terça-feira, 30 de junho de 2009

Natal magro em Detroit

Nesta véspera de 1.º de julho, o blog Red Wings Brasil deseja a todos os seus colaboradores um Feliz Natal.

Amanhã, às 13 horas, será aberto o mercado. Todos os jogadores sem contrato serão considerados oficialmente como agentes livres e poderão receber propostas de qualquer um dos 30 times da liga.

Os agentes livres restritos têm vínculo com sua última equipe e somente podem ser contratados por outro time mediante o pagamento de compensação, na forma de escolhas no recrutamento.

Já os agentes livres irrestritos são livres, leves e soltos. Podem assinar com qualquer time e não devem nada a ninguém.

Com o irrisório aumento do teto salarial para a temporada 2009-10, boa parte das equipes vão se limitar a cuidar dos problemas internos em vez de dispender grandes quantias em oportunidades (ou ameaças) representadas pelos jogadores disponíveis no mercado. É o caso dos Red Wings.

Ken Holland já antecipou que o Detroit não estará ativo no mercado. Simplesmente não há espaço para contratações, como você pode ver na tabela abaixo.

A partir de amanhã acompanharemos o desenrolar da situação do elenco dos Red Wings para a próxima temporada.


- Marian Hossa: os Wings ofereceram US$ 40 milhões por dez anos. É pouco, perto do que ele pode conseguir no mercado. Provavelmente deve trocar de time.

- Tomas Kopecky: vai testar o mercado e já está fora do time.

- Mikael Samuelsson: os Wings vão procurá-lo, agora que Hossa está fora do time. Dizem que já colocou sua casa à venda, ou seja, pode testar o mercado.

- Jiri Hudler: Holland não tem pressa para renovar com os agentes livres restritos, caso de Hudler. Certo apenas que ele terá que conceder um desconto-amigo para continuar no time.

- Ville Leino: outro agente livre restrito. Depois de passar uma temporada inteira no time menor, não é possível que vá desistir agora do "sonho americano".

- Chris Chelios: oficialmente fora do time.

- Ty Conklin:oficialmente fora do time.
- Aaron Downey: Holland disse que não vai renovar seu contrato.

- Darren McCarty: Holland disse que não vai renovar seu contrato.

- Justin Abdelkader: deve começar a temporada atuando pelo Grand Rapids Griffins, como indicou a gerência.

sábado, 27 de junho de 2009

90.ª escolha geral (3.ª rodada): Gleason Fournier

Esperávamos que Detroit fosse selecionar um defensor com uma de suas duas primeiras escolhas. Dylan Olsen e Eric Gelinas eram os nomes mais comentados. Não aconteceu assim. Apenas após três atacantes serem escolhidos que os Wings adicionaram o primeiro linha azul desse recrutamento.

90ª escolha geral (3ª rodada). Gleason Fournier - Def
(1.82m - 80kg)
Canadá



Antes mesmo de ser recrutado pela honorável organização, Gleason Fournier já justificava sua existência torcendo para os Red Wings. Como se fosse pouco ele já tem seu portal onde podemos ver informações vitais a seu respeito. Se o nobre leitor é um ser ignorante, limitado, incapaz de compreender francês, vá direto para a página de vídeos.

Recrutado apenas na 90ª posição geral, o defensor do Océanic de Rimouski, da liga júnior quebequense, produziu 28 pontos em 66 cortejos em sua segunda temporada nessa estância. É tido como um linha azul ofensivo, móvel e que sabe o que fazer com disco, em especial em situações de vantagem numérica. Porém alguns analistas condenam a forma como ele se comporta sob pressão.

Na semana usada para que as franquias conheçam melhor os selecionáveis, sete times entrevistaram Fournier e três deles mostraram interesse – Red Wings, Flames e Canucks.

Particularmente não sou fã de defensor que seja irresponsável em sua principal tarefa. Mas lembrem-se que quando a temporada 2008-09 começava, Fournier tinha apenas 16 anos. Esperamos então que esse atleta se torne mais completo com o tempo.

75.ª escolha geral (3.ª rodada): Andrej Nestrasil

O bônus por ceder a 29ª escolha geral para Tampa, rendeu o tcheco Andrej Nestrasil. O comboio alvirrubro em Montréal ficou radiante e excitado após selecionar o tcheco. Nestrasil, assim como Ferraro e Tatar, estava entre os jogadores com conceito elevado junto à equipe de observadores.

“Por isso descemos nossa escolha principal,” disse Jim Nill. “Tínhamos a chance de selecionar dois dos nomes que agradavam e acabamos conseguindo três - com o Nestrasil.”

75ª escolha geral (3ª rodada). Andrej Nestrasil - LW
(1.88m - 90kg)
República Tcheca



Indivíduo com nome de anti-inflamatório, Nestrasil estava fora dos radares da maioria do planeta hóquei devido sua maior deficiência: patinação. Podemos confirmar isso com o vídeo abaixo, mas também vemos um jogador que sabe o que fazer no tráfego. Repare o gol anotado pelo jovem aos 5:36. Um tento que nem Pelé(?) foi capaz de fazer.




Mas alguém na organização conseguiu captar sinais intermitentes com dados atraentes. Nota-se que é um jogador persistente e que se entupir o organismo de fast food, albumina e Whein Protein, se tornará um pesadelo na frente da meta adversária.

O potente atacante impressionou os Red Wings durante o mundial sub-18 e em sua temporada de estréia na QMJHL, onde defendendo o Victoriaville Tigres contabilizou 57 pontos em 66 cortejos – bastante para a vice-artilharia dos Tigres, atrás apenas de um infeliz que tem quatro temporadas nas costas na liga júnior francófona.

Aos 18 anos ainda tem um bom caminho dentro da própria QMJHL.

60.ª escolha geral (2.ª rodada): Tomas Tatar

Seguindo com minha superficial análise do recrutamento - até que alguém de mais gabarito apareça aqui para salvar a honra alvirrubra.

60ª escolha geral (2ª rodada). Tomas Tatar – C/RW
(1.78m - 75kg)
Eslováquia

Arrojado e audaz. Mesmo com envergadura para ser um reles salva-vidas de aquário o eslovaco Tomas Tatar não teme carapaças mais desenvolvidas. Consegue manter o disco mesmo sob marcação cerrada. O pequeno notável do HKM Zvolen ganhou projeção midiática na última edição do mundial júnior, quando teve participação em 11, dos 22 gols anotados por sua seleção.



A Eslováquia chegou a 4ª posição final unicamente pelas ações do goleiro Jaroslav Janus e de Tatar. Acompanhando aquele guri entortando os adversários em solo canadense, pensei que seria uma boa vê-lo com nossa vestimenta. Michel de Nostredame sentiria orgulho de tamanha visão futurística.

Os 11 pontos de Tatar garantiram a ele a 4ª posição na artilharia do torneio - a mesma produção de Nikita Filatov, da seleção russa e prospecto do Columbus Blue Jackets, tido como um dos maiores talentos de base da atualidade.

Tatar tem em Martin St. Louis, dos Bolts, um ídolo. Fácil entender a escolha. St. Louis também era visto com desconfiança por seu tamanho diminuto. Ele compensa isso com boas mãos e um grande chute. Tatar vai por esse caminho.



Para alegria do jogador, ele foi recrutado por seu time predileto . Isso mesmo, Tatar, assim como todos nós, também sofre quando Andreas Lilja pensa que sabe sair jogando.

Em breve ampliaremos.

32.ª escolha geral (2.ª rodada): Landon Ferraro

A espera é torturante e cruel. Digo mais, é dilacerante e desumana. Não apenas para as jovens estrelas e/ou bondes do amanhã que estavam no Bell Centre de Montréal. Isso também vale para os seguidores dos Red Wings que acompanharam a maratona do 1º dia de recrutamento. Esperamos e esperamos. Quando finalmente chegou nessa vez foi a turma do Tampa Bay Lightning que subiu ao palanque(?).

Mas, sabedores da excelência de nossa equipe de olheiros, não tinha como criticar a negociata. Mandamos a 29ª escolha geral para os Bolts. Em troca recebemos a 32ª ( logo no início da 2ª rodada) e a 75ª(3ª rodada).

Segundo Jim Nill, homem que comanda nossa central de observadores, no momento em que o escambo foi feito havia cinco ou seis atletas no radar dos Wings, ainda disponíveis. Ou seja, mais uma escolha.

Sem mais delongas vamos ao primeiro elegido. Em breve ampliaremos(?).

32ª escolha geral (2ª rodada). LANDON FERRARO - Central
(1.81m - 75kg)
Canadá



Nascido na mesmíssima cidade (Trail) que DALLAS JAMES DRAKE, Landon Ferraro figurava em muitas listas de 1ª rodada. Alguns analistas acreditavam que ele poderia sair entre os 20 primeiros.

O atleta possui uma característica que casa bem com nosso modus operandi. É um central muito forte defensivamente, que quando comete um erro está sempre em posição para uma recuperação.

Em sua 2ª temporada pelo Red Deer Rebels foi o goleador do mediano time com 37 tentos em 68 jogos na sempre forte WHL, mesmo não sendo um atleta de grande envergadura física – a WHL é a mais bruta entre as três grandes ligas juniores do Canadá. Como bônus foi o patinador mais rápido durante a semana dos melhores prospectos da CHL (WHL/OHL/QJMHL).



Filho do ex-jogador Ray Ferraro, que teve uma carreira bem sólida na NHL e que hoje é um renomado analista esportivo, Landon se disse decepcionado por não ter sido escolhido na primeira rodada, mas ao mesmo tempo orgulhoso por agora fazer parte de uma organização como os Red Wings.

Como nada é perfeito sua equipe de predileção na NHL é/era o Toronto Maple Leafs. Pelo menos ele tem como filme #1 The Shawshank Redemption e assiste Two and a Half Men quando não tem porra nenhuma para fazer.

Em seu currículo constam cinco brigas na temporada 07-08 e quatro na 08-09.



Análise do Calciolari ©

Landon Ferraro parece bom jogador. É pequeno e gosta de "cavar" espaço na frente do gol. Comete penalidades com frequência razoável e curte uma briguinha. Me lembra Sean Avery (exceto pela boca-suja).

Só resta saber se ele é paciente pra ficar uns 4 ou 5 anos nas Ligas menores antes de buscar espaço no time principal.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Aula de matemática

Está confirmado o teto salarial da próxima temporada: US$ 56,8 milhões.

Será esse o resultado de todas as equações de Ken Holland a partir de hoje. E o que ele pode fazer com cem mil dólares (variação em relação ao teto salarial anterior)?

Quase nada. Pelos meus cálculos, dá pra assinar o blog Red Wings Brasil por dois meses e meio.

Os Red Wings já comprometeram US$ 53,47 milhões da folha salarial de 2009-10, o que significa que restam apenas US$ 3,329 milhões disponíveis para assinar com os jogadores sem contrato.

Essa grana está investida em nove atacantes, oito defensores e dois goleiros, considerando que Darren Helm, Jonathan Ericsson e Jimmy Howard farão parte do time.

Com US$ 3,329 milhões Holland não pode fazer muita coisa. Se eu fosse ele, tentaria assinar com Tomas Kopecky, Jiri Hudler e Ville Leino pela grana potencialmente desperdiçada em Marian Hossa.

O MVP fora do gelo

Da mesma forma que você escolheria John Locke como sua companhia se estivesse perdido numa floresta, Ken Holland procuraria Hakan Andersson se fosse participar do recrutamento.

Andersson é, para os Red Wings, o que o oxigênio é para os seres humanos. Se você não sabe quem é ele e o que ele fez para a organização, sua penitência será gritar três vezes "Devereaux é melhor que o Eto'o" da janela do seu quarto.

Em homenagem ao maior olheiro da história dos esportes, segue a tradução do texto escrito por Bruce MacLeod no Red Wings Corner.


O super olheiro dos Red Wings

Hakan Andersson estava sentado em um centro comercial da região de Estocolmo, almoçando com um amigo quando um garoto de 16 anos caminhou até ele e disse algo muito incomum.

"Você é Hakan Andersson, o olheiro do Detroit?"

Se você está no ramo de Andersson, a fama é legal, mas é uma barreira para realizar o trabalho.

"É a primeira vez que isso aconteceu comigo em toda a minha vida," disse Andersson sobre ser reconhecido. "Eu acho que as pessoas nos rinques talvez me conheçam, mas é isso. Eu compro meu ingresso, caminho, vou para um canto, assisto. Eu não quero que ninguém saiba. Se você está no que eu chamo de uma pequena missão, assistindo a um jogador em uma liga pouco conhecida, então você quer ficar no canto. Você não quer que alguém diga, 'Eu vi o olheiro dos Red Wings aqui no último jogo.'"

Estar onde ninguém está, vendo o que ninguém mais vê, pensando o que ninguém pensa... essa é a profissão de Andersson.

O diretor de observação de jogadores na Europa para o Detroit Red Wings — uma franquia reconhecida por seu sucesso em recrutar talento europeu — fez o seu nome no recrutamento anual da NHL. O recrutamento deste ano começa às 20h na sexta-feira à noite com a primeira rodada e continua no sábado às 11h com as rodadas de 2 a 7.

Andersson tem sido um grande fator para os Red Wings serem capazes de armazenar talento no sistema apesar de consistentemente recrutar no final de cada rodada.

Os Red Wings vão escolher em 29.º esta noite no recrutamento de 30 times. Por causa de seu sucesso tanto na temporada regular quanto nos playoffs, os Red Wings não selecionam na primeira metade da primeira rodada desde que escolheram Martin Lapointe com a 10.ª escolha geral no recrutamento de 22 times de 1991. Desde que escolheram Joe Murphy do Michigan State com a primeira escolha geral em 1986, os Red Wings tiveram apenas uma escolha de primeira rodada mais alta que a 10.ª — Keith Primeau foi escolhido em terceiro em 1990. Além disso, os Red Wings não tiveram escolha na primeira rodada em sete dos últimos 12 recrutamentos.

Mas os Red Wings têm mantido uma linha de fornecimento de talentos estocada predominantemente com escolhas baixas da Europa.

"Hakan certamente é um dos melhores neste negócio," disse o vice-presidente e gerente geral Ken Holland. "Você apenas tem que olhar para o seu recorde... Obviamente Hakan tem sido um MVP por trás das cenas pra nós."

A primeira escolha feita somente com recomendações de Andersson foi Tomas Holmstrom, escolhido com a 257.ª escolha geral (10.ª rodada) em 1994. Desde então, os Red Wings garimparam a Europa por essas formidáveis escolhas tardias: Pavel Datsyuk com a 171.ª escolha (sexta rodada) em 1998; Henrik Zetterberg com a 210.ª escolha (sétima rodada) em 1999; Jonathan Ericsson com a 291.ª escolha (nona rodada) em 2002; Valtteri Filppula com a 95.ª escolha (terceira rodada) em 2002; Jiri Hudler com a 59.ª escolha (segunda rodada) em 2002; e Johan Franzen com a 97.ª escolha (terceira rodada) em 2004.

Desde 1997, os recrutas dos Red Wings disputaram 3.188 jogos de temporada regular na NHL. Destes jogos, 91% (2.890) foram disputados por recrutas europeus.

Sucesso e anonimato não são normalmente compatriotas. Mas Andersson tem trabalhado para manter futuras escolhas como Datsyuk, Zetterberg e Ericsson em segredo.

"Quando eu estava observando o Jonathan Ericsson, eu assisti a dois jogos dele e vi o quanto ele é bom," disse Andersson. "Então eu fui em outros cinco, seis jogos e apenas observei o ginásio para ver se havia alguém lá."

Andersson trouxe Ericsson com a última escolha do recrutamento. Assim como ele ajudou a trazer Zetterberg, Datsyuk, Holmstrom e outros para Detroit.

Enquanto ele falava sobre seu talento para observação, Andersson usava seu anel da Copa Stanley 2008. Perguntado sobre isso, Andersson o retirou de sua mão e o segurou.

"Leia por dentro dele," disse Andersson.

Uma única palavra estava escrita do lado de dentro... família.

"Eu realmente gosto disso," disse Andersson. "Isso diz muito sobre esta organização e sobre o que é importante."

Se tudo correr bem na sexta-feira e no sábado, os Red Wings vão acrescentar mais um ou dois membros à sua família.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Meu Capitão

Eu nunca consegui escrever sobre Steve Yzerman.


Não consegui quando ele se aposentou e não consigo agora quando ele foi eternizado no Salão da Fama do Hóquei.


Yzerman sempre foi o meu ídolo no hóquei no gelo. É por causa dele que eu escrevo no Red Wings Brasil e não no, sei lá, LA Kings Brasil ou Maple Leafs Brasil.


Era 1999 quando naquele jogo de hóquei do velho Nintendo 64 eu escolhi jogar com Yzerman. Do videogame para o computador com o NHL 99. "Procurar o time do Yzerman," eu pensava. E do computador para quase uma década de adoração pelo hóquei no gelo, pelos Red Wings e por Steve Yzerman.


Na falta de competência para homenagear o maior Capitão da história dos esportes, segue a tradução do texto escrito por Michael Rosenberg e publicado no Detroit Free Press na quarta-feira.



Coroação perfeita para uma carreira quase perfeita


"O time onde você começa é sempre o time ao qual você sente que pertence."

— Luc Robitaille, que jogou por quatro times na NHL, sobre a sua eleição para o Salão da Fama do Hóquei


Steve Yzerman recebeu a ligação do Salão da Fama quando estava na Joe Louis Arena. Nada disso surpreendeu. É claro que ele pertence ao salão. É claro que ele estava na Joe, ginásio onde trabalhou por 26 anos. É claro, é claro, é claro.


Existiram jogadores melhores. Yzerman nunca venceu um Troféu Hart como jogador mais valioso da NHL e só uma vez foi eleito para o primeiro time da NHL (por anos, ele ficou emperrado atrás de Wayne Gretzky e Mario Lemieux).


Mas eu não acho que alguém tenha tido uma carreira mais perfeita. Atletas às vezes falam sobre realizar os seus sonhos, mas se você é um torcedor dos Red Wings, a beleza de Steve Yzerman é que ele realizou os seus sonhos.


Dos 12 maiores artilheiros da história da NHL, apenas Yzerman e Lemieux jogaram durante toda a carreira em uma cidade. E Lemieux se retirou por três anos no meio de sua carreira por causa da Doença de Hodgkin.


Yzerman foi recrutado em 1983 e se aposentou em 2006. Neste tempo, a NHL se expandiu rapidamente, os salários dos jogadores cresceram exponencialmente e disputas trabalhistas cancelaram uma temporada e retalharam outra pela metade.


Os esportes estão mais populares do que nunca, mas é difícil encontrar qualquer coisa nos esportes que você ame incondicionalmente.


Stevie Y foi a exceção.


Yzerman chegou a Detroit em 1983 e nunca saiu. Ele começou sua carreira nos Wings como um artilheiro fenomenal e se ergueu a partir dali: ressuscitou uma adormecida franquia, encerrou uma das mais longas secas no seu esporte e venceu a Copa Stanley três vezes.


Sua última Copa, em 2002, disse o principal sobre a carreira de Yzerman: em um time com pelo menos nove integrantes do Salão da Fama, ele foi o líder indiscutível. Ganhou uma medalha de ouro Olímpica naquele inverno e a Copa Stanley na primavera, apesar de uma contusão no joelho que fazia andar ser doloroso.


Yzerman era admirado pelo que fazia no gelo. Ele era querido por causa do que ele não fazia fora do gelo.


Ele nunca teve uma desagradável e prolongada discussão contratual. Ele nunca foi trocado e nunca pediu para ser trocado. Ele nunca deu desculpas para sair de um jogo por causa de orgulho ferido em relação ao seu contrato. Ele nunca xingou seu dono ou empurrou um repórter.


O ponto central de sua carreira aconteceu em outubro de 1995. Yzerman tinha 30 anos de idade. Ele já era um Wing por 12 anos e, no último mês de junho, havia liderado os Wings às finais da Copa Stanley pela primeira vez.


Mas os Wings foram varridos naquelas finais, e então o treinador Scotty Bowman estava rifando-o. Yzerman teve que perguntar aos Wings o que estava acontecendo, em vez de eles lhe dizerem, o que o irritou. Ele mesmo teve que confirmar rumores de uma provável troca com o Ottawa, e isso deve tê-lo irritado também.


"Não há dúvida de que um acordo está iminente," disse Yzerman então. "Se vai acontecer ou não, ninguém sabe ao certo... Pode acontecer hoje. Pode acontecer amanhã. Pode acontecer daqui a um mês. Pode acontecer no dia-limite de trocas."


Ele deixou claro que queria ser um Wing, e ele queria vencer, e ele queria que a situação fosse resolvida o mais cedo possível. Mas seu comentário mais notável foi esse:


"Eu ganho muito dinheiro. A pior coisa que pode acontecer é eu ir para algum outro lugar e jogar lá."


Steve Yzerman sabia o quão sortudo ele era. Ele nunca iria reclamar publicamente de seu trabalho. Ele sabia que ninguém queria escutar isso.


Quando Yzerman foi apresentado antes do primeiro jogo em casa, o público lhe deu uma enorme ovação. Bowman foi entusiasticamente vaiado. Daquele momento em diante, nunca houve dúvida: Steve Yzerman seria para sempre um Red Wing.


Mais à frente, as pessoas passaram a vê-lo como um tipo de anjo. Mas eu não acho que Yzerman alguma vez tenha se vendido dessa maneira. Ele apenas pensou de si mesmo um jogador de hóquei. E é por isso, é claro, que ele é tão popular.


Como ele se sentiu quando recebeu a ligação?


"Eu estou muito agradecido pela honra," disse Yzerman, ainda que a honra fosse ele.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Ameaças ao bicampeonato olímpico dos Wings(?)

O Palasport Olímpico de Turim viu em 2006 a consagração de uma Suécia que mais parecia um combinado Red Wings e amigos(?).

O primeiro duo defensivo da seleção escandinava? Nicklas Lidström e Niklas Kronwall. A segunda linha de ataque? Mikael Samuelsson, Henrik Zetterberg e Tomas Holmström. Na finalíssima contra a vizinha e histórica rival Finlândia, a Itália e o mundo viram nossos consangüíneos em Wings orgulhando o cuori biancorosso que bate em cada um de nós.

Em um jogo deveras disputado Zetterberg, com passe de Samuelsson, e Kronwall, assistido por Zata, deram volta no placar. Como nunca está morto quem peleia, a Finlândia martelou a meta de Henrik Lundqvist até igualar a contenda.

Quando Teemu Selänne e seus asseclas mostravam os dentes e estavam perto da façanha inédita, o caudilho nórdico resolveu deter a pujança do inimigo. Gol de Lidström. Gol da vitória. Gol do ouro olímpico. Red Wings 3, Finlândia 2.



Com os JO de Vancouver já batendo à porta, a Suécia mais uma vez deverá ter um forte contingente alvirrubro. Holmström e Samuelsson devem perder seus lugares. Homer, extremamente combalido, deve ter mais uma temporada de forte trânsito em enfermarias. O filho do Sr. Samuel deverá abrir guarda pra nova geração.

Por outro lado Johan Franzén e Jonathan Ericsson, ausentes em Turim, deverão receber o chamado. Lidström já disse que não fará como Mats Sundin, que já abdicou de uma provável convocação. Nosso capitão ainda não disse que sim e nem que não, mas se chegar inteiro em fevereiro certamente defenderá sua pátria.

Com tantos atletas dos Red Wings fica difícil não ter uma dose de simpatia para com o selecionado de Bengt-Åke Gustafsson.

Das outras seis grandes seleções do hóquei mundial, apenas uma, logo o anfitrião Canadá, provavelmente não terá nenhum representante dos Wings no gelo - caso Jiri Hudler deixe o clube a República Tcheca pode ser outro conjunto sem alvirrubros.

Se não tem Wings dentro da invernada canadense, fora dela duas mentes privilegiadas de nossa esquadra estarão no comando. Como já sabemos Steve Yzerman é o manda-chuva eleito pela Hockey Canada. Sendo assim as chances de Mike Babcock ser o treinador da seleção são graúdas. Hoje os rumores se intensificaram, com o conceituado jornal local, The Globe and Mail, dando como certa a escolha de Babcock.



Babcock não chega a essa condição apenas por estar na mesma organização que Yzerman. Além de um histórico invejável na NHL, ele já comandou a seleção canadense a títulos mundiais na categoria adulto e sub-20.

Um dos principais rivais dos anfitriões será a seleção da Rússia. Quem é da era glacial certamente se lembra de quando os Wings tinham forte sotaque russo o que fez com que muito de nós se tornassem adeptos daquela escola. Isso não acontece mais e apenas Pavel Datsyuk nos representa por aquelas bandas. Mesmo assim o vínculo afectivo(?) levará muitos a torcer por essa equipe.

Independente de qual seleção o nobre torcedor dos Wings seguir, os pensamentos positivos deverão estar direcionado pra mesma coisa que em 2002: a saúde de nossos combatentes. Naquele ano um bonde(?) cheio de Red Wings foi parar em Salt Lake City. A maioria veteranos. Yzerman, Brendan Shanahan, Chris Chelios, Brett Hull, Igor Larionov, Pavel Datsyuk, Sergei Fedorov e Dominik Hasek.



O resultado foi o melhor possível no final da equação 2002. Atletas dos Wings com ouro (Yzerman e Shanny), prata (Hull e Chelios) e bronze (Fedorov, Datsyuk e Larionov). Meses depois todos eles levantavam a copa Stanley nº 10.

Comparando gerações, a atual de selecionáveis dos Wings chegará mais jovem aos JO de Vancouver em fevereiro, mas o que preocupa é a carga acumulada de partidas. Já temos três temporadas chegando pelo menos ao jogo 6 de uma final de conferência. E agora deveremos somar a herança(?) física dessas viagens longas playoffs adentro, com o desgaste que será ocasionado pela disputa de vários jogos em poucos dias – competição vai do dia 16 até 28. Ou seja, mais um obstáculo no caminha da 12ª copa.

Resumão do mal - incluindo atletas que poderão zarpar dos Wings em um futuro próximo:

Certos de convocação: Brian Rafalski (EUA), Pavel Datsyuk (Rússia), Marián Hossa (Eslováquia), Valtteri Filppula (Finlândia), Nicklas Lidström, Niklas Kronwall, Henrik Zetterberg e Johan Franzén (Suécia).

Grandes chances : Ville Leino (Finlândia), Tomás Kopecký (Eslováquia), Jiri Hudler (República Tcheca), Jonathan Ericsson (Suécia).

Remotíssimas : Chis Osgood (Canadá), Mikael Samuelsson, e Tomas Holmström (Suécia).

Só se nevar no inferno : Brett Lebda (EUA)

Mesmo nevando no inferno: Andreas Lilja (Suécia).

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Antes muito tarde do que mais tarde

A gerência dos Red Wings tomou a primeira decisão das férias: não renovar o contrato de Chris Chelios.

É claro que Ken Holland começou pelo mais fácil. Aos 47 anos, não fazia sentido algum estender por mais um ano esse vínculo. Chelios pouco atuou na temporada regular e nos playoffs. Para alguns torcedores, a opção pelo veterano defensor em meados de 2008 fez com que os Wings perdessem Kyle Quincey, que se revelou um bom defensor no Los Angeles Kings.

Eu me encontrei com Chelios e disse a ele que nós não vamos oferecer-lhe um contrato," disse Holland. "Ele quer jogar novamente. Eu acho que ele tem mais um ano. Acredito que ele possa jogar 10 a 15 minutos. Acho que pode formar o terceiro par."
Sinceras palavras. Vamos torcer para que se materializem. Seria o máximo rever Chelios no gelo, em boa forma, atuando 60 a 70 jogos na temporada. Com outra camisa, é claro.

Chicago?

Em homenagem a Chelios, proponho relembrarmos aqui no blog, nos comentários, grandes momentos dele com a camisa do Detroit. Eu começo com dois que eu me lembrei agora e que provavelmente são os meus favoritos.

Na temporada 2001-02, Chelios formava o par defensivo com Jiri Fischer. Talvez tenha sido a sua melhor temporada com a camisa dos Red Wings. Ele foi o Norris "moral" daquele ano.

Em dado momento, Chelios disse à imprensa: "Preciso proteger Dominik Hasek". Para o defensor, os atacantes adversários estavam chegando ao goleiro com muita facilidade, causando transtornos para o tcheco. Um encontrão aqui, uma tacada ali. Hasek era alvo constante dos inimigos.

Então veio o dia 23 de março de 2002, o último jogo entre Detroit e Colorado Avalanche naquela temporada regular. Os Wings venceram por 2-0 na noite em que Brendan Shanahan marcou o 500.º gol de sua carreira.

Mas o momento mais marcante foi protagonizado por Chelios.
"Outra confusão aconteceria, protagonizada por Chris Chelios. Mike Keane havia acertado Hasek enquanto tentava desviar uma tacada. Imediatamente, Chelios começou a desferir cross-checks em suas costas. Keane tentava se levantar e recebia uma porrada. Tentava novamente e recebia outra. Ao todo, foram cinco empurrões que sempre o derrubavam. Chelios queria mostrar a todos na liga que ninguém poderia esbarrar em Hasek."
(TheSlot.com.br, 22 de maio de 2002)
Essa é a minha memória favorita de Chelios e de seu papel como defensor e como líder.

A outra, claro, é o confronto contra o Vancouver Canucks na primeira fase dos playoffs daquele mesmo ano.

Nós nos lembraremos de Steve Yzerman com uma perna só liderando o time rumo à virada e do gol de Nicklas Lidstrom do meio do gelo, mas Chelios foi um monstro naquela série. Ao ser eleito a estrela de um dos jogos em Vancouver, vibrou como se estivesse em Detroit ao patinar no gelo enquanto era vaiado incessantemente pela torcida.

Um abraço e muito obrigado, grego!

domingo, 21 de junho de 2009

Muito obrigado!

No próximo fim de semana a NHL realizará o recrutamento 2009, evento que inicia as atividades da próxima temporada, embora ainda leve o número da anterior.

Depois do recrutamento (os Wings escolhem em 29.º) é aberto o mercado de agentes livres em 1.º de julho e aí definitivamente teremos movimentação na liga. Como os Wings estão presos pelo teto salarial, que não deve aumentar, é provável que o time seja um dos mais ativos no mercado.

Então antes de começarmos a especular sobre o futuro, queremos encerrar a conta da temporada 2008-09.

E pra isso precisamos agradecer a todos os leitores e colaboradores que nos visitaram nesta temporada, em especial durante os playoffs. O blog Red Wings Brasil começou o mês de abril com 20 a 30 visitas diárias, que logo passaram a 50 ou 60 com os playoffs. Em maio foram comuns dias com mais de 90 visitas, culminando no recorde do período no dia 18: 156 visitas. No mês de junho a média foi superior a 106 visitas.

Números impressionantes que nos encheram de orgulho. Mas acima das visitas estão os comentários nos posts. Estávamos acostumados a ter um, dois comentários e com os playoffs ultrapassamos a marca de 20 comentários em vários tópicos. Raros foram os assuntos com menos de dez mensagens dos colaboradores.

Temos certeza que tantos comentários contribuíram para complementar o conteúdo do blog, o que fez aumentar as visitas e incentivou novos comentários. Resumindo: o prazer de fazer o blog é proporcional ao número de pessoas que compartilham conosco da paixão pelo Detroit Red Wings.

MUITO OBRIGADO a Marcelo Constantino, Guilherme Calciolari, Fábio Monteiro, Gustavo, Everton, Leandro, Nicolas, Vinicius Villatore, Tuti, Philippe, Guilherme Favero, Rodrigo Jazz, Danilo, Thiago, Felipe Marques e Dudu. E muito obrigado também a todos os demais que eu não citei aqui porque não achei seus nomes nos comentários :P.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Fim da linha

A noite de premiação da NHL encerra em definitivo a temporada do hóquei. E pra não dizer que não ganhamos bosta nenhuma em 2008-09, Pavel Datsyuk fez os gols de honra do Detroit.

Datsyuk deixou Las Vegas (na verdade não deve ter deixado ainda, provavelmente se curando da ressaca) com dois troféus: o Lady Byng e o Selke.

O Troféu Lady Byng é concedido ao jogador que melhor combina habilidade com boa conduta. Na votação Datsyuk fez 933 pontos, deixando Martin St. Louis (662) e Zach Parise (521) para trás.

Outros Red Wings entre os dez mais: Nicklas Lidstrom, 5.º (116), Brian Rafalski, 8.º (74).

Datsyuk venceu o Lady Byng pelo quarto ano consecutivo, algo que não acontecia na NHL desde tanto tempo que eu não sei nem falar quanto.

O Troféu Selke é concedido ao melhor atacante defensivo. E essa decisão foi a mais apertada da noite. Datsyuk levou o prêmio com 945 pontos, apenas três a mais do que Mike Richards. O jogador do Philadelphia teve seis votos de primeiro lugar a mais que Datsyuk, porém perdeu em todas as outras posições (segundo ao quinto). Ryan Kesler ficou em terceiro (290).

Outros Red Wings entre os dez mais: Henrik Zetterberg, 4.º (154).

Foi o segundo Troféu Selke vencido por Datsyuk.

Nos outros prêmios, a participação dos Wings não foi mais do que modesta. Lidstrom perdeu o Troféu Norris (melhor defensor), ficando apenas em terceiro, com 733 pontos. Zdeno Chara (1.034) e Mike Green (982) ficaram à sua frente.

No Troféu Jack Adams (melhor treinador), Mike Babcock ficou em sexto lugar.

E no Troféu Hart, concedido ao jogador mais valioso para seu time, Datsyuk ficou em terceiro, com 404 pontos, atrás de Alexander Ovechkin (1.264) e Evgeni Malkin (787). Lidstrom ficou em 17.º e Zetterberg em 21.º.

Torcedor dos Red Wings, comemore! Se a Copa Stanley não veio, pelo menos ganhamos dois troféuszinhos individuais... pro raio que o parta os dois. Meu lema é Copa Stanley ou nada.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Reflexão

Antes de dar adeus à temporada 2008-09, os últimos pensamentos.

Depois de chegar tão perto da Copa Stanley e perdê-la em casa, dá vontade de dizer que esse time não queria ganhar e não se esforçou o suficiente, que os Penguins quiseram mais, batalharam mais e por isso foram campeões.

Mas dizer isso seria uma grande injustiça com os jogadores dos Red Wings.

A campanha 2009 foi a mais problemática da equipe em muitos anos devido ao número exagerado de contusões. Se até o Super-Homem Nicklas Lidstrom perdeu jogos, é porque o Detroit sofreu.

Sofreu com as contusões de Pavel Datsyuk, Dan Cleary, Tomas Holmstrom e mais alguns que eu não me lembro agora e que vocês têm o dever de me ajudar a lembrar nos comentários.

No ano passado não foi assim. Em 2002 também não. E em nenhum outro ano o Detroit teria chegado até o jogo 7 da final passando por cima de tantos percalços no caminho.

Perder no jogo 7 para o time do comissário é ruim, mas pior seria perder na primeira fase como em tantas outras vezes.

Os Wings não perderam porque faltou raça, entrega, determinação. Simplesmente acabou o oxigênio. E desse time nós só podemos ter orgulho.

Recadinhos do coração:
Talvez seja apenas impressão minha, mas do jogo 4 em diante não vi Henrik Zetterberg perseguindo Sidney Crosby como se fosse sua própria sombra. Coincidência ou não, a atuação do sueco despencou desde então.

Nos três primeiros jogos das finais ele foi sublime. Um dos motivos, creio eu, era o seu comprometimento com o desafio de anular Crosby.

Brad Stuart foi um monstro durante os playoffs. Enchia nossos olhos a cada jogada defensiva e seu nome neste blog era Conn Stuart, em referência ao Troféu Conn Smythe. Infelizmente ele terminou as finais como Cone Stuart. Durante muito tempo vamos nos lembrar da cagada no jogo 7, mas desde já o senhor está perdoado, Brad. Não nos esquecemos do esforço que você fez para continuar em Detroit em julho passado.

Se eu estivesse no lugar de Ken Holland não renovaria o contrato de Marian Hossa. Seu desempenho nos playoffs 2009 comprovou que ele realmente é um jogador de temporada regular, porque na hora H some. Não foi a primeira vez que isso aconteceu em sua carreira, é regra geral. A exceção foram os playoffs do ano passado, quando atuou ao lado de Sidney Crosby.

Deixe Hossa partir. E não vamos guardar nenhuma mágoa. Apenas entendemos que a profundidade do time seria sacrificada com mais um contrato megalomaníaco.

Quem a torcida quer ver de verdade no ano que vem é Darren Helm, Jonathan Ericsson e Ville Leino trabalhando em tempo integral. Justin Abdelkader esporadicamente no lugar de algum contundido. E Darren McCarty, porque a grana vai ficar curta e precisaremos de opções para completar o time.

Aliás, foi por isso que o Detroit perdeu a Copa: porque McCarty não estava lá! :P

terça-feira, 16 de junho de 2009

Orgulho intacto

Irmãos em Wings, nossa classe altamente nobiliárquica ainda tem as chagas expostas e a alma um tanto quanto amolgada pelo que aconteceu na última semana. Não é fácil acordar em um mundo onde o detentor do cálice sagrado não somos nós. Não é alentador saber que nesse exato momento a choldra Bettiana está dançando com a copa Stanley numa festa regada à alguma bebida pederasta - Dry Martine?Gatorade? - e trilha sonora(?) de Boy George.

E o que temos? O que nos resta? Reminiscências de noites tórridas de superioridade e a certeza que o Detroit Red Wings ainda será temido por várias temporadas

Suficiente para aquecer um pouco o maquinário cardiovascular alvirrubro nesses dias funestos?

Pelo que estamos observando nos fóruns e blogs santos, espalhados pelo esférico que habitamos, o saldo de nosso esquadrão e de sua alta cúpula ainda é positivo para com o clero tribuneiro. É o caminho seguido também pela honorável platéia desse humilde veículo – que na maioria das vezes empalidecem as postagens dos titulares(?), fazendo uso de discernimento, conhecimento e humor ímpares com seus comentários.

Resumindo, o orgulho de ser um seguidor dos Wings continua intacto. Basta uma troca de olhar entre torcedor e nosso brasão para ver que o sentimento é indescritível e inigualável.

Mas queremos mais. Até porque jamais devemos cultuar a derrota. Tem condenado que acha bonito perder. Isso é tarefa dos torcedores dos descopados de St. Louis. Derrotas agônicas como essa serve para fortalecer e fomentar o troco, não para satisfazer. Que nem mesmo a visão de uma Emma Andersson nua, deixe Henrik Zetterberg completamente saciado. A felicidade plena só será obtida quando a copa retornar ao seu lar mais digno e costumeiro dessas últimas duas décadas.

Óbvio que perdemos uma bela oportunidade de colocar a 12ª copa em nosso tão laureado tabernáculo, que as contusões que não aconteceram em 2008 fizeram meinha(?) com as de 2009, e que Brad McCrimmon é tão bom armando nossa equipe de PK quanto eu sou na arte da conquista(?). Ah, e que Brad Stuart, que vinha de atuações ímpares nas séries anteriores, sentiu como nenhum outro o desgaste por ter jogado por ele e Rafalski durante algumas partidas. Nosso aguerrido linha azul teve um jogo 7 digno de Uwe Krupp - naquelas duas pestilentas aparições nos playoffs'02.

Mas, como ilustres correligionários já lembraram, as duas eliminações mais recentes de nosso esquadrão são de digestão bem menos virulenta que outras, apesar do impacto histórico dessa última. Os menos juvenis devem se lembrar de 2001 e da modorrenta eliminação frente aos Kings. 2004 e 2006? Eram pra ser anos de copa e banner. Acabaram virando combustível para os abutres rivais. E com razão.

Três finais de conferência consecutiva e duas jornadas copeiras na era da “paridade” é algo que só nosso hóquei macanudo foi capaz de obter. Essa organização ainda é o modelo a ser seguido. Ou alguém acha que ser uma piada na NHL durante cinco temporadas pra ter uma colheita cheia de escolhas altas de 1ª rodada é um bom caminho?

Outro exemplo a ser seguido?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O sabor da derrota

Sim, há vida depois da derrota. Está na hora de voltarmos ao trabalho.

Ainda há o que comentar sobre o jogo 7, sobre a temporada 2009 e sobre o blog Red Wings Brasil.

Começamos com este belo texto de Marcelo Constantino, amigo, leitor e colaborador do blog.

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Não foi como em outros anos, em que o Detroit deu raiva. Porque era um time que era melhor do que aquilo, mas apagava, amarelava, e perdia para uma equipe mais raçuda, supostamente inferior. Não foi como há dois anos, em que o Detroit perdeu de forma batalhadora, para o time que viria a ser o campeão. Ali eu vi o time perder de cabeça em pé. Ali não houve apagão: o time perdeu para outro que foi e era efetivamente melhor.

Mas naquele ano não era a final da Copa Stanley. E não era num jogo 7.

Até então a minha maior decepção em esportes havia sido em 1995. Fla-Flu, final do Campeonato Carioca. Pela primeira vez (e única) eu fui numa final no Maracanã. O Fluminense meteu 2-0 no primeiro tempo. Tinha gente querendo ir embora no intervalo. Faltando uns 15 minutos para o fim do jogo, o volante Fabinho empatou o jogo. Dali em diante foram dez minutos de um entorpecido êxtase, como poucas vezes na vida eu tive. Os desconhecidos torcedores ao meu redor tornaram-se imediatamente minha família. Todos nos abraçávamos e comemorávamos -- o empate garantia o título, e num jogo em que o Flamengo não merecia e não parecia que conseguiria.

Depois daqueles dez minutos, quando faltavam cinco para acabar, veio o clássico gol de barriga do Renato Gaúcho. Instantaneamente todas as pessoas ao meu redor deram meia volta e foram embora pelos corredores. Restavam eu, meu tio e um garoto mais distante, que chorava numa parede. O espaço se esvaziou numa rapidez sinistra. O jogo acabou e o choque permaneceu na minha cabeça por um bom tempo. No dia seguinte, acordei com uma sensação ruim e a primeira coisa que me veio à cabeça foi uma imagem verde iluminada. Era o Maracanã à noite, era a lembrança do que causava aquela sensação ruim. Dali em diante o Flamengo tornou-se um time tradicionalmente vexaminoso, com alguns sobressaltos de felicidade pelo caminho, mas essa é outra história.

No dia 12 de junho de 2009 eu vivi um novo grande baque negativo em esportes. Perder um jogo 7 de final de Copa Stanley, por 2-1, quando houve chances até no último segundo, foi duro. Muito duro. É verdade que, por mais que houvesse confiança — e sempre houve — havia também o medo, porque minha cabeça me dizia que os Penguins eram melhores. Por mais que lá no meio do segundo período eu ainda estivesse acreditando cegamente, minha cabeça me enviava a mensagem: os Pens estão melhores desde o primeiro minuto do jogo 6. Você não vence na NHL se você não estiver melhor, não é como no futebol. No hóquei o gol é resultado de suas ações, de seu domínio. Não existe vitória injusta.

E os Penguins foram melhores mesmo.

De nada adianta aqui lamentar que esse ou aquele não apareceram nas finais, que fulano falhou, que beltranossa nada fez, ou que sicrano esteve abaixo do que se espera. Isso acontece. E os Penguins não precisaram de estrelas deles para vencer. Eles venceram com gols de um jogador de terceira linha, recrutado numa das últimas rodadas. Os Penguins foram melhores no conjunto da série e venceram.

Não consegui digerir a derrota, não consegui dormir. Fui jogar videogame pra desviar a atenção, tentei ver alguma coisa na TV, escrevi pro blog da Slot (“dever profissional”), mas só fui dormir mesmo depois de 2 da madrugada. Viajei no dia seguinte e o baque perdurou na cabeça. O disco na trave nem é a memória mais marcante, é o disco livre no taco do Lidstrom no último segundo. E o Fleury voando pra defender. É muito ruim perder um jogo 7 de final, é algo que já está marcado na minha memória.

É mais fácil ter raiva do time, de um ou mais jogadores, do técnico, da liga, do Crosby, do Bettman, de qualquer coisa. É mais fácil ter onde descarregar, claro. Mas eu não tenho raiva de nada nem de ninguém desse time.

Porque se eu colocar na balança, posso dizer com absoluta tranquilidade: esse Detroit Red Wings me enche de orgulho. E eu acredito que vai seguir assim.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

...


Nós sabemos ganhar. E também sabemos perder.

Parabéns aos torcedores do Pittsburgh Penguins que passarem por aqui.

Que a história se repita


Quando me tornei torcedor do Todo Glorioso, o Alvirrubro tinha sido campeão, na temporada anterior, em casa, com uma lavada sobre o Flyers, isso foi 42 anos depois da última Copa, conquistada em 54-55.

Na temporada seguinte, para vingar a injustiça cometida pela vida, o Detroit Red Wings repetiu a Copa — e a lavada — sobre o Capitals. Daquela vez em Washington.

Passados alguns anos, na temporada de 2002, o Detroit foi, mais uma vez, campeão da Copa Stanley em casa. A foto acima é desta vitória, sober o Carolina Hurricanes.

Infeliz, ou felizmente, a 11ª Copa Stanley da história do time veio fora de casa, na temporada passada, sobre o mesmo adversário desta noite.

Infelizmente porque não teve o mesmo sabor. Felizmente porque, para os supersticiosos, há uma repetição:
97 - Casa
98 - Fora
02 - Casa
08 - Fora
09 - Casa

Hoje é o dia da foto se repetir. Mais bonita. Mais completa. Mais colorida.

Concentração e força, o último jogo da temporada


Hoje toda a temporada se resume. Todos os faceoffs vencidos, as batalhas nas bordas conquistadas, os pucks na trave, os (poucos) socos na cara, os quilometros de fita enroladas nos tacos, os lítros de suor empapando quilos de camisas de jogo, os gols, o sangue, a tinta gasta no quadro-branco de estratégias, cada microhistória e peculiaridade dos últimos 104 jogos (alguém me corrija se fiz a conta errada), enfim, tudo. Toda uma epopéia que se iniciou há quase um ano e todo os esforços feitos durante todo esse tempo, tudo isso será avaliado em 60 (talvez mais) minutos hoje, assim como uma prova de múltiplas alternativas avalia a capacidade de anos e anos de um vestibulando em algumas horas no fim do ano.

Analisando a situação, acho que posso dizer que o Pittsburgh tem mais motivação para vencer. Digo isso pois imagino que eles ainda sintam em suas papilas gustativas o sabor acre da perda da copa na temporada passada. Eu não me recordo da final catastrófica em 95 nem da desilusão raivosa de 96. Eu lembro, contudo, da alegria libertadora de 97, da extasiante revanche contra a injustiça da vida em 98, do sentimento de missão cumprida em 2002 e da emoção de ter acompanhado minha primeira copa ao vivo em 2008. Por isso, só posso dizer o quanto é bom vencer uma copa e como esse sentimento é único, do tipo que te deixa querendo gritar de felicidade na frente do computador tarde da noite. Eu não posso, contudo, imaginar o que seja a perda de uma copa, o dano psicológico oriundo dessa experiência e o tipo de sacrifício que quem passou por isso esteja disposto a fazer para que a situação não se repita. Portanto, não me surpreenderia ver os Penguins jogando hoje com muito mais gana do que nosso Red Wings.

Isso, de forma alguma, significa que os jogadores do Wings não podem buscar motivação pra vencer o jogo hoje. Que tal o fato de podermos comemorar a copa em casa esse ano ao contrário da vitória silenciosa ano passado no Igloo? Que tal alguns jogadores poderem contar a seus netos e serem eternizados como tendo vencido mais copas que Wayne Gretzky? Que tal serem bicampeões em um sistema estruturado e intencionado a IMPEDIR bicampeonatos? Que tal ter deixado 90 milhões de dólares de lado para poder engravar seu nome no troféu esportivo mais tradicional do mundo (Alouuuu Hossa, tudo bem? Vai jogar hoje?).

Eu sei que nenhum dos jogadores lerá isso, o que não chega a ser uma pena pois mesmo que acessassem nosso blog certamente não entenderiam porra nenhuma. Mesmo assim escreverei o que desejo para cada jogador que vestirá a camisa vermelha com a roda alada hoje, às 20h de Detroit, na esperança de que mesmo por osmose à longa distância, algum ímpeto extra os aflija: busquem, cada um de vocês, motivação forte o suficiente para jogarem o melhor jogo de suas vidas. Que um surto de perfeição acompanhe o time hoje.

Boa sorte a todos nós.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Detalhes

Qualquer detalhe pode decidir o jogo 7. É o que está escrito nos jornais de hoje.

Um disco desviado, um atalho das bordas, um erro do árbitro. Mas eu ainda não vou pensar nos detalhes que podem decidir o jogo 7. Vou refletir sobre os detalhes que decidiram o jogo 6.

Os Wings não jogaram durante 60 minutos. Jogaram por 20 ou 30. No restante eles não estiveram necessariamente mal, apenas não foram tão competitivos como um jogo 6 de Copa Stanley exige.

Mesmo assim, ficaram a um gol de levar o jogo para a prorrogação.

Henrik Zetterberg teve três chances para marcar esse gol. Na verdade até acredito que se ele marcasse na primeira ou na segunda não teríamos prorrogação nenhuma e não falaríamos de jogo 7. Mas o goleiro pegou aquele chute.

Dan Cleary teve a melhor oportunidade do jogo. Justamente o cara que marcou o gol que decidiu o jogo 7 contra o Anaheim Ducks. Cleary errou ao demorar muito para finalizar e ao escolher o lado da luva do goleiro. O certo teria sido chutar no lado do taco.

Várias coisas para se lamentar nos gols do Pittsburgh.

No primeiro, a moleza de Valtteri Filppula — fosse um jogador mais duro, Jordan Staal não teria passado tão facilmente — e o azar de Jonathan Ericsson — não sei se o ideal era se jogar para bloquear o passe, mas ao fazê-lo não foi capaz de impedir o segundo chute.

No segundo gol, a camaradagem de Mikael Samuelsson. Os defensores tentaram matar a jogada nas bordas, sem sucesso. Tyler Kennedy pegou o disco do lado da trave e teve tempo e espaço de sobra para chutar duas vezes. Samuelsson assistia a tudo sem reação.

Então é isso. Na sexta-feira estaremos no jogo 7, com a vantagem de jogar em casa.

terça-feira, 9 de junho de 2009

...FAIL

Hossa provavelmente já teria marcado dois gols se estivesse vestindo a outra camisa.
Quatro minutos de PP despediçados. Loteria do jogo 7 bem próxima.
Boa sorte a todos nós.

Que a liberdade seja premiada!

Ele não escolheu ser recrutado pelo Ottawa Senators, mas deu o máximo e brilhou pela equipe da capital canadense. Ele não teve escolha e acabou virando moeda de troca quando Dany Heatley pediu asilo político e sumiu de Atlanta. Nos Thrashers ele também mostrou classe e faro de gol. Com a camisa do time da Geórgia chegou a anotar quatro gols em apenas um jogo contra os Red Wings. A forma como a imprensa de Michigan, e até mesmo a equipe de Detroit, reconheceu aquele feito, fez o jogador sonhar em vestir a camisa alvirrubra. Mas ele novamente não teve escolha. Foi trocado para os Penguins. Atlanta não resistiu ao bom pacote que veio de Pittsburgh.

Novamente ele foi goleador contra os Red Wings. Isso em plena final de copa Stanley, quando ele foi o melhor jogador de seu time naquela série de seis jogos. Tentou, literalmente, até o último segundo, destruir nossos sonhos. Não conseguiu. Sua imagem extenuada e tristonha no gelo da Mellon Arena correu o mundo.

Mas eis que, pela primeira vez desde que chegou na América, ele pode decidir seu caminho quando seu curto vínculo com os Penguins acabou. Liberdade, ainda que tardia!



Marian Hossa exerceu seu direito de livre-arbítrio. Incrivelmente meio mundo caiu sobre sua cabeça. Até mesmo de mercenário ele foi chamado. Muitos torcem para que ele não seja feliz em sua escolha. Acham que ele pegou o caminho mais fácil para a copa, ignorando a dificuldade que é para uma equipe chegar a títulos consecutivos.

Mas custo a acreditar que os defensores da tirania, os déspotas disfarçados de jornalistas e os trombeteiros do apocalipse tenham sua fome de desgraça saciada.

Prefiro acreditar que hoje a escolha de Hossa será abençoada pelos deuses do hóquei e por cada individuo, vivo ou não, que lutou pela liberdade nesse caótico e injusto planeta. Que a servidão não prevaleça.

Basta uma assistência primária para o gol do título, e tudo terá valido à pena. Mas quem sabe algo ainda mais significativo. Hoje tem tudo para ser o dia que premiará a liberdade, a coragem e a razão.

Que Hossa tenha a melhor noite de sua vida. E que cada um de nós tenha o coração inundado pela mesma felicidade.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Dia dos namorados ou final de Copa Stanley?



Desde que foram anunciadas as datas dos jogos das finais da Copa Stanley 2008-09, muitos torcedores apaixonados do (e não pelo) Detroit Red Wings previram o dilema caso a série se arrastasse até o jogo 7: 12 de junho, o dia dos namorados. Torcedores que, por capricho do destino, também são metade de um casal, começaram suas preces para que o time aniquilasse os Penguins em quatro, cinco ou até seis jogos para não ter que enfrentar uma das mais difíceis encruzilhadas que a vida de um homem adulto pode lhe propor: a companheira ou o time do coração?

A equipe do blog (cof), preocupada com as consequências que tal dilema pode causar na vida e na felicidade dos amantes-torcedores, resolveu criar uma lista de potenciais argumentos a serem usados para convencer sua alma gêmea a aliviar dia tão simbólico em detrimento a um time de hóquei vários graus de latitude distante do nosso lar. Boa sorte a todos!


- O negociador (sugestão do Beto): O ano tem 12 meses e os playoffs da NHL duram apenas dois meses. Nos outros dez eu faço o que você quiser, mas nesses dois, quando tiver jogo do Red Wings, não tem conversa, eu vou assistir ao jogo.

- O traumatizado: Sabe como é, meu último namoro terminou bem no dia 12 de junho, eu não tenho cabeça pra comemorar mais essa data.

- O "forrest gump": É sério, fui sequestrado de verdade por uns caras de camisa vermelha que ficavam gritando "let's go wings" e me fizeram assistir a um jogo estranho no gelo com eles a noite toda!

- O hipocondríaco: Amor, não vou poder te buscar, tô com uma caganeira sem precedentes na história humana, qualquer movimento pra fora da cadeira em frente do meu PC vai causar um tsunami fecal. Sinto muito.

- O hipocondríaco "forrest gump": Juro por Deus que estava com uma caganeira sem precedentes e, no hospital, um grupo de médicos malucos passou gritando e me mandou tomar soro enquanto assistia a um jogo estranho no gelo com eles a noite toda!

- O místico: 12 de junho é uma data muito ruim para o amor, a Terra estará no quadrante 8 e Marte e Júpiter ascendentes, prefiro não nos vermos, estou apenas pensando no nosso futuro.

- O empresarial: cara, quebra essa pra mim, liga lá pra minha patroa e fala que eu tô preso numa reunião de vida ou morte na empresa, o diretor geral tá ameaçando até se jogar do prédio se eu sair antes do fim e não tem hora pra acabar.


E você, querido torcedor-leitor? Qual seria/será sua desculpa para fugir das obrigações sociais e acompanhar a disputa derradeira pela Copa?

É capa!

Veja quem está na capa do Uol de hoje...



Porque somente o melhor é bom o bastante... :P

domingo, 7 de junho de 2009

O post do leitor

(captura da TV)
[Bettman demonstra toda a sua satisfação com o resultado do jogo durante a avalanche (hahaha) de gols dos Red Wings no segundo período do jogo 5]


É com imensa satisfação que o blog Red Wings Brasil anuncia uma promoção para seus leitores: "Seja um Red Wingo por um dia!"

Felizmente o período da promoção já se encerrou. Para participar bastava entrar em contato com algum membro do blog durante o domingo e interpelá-lo (?) exigindo a publicação do post sobre o jogo 5.

O prêmio foi o direito de escrever, ele mesmo, o post aqui publicado. E o ganhador é Fábio Monteiro, de Taguatinga.


Abaixo segue o relato de Fábio sobre o jogo 5. Diz aí, Fábio, o que é que só você viu!



Com base no que aconteceu no jogo 4, só existe uma frase (de um célebre torcedor) que pode definir o elástico placar de ontem:

ISSO É DETROIT!

Talvez tenha sido a noite de sábado mais feliz do ano para a maioria dos torcedores dos Red Wings. Depois do pífio resultado do jogo 4 — e para quem analisar apenas o placar, nem vai parecer tão pífio assim. Depois de serem abduzidos por cerca de 5 minutos e mostrarem cansaço, o time deu uma volta por cima que, cá entre nós, não foi surpresa pra ninguém.

Afinal, quem não se lembra da série contra os Ducks, semanas atrás? Aquela série foi a prova definitiva de que desse time podemos esperar tudo. Absolutamente tudo. E o jogo da redenção dos Wings foi uma aula de hóquei, em todos os sentidos.

Falar do jogo 5 é falar de Pavel Datsyuk. No último gol do Pens, a CBC mostrou Zetterberg fazendo caretas, totalmente fatigado. Zetta e Lidstrom tiveram mais de 25 minutos de gelo. Praticamente em todos os turnos de Batman e Robin (ou Crosby e Malkin, como quiser), lá estava pelo menos um dos suecos. Datsyuk mudou a cara do confronto, tanto com seu poder ofensivo quanto com suas habilidades defensivas. Eu não vi Crosby no jogo, a não ser apelando. Você viu?

E Datsyuk não apenas jogou, também fez os outros jogarem. No primeiro tento, Dats controlou o disco, confundindiu a zaga e deu um passe para Cleary, que disparou. Um chute defensável, mas como a cota de bom goleiro do Fleury já havia sido gasta, ele deixou passar por cima de sua luva. 1x0 Wings.

No início do segundo periodo, Osgood aproveitou uma troca de linhas em massa dos Pens e viu Hossa livre, esperando na linha azul. Ozzie não pensou duas vezes e fez o passe. Hossa avançou e deixou Filppula na cara pra fazer 2x0.

Antes disso, já haviamos exorcizado o demônio das equipes especiais. Conseguimos matar uma penalidade (mais uma de Kronwall) com a precisão do fim da temporada regular. Veio o power play e Kronwall resolveu aparecer de uma maneira que não ficássemos puto. Fintou dois defensores, chutou no meio do gol e lá estava Fleury. Ou seja, 3x0 Wings.

Os Penguins estavam irreconhecíveis ou a pressão era grande demais? Eu não queria nem saber!

Não demorou muito e ganhamos mais um power play. Como estávamos com um aproveitamento de 2/11, nem esperei grandes coisas. Mas Homer fez o que é pago pra fazer, cegou Fleury e Rafalski guardou. 4x0. Dois gols seguidos de Power Play. ISSO É DETROIT!

Daí o Bylsma é questionado "O que você pode fazer para mudar o momentum do jogo?"

"Jogar melhor no ataque, aproveitar os power plays e criar mais chances" Até a resposta do Louro José teria sido mais interessante. Ele não tinha a mínima ideia do que fazer.

E pra confundir um pouco mais, Kunitz apelou com Helm e, após uma defesa de Fleury (!), empurrou covardemente nosso coelhinho da energizer. Tomou um roughing.

Faltando 10 segundos pra acabar o power play, Zetterberg recebeu passe e olhou pro gol. Tava o Fleury. Chutou no meio do gol e 5x0. Festa na Joe Loius Arena. Não sei se vibraram mais com o gol ou com Fleury sendo substituído. Ele foi nocauteado. Conklin deve ter dado graças a Deus por não ter que entrar no gelo aquela hora. Sábia decisão, meu filho.

No terceiro período, 6x2 em penalidades para o Penguins. Quatro Misconducts. Até o Manitoba Moose teria mais maturidade. Crosby e cia. não se mostraram jogadores guerreiros, valentes e lutadores. Mostraram-se apelões, cometendo penalidades imbecis, imaturos. São incontestavelmente bons, mas mostraram uma infantilidade tremenda.

Se existe um time que pode mudar o cenário de uma série em um único jogo, esse time é o Detroit Red Wings. Somente por isso, já seriamos favoritos. Mas temos mais time, somos mais profundos e sabemos jogar um jogo por vez. Os Pens não. A Mellon Arena será palco, de novo, de um jogo valendo a taça. E, cá pra nós, um dejavu agora cairia muito bem.

Observação: a torcida gritando "Crosby sucks" foi lindo!

Ih, tá faltando 1 pras 12 aqui!

sábado, 6 de junho de 2009

Dia D




Mais um 6 de Junho para a eternidade. Será tão sangrento, determinante e épico quanto há 64 anos. A retomada do que é nosso de direito. Evitar que o mal prevaleça. Evitar a overdose midiática em torno de dois indivíduos. E muito mais importante: garantir um lugar na história. Isso jamais poderá ser negado em caso de título consecutivo numa era de suposta paridade.

Vi a horda inimiga culpando até mesmo os deuses do hóquei após o jogo 2. Jamais cometeremos o mesmo erro. Pelo contrário. No momento mais difícil convocamos os imortais. Que Terry Sawchuk, Sid Abel, Larry Aurie, Ebbie Goodfellow, Marty Barry, Jack Adams e tantos outros, que elevaram o nome de nossa amada equipe, acompanhem nossos jogadores nessa noite. Daniel Cleary é mais que está sofrendo as agruras do campo de batalha. Pavel Datyuk, segundo Mike Babcock, sequer parece Pavel Datsyuk. Precisamos de força extra. Como torcedores, temos que ajudar a chutar, dar trancos e, principalmente, isolar o disco quando eles estiverem em vantagem numérica.

Não é hora de pensar nos dois dias de descanso até o jogo 6. Muito menos voltar ao passado recente e as frustrações do jogo 4. Não existe ontem e nem amanhã.

Certa vez, Babcock, então na figura de treinador de Anaheim, carrasco dos Wings em 2003, nos torpedeou com uma sentença. “Os deuses do hóquei recompensam aqueles que trabalham mais duro". Com o talento que sobra nesse time, se trabalharmos mais duro que os inimigos, iremos prevalecer.

A vitória começa no dia D. A rendição vem logo depois.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A fraternidade é vermelha. A esperança é que cor?

Antes de qualquer outro comentário, que fique claro: eu acredito nos Red Wings.

Dito isso, compartilho a frustração com todos os poucos mas não menos especiais torcedores brasileiros do melhor time de hockey no gelo do mundo e entendo nosso capitão Humberto Fernandes estravazando. A partida de ontem foi um baque e uma vergonha.

Um baque porque, depois dos dois primeiros jogos, poucas pessoas imaginavam que os pinguins conseguiriam empatar essa série. Era peso demais para um time ainda jovem conseguir 2 vitórias em 2 jogos contra o melhor time da liga (sim, ainda somos o melhor time da liga). E mesmo assim eles foram lá e venceram. E uma vergonha pelas circunstâncias do jogo de ontem, que todos já devem estar cientes.

Se a tônica do jogo 3 foi o absurdo 6 contra 5 que a arbitragem fez vista grossa, justiça seja feita, não podemos reclamar da arbitragem no jogo 4. O time caiu de joelhos pela própria incompetência e, o que é mais curioso (triste?), em um dos seus fortes: posse e movimentação de puck.

O segundo período do jogo ontem foi digno de um time da liga nicaraguense de hockey no gelo, e mesmo assim, de um time ruim dessa obscura liga. O time, com uma vantagem de 2x1 que deveria lhe dar tranquilidade, com 2 vantagens numéricas seguidas, fez a proeza de se afobar com o puck, movimentá-lo de forma equivocada por diversas vezes e acabar por levar um gol em SH. Poucas coisas pulverizam mais a moral de um time do que levar um gol em SH em um jogo de final de copa. Nem a experiência e sabedoria dos Wings foram capazes de colocá-los de volta na partida ontem.

Mas, mesmo assim, ainda acredito. E lhes digo por que acredito. Acredito pois, se há algum time na liga capaz de ignorar o fracasso no jogo anterior e entrar no próximo com uma nova mentalidade, esse time é o Detroit Red Wings. Nós já vimos isso acontecer. Eu e vocês, já testemunhamos isso. Por mais que o cansaço e o momentum sejam fatores adversos, a série está empatada, não temos déficit (no placar) a ser recuperado. Nossa preocupação é entrar no jogo 5, em solo sagrado da JLA, com confiança e mostrar que sabemos domar nossa frustração e convertê-la em garra. Como costuma dizer Marcelo Constantino, "ISSO É WINGS"!

Para isso, contudo, precisamos de entrega. Sacrifício. Babcock disse uma vez que o tanque de vontade de Zetterberg parece inesgotável. A vontade pode ser inesgotável mesmo, mas o tanque de resistência física não e corpo do futuro capitão já começa a cobrar em prestações caras o abuso durante os jogos 1, 2 e 3. O lance do quarto gol foi a prova clara de que ele está no limite físico (não imagino que ele tenha patinado de forma tão lenta por má vontade). É nessa parte que Datsyuk deve entrar, com o pé bom ou não. Alguém precisa dividir a responsabilidade do emparelhamento defensivo de Crosby-Malkin com nosso número 40 e, certamente querido Quasímodo, não é bebendo cerveja e fazendo piadinhas que você contribuirá com o time.

Parafraseando nosso mestre Eduardo Costa, "irmãos em Wings", lhes convoco a se prostrarem em frente aos seus computadores no próximo sábado às 21h de Brasília para acompanharmos, incentivarmos (mesmo que a milhares de quilometros de distância) e, de forma mais importante, fraternalmente comungarmos dessa coisa maravilhosa que é ser torcedor do Detroit Red Wings.

Por mais que ele nos faça socar mesas, xingar em voz alta e nos deixe de mal humor.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

#$%&(%¨#$)#$@$¨&

(Pinguins se enrabando; e olha quem estava ali de olho?!)
[Getty Images]



Não esperei nem o jogo acabar para escrever esse post.

Agora é a hora do desabafo. Aqui a gente elogia quando o time vai bem e critica quando o time faz merda — geralmente as críticas são muito mais exageradas que os elogios. E depois da ridícula, vergonhosa e desastrosa atuação no jogo 4, está na hora de descer a lenha.

Porque além de não conseguir matar uma penalidade sequer, de ser incapaz de marcar um golzinho com um jogador a mais no gelo, agora ainda levam gol em desvantagem numérica!

O jogo estava 2-1 para o Detroit, logo após um surpreendente começo de segundo período, em que Brad Stuart acertou um chute daqueles aos 46 segundos. Momento ideal para marcar um gol e jogar com inteligência.

Aí aos 5:44, Evgeni Malkin é punido. Os Wings têm dois minutos de vantagem numérica.

Nada de gol.

Aos 7:43, Brooks Orpik é punido. Os Wings renovam a vantagem numérica.

Nada de gol. Quer dizer...

Segundos depois, Malkin escapou sozinho e foi contido por Johan Franzen, que patinou feito uma mula para alcançá-lo e impedir o chute. Era o aviso.

Nada foi feito. Em nova cagada ensaiada da defesa, Jordan Staal partiu em contra-ataque, Brian Rafalski patinou tão rápido que parecia que não chegaria do outro lado do rinque com menos de duas horas, tentou delicadamente tomar o disco do adversário quase pedindo "por favor" e viu Staal furar a rede de Chris Osgood.

Jogo empatado aos 8:35.

Menos de dois minutos depois, em nova cagada ensaiada da defesa (!), Malkin avançou sozinho com o disco, Jonathan Ericsson se jogou para impedir o passe, mas com a sobra o russo cruzou para Sidney Crosby desencantar.

Placar virado aos 10:34.

E agora, só agora, o treinador Mike Babcock pediu tempo. "Relaxem, relaxem", dizia ele no banco.

Afinal de contas, os caras estão no jogo 4 da Copa Stanley para relaxar.

Henrik Zetterberg tanto relaxou que fez merda na defesa, os Penguins roubaram o disco e trocaram passes para marcar o quarto gol.

Jogo perdido aos 14:12.

Em resumo:
Aos 5:44, os Wings lideravam por 2-1 e tinham quatro minutos de vantagem numérica.
Aos 10:34, os Penguins venciam por 3-2.

O Detroit morreu de uma forma assustadora. Nem nos jogos consecutivos do fim de semana eles pareceram tão esgotados.

Mas não dá pra dizer que a reação dos Penguins não era esperada. Logo após o gol de Staal, a arena se incendiou. A torcida passou a berrar e fazer muito barulho.

Barulho é como Kryptonita para os Red Wings. Eles não sabem jogar assim. As coisas dão certo na Joe Louis Arena porque lá a torcida se comporta como em um velório. E será assim no jogo 5.

E eu estou cansado de Marian Hossa. Vá te catar. Não assinem com esse cara por sete anos, nem por um ano, nem por um dia. Que ele vá praticar patinação artística em outro lugar.

E também estou cansado de Niklas Kronwall fazer tanta merda. O cara é mais furado que peneira. Cacete, não estamos em novembro. Deu pra entender?

E, Pavel Datsyuk, veja só. Eu não sei se você sabe, mas o Detroit está disputando a Copa Stanley, a final do campeonato. Aqueles milhares de jogos entre outubro e abril, as três fases anteriores dos playoffs, tudo isso para chegar onde o time está hoje. Hoje foi o jogo 4, veja bem, jogo 4! Qualquer jogador no seu lugar patinaria com uma perna só e sem os dois braços apenas para competir pelo sagrado troféu. Eu sei que você já tem dois anéis de campeão e pra você mais ou menos um não faz a menor diferença. Mas tome uma dipirona, uma novalgina e vá pro jogo 5. Deixa de ser viado, porra!

Alô, INSS! Encosta o inútil Tomas Holmstrom!

Porque quando ganha é o melhor e quando perde é o pior, o que tava bom ficou ruim e agora fudeu.

Penguins em 6.

Olê lê, olá lá...

(Canadien Press)

... Datsyuk vem aí e o bicho vai pegar!

Não dá pra negar que mesmo com sua pontuação insignificante nos playoffs, o retorno de Pavel Datsyuk nos enche de esperança para o jogo de hoje.

O russo atuou pela última vez no jogo 2 contra o Chicago Blackhawks, há exatos 15 dias.

Depois de tomar muita cerveja assistindo aos jogos, chegou a sua vez de impedir que o rumo das finais da Copa Stanley tome outra direção no jogo 4.

Kris Draper também vai jogar, depois de ser mantido fora do jogo 3 porque "em time que está ganhando não se mexe", segundo a lógica babcokiana.

O time ganha em todos os aspectos com a entrada dos dois. E quem vai encher a cara desta vez é Justin Abdelkader e Ville Leino, provavelmente.

Filppula-Datsyuk-Hossa
Franzen-Zetterberg-Hudler
Holmstrom-Helm-Cleary
Maltby-Draper-Samuelsson

Uau. É outro time. Mesmo que a combinação de linhas não seja exatamente essa, a vida dos Penguins vai ser miserável essa noite.

Wings em 5.

E ainda faltam 2 pras 12... esse ponteiro não anda não?!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Noite infeliz, noite infeliz

(AP)

Não será por unanimidade, mas boa parte da torc... (BUFFERING)
... ai concordar que o jogo 3 representou a melh... (BUFFERING)
... dos Red Wings nas finais da Copa Stanley.

Noite difícil a de terça-feira. Nenhuma transmissão decente para assistir, especialmente porque hoje em dia uma conexão banda larga de 1 Mb mais parece uma conexão discada de 33 K. Fui obrigado a assistir ao jogo na manhã desta quarta-feira.

Talvez ontem tenha sido a melhor atuação dos Red Wings na série, o que contradiz o resultado final do jogo. Mas a equipe saiu derrotada, graças aos times especiais. Se não matarmos penalidades, não vamos matar os Penguins.

O Pittsburgh veio voando no começo do jogo. Estava claro que o primeiro gol iria sair e não demoraria muito. Não precisava é que Dan Cleary estivesse mal posicionado para que Max Talbot finalizasse sozinho.

Mas aí Henrik Zetterberg entrou no gelo no turno da linha 4 para marcar Sidney Crosby, que não o acompanhou no ataque dos Wings. Ville Leino fez a jogada errada, mas para sua sorte Zetterberg aproveitou o rebote.

Então começou o festival de penalidades, se comparado aos jogos 1 e 2. Na primeira delas, Johan Franzen virou o jogo para o Detroit.

Logo depois os Penguins entraram no gelo com seis patinadores, o que constitui penalidade por homens demais no gelo. Por mais de 20 segundos eles pressionaram os Wings com essa vantagem ilícita. Os árbitros nada marcaram.

Quando Dan Cleary segurou o adversário sem necessidade, não teve perdão. E os Penguins empataram com Kris Letang.

Vale a pena imaginar como seria o jogo se o árbitro não tivesse feito essa merda? Se a penalidade fosse marcada e os Wings anotassem outro gol em vantagem numérica? Com 3-1 no primeiro período, a Copa Stanley seria entregue na quinta-feira à noite.

Os Wings limitaram os Penguins a apenas quatro chutes no segundo período e 11 ao fim de 40 minutos. Mas os 26 chutes do Detroit valeram o mesmo número de gols e o empate persistiu.

No terceiro período o time morreu. Ninguém aguentava mais nada e esse é o prejuízo de ter tantas trocas de linha, de manter Zetterberg e Nicklas Lidstrom o tempo todo no gelo.

Mas talvez seja melhor ter jogadores experientes que não conseguem andar do que um calouro burro. Jonathan Ericsson, por favor, pra que interferir contra o Matt Cooke em um disco que iria parar atrás do gol? Era o Cooke, cabaço! Podia dar um breakaway pra ele em empty net que nada aconteceria.

Na vantagem numérica, os Wings não conseguiram rifar o disco para longe da defesa uma única vez. E aí Sergei Gonchar apareceu com um foguete e ganhou o jogo.

Então temos uma série. Se os Penguins vencerem o jogo 4, e agora o momentum é deles, a Copa Stanley 2009 se resumirá a uma melhor de três.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Antes que nossos posts valham menos que os comentários do Guilherme...

Em algum lugar da historiografia da minha vida, lembro de ter ouvido uma frase que é mais ou menos assim: "pegue-os por onde eles menos esperam". Em outro momento, lembro de Scotty Bowman dizer "shoot the puck", que Babcock traduz em "put the puck to the net".


Esta é a razão pela qual jogamos 18 vezes nos playoffs e vencemos 14 delas. Entretanto, das quatro derrotas, três foram para o mesmo oponente, que pode mostrar que: a) até aqui foi o único que fez frente ao Detroit Red Wings; b) alguma coisa aconteceu de errado naquela série.

Considerando a primeira citação acima, o Detroit vem lançando mão de armas e mais armas para acabar com os outros times. No playoff passado vimos isso muito claramente; neste nem se fala.

Quando fomos campeões em 2007-08 e Zetterberg foi eleito o MVP, negligenciou-se Chris Osgood e Johan Franzen. Alguém sabe quantos gols Zetterberg marcou no playoff passado? Poucos lembram, mesmo porque esperava-se uma gorda contribuição dele. Mas sabemos que Franzen marcou uns 15 e uns 3 hat tricks (se os números não forem esses, não importa).

Osgood, por outro lado, era um coitado. Ninguém, jamais, acreditou nele. E vejam o que ele fez, pela segunda vez em 10 anos: conquistou a Copa para nós. Claro, modo de falar pois há o esforço coletivo; mas se Hasek tivesse ficado no gol... Nós estaríamos tentando roubar a Copa das galinhas de terno.

Então começa a temporada seguinte; a corrente.

Nós já sabíamos que o Red Wings estariam nos Playoffs. Começava a caça ao Troféu dos Presidentes.

Osgood não foi "assim uma Brastemp", principalmente pouco antes dos POs, e perdemos o troféu. Grande coisa. Mesmo desacreditado pelo mundo (talvez tanto quanto na temporada passada), Osgood garante mais uma varrida e tem os melhores números em POs de todos os tempos.

A exemplo do que aconteceu com Johan Franzen neste "mesmo período do ano passado", Daniel Cleary esteve roubando a cena na série contra o BHawks e em alguns jogos contra os Ducks.

Nesta série (e desde a passada) Darren Helm tem sido mais que assunto. E, agora, depois de dois jogos e dois gols e -- como disse o Humberto -- Justin Abdelkader 2 x 1 Crosby x Malkin.

E, atrás, Jonathan Ericsson. Quem diria que o molecão seria capaz de tanto?

Zetterberg, Datsyuk e Hossa? Esqueça. Eles são o passado presente do futuro do Red Wings. Abdelkader, Helm, Ericsson e mais uma moçada que vem por aí... Podem, com certeza, garantir que a dinastia do Red Wings dure por muitas décadas.

E com uma vantagem: a NBC, a CBC, a Versus e mais uma caralhada de outras emissoras não fazem com eles o que fazem com Cindy, Malkin ou O Véi Chiquim. Seja porque não acreditem ou porque os dirigentes do Detroit Red Wings sabem que isso não os faz campeões; trabalho sério sim.

P.S.: Em conversa com o Marco -- torcedor do Penguins -- disse que era uma tristeza ver o que a arbitragem tem feito com o Detroit (comentando do tranco do Kronwall no Havlat). E ele foi claro, dizendo que a Liga não quer isso. Quer trazer mais fãs mostrando a beleza do jogo, por isso puxam brasa pra sardinha do Pens, com Crosby e Malkin, do Capitals, com Ovechkin e do BHawks, com Kane, Toews e o resto.

Wings em 5. Se Osgood não vacilar.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Wings parecem fazer tudo certo

Texto escrito por Red Fisher, publicado no Montreal Gazette em 1 de junho de 2009.
Dedicado a Guilherme Calciolari, fundador da Nova Igreja do Deus Helm.


(Claus Andersen/Getty Images)


Wings parecem fazer tudo certo

MONTREAL - A maioria de vocês pode se lembrar de gols históricos marcados durante a temporada regular e os playoffs. Gols de Alex Ovechkin. Sidney Crosby. Evgeni Malkin. Nenhuma surpresa aqui.

Entretanto, minha escolha para o melhor exemplo de dedicação à vitória que eu vi este ano vai para um calouro do Detroit chamado Darren Helm, que ainda tem que marcar um gol na temporada regular. Nenhum gol em 16 jogos na temporada passada. Nenhum em sete jogos nesta temporada.

Isso aconteceu na série entre Detroit e Chicago. Helm estava no gelo matando uma penalidade. Durante 20 segundos, ele estava atrás do gol dos Blackhawks voando para lá e para cá como um vagalume, através e ao redor dos jogadores do Chicago enquanto eles desesperadamente tentavam separá-lo do disco. Foi apenas quando Helm, 22 anos, de alguma forma se livrou de seus perseguidores, patinou para o lado da rede e quase marcou que a jogada foi para o outro lado.

Foi de arregalar os olhos, uma fascinante demonstração de controle do disco, ainda melhor que o que os Red Wings mostraram como um time nos dois primeiros jogos da final Copa Stanley. O verdadeiro fã de hóquei deve ter ficado tonto de prazer assistindo a isso. E se você não sabe, foi Helm quem marcou o gol na prorrogação que encerrou a série.

Ah, eu mencionei que Helm foi a escolha de quinta rodada do Detroit (132.º no geral) no recrutamento de 2005?

Talvez agora você saiba por que os Red Wings deram uma chave de braço na segunda Copa Stanley consecutiva. Isso começa do topo. Claramente as pessoas da gerência estão vários rinques à frente dos outros 29 times quando a questão é selecionar o bom jogador.

O que eu estou dizendo é que as pessoas de outros times que não o Detroit, escondidas em títulos pomposos como diretor de recrutamento e desenvolvimento de jogador, vão organizar coletivas de imprensa durante as quais eles certamente serão citados várias e várias vezes nos dias que antecedem ao recrutamento no Bell Centre, no fim deste mês. Eles vão falar com ar monótono sobre como o time está preparado para fazer uma troca para permitir que "subam no recrutamento." Após a última escolha, o que você pode esperar ouvir deles é que eles estavam "surpresos que fulano ainda estava disponível."

Os gerentes dos Red Wings deixam suas decisões falarem por eles. Eles vão lá e fazem o serviço.

Henrik Zetterberg: escolhido na sétima rodada, 210.º geral em 1999. Pavel Datsyuk: sexta rodada, 171.º geral em 1998. Nicklas Lidstrom: terceira rodada, 53.º geral em 1989. Tomas Holmstrom: décima rodada, 257.º geral em 1994. O calouro defensor Jonathan Ericsson, que empatou o jogo de domingo em 1-1: nona rodada, 291.º geral em 2002.

Como se soletra Justin Abdelkader, que registrou menos de dez minutos em cada um dos dois jogos com os Red Wings durante a temporada regular, mas já marcou o terceiro gol no terceiro período das duas vitórias por 3-1 do Detroit na final da Copa? Quarenta e um jogadores foram escolhidos antes dos Wings estenderem a mão pra ele no recrutamento de 2005.

Algums times fazem algumas coisas certas. Os Red Wings parecem fazer tudo certo — tanto fora quanto dentro do gelo. Não há outra forma de explicar por que os Penguins perderam os dois primeiros jogos, esperando o jogo 3 na terça-feira em Pittsburgh — que não seja a excelência quase perfeita de Chris Osgood. Goleiros simplesmente não jogam melhor do que Osgood fez no jogo 2, quando o único gol que ele sofreu entre os 33 chutes sofridos foi um que o defensor Brad Stuart jogou para dentro de sua própria rede.

Não há dúvidas que Osgood tem sido o melhor jogador dos Red Wings até agora. Ele, e não Zetterberg, deveria ter sido nomeado vencedor do Troféu Conn Smythe na temporada passada. Desta vez Osgood é o candidato favorito a isso.

Diga o que quiser sobre as traves lhe salvando durante os dois primeiros jogos, mas ele deu o melhor de si durante as disputas na área quando de alguma forma conseguiu encontrar o disco enquanto três ou quatro jogadores dos Red Wings juntamente com um par de jogadores do Pittsburgh caíam sobre ele.

Você tem que ter sorte para ser bom, mas quando você limita o adversário a apenas dois gols em dois jogos, quando seu time precisa de apenas dois gols em cada um dos dois primeiros jogos da final da Copa para vencer, melhor é impossível.


[Bônus do blog: o vídeo com o momento descrito por Fisher. Helm domina o disco aos 0:03 e e encerra sua participação aos 0:27 (tempo do vídeo, não do jogo).]