso belo esquadrão mantenha o péssimo hábito de tornar as coisas bizarramente tensas nos períodos finais de seus jogos, deveremos manter nosso irrestrito apoio ao campeão. Hoje é um belo dia para vencer.

PS: esse post é de autoria de Eduardo Costa. Dizem que ele esqueceu seu login após quase entrar em estato catatônico após o primeiro gol de Hossa contra os Thrashers ontem.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

WINGS, CANALHAS!

(imagem: fórum LetsGoWings.com)

UAU! Escrever o que sobre o jogo 7?!

Temi pelo pior quando o jogo começou e Henrik Zetterberg e Niklas Kronwall foram parar no banco de penalidades. Vantagem numérica de dois homens e escapamos ilesos.

Mas antes disso o coração já estava na mão, ou melhor, na luva de Chris Osgood. Quando James Wisniewski dominou o disco frente a frente com nosso goleiro eu fechei os olhos. Mas Osgood estava com os seus bem abertos e fez a defesa.

E como o time cresceu com as defesas de Osgood! Passou a dominar o jogo, a sufocar o Anaheim. Na segunda vantagem numérica, Johan Franzen achou Jiri Hudler na frente do gol. O pequenino Hudler desviou o disco com perfeição e abriu o placar.

Então fim do primeiro período e Red Wings na liderança.

Mal começou, ou melhor, bem começou o segundo período, a defesa pressionou Teemu Selanne e o finlandês soltou o disco. Quem estava lá? Darren Helm, o cara que está sempre no lugar certo e na hora certa, mas só nos playoffs. E dessa vez ele não tentou um drible paveldatsyukiano. É por isso que o disco morreu na rede de Jonas Hiller. Helm fez o simples: chutou. Wayne Gretzky já dizia: você perde 100% dos chutes que não chuta.

Jogo 7 definido?... nem a pau. Os Ducks começaram a jogar para matar ou morrer. Teemu Selanne descontou, aproveitando um disco perdido perto do gol, e impediu o shutout que parecia a caminho.

A reação veio menos de dois minutos depois. E isso foi crucial. Eles fizeram aqui, nós fizemos lá.

Abre-se um parêntese para escrever sobre Pavel Datsyuk. Ele não foi uma arma ofensiva em toda a série e vacilou no gol da derrota do jogo das três prorrogações. Mas Datsyuk teve uma atuação espetacular no jogo 7 principalmente nos aspectos defensivos. Fecha-se o parêntese.

O disco estava atrás do gol do Anaheim. Datsyuk tirou da cartola um passe de costas para a frente da rede. Hiller não viu. Mikael Samuelsson finalizou no gol praticamente vazio. Wings 3-1.

Agora é a vez de Mike Babcock. O segredo é misturar as linhas sempre que o time precisa acordar? Desta vez ele rebaixou Tomas Holmstrom para a linha 4, subiu Mikael Samuelsson para a linha 1 e reuniu os três Hs na linha 3: Hudler, Helm e Marian Hossa. Datsyuk e Valtteri Filppula completaram a primeira linha e Draper jogou em uma das pontas na linha 4.

Fosse o Holmstrom em vez do Samuelsson no lance do terceiro gol, o disco teria sido chutado na trigésima sétima fileira acima da trave...

Não demorou para o Anaheim voltar ao jogo. Chris Pronger arremessou Hudler para cima de Hiller, nocauteando o goleiro. Os árbitros marcaram interferência do jogador dos Wings. É a mesma coisa que culpar a bala e não o assassino pelo homicídio de alguém.

Na vantagem numérica Corey Perry, o novo Peter Forsberg — tão sujo quanto o ex-Avalixo —, aproveitou o rebote e diminuiu o placar.

Levar a liderança de um gol para o terceiro período deveria aliviar a tensão, mas não ajudou muito. Estavam todos apreensivos ao máximo, afinal, era jogo 7.

A situação piorou quando algo sobrenatural interferiu no jogo. Não eram os árbitros de novo, péssimos como de costume. Foi um taco caído atrás do gol de Osgood que se engalfinhou com Jonathan Ericsson enquanto o defensor tentava rifar o disco. O taco sem vida o impediu, causando o erro de passe que levou ao gol de empate.

Os Wings tomaram gol de um taco caído no gelo, Gary Bettman estava na Joe Louis Arena... mais azar do que isso só passar debaixo de uma escada segurando um gato preto. Ou ir para a prorrogação contra o Anaheim.

Faltavam três minutos para o fim. Zetterberg tinha o disco nas bordas, atrás do gol. Dan Cleary estava posicionado na área. Zetterberg lança o disco no alto, evitando o taco do defensor. Cleary desvia o disco o suficiente para tirá-lo da luva de Hiller. O disco cai entre as suas pernas. Cleary pressiona e marca o gol da vitória.

Cleary, o herói do jogo 7.

A Joe Louis Arena explodiu. Três minutos de pé e gritando enquanto o time segurava os instantes finais. A torcida, aliás, deu o seu show durante todo o jogo. Vaias e gritos contra Chris Pronger e o goleiro Hiller.

Essa foi uma das séries mais difíceis que eu vi o Detroit vencer. Talvez a mais difícil, já que em 2002 os Wings dispararam 7-0 pra cima do Colorado no jogo 7.

O prêmio pela vitória é o direito de enfrentar o Chicago Blackhawks nas finais de conferência e continuar competindo pela Copa Stanley.

Jogo 7 é isso. Post sobre jogo 7 é uma merda, mas ainda bem que é uma merda com final feliz. Cada um tem sua história para contar.

E a história de hoje é pra baixar e guardar na coleção dos jogos inesquecíveis.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A Mais-valia do Red Wings.

Segundo Karl Marx (que já gostava de vermelho antes do Red Wings existir), mais-valia é o nome dado à diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador, que seria a base da exploração no sistema capitalista.


Dito isto, vamos às últimas para o último jogo da série, sobre o último jogador titular que pode estrear hoje.

Sim, meninos e meninas, Kris Draper. Onde ele vai entrar, não sei; mas pode ser hoje. O salário é alto (1.850 mi) e tem bagagem. Muita.

A volta de Kris Draper hoje mostraria, claramente, o que significa a palavra desespero. Talvez, e logicamente, Mike Babcock sacrificará Justin Abdelkader, pois é o cara que menos impacto faz no time. Principalmente com Helm tendo sido promovido pra linhas "de cima".

Vale a pena? Vale. No lugar do Abdelkader, com certeza.

Draper é macaco muito velho. Estava no time de 2002 e em outras decisões de jogo 7 anteriores. Com certeza pode levar - e elevar - o pace pra onde precisa, principalmente considerando a desgraça que Kirk Maltby está fazendo. Será que é a falta do fiel companheiro de tanto tempo?

Não esperem, porem, McCarty ou Downey no time. O Detroit Red Wings não tem tempo pra isso e Mike Babcock não tem esse perfil, além de ser perigoso colocar a coroada junto da cara nova do Ducks.

Bom, meu palpite hoje é de goleada.

Wings em 7. Com Draper ou sem. O jogo é nosso.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Que a história se repita

A última vez que o Detroit Red Wings disputou o jogo sete, em 2002, conseguiu meter sete gols no Colorado Avalanche -- seis dos quais no Patrick Roy. Embora Roy já tivesse três Conn Smythe na ocasião, Dominik Hasek e seus seis Vezina cantaram mais alto.

Claro, temos de considerar que na ocasião, dia 31 de maio de 2002: tinhamos Scotty Bowman, não Mike Babcock; Sergei Fedorov, não Marian Hossa; Brendan Shanahan, não Valteri Filppula; Igor Larionov, não Jiri Hudler; Luc Robitaille, não Mikael Samuelsson; Bret Hull, não Justin Abdelkader; Steve Duchesne, não Bret Lebda; Fredrik Olausson, não Niklas Kronwall.

Tudo bem, esqueci do Datsyuk, do Zetterberg, do Franzen e de mais uma penca de jogador. Mas onde quero chegar não é nesta turma sendo pior que aquela, mas na história.

Hoje, sete anos depois, poderemos ter o prazer -- ou o desprazer -- de lembrar deste time para sempre. Hoje, sete anos depois, poderemos ser testemunhas da virada; poderemos ser testemunhas do início, de fato, do futuro do Detroit Red Wings.

Vençamos, nem que seja de meio a zero.

Wings em 7! 7 anos depois do último jogo 7. Que tal por 7 a zero?

7, o número maligno

Segue o histórico da década de 1990 até hoje de cada time em jogos 7 nos playoffs:

Detroit Red Wings
2002 - x Colorado - W 7x0 - Casa
1996 - x St. Louis Blues - W 1x0 (2OT) - Casa
1994 - x San Jose Sharks - L 2x3 - Casa
1993 - x Toronto Maple Leafs - L 3x4 (OT) - Casa
1992 - x Minnesota Norht Stars - W 5x2 - Casa
1991 - x St. Louis Blues - L 2x3 - Fora

Anaheim (Mighty) Ducks
2006 - x Calgary Flames - W 3x0 - Fora
2003 - x New Jersey Devils - L 0x3 - Fora
1997 - x Phoenix Coyotes - W 3x0 - Casa

Constatações:
1- O Detroit está bem mais acostumado a decidir os jogos 7 em casa (5x) do que fora (1x), o que não ajuda tanto assim (3 vitórias e 2 derrotas nessas condições).
2- Os Patos, em contrapartida, estão mais acostumados a decidir fora de casa (2x), com uma vitória e uma derrota.
3- Essas estatísticas, fora o fator curiosidade, não servem pra absolutamente nada no certame de amanhã.
4- Ou ganharemos de 3x0 ou perderemos de 3x0, já que esses são os únicos resultados que os patos parecem conhecer em jogos 7.

Patétsyuk

Comentário do dia:
Eu tenho tantos gols quanto Pavel Datsyuk na segunda fase dos playoffs!

Patético

(Photo by Jeff Gross/ Getty Images)

O Detroit Red Wings é um time bipolar. O cérebro dos jogadores é partido ao meio, hemisfério esquerdo e hemisfério direito não se comunicam (House M.D., quinta temporada, episódio 24). A atuação no jogo 6 foi patética, ridícula e desanimadora.

E o pior é que o Anaheim Ducks não jogou como o Detroit no jogo 4, por exemplo. Quantas defesas Chris Osgood fez? Nenhuma. Todos os chutes no peito. Assim como Jonas Hiller fez no máximo três defesas, o resto parou no logotipo dos Ducks costurado no uniforme.

Não basta encontrar a combinação de linhas ideal para ganhar o jogo. Lá estava Valtteri Filppula com Johan Franzen e Marian Hossa. E eles não fizeram nada. Faltou atitude e vontade.

Os Ducks mudaram a defesa para enfrentá-los. Randy Carlyle reuniu Chris Pronger com Scott Niedermayer (que ao final do jogo deu uma cotovelada covarde em Pavel Datsyuk), François Beauchemin com James Wisniewski. Cada par pegava uma linha do Detroit.

Os gols que decidiram o jogo foram marcados no segundo período de um jogo entediante. O primeiro em vantagem numérica, quando os Wings cavaram seu próprio buraco, cometendo duas penalidades consecutivas, a segunda por atrasar o jogo. O autor da façanha foi Niklas Kronwall, que de novo foi pego fora de posição algumas vezes e fez jogadas bisonhas. É o Sr. Novembro.

O gol do Detroit foi marcado por Franzen. E dizer isso já virou pleonasmo. É o único jogador no time que faz gol.

Tomas Holmstrom, Pavel Datsyuk... troco tudo por uma escolha de terceira rodada no recrutamento.

Não tenho muito o que dizer sobre o jogo 6. Exceto que estou com sono. Para resumir a atuação do Detroit em uma palavra: patética.

E se um time é tão ruim quanto seu último jogo, então amanhã estamos fritos.

Deixo os comentários sensatos para vocês.

terça-feira, 12 de maio de 2009

À espera do jogo 6

Boas e más notícias diretamente de Detroit (ou de Anaheim, porque o time está lá).

A melhor notícia: Brian Rafalski patinou no domingo e repetiu a dose ontem. O defensor se sentiu bem e é dúvida para o jogo. Meu palpite é de que ele não joga.

Outra boa notícia: Darren McCarty finalmente está com o time principal, de onde nunca deveria ter saído. Na primeira convocação seu nome não estava na lista, surpreendentemente.

A má notícia: Jonathan Ericsson levou um chute no tornozelo no primeiro período do jogo 5 e atuou com dificuldade o restante do jogo. Após a partida a situação piorou. Ericsson não treinou mas deve jogar.

O fim do mundo: a programação do myp2p não traz a NASN (agora ESPN America) entre as opções para assistir ao jogo hoje à noite. Se a situação persistir, significa que amanhã será dia de baixar o jogo 6.


Atualizado às 17:47h:
Brian Rafalski patinou hoje pela manhã e é decisão de hora do jogo. Provavelmente ele jogue, afinal Derek Meech jogou apenas 3:19" no jogo 5 em apenas 6 shifts. Acho que isso, até McCarty aguenta.

Jonathan Ericsson também esteve no gelo e disse que se sente melhor patinando que andando. Como não o queremos pra desfilar, ele está pronto para jogar e, dificilmente, não fará parte do elenco de hoje.

Teremos um ou outro, pelo menos.

E o link da NASN já foi encontrado. Para mais informações de onde assistir aos jogos, acesse o fórum MyP2P.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Mais um coice nos Patos

(ilustração: fórum LetsGoWings.com)


Outro dia o leitor guilherme.f nos lembrou através dos comentários a declaração de Ken Hitchcock, treinador do Columbus Blue Jackets, dada em meados de março.

"Não me importa quem jogue contra o Detroit, se os Red Wings decidirem jogar desta maneira, ninguém vai derrotá-los. Ninguém vai vencê-los em uma série de playoffs se eles jogares assim. Os times terão sorte se ganharem jogos contra eles.

"Eles fizeram um jogo pensado. Jogaram com esforço acima do talento, e quando você tem o nível de talento deles, é devastador ser o oponente."

E assim é e será. O jogo 5 foi mais uma demonstração prática do que Hitchcock traduziu em palavras.

Ninguém vai ganhar do Detroit se eles jogarem assim. Não que a atuação de domingo tenha sido espetacular, porque não foi nem a melhor exibição do time na série (o jogo 4 foi o máximo). Mas quando até um jogador de terceira ou quarta linha que passou o ano todo na liga menor marca gol, então o adversário pode perder as esperanças.

Os Wings dominaram completamente o jogo, em especial no primeiro período. O zero a zero não saiu do placar, no entanto, porque Jonas Hiller fez boas defesas e a trave entrou no caminho em duas ocasiões.

Até que ele, sempre ele, Johan Franzen driblou um defensor e disparou contra o goleiro dos Ducks. Indefensável. Um coice da Mula. Para quem acompanha os Red Wings há duas ou três temporadas, Franzen é maior que Steve Yzerman! O sueco é uma máquina de fazer gols nos playoffs, em momentos decisivos.

Não deve demorar para que alguém jogue uma mula na arena em vez de um polvo.

Menos de um minuto depois, Jiri Hudler e sua coordenação excelente ampliaram para 2-0, num movimento de beisebol.

Os Wings mantiveram a pressão, em especial logo após a vantagem numérica que tiveram no período. Durante um longo tempo o disco ficou preso na zona de ataque, sem que as equipes conseguissem trocar as linhas. Por pouco não saiu o terceiro gol.

Os Ducks voltaram para o jogo no gol de Ryan Whitney em vantagem numérica e por pouco não empataram quando Erik Christensen fez bobagem na frente de Chris Osgood. Boa defesa do goleiro, mas o erro do atacante foi mais gritante.

O terceiro período foi emocionante, porque os Ducks, joguem bem ou mal, não desistem nunca. É um baita time, um grande desafio para o Detroit nos playoffs, mesmo que eles não tenham profundidade ofensiva.

O jogo acabou quando Darren Helm achou o terceiro gol. Um gol sujo, de trabalho na frente do goleiro adversário. Sujo e talvez até ilegal, digno de julgamento da arbitragem sobre interferência. Não julgo porque não vi em qualidade e quantidade suficiente.

Justin Abdelkader e Derek Meech não comprometeram. Abdelkader marcou seu primeiro ponto, inclusive. Meech jogou menos tempo do que Chelios jogava.

É digna de nota a jogada de Pavel Datsyuk, que estava atrás do gol de Hiller e encobriu o goleiro. Se aquele disco entra, a Joe Louis Arena iria abaixo...

Sobre o jogo 5 é disso que eu me lembro.

E Wings em 6 na terça-feira.

sábado, 9 de maio de 2009

Mortos e feridos

Tomas Kopecky está fora dos playoffs, resultado de sua valentia excessiva no terceiro período do jogo 4. Os socos de Francois Beauchemin quebraram alguns ossos em seu rosto. O eslovaco precisará de cirurgia para consertar o estrago.

Justin Abdelkader entrará em seu lugar.

Brian Rafalski não treinou hoje e está fora do jogo. Kris Draper treinou, mas também está fora. Brad Stuart não treinou, mas vai jogar.

Do lado dos Ducks, James Wisniewski é dúvida. Ryan Getzlaf não treinou, mas deve jogar. E o treinador Randy Carlyle vai segurar a decisão sobre o goleiro titular até o último momento.

Jogo 5 no domingo, às 18 horas de Candangolândia e adjacências.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

ATITUDE!

(imagem: fórum LetsGoWings.com)

Um time é tão bom quanto seu último jogo. Se a máxima é verdadeira, então o Detroit será campeão da Copa Stanley. O que o time jogou ontem nós poucas vezes vimos.

Mike Babcock foi muito feliz antes do jogo e ainda mais feliz durante.

Primeiro quando disse que ontem o time teria que mostrar o quanto é capaz e o quanto quer vencer a Copa Stanley. Porque não basta ser o melhor, o mais forte, o mais alto, o mais rápido. É preciso jogar com inteligência e, acima de tudo, ter atitude, vontade de vencer. Há melhor resumo para o jogo 4 do que esse? O Detroit foi soberano, absoluto.

Seu segundo momento de felicidade aconteceu ainda no primeiro período, quando perdendo por 1-0 ele bagunçou as linhas de ataque. Babcock reuniu Henrik Zetterberg e Pavel Datsyuk com Tomas Holmstrom. Mas às vezes era Dan Cleary quem completava a linha e até Kirk Maltby passou por ali. A segunda linha foi formada por Valtteri Filppula, Marian Hossa e Johan Franzen, combinação que roubou o jogo, marcando os quatro primeiros gols do time. Nas linhas inferiores a promoção de Darren Helm para a terceira linha, com Cleary e Jiri Hudler ou Mikael Samuelsson.

Basicamente os Wings rolaram as quatro linhas a noite toda, mas em quase todo o tempo havia um dos grandes atacantes no gelo infiltrado nas linhas inferiores. Cleary, Datsyuk, Filppula, Franzen, Hossa e Zetterberg cumpriram com êxito o papel de líderes do time entre os atacantes.

Graças a Yzerman que Ken Holland assinou contrato com Franzen pelos próximos três séculos. O poder de decisão da Mula é absurdamente grande. Quando os Wings marcaram o segundo gol, não precisava nem de replay pra saber quem era o autor. Era a Mula, como sempre.

Franzen lidera a NHL em gols nos playoffs nas últimas duas temporadas, com 19 gols em 24 jogos. Zetterberg tem 18 em 30 e Hossa 16 em 28. Para buscar exemplos de "fora", Evgeni Malkin tem 15 gols e Sidney Crosby 14 em 29 jogos.

Enquanto a torcida agradecia a Holland pela decisão de renovar com Franzen em detrimento de Hossa, o eslovaco virou o jogo para o Detroit, com dois gols ao seu estilo. É muito bom vê-lo marcar gols, principalmente depois de ter sido roubado o seu rótulo de herói do jogo 3.

E agora, Holland? Se vira e renova com o cara também, pô!

O mais bonito da noite foi dominar o jogo todo, estuprar nos faceoffs ou provar que Jonas Hiller é só mais um goleiro que se beneficiou da falta de pontaria até aqui? O goleirinho sofreu pelo menos dois gols bastante defensáveis. Quando o disco não vai no rumo do peito, complica.

Que Yzerman ilumine a cabeça de Randy Carlyle e ele mantenha Hiller no gol para o jogo 5. Eu tenho medo do Jean-Sebastien Giguere.

Em relação ao Anaheim, é louvável o esforço e a dedicação do time. Mesmo tomando um show de hóquei eles lutaram até o fim. Abriram o placar ainda no primeiro minuto e buscaram o empate em 2-2. É um time feito para os playoffs, mas que depende exclusivamente do sucesso da linha de Ryan Getzlaf e da invulnerabilidade (?) da defesa. Abaixo da linha 1, no ataque, não existe vida inteligente.

Os Wings jogaram tão bem, mas tão bem ontem que não tem quem criticar. Claro que o Niklas Kronwall continua achando que está em novembro, mas se tudo correr bem daqui uns dias será dezembro e talvez ele leve mais a sério. Brad Stuart é o melhor defensor do Detroit na série.

São três dias até o jogo 5, em Detroit, no domingo. Até lá vamos curtir o sabor desta vitória, que gravou em nossa memória uma atuação impecável. Daqui a cinco, dez anos vamos nos lembrar de um jogo de playoffs contra o Anaheim em 2009.

Tomas Kopecky, que apanhou de Francois Beauchemin no terceiro período, é dúvida para o jogo, o que pode antecipar o retorno de Kris Draper ou a estreia de um dos Black Aces (Ville Leino, Justin Abdelkader ou Aaron Downey).

Wings em 6!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Final da Copa

Hoje é o dia mais importante do ano. Dia em que se decide a Copa Stanley 2009 — para o Detroit, pelo menos.

Porque, segundo as estatísticas:

- As equipes que abriram 3-1 nos playoffs em toda a história venceram 91,1% das séries;

- O Detroit venceu dez e perdeu 18 séries em que perdia por 2-1;

- O Anaheim nunca perdeu uma série em que vencia por 2-1.

Como disse Mike Babcock, hoje é o verdadeiro teste. É o jogo para provar que o time é duro na queda e que quer ganhar a Copa Stanley de verdade.

Porque se perder hoje... adeus.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Griffins varridos

O Grand Rapids Griffins foi varrido pelo Manitoba Moose na segunda fase dos playoffs.

Os Black Aces vêm aí.

ATUALIZADO: (07/05, 8h18)
Jimmy Howard, Jakub Kindl, Aaron Downey, Ville Leino e Justin Abdelkader. Os novos reforços de treinamento dos Wings. Nada de Darren McCarty.


ATUALIZADO: (07/05, 14:18h)
Detroit Red Wings continuará a jogar sem Draper e sem Rafalski. Este fez bicicleta, mas não patinou, esta manhã.

Deu merda!

(Kevork Djansezian/Getty Images)

O jornalista Flávio Gomes, especialista em Fórmula 1, costuma dizer que um piloto é tão bom quanto sua última corrida.

Vou levar seu pensamento para a NHL. Um time é tão bom quanto seu último jogo. Depois do jogo 2 e enquanto assistia ao jogo 3, alguém imaginava que o Detroit venceria a partida?

Eu tinha certeza que não.

Se na temporada regular os Red Wings eram vistos como um time sem goleiro, nos playoffs é o inverso: Chris Osgood é um goleiro sem time. Não fosse por ele, a série terminaria amanhã, com nova varrida dos Ducks.

Exagero à parte no parágrafo anterior, veja como os conceitos mudam rapidamente. A defesa do Detroit era considerada profunda, mas bastou que um jogador (Brian Rafalski) se contundisse para que o conceito mudasse radicalmente. Agora os Wings dependem exclusivamente de quatro defensores, sendo que um deles pensa que está em novembro (Niklas Kronwall) e o outro é um calouro excepcional mas que ainda usa fraldas (Jonathan Ericsson).

Brett Lebda e Chris Chelios não são nada confiáveis. O primeiro gol do Anaheim teve assistência da dupla. Logo após o faceoff no ataque, Lebda chutou feito uma moça, o disco foi bloqueado e em seguida lançado para Teemu Selanne. Chelios do alto de seus 72 anos não conseguiu parar o finlandês, nem na velocidade, nem com falta.

Mas a culpa não é dele. A culpa é de quem o escalou pra jogar, de quem mandou justamente esse par defensivo, que não prima pela velocidade, para um faceoff de ataque. Disco interceptado, um lançamento profundo e muita poeira.

Nunca pensei que fosse dizer isso, mas que falta faz Andreas Lilja!

Ignore as estatísticas do jogo 3. Jonas Hiller fez 46 defesas? Quando? Eu me lembro de duas ou três. As outras quarenta e tantas vieram de chutes sem propósito ou acertaram o seu peito. Aliás, os Red Wings são especialistas em consagrar goleiros anônimos fazendo exatamente isso: chutando no peito, no logotipo do adversário. Pavel Datsyuk que o diga.

O segundo gol dos Ducks foi legal, exceto pela penalidade que gerou a vantagem numérica. Brad Stuart deu o tranco mais bonito do jogo em um atacante deles, que tocou no disco imediatamente antes do contato. O árbitro marcou interferência, que é a penalidade para situações em que o infrator atinge o adversário antes que esse toque no disco. Foi apenas o primeiro grande erro da arbitragem na noite.

Henrik Zetterberg (sempre ele) achou um gol para os Wings em vantagem numérica. Mais um erro da arbitragem, que não marcou a cotovelada de Tomas Holmstrom em Wisniewski e enxergou alguma penalidade fantasma do Anaheim. A jogada do gol foi um desastre, mas deu certo. Aliás, a vantagem numérica do time terminou a noite com 20% de aproveitamento. Duas chances nos dez minutos finais do jogo e nenhuma grande jogada ou oportunidade de gol clara.

Os Wings jogaram por 20 minutos. Nos outros 40 foram derrotados pelos Ducks naquilo que o Detroit faz de melhor, que é manter a posse do disco e ditar o ritmo do jogo.

Odeio comentar sobre arbitragem, mas a da noite de ontem foi péssima. No fim, o Detroit foi assaltado. A regra determina que o juiz pare o jogo ao perder o disco de vista, para evitar que uma avalanche (!) de atacantes possa soterrar o goleiro. Mas como diabos ele perdeu aquele disco de vista? Estava ali, pererecando, antes de Marian Hossa empatar o jogo.

Os times inverteram os papéis na série. O Detroit tem sido mais físico que o Anaheim e cometido penalidades estúpidas típicas dos Ducks. Kronwall fez falta em Brown, um patinador de quarta linha. Datsyuk e Zetterberg se envolveram na confusão após o fim do jogo, demonstrando toda a frustração de um time completamente perdido.

Em relação ao Rafalski, supostamente com uma contusão na parte superior do corpo, existe o rumor de que ele tenha reagravado o problema na virilha que o afastou de alguns jogos em fevereiro. Ao contrário de Kris Draper, que está patinando com o time, o defensor não tem feito absolutamente nada. Daí a ligação entre a contusão e a virilha.

Para resolver o problema da defesa, então, só há uma solução. Por isso, por favor, Babcock, coloque o Hossa na defesa! Ele é inútil no ataque mesmo, não faz gol... e preste atenção, ele defende bem, distribui trancos e patina muito melhor que os Lebdas da vida.

Perdido por 1; perdido por 1.000.

Acabou de acabar o jogo.


Quando isso aconteceu, três patos voaram para cima do Mula.

Quando isso aconteceu, um ogro voou para cima do Corcunda de Notredame.

Quando isso aconteceu eu pensei: seria hora de chamar Downey pro time? E McCarty (se estiver em condições de jogo)?

Considerando a situação delicada (idade e contusões do McCarty), embora saudável, eu ficaria só com o Downey. Bye Bye Maltby, que desde que renovou o contrato só fez uma coisa: nada. Nada porque nem atrapalhar tem atrapalhado.

Quem sabe o quê Rafalski tem ou quando ele voltará? A hora é esta.

O gol do Selanne, com assistências do Babcock e Chelios, mostra o quanto o time perde com a saída do #28 do time.

Acontece, queridos e queridas, que quem está fora não é só Rafalski, mas Datsyuk e Hossa também. Se o eslovaco veio para ser campeão, que faça por onde. Se bem que hoje ele quase fez, quer dizer... fez, mas o juiz não deu.

Quando na série contra o Blue Jackets, eu cheguei a me iludir pensando que o time estava bom. Sim, bom. Porque contra o time de Columbus, qualquer coisa é ótimo. Mas a pensar em quem poderia vir pela frente (Ducks ou Nucks) era pouco.

Oito dias sem jogar e pega um time embaladaço. Dá nisso.

P.S.: Hoje poderia ter tido prorrogação, mas o Huguinho, o Zezinho e o Luizinho, atrapalharam.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

E a série está empatada

Assisti ao jogo 2 na íntegra na tarde de hoje. Não sabia do resultado. Na verdade fugi da Inet desde a tarde de ontem, quando percebi que não seria possível assistir ao jogo ao vivo.

Considerações sobre o jogo e a série:
- Ryan Getzlaf participou de cinco dos seis gols dos Ducks nos dois jogos. Ele marcou dois gols e deu três assistências. Se o time de vantagem numérica do Detroit é mortal, o deles também é.

- No passado os Wings combatiam as melhores linhas ofensivas do adversário com a Grind Line, formada por Kris Draper, Kirk Maltby e Darren McCarty (ou Joey Kocur). O Anaheim, até o dia-limite de trocas, mantinha a Nothing Line, com Travis Moen, Rob Niedermayer e Samuel Pahlsson, a linha que arrasou nos playoffs de 2007. Sem Moen e Pahlsson, a segunda versão da linha traz o veterano Todd Marchant e Drew Miller com o remanescente Niedermayer.

Tudo isso para dizer que sempre que Mike Babcock escalava Pavel Datsyuk contra uma linha fraca dos Ducks, Marchant entrava imediatamente no gelo.

Se a linha de Datsyuk (com Marian Hossa!) não superar a linha defensiva do adversário, não vamos ganhar a série. No jogo 2 eles tiveram diversos turnos até contra a linha 4 e não produziram nada, exceto por alguns boas jogadas na prorrogação.

- Os gols do Detroit na série: vantagem numérica (3), linha 2 [Zetterberg] (2) e linha 3 [Filppula] (1).

- Aliás, se não há dúvidas de que a linha de Zetterberg, Johan Franzen e Dan Cleary é a melhor do time, tanto ofensiva quanto defensivamente, a linha de Darren Helm, com Tomas Kopecky e Kirk Maltby é a segunda melhor. Não sei se é porque ele joga poucos minutos, mas o ritmo do Helm no gelo é impressionante. Sua dedicação é invejável. Se acertasse um ou outro chute, eu o promoveria à linha 3, em detrimento do mole Valtteri Filppula.

- Não é demais repetir que Brian Rafalski faz uma falta absurda. Ontem Babcock utilizou praticamente cinco defensores o jogo todo, com poucos minutos para Chris Chelios. Na prorrogação, então, o vovô não viu a cor do gelo. Não dá pra entender por que barrar um jogador justamente quando o time está mais cansado e precisava de todo o grupo. Chelios não comprometeu em nenhuma de suas raras aparições, embora tenha cometido a penalidade que levou ao terceiro gol dos Ducks.

Se era pra fazer isso, por que não escalar o Derek Meech? E mais, retomando aqui um grande erro da gerência: por que assinaram com Chelios para mais uma temporada? Kyle Quincey (38 pontos, 25 assistências em vantagem numérica) manda lembranças.

- Ótima atuação de Chris Osgood. Já podemos confiar nele?

- Contestável atuação de Niklas Kronwall, trancos no Teemu Selanne à parte. Ele vacilou no gol da derrota. Alguém precisa avisá-lo de que estamos na segunda fase dos playoffs, não em novembro.

- Mitch Albom escreveu sobre a necessidade dos grandes nomes (Datsyuk e Hossa) carregarem o time. Já Adrian Dater deu uma chorada para secar o título dos Wings, mas ele afirma enfaticamente que o jogo de ontem foi um acidente que o Detroit será bicampeão.

Tudo igual

Sessenta minutos de hockey não foram suficientes para decidir o vencedor do jogo de hoje. Nem 80 minutos. Nem 100. O empate persistiu no placar até o gol na terceira prorrogação de Todd Marchant, já com 101:15 de jogo, igualando a série em 1-1.

Como consegui assistir ao jogo de forma inacreditavelmente satisfatória hoje (e não sei se meus colegas de blog tiveram a mesma sorte), vão aqui alguns pitacos sobre o que vi hoje.

A primeira e mais evidente impressão que tive é que os Ducks estão com mais vontade de ganhar. Se o jogo 1 tinha sido, na melhor das hipóteses, parelho, o jogo 2 mostrou superioridade do time californiano. Não necessariamente na posse do puck, mas certamente com relação à vibração dos jogadores e à esperteza com que jogaram. Como exemplo raso, na partida de hoje digo sem medo que poucas vezes vi os jogadores do Detroit ganhando disputas nas bordas. A objetividade na zona ofensiva então, prefiro nem comentar.

Outro fator, que inclusive permanece desde a temporada regular, é a péssima média dos times de matar penalidades. No jogo de hoje, um ridículo 50%. Aqui, inclusive, vale também um comentário sobre a disciplina da equipe.

Muito se disse antes do início da série que o segredo para os Ducks permanecerem no jogo seria controlar o ímpeto e evitar o excesso de penalidades, ainda mais contra o time com melhor aproveitamento em vantagem numérica da liga (e com menor número de penalidades contra também). Pelo visto, conseguem ser tão disciplinados quanto quiserem pois, até o momento, os Ducks cometeram apenas 1 penalidade a mais do que os Red Wings (se não contarmos a penalidade de Mike Brown no tranco acachapante em Hudler como duas, obviamente).

Não obstante, o Detroit tem cometido algumas penalidades incrivelmente estúpidas, como a sequência de 3 seguidas no segundo período do jogo de hoje. Até minha vó sabe que, em playoffs, indisciplina = caixão e 7 velas pretas.

Outro fator nulo (ou não-fator, como queiram) tem sido a linha principal do time. Ela conta com dois dos melhores jogadores do planeta (Datsyuk e Hossa) e vem sendo completamente inútil até o momento na série (e talvez até aqui nos playoffs). Se nos dois jogos em casa, onde pudemos escolher o emparelhamento de linhas com as linhas adversárias e, assim, teoricamente evitamos o confronto entre nossa melhor linha ofensiva e a melhor defensiva dos Ducks, o que esperar dos dois jogos em Anaheim onde a linha top será marcada pela linha top dos patos? (respondendo baixinho: "espero que comecem a jogar, diabos!)

A última alfinatada aqui vai para nosso estimado time de vantagem numérica, que não pode deixar de matar o jogo num PP durante a prorrogação.

Para não dizer que esse post foi negativista, depreciador e o escambau, ficam aqui duas notas positivas sobre o time. A primeira é que, nunca é demais lembrar, estamos jogando sem nosso defensor número 2, que além de já ter um entrosamento natural com Lidstrom ainda por cima ajuda horrores na equipe 1 de powerplay. A segunda é que, calando a muitos, Ozzie vem pegando de forma imponente no gol dos Red Wings. Na partida de hoje, apesar dos gols, ele salvou o time algumas vezes (inclusive 2 breakways), fazendo com que o Detroit continuasse no jogo e tivesse até a chance (apesar de nem merecer) de ganhar a partida.

Espero que a volta de Rafalski e um belo puxão de orelha por parte do Babcock sirva para o time voltar a jogar o que sabemos que consegue nos jogos 3 e 4.

domingo, 3 de maio de 2009

Pensamentos sobre o jogo 1

(imagem: fórum LetsGoWings.com)

Não demorou muito para que a combinação "agressividade do Anaheim + vantagem numérica e gol do Detroit" deixasse o plano teórico e se comprovasse na prática.

A interferência de Mike Brown em Jiri Hudler mudou o rumo do primeiro período (interferência foi o nome dado pela arbitragem; você pode chamar de cotovelada, ombrada, cabeçada, atropelamento). Os Ducks venciam por 1-0 e dominavam o jogo até então. Os Wings conseguiram o empate graças a Johan Franzen, em jogada individual, porque a atuação do time de vantagem numérica nos cinco minutos de 5-contra-4 foi um horror.

O Detroit chutou mais a gol, teve mais oportunidades, mas no geral o Anaheim teve as melhores chances de marcar. Aquele chute de Bobby Ryan bloqueado por Henrik Zetterberg tinha endereço certo. Sem contar os dois discos na trave, em desvios à frente de Chris Osgood.

Os Ducks poderiam perfeitamente ter vencido o jogo. Que isso sirva de alerta para o jogo 2.

A explicação para a má atuação dos Wings foi o longo período entre o jogo 4 da primeira fase e a estreia na segunda. O time perdeu o "tempo" de jogo.

Nicklas Lidstrom salvou o dia. Se eu pudesse escolher que jogador pegaria o rebote do gol da vitória, eu escolheria Lidstrom. Ou Darren McCarty, mas como o Vingador não está em Detroit...

A linha de Pavel Datsyuk precisa liderar o time ofensivamente. Zetterberg enfrentou a linha de Ryan Getzlaf a maior parte do tempo e apareceu muito mais que a linha 1. De sua linha nasceu o gol da vitória, inclusive.

Mesmo que Jonathan Ericsson seja um bom defensor, muito promissor, e que tenha brigado com Corey Perry (balançando o adversário feito ioiô), Brian Rafalski faz muita falta. O pior é que ele está fora do jogo 2 também.

Placar de trancos: Detroit 36-24 Anaheim.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Últimas do dia, que começou à meia-noite.


Isso mesmo, pequenos gafanhotos. Brian Rafalski não jogará esta noite. Fazendo par com Nicklas Lidstrom estará Jonathan Ericsson. Pra quem entrou pra tapar o buraco do Gigante Epaminondas, nada mal, não?

Bom... com um defensor a menos, um outro deve subir. E ele foi o escolhido: Chris Matusalém Chelios. O velho veterano formará linha com Bret Lebda. Fazer o quê, né?

Pois bem. Como vimos no video acima, Randy Carlyle acredita que Rafalski fará falta, mas nem tanto. O Detroit Red Wings é um dos times mais experientes da liga (como o Ducks) e isso pode fazer com que algum outro jogador assuma a posição do nosso querido zoiudim.

Devo dizer que isso me preocupa. Não na defesa, mas no ataque. A blue-line do Red Wings perde e muito nos tiros de PP. Vamos ver o que Samuelson, Kronwall e Stwart conseguem fazer.

Além disso, Tomas Madruga Holmstrom já disse que vai levar a cadeira e o birô para seu escritório - o topo do crease de Hiller. Porém, o síndico do local, Chris Barriga Pronger, está mais que pronto para despejá-lo de lá - tal qual a eterna luta entre os mexicanos, nosso Madruga levará a vantagem. Vamos ver se os irmãos metralha (árbitros) vão deixar o jogo rolar e pegar leve nas marcações de interferências no goleiro.

A guerra começará breve, com a primeira batalha hoje, às 20h.

E em Ozzie we trust.

Vamos torcer.

Pra hoje, Wings 5 x 2 Ducks.

Lá vem o Pato, pata aqui, pata acolá

(foto: fórum LetsGoWings.com)

O caminho do Detroit Red Wings até o bicampeonato da Copa Stanley passa necessariamente pelo Anaheim Ducks.

O primeiro confronto de verdade dos Wings nos playoffs, porque Columbus Blue Jackets é carta branca, café-com-leite, serviu no máximo como sparring. Contra os Ducks a realidade será bem diferente.

Muito se fala no "jogo físico", na brutalidade dos Ducks, característica vista como positiva e que destaca a equipe entre as demais. O Anaheim liderou a liga em brigas nesta temporada, com mais de 80. Os Wings foram os últimos da liga no quesito pela milésima temporada consecutiva.

E daí? Ser agressivo definitivamente não é brigar. Quem vê Pavel Datsyuk desferindo trancos sabe disso.

Contra o melhor time de vantagem numérica da liga, é bom que os Ducks sejam mesmo violentos. Eles que se virem para defender com um jogador a menos.

Mas quem são esses Ducks?

É o time de uma defesa fantástica. Chris Pronger pode ser um canalha, mas é um baita defensor, tão bom que está entre os artilheiros dos playoffs desde o locaute. Scott Niedermayer tem coleção de Copas no currículo. A defesa da equipe hoje consegue ser melhor que a do time campeão em 2007. Ryan Whitney, François Beauchemin, James Wisniewski e Sheldon Brookbank completam o sexteto defensivo.

É o time de um goleiro quente, surpreendente até. Para colocar Jean-Sebastien Giguere no banco, só mesmo alguém em grande fase. É o caso de Jonas Hiller, que a NHL ainda desconhece. Ele está bom, mas ainda não provou que é realmente bom. Contra o Detroit terá a oportunidade de sua vida de escrever seu nome entre os grandes.

É o time da temível linha Bobby Ryan-Ryan Getzlaf-Corey Perry. O trio marcou nove dos 18 gols da equipe na primeira fase. Combinam força, velocidade e habilidade. Getzlaf é um monstro. O problema dos Ducks é que o ataque do time termina aqui. Há no máximo uma boa linha defensiva (Drew Miller-Rob Niedermayer-Todd Marchant). A segunda linha ofensiva não põe medo em ninguém (Erik Christensen-Andrew Ebbett-Teemu Selanne). A última linha inexiste (Mike Brown-Ryan Carter-George Parros).

Com a vantagem do mando de gelo, os Wings vão impor a Getzlaf uma marcação cerrada. Quando ele estiver no gelo, lá estará Nicklas Lidstrom e Datsyuk ou Henrik Zetterberg. Simples assim. Da mesma forma que nos jogos realizados em Anaheim os Ducks vão enfiar Pronger pra cima dos nossos melhores atacantes. Mas aí quem pega a terceira linha? A maior vantagem dos Wings no confronto é a profunidade ofensiva.

Derrotar o Anaheim passa por aproveitar as muitas chances em vantagem numérica, extrair produção ofensiva de todas as linhas e anular a linha de Getzlaf. O resto se resolve. E que seja feita a vingança.