segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Vaza, São Luís, e que venha Dallas

Sempre que falo no mesmo post sobre o último jogo e o próximo, os Wings ganham. Sim, essa é uma estatística real que eu obviamente não pesquisei.

Contra os Blues no sábado, pode-se dizer que nunca um jogo em novembro valeu tanto para os Red Wings. Vínhamos de dois jogos sem marcar em casa, e uma derrota nos colocaria no absurdo último lugar da divisão Central.

E claro, não foi fácil. St. Louis jogou como Detroit joga faz tempo, com passes rápidos, chutes da linha azul e com um atacante sempre na frente do goleiro adversário. Assim nasceram os 3 gols do time azul, e me surgiu uma dúvida: faz 47 anos que Tomas Holmstrom nos faz este trabalho, será que nunca imaginaram que alguém usaria contra Detroit? Alguém tira o cone de lá, por favor?

O primeiro período foi horrendo. Erros e erros (e erros e erros) de passe, de chute, de marcação. As melhores linhas foram (de novo) a terceira e a quarta. Draper, Helm, Eaves, May, Miller e (principalmente) Abdelkader fizeram o possível e o impossível para manter os Wings na partida. Palmas também para James Howard, cujo nome "sério" já lhes indica que jogou horrores. O primeiro período terminou (graças a deus, apenas) 2 a 0 contra.

Começo de segundo período, vantagem numérica de Detroit, que durou apenas 28 segundos. Lá estava o Circo Voador do Tio bêbado Mike, Holmstrom marcando o gol em assistências de Datsyuk e Zetterberg. As linhas de baixo continuaram sensacionais, Yaba e Helm criando chances a torto e a direito. Abdelkader parou na marcação de interferência no goleiro, e o Tazmania perdeu algumas chances claras. Que seja, Helm é Deus e o período terminou em 2 a 1.

Começo de terceiro período, e os Wings marcam mais uma vez no comecinho: a terceira linha (batizada na internet de Red Corvettes) faz o gol de empate, Kris Draper numa bela trama de Helm e Eaves. Mas aí fomos lembrados de que estamos em 2009-10, e os Blues desempataram o placar. O único gol em que Jimmy poderia ter se acalmado um pouco mais e defendido. A partir daí, sofrimento. A defesa de St. Louis não estava exatamente bem, mas nem o ataque de Detroit. Passes errados, chutes a 58 milhas do gol, até que chegou aquele momento tão temido pela torcida, Babcock tirou Howard no gelo.

Datsyuk, Bertuzzi, Zetterberg, Holmstrom, Lidstrom e Rafalski. Foram 45 segundos sem goleiro, um chute desviado e um bloqueado de Homer, e uma paulada sem direção nenhuma de Henrik Zetterberg. Quer dizer, na direção das costas de Barret Jackman, e dali para o gol. Não fui atrás de informações, mas parece ter sido o primeiro gol com o atacante extra desde 1943. Empate, vamos para a prorrogação.

Bom, a prorrogação foi um saco, só três chutes no total, então já pulo para a decisão por pênaltis. Do jeito que está este ano, óbvio que Detroit iria perder, e Andy McDonald começou marcando para os Blues. Datsyuk empatou logo em seguida, e depois disso tivemos três Blues e dois Wings (Zetterberg e Cleary) desperdiçando oportunidades. O próximo da lista? Todd "Bolha/Besta/Anticristo" Bertuzzi. E o vagabundo faz o gol. Um baita gol. Vitória Detroit, nos pênaltis, 4 a 3.

Ok, nunca mais vou esvrever um post como este. Isto cansa quem escreve e quem lê. Mas que seja, esse jogo mereceu. Repito, o jogo mais importante da história de novembro para Detroit, e por mais que não tenham jogado bem, os Wings jogaram com a força de vontade que este jogo pedia.

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Detroit x Dallas

Hoje no Joe, com este time:

Bertuzzi-Datsyuk-Holmstrom
Leino-Zetterberg-Cleary
Draper-Helm-Eaves
May-Abdelkader-Miller

Lidstrom-Ericsson
Lebda-Rafalski
Stuart-Meech

Howard

Eaves ainda não é certeza (problema no tornozelo), se não jogar Kirk Maltby vem para o time.

sábado, 28 de novembro de 2009

A seca


Parabéns a minha namorada, que teve seu TCC aprovado. Esse foi o motivo "oficial" para não assistir ouvir o jogo de ontem, mas a verdade é que não tem mais graça ouvir jogos de Detroit.

É sempre a mesma coisa: "[atacante de Detroit] shoots, save by [goleiro]". Assim como contra Atlanta, ontem foram mais 40 chutes a gol. Miiiikkkka Kiprusoff pegou todos.

O jogo terminou 3 a 0 para Calgary, o segundo shutout seguido sofrido pelos Wings. Nunca antes na história deste país da Joe Louis Arena (desde 1979) o time sofreu ficou sem marcar por dois jogos seguidos em casa, e a primeira vez em quaisquer dois jogos desde 2001.

Chris Osgood sofreu 3 gols em 17 chutes (que ridículo, eu queria Howard no gol), e dizem que tivemos dois gols anulados e que o juiz Brad Meier é mais um inimigo de Detroit. Quer saber? Eu não ligo.

Hoje tem jogo em St. Louis, provavelmente James Howard nas redes.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Wings x Flames

Estou entrando na onda pessimista do Humberto, e a lógica é simples: sem expectativas não há decepção.

Esqueça a divisão, esqueça 50 vitórias, podem até mesmo esquecer o mando de campo nos playoffs. Cabeça-de-chave nº 5 ou 6 pra Detroit está ótimo.

Hoje tem jogo contra os Flames, Patrick Eaves volta e Brad May tem folga. Todd Bertuzzi vai continuar seu processo de tortura com Pavel Datsyuk.

Tuzzi-Dats-Holmstrom
MVP da Finlândia (e só)-Futuro capitão-Cleary
Drapes-Helmer-Larry
Maltby-Yaba-Miller Lite

Lisdtrom-Ericsson
Rafael-Stu
"O bloco comunista de Mike Babcock"

Osgood

Detroit e Calgary se enfrentaram no Dia das Bruxas, vitória por 3 a 1 (sem Leino, coincidência?), e começaram uma marca de 6 vitórias em 7 jogos. Será que se repete? (Admito, não sei ser pessimista. Wings nas cabeças, a temporada só começa depois das Olimpíadas!)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Dia do peru

Ação de graças nos Estados Unidos, ainda que Ville Leino e Jonathan Ericsson não façam idéia do motivo de tanta festa.

Em Detroit a festa está murcha. O pior time de futebol americano e o mais decepcionante de hóquei estão lá. Derrota ontem, em casa, para o Atlanta Thrashers, por 2 a 0. Sim, shutout para Ondrej Pavelec, com 40 defesas, inclusive uma fantástica num chute de Henrik Zetterberg.

Derrotas atrapalham o raciocínio, então hoje vou por tópicos:

Ataque. Não existe. Depois de 19 gols em 4 jogos, são apenas 5 em 5 jogos, conseguidos em 177 chutes (porra!). É chance após chance, power-play após power-play, e nada. Ridículo para um time com Zetterberg, Pavel Datsyuk e muito mais. O mais perigoso ontem foi Todd Bertuzzi, chutando de tudo quanto é lugar. Se Bertuzzi é o mais perigoso, tem alguma coisa muito, mas muito, errada.

O anticristo. Vaza, Bertuzzi. O bolha teve uma das melhores chances da partida, um contra ataque de 2 contra 1. Do nada, o animal tropeça num átomo mal posicionado e desperdiça a jogada. Absurdo.

Datsyuk. Que dó do rapaz. Tomas Holmstrom entrou oficialmente numa fase ruim, e o outro cara da linha é retardado. Pavel tentou de novo passar o disco por cima do gol, estando atrás dele. O passe foi ótimo, mas os dois cones não foram competentes para empurrar a borracha para dentro. Nos últimos jogos ele distribuiu trancos ferozes, e parecia imaginar a cada um deles que seu alvo era Mike Babcock.

Tio bêbado. Pois é, Babcock é realmente o tio doidão que abraça todo mundo no reveillón. O professor Pardal foi para o jogo sem Patrick Eaves, o melhor atacante em plus-minus do elenco, e com Bertuzzi na fucking primeira linha. Babcock finalmente colocar Datsyuk e Zetterberg na mesma linha, mas não funcionou.

A linhas. Bolha-Coitado-Azarado, Leino-Zetta-Cleary. Morte, impostos e as primeiras linhas dos Wings, as únicas certezas da vida. A terceira e a quarta linhas estão ótimas, são linhas sem muita obrigação ofensiva, que só devem atrapalhar o adversário e criar uma ou outra chance. É exatamente isso o que vem fazendo. A duas primeiras linhas, reposáveis pela produção efetiva, não faz porcaria nenhuma. E obviamente o Tio só mexe nas linhas de baixo.

Helm. É Deus. Mas pelamordehelm, pede pro Datsyuk ou o Zetterberg te ensinarem a concluir um contra-ataque.

James Howard. Titular, já. Esquece Chris Osgood até abril, até lá o lugar é do artista-antes-conhecido-como-Jimmah!. Howard está indo melhor que as melhores expectativas, melhor do que Osgood, melhor do que um goleiro dos Wings precisa ser. Não importa quantas lesões Detroit tenha, é um time que não precisa de um goleiro que roube jogos, só de um que dê condições de ganhar. E Howard faz isso, e já até roubou jogos.

O sapo. Liguem para Robério de Ogum, (11) 4191-5650. E rápido.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Maltby dentro, Eaves fora

Em casa de novo, desta vez contra Atlanta.

Kirk maltby vai voltar à quarta linha, e o sacado é Patrick Eaves. (PQP, Mike Babcock, vai desfazer a melhor linha do time nos últimos jogos!) Eaves vinha de sete partidas seguidas, e é o segundo no time (o melhor atacante) em +/- com +6. (E o bolha do Bertuzzi ainda na primeira linha, como assim?)

A formação hoje:

Anticristo-Datsyuk-Holmstrom
Leino-Zetterberg-Cleary
Draper-Helm-Miller
May-Abdelkader-Maltby

Lidstrom-Ericsson
Stuart-Rafalski
Meech/Lebda-Lidstrom/Rafalski/Stuart

Jimmy Howard no gol.

Essa terceira linha de defesa foi conceituada desta forma por Babcock: "É um bloco de 8 homens com seis jogadores. É bem complicado explicar, mas vai ser simples". Aham.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Bertuzzi e McCrimmon: não dá mais

O pior fora de casa (65,7%). O terceiro pior da Liga e pior da conferência (74,4%). Esse é o nosso time de desvantagem numérica.

Desvantagem numérica de Detroit

2009-10: 74,4% (terceiro pior)
2008-09: 78,3% (sexto pior)
2007-08: 84% (oitavo melhor)
2006-07: 84,6% (sexto melhor)

É ridículo. Sabe qual a diferença? De 2006 a 2008 tivemos Paul MacLean e Todd McLellan como assistentes de Mike Babcock. MacLean cuidava da desvantagem numérica, e McLellan do power-play.

Antes da temporada 08-09 McLellan foi contratado como treinador por San Jose, e Brad McCrimmon chegou a equipe técnica. Numa mudança de posições, MacLean (atacante de formação) foi encaminhado para a vantagem numérica, enquanto o ex-defensor McCrimmon deveria cuidar da desvantagem.

O problema é que McCrimmon é péssimo. Ele foi encarregado da desvantagem numérica de Atlanta entre 2005-06 e 2007-08, e essa foi a colocação do time shorthanded dos Thrashers no período: 25º, 26º e 27º, nunca acima da marca de 80%.

Porque então Detroit trouxe essa praga? McCrimmon chegou ao time junto com Marian Hossa, com quem havia trabalhado em Atlanta. Diz-se que ele veio no pacote (algo parecido com Tomas Kopecky quando Hossa foi para Chic... seu novo time). Agora Hossa foi embora, e McCrimmon não tem mais lugar em Detroit.

Nos playoffs passados batemos um recorde ao sofrer pelo menos um go lem desvantagem numérica por 11 jogos seguidos (se não me falha a memória). Basicamente esse mesmo grupo de hoje esteve nas boas campanhas pré-McCrimmon, e hoje é uma piada. Já passaram pela desvantagem numérica Henrik Zetterberg, Pavel Datsyuk, Dan Cleary, Darren Helm, Patrick Eaves e quase todo mundo do time. Se tanta gente, que já foi bem, não está bem hoje, o problema é o sistema, e não os jogadores.

Dito isso, qual o remédio para não sofrer gols nesta situação? Não cometer penalidades. Nisso Detroit está bem, é apenas o segundo time em faltas cometidas por jogo na Liga. Mas esse número poderia ser menor se não fosse o Anticristo Todd Bertuzzi. Bertuzzi tem só 14 minutos de penalidade em 22 jogos, mas se fosse um ser humano jogador razoável teria menos de 6.

É absurda a quantidade de faltas estúpidas do imbecil Bertuzzi. No jogo de ontem foram duas, e as duas na zona ofensiva. Não cometa penalidades, mas se for para fazer faltas, que seja para ajudar na defesa. Fora isso, Bertuzzi é o líder do time em burrices por jogo. Perdi a conta de quantas vezes o projeto de jogador tentou dar uma volta com o disco e passar de costas, e obviamente passou para o lado errado. O cara é grande mas não ataca a rede. Não tem velocidade, não usa seu tamanho e força, e é um fardo a ser carregado por Datsyuk, que deve ter saído com a esposa de Babcock.

E Babcock não tem pulso. Quer dizer, ele tem pulso para tirar Helm, Leino, Eaves e Kirk Maltby (um dos melhores na temporada) por alguns jogos, mas não para dar um aviso para Bertuzzi. Ontem o time sofreu dois gols com homem a menos, e o comentário de Babcock foi sobre os faceoffs perdidos por Helm e Justin Abdelkader (que obviamente fazem muita diferença, mas não tanto quanto faltas bobas).

Ontem os Wings perderam para Nashville por 3 a 1. Drew Miller (!!!) marcou para Detroit, e se não fosse por Chris Osgood o jogo teria sido 17 a 1 para os Predators.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Urubu

A situação em Detroit anda tão ruim que...










A nova defesa e 25% dos prêmios

Quem ouve Mike Babcock pensa que está tudo bem em Detroit.

"Rafalski e Lebda tem a mesma opinião em política, Ericsson e Lidstrom são da Suécia, e Stuart e Meech são do oeste, então pensei, por que não?" Boa, tio Mike... quando você virou o tio bêbado e piadista que todos evitam nas festas de aniversário?

Bom, resumindo, essas são as linhas a partir de hoje:

Bertuzzi-Datsyuk-Holmstrom
Leino-Zetterberg-Cleary
Draper-Helm-Eaves
Miller-Abdelkader-May (Draper e May vão revezar)

Lidstrom-Ericsson
Lebda-Rafalski
Meech-Stuart

Osgood começa no gol, Howard deve voltar na quarta-feira, contra Atlanta.

De cara, não gosto das novas linhas de defesa. Sony e Nick tudo bem, sem problemas. Mas a segunda dupla é fraca fisicamente, e a terceira tem o potencial para levar três gols por período. Stuart tem uma tendência maldita de sair do lugar para dar um tranco bonito, e Meech não é o cara para consertar isso. Vamos ver.

Meech também herda o lugar de Niklas Kronwall na 2ª unidade de vantagem numérica.
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Troféus de um quarto da temporada. Pois é. Eu não vejo muito significado na marca de 21 jogos o ano, mas a maioria dos blogs fez algum comentário quanto a isso. Aqui no Red Wings Brasil teremos os troféus de 25%, obviamente apenas para o time de Detroit.

Hart (jogador mais importante do time): Henrik Zetterberg. A boa fase do time aconteceu com a boa fase do futuro capitão. Não foi coincidência.

Art Ross (maior pontuador): Zetterberg, com 24 pontos

Maurice Richard (artilheiro): Zetterberg e Tomas Holmstrom, cada um com 9 gols

Norris (melhor defensor): Niklas Kronwall, com 5 gols, 8 assistências, +5, 21 minutos por jogo e 36 trancos

Vezina (melhor goleiro): Jimmy Howard. Não se assustem, o time ganhou 68,75% dos pontos nos jogos em que Howard foi titular, contra apenas 57,7% nos jogos de Chris Osgood.

Calder (melhor calouro): Justin Abdelkader. A outra opção seria Ville Leino, que ainda não produziu nem perto daquilo que se esperava.

Selke (melhor atacante em aspectos defensivos): Darren Helm, e não estou puxando o saco. Entre os atacantes, Helm é o segundo em trancos, o primeiro em chutes bloqueados e o sexto em roubadas de disco. Tem apenas 5 pontos, mas +1, ou seja, sua linha permite poucos gols.

Byng (melhor combinação de habilidade e jogo limpo): Pavel Datsyuk, com apenas 2 minutos de penalidade e 18 pontos.

Jack Adams (melhor treinador): Babcock. Acha óbvio que ele ganhe? Eu poderia dar o prêmio à Paul MacLean ou Brad McCrimmon se os times especiais fossem mesmo especiais.

domingo, 22 de novembro de 2009

Era melhor ter perdido

Vamos lá, em dia de FUVEST, vamos testar seus conhecimentos. O que é melhor:

A) Ganhar de Montreal por 3 a 2, nos pênaltis, e perder Nicklas Kronwall por no mínimo 2 semanas
B) Perder o jogo e continuar com o nosso melhor defensor da temporada

Tenho certeza que Mike Babcock escolheria a opção B, mas George Laraque não permitiu.

Em duas jogadas sujas em 10 segundos, Laraque acertou Darren Helm no rosto com o taco e pôs a perna na frente de Kronwall. Laraque foi penalizado pelos dois lances (high-sticking e tripping), mas o consenso após o jogo é de que ele deveria ter sido expulso.

Babcock deve ter se arrependido de ter ido para o jogo sem Brad May. Quando perguntado se esperava alguma ação disciplinar da Liga, Babcock respondeu: "A NHL não tem nada a ver com isso, foi um ato inaceitável eontre os jogadores".

Ken Holland disse que o mínimo é de duas semanas, e Kronwall passará por uma ressonância magnética para avaliar a extensão da contusão.

Voltando ao jogo, os Wings marcaram dois gols (Brad Stuart e Pavel Datsyuk) durante as penalidades de Laraque, e Montreal teve mais 5 faltas depois do lance. Detroit desperdiçou todas essas vantegens numéricas, inclusive 2 vezes em 5-contra-3. 2 a 0 foi pouco.

Como estamos acostumados, os Red Wings dormiram no jogo e deixaram Montreal empatar, e só não viraram porque mais uma vez Jimmy Howard foi bem. OK, estou me empolgando com Jimmah!, mas o time não pode querer que o garoto ganhe todos os jogos por ele. E o terceiro período de Nicklas Lidstrom foi provavelmnte o pior da década.

Detroit ganhou nos pênaltis, quebrando a sequência de 2 derrotas.

sábado, 21 de novembro de 2009

Um titular do outro lado, por favor

Ontem teve jogo, e eu não vi. Com a palavra, alguém que viu:

Foi um dos jogos mais chatos de hóquei que eu já vi. Seguramente o pior do Detroit este ano. Pior que o de Toronto.

O Florida veio apenas pra servir de sparring. Ficou atrás, procurando se fechar, sem praticamente ameaçar. O Detroit tinha o disco, mas... não socava o sparring. Só dava soquinho no ombro.

O sparring levou tempo pra perceber isso, mas no fim das contas veio e empatou -- no 2o ou 3o lance de perigo em todo o jogo. E virou no OT. Belo e merecidíssimo castigo para os Wings.

Não é esse ou aquele jogador (nem mesmo os dois breakaways perdidos pelo Helm, que jogou bem), é o time como um todo. Inadmissível que não se castigue devidamente um time manco como o Florida de ontem. Perder então, patético. - Marcelo Constantino

É, parece ter sido outro jogo com a cara de Detroit. Temos que admitir que os Wings são arrogantes. Nós, os torcedores somos arrogantes (ainda que tenhamos motivo para tal). Detroit adora perder esse tipo de jogo. Algo como a seleção brasileira de futebol, que vive complicando jogos fáceis, achando que pode ganhar a qualquer momento.

Some a isso o fato dos Panthers terem jogado sem Tomas Vokoun, e o "achismo" de Detroit se torna palpável. Scott Clemmensen fez 39 defesas em 40 chutes sem sal. Clemmensen foi mais um goleiro reserva a ganhar dos Wings este ano (depois de Ty Conklin e Alex Auld).

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Então fiquem otimistas: Carey Price estará no gol hoje à noite.

No nosso gol vai estar Jimmy Howard. O time canadense dos Canadiens (?) tem muitas lesões, mas vem de uma vitória sobre os Ovechkins Capitals ontem à noite. Quem vai ter mais pernas pro jogo de hoje?

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Helm é Deus. Pelo menos o da velocidade.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

De volta ao gelo

Jogo hoje na Joe.

Chris Osgood está de volta após a (suposta) gripe, James Howard no banco e Daniel Larsson em Grand Rapids. Howard vai ser o titular amanhã, na partida contra Montreal.

Também volta Kirk Maltby, ausente das últimas partidas, no lugar do pugilista Brad May.

Mike Babcock disse esperar mais da linha Todd Bertuzzi-Pavel Datsyuk-Tomas Holmstrom. Os três estão numa fase ruim, ainda que Holmstrom lidere o time com 9 gols (junto com Henrik Zetterberg). Tio Mike, cabeça-dura como sempre, não comenta em desfazer a combinação, e espera que os três entrem em sintonia logo.

O time vai assim para a partida (vou com os apelidos hoje. Calma, Humberto, faz tempo que não faço isso)

TuzziKamon 44-Dats 13-Homer 96
SmallVille 21-Zetta 40-Urso 11
Kristopher 33-Deus 43-Larry 17
Miller Lite 20-Yabadaba 8-Malts 18

Norris 5-Rafy 28
Nick Jr. 55-Disco Stu 23
Lebdum 22-Sony 52

Ozzie 30
The Jimmah! 35

Lesões:

Mula 93 (joelho)
Wally 51 (pulso)
Wilamis 29 (fíbula)
Epaminondas 3 (concussão)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Explicando o inexplicável

Boas chances deste ser meu último post no blog. Alguém vai me demitir depois de passar um dia inteiro falando sobre um só assunto. Mas vamos lá: no programa NHL Live! estava Mike Murphy, vice-presidente do Centro de Operações da NHL. Foi ele que ligou para a Joe Louis Arena para dizer que o gol foi válido. Segue toda a declaração, com alguns comentários meus:

"Sempre trabalhamos assim, e vamos continuar até que mudem o procedimento: o que o juiz marca no gelo está valendo. Ele vê o chute, vê a defesa e, se não puder ver o disco, apita e para a jogada. O que vale não é o som do apito, mas o momento em que ele decidiu apitar. Existe uma pequena zona nebulosa entre a intenção e o apito efetivo."

"Ele vê a defesa"? Que defesa? O chute entrou direto. E então devemos desconsiderar o que o próprio Mr. Magoo LaRue disse depois do lance, que a jogada parou só quando ele apitou?

"Neste caso, Dennis LaRue estava certo do que viu e certo de sua maneira de interpretar o lance: 'eu parei a jogada antes do disco entrar no gol'. Quando analisamos e vemos o vídeo, acho que todos concordamos que o disco estava no gol, e Dennis infelizmente não viu."

Certo, vamos ser inconsistentes e alternar entre "intenção" e "antes de entrar", os torcedores são burros e não vão perceber. E se ele acha que parou o lance antes do disco entrar, está maluco. Foi 3 segundos depois.

Murphy concorda que o disco entrou imediatamente após o chute, mas não falou com LaRue, e só pode presumir que o fato do juiz ter perdido o contato visual com o disco no momento que este atingiu a proteção de Auld foi o que deu razão à inteção de apitar.

Opa, voltamos à intenção. E agora ele diz que o disco pegou no goleiro, e isso dá razão ao apito. E quer dizer qu o cara que explica a mente insana de Dennis LaRue não fala com LaRue desde ontem? Calma aí, quer dizer que a jogada pode parar quando pega no goleiro?? Então estamos livres dos rebotes de Jimmy Howard!!!

A explicação de Murphy sobre como essas decisões são tomadas ajuda a entender porque a marcação original de LaRue foi a oficial.

Não, não ajuda.

"Nesse caso em particular, nós [responsáveis pelos replays, em Toronto] vimos o disco dentro do gol e o gol não ser validado. Ligamos para um juiz na arena e pedimos para que a sirene de gol seja tocada e o juiz seja chamado para conversar conosco. O juiz já sabe do que se trata, vem até o telefone e diz que 'apitou, ou queria apitar; parei a jogada antes do disco atravessar a linha'. Nada mais é dito. Quando isso é dito, a revisão do lance é impossibilitada."

Ou seja, mesmo que toda e qualquer prova visual indique o contrário, a decisão fica a cargo somente do que pensa um cara de 50 anos (que ainda não sabe se apitou, se só quis apitar...)

Murphy disse ainda que o grupo de Operações de Hóquei vai tratar do assunto internamente. "Se existir uma melhor solução ou uma melhor resposta, vamos encontrar".

Se existir uma solução? Como assim? A solução é fazer esses juízes ególatras assumirem o erro, ou voltar com os juízes numa cabine atrás do gol que, sabe-se lá porque, não existem mais.

Mas Murphy avisa que muitas revisões por vídeo não é uma coisa boa.

Calma aí, deu tranco no cérebro. Explique-se, Ary Toledo Mike Murphy.

"Queremos a marcação certa em todos os lances, Parece que nesses casos não foi. Mas acho que, se tivermos a revisão em vídeo, as pessoas vão querer perfeição, e nunca é assim. Se os torcedores querem perfeição, vão se decepcionar. Existem situações que o vídeo não pode interceder, e não queremos que interceda. Não acho que alguém queira o vídeo apitando o jogo.

Tradução: queremos errar. Murphy, como asim? Estamos errados em querer a marcação certa? Vou me decepcionar? Claro que não vou, as marcações vão estar certas! Ah, e belo jeito de dizer que errou sem dizer que errou. Parece político.

"Gosto de como a revisão por vídeo é. Acho que funciona e temos que tomar cuidado com o jeito em que mexemos nisso."

Eu não gosto de como é, prefiro que ela seja efetiva. De que adianta ter o replay se o juiz tem a palavra final?

Certo, é só isso. O chefão dos replays basicamente admitiu que uma boa grana da NHL é gasta por ano para manter seu escritório, mas ele é tão útil para a Liga quanto eu. E gotei dessa regra da intenção. Quem sabe assim Bertuzzi marque alguns gols: "Ah, mas eu queria acertar".

Espero terminar assim a sequência de posts ridículos sobre um lance ridículo (de um jogo que não merecemos ganhar, por sinal).

Imoral ou ruim?

Comentário do último post:

"Eduardo Costa disse...

Arbitragem imoral!"
Tem uma coisa que aprendi em 21 anos de torcida: se você decorou o nome do juiz, coisa boa não é. A arbitragem esportiva deve ser uma das atividades mais estressantes que existe. Durante duas horas um homem é responsável por 40 mil decisões que devem ser tomadas em meio segundo.

Mas nada explica a onda mundial de árbitros ruins, por todos os esportes, no mundo todo.

No futebol, alguém tem um bom motivo para lembrar de Márcio Rezende de Freitas, Edílson Pereira de Carvalho, Calos Eugênio Simon ou "o-cara-que-apitou-França-e-Irlanda"?

No futebol americano tem o Ed Hochuli, no basquete tem o Tim Donaghy (que admitiu combinar resultados e favorecer certos times), no beisebol tem o McClelland (que erra 1 a cada 3 eliminações), no tênis tem "qualquer um que apite um jogo do Federer".

E no hóquei? Bom, eu me lembro de três caras. Dan O'Halloran, que anulou metade dos gols de Tomas Holmstrom. Brad Watson, aquele que anula gols de Detroit e valida os adversários em lances idênticos, e agora tem mais um.

Dennis LaRue. O vexame de ontem foi dele. No jogo 5 da Final da Stanley deste ano, naqueles 20 segundos em que Pittsburgh ficou com 7 jogadores no gelo, lá estava ele. Coincidência?

Sim, coincidência. Não é segredo que eu acho que a Liga tem algo contra Detroit. Os Wings ganharam com e sem teto salarial, e inventaram o contrato dissolvido em década para diminuir seu impacto. Mas não estou falando agora de conspiração. O fato é que os juízes são ruins. Todos eles.

E a NHL pode mudar isso. Institua o replay. Coloque um monitor ao lado do gelo. Façam em desafios, como no tênis ou futebol americano. Qualquer coisa. Ou, pelo menos, se assegure que os juízes tenham caráter. Caráter que falta a Watson, "O Inconsistente". Caráter que faltou a LaRue.

Vinte mil pessoas na Joe Louis Arena sabiam que foi gol. Alex Auld sabia que foi gol. Eu sabia que foi gol. O pessoal do Centro de Operações da Liga, lá em Toronto, sabia que tinha sido gol. Eles ligaram para avisar!

Mas um homem, Dennis LaRue, não viu o disco, e apitou, 3 segundos depois. Avisaram que foi gol, mas ele não volta atrás. Admitir um erro?, jamais. E é isso que importa, não é?

E alguém vai culpar o Howard...

3 a 1 para Dallas. James Howard (está jogando direitinho, merece um nome adulto) parou 29 de 32 chutes. O time matou 3 de 5 penalidades, e não marcou em 4 oportunidades com um homem a mais.

Mas pelamordedeus, assim não se ganha um jogo! Chutes toscos de qualquer jeito e lugar, previsíveis e "bloqueáveis" (foram 12 chutes bloqueados). Assim fica fácil para Alex Auld (!) pegar 31 de 32 chutes. Henrik Zetterberg marcou de novo, a linha de Patrick Eaves, Darren Helm e Kris Draper continuou feroz na marcação, e a defesa foi razoavelmente decente.

Não importa se é Howard, Osgood, Brodeur ou Luongo, ninguém ganha com só um gol.

Mas pelamordedeus (2), Jonathan Ericsson, você é calouro mas tem 25 anos, cresce, pára com as penalidades estúpidas! Ou dá um jeito de subornar os juízes, como nosso adversários fazem. Helm levou trancos fora do lance (interferência, zebras do caramba) umas três ou quatro vezes, os Stars em mais de uma oportunidade passaram o taco na canela dos Wings (tripping, fuck)... E claro, mais um gol invalidado porque o juiz pensou em apitar.

Foi o que pensei, ele pensou em apitar. De novo, como no lance de Marian Hossa contra Anaheim, ou Todd Bertuzzi, ou outras coisas absurdas desse tipo. A diferença? Pelo menos o árbitro daquela oportunidade (Brad Watson) apitava só 2 segundos depois, e não uns 20 minutos, como hoje.

Mas pelamordedeus (3), dessa vez o cara nem falou que "pensou" em apitar.

Disseram que ele apitou! E sim, ele apitou, depois que o motherfucking puck entrou no gol!!!!! Por que o imbecil teria apitado? "O apito soou e matou a jogada". O gol matou a jogada, sua zebra acéfala! Por isso que a NHL é menor do que a NFL, MLB, NBA, NASCAR, F1, PQP, UFC, VSF e pôquer.

Por isso sinto falta do Brendan Shanahan. Ele teria brigado com Auld, levado a penalidade, socado o juiz e conseguido o gol de volta.

Próximo jogo sexta-feira, contra o Florida Panthers.
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*Pra que não entendeu nada: o jogo estava 2 a 1 para Dallas quando Brad May chutou e o disco entrou no gol no cantinho. O juiz, Dennis LaRue, apitou uns 3 segundos depois, e não deu o gol (para ser sincero, os único que viram o gol foram May e Jsutin Abdelkader. Os juízes não sinalziaram e o pessoal da arena nem ligou a sirene).

A partir daí foi conversa para todo lado. Com Lidstrom, com Babcock, com o tiozinho da limpeza... Replays da TV, de vários ângulos, mostraram que o disco entrou.

Até que vem a voz da razão: uma ligação do Centro de Operações da NHL emToronto, que disse uma dessas coisas: A)foi gol e ponto final, B)vejam o replay e digam que foi gol, C) digam que vocês tinham a intenção de apitar (é uma roubalheira com a qual já estamos acostumados, pelo menos).

LaRue não seguiu nenhuma dessas recomendações, e disse que o apito parou a jogada. Mas é óbvio, no lance ao vivo e nos replays com áudio, que o apito foi soou entre 2 e 3 segundos depois do disco entrar no gol. Vocês podem ver o lance (e toda a confusão) aqui.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um freguês a menos

Que sem graça, Marty Turco não joga hoje. O goleiro adversário que mais deu alegrias na história vai descansar, e no gol do Botafogo do Texas estará Alex Auld. Que beleza!, as opções eram o freguês ou o ex-reserva do Cloutier.

Os Wings serão os mesmos das útlimas partidas, ou seja, a quarta linha vai de Brad May, Kris Draper e Drew Miller.

Stars hoje à noite, uma estrela do passado

Esta noite os Wings recebem o Dallas Stars. O Botafogo está em 8º no Oeste, uma posição (e um ponto) atrás de Detroit.

No gol novamente estará Jimmy Howard. The Jimmah! vem de 3 vitórias seguidas, com 6 sofridos nesses jogos. O reserva será Daniel Larsson. Chris Osgood voltou a treinar com o time, mas só deve voltar na sexta-feira, contra Florida.

A quarta linha ainda está indefinida. Drew Miller e Kirk Maltby ainda brigam por uma posição ao lado de Kris Draper e Brad May.

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Brendan Shanahan se aposentou. Depois de uma carreira de 21 anos, 9 deles em Detroit, o atacante pndura os patins sendo o líder da história da NHL em "Gordie Howe hat tricks" (gol, assistência e briga em um jogo, são 17) e o único com mais de 2000 minutos de penalidade e 600 gols.

Shanny foi um dos meus preferidos do time por um bom tempo. O conheci no videogame, onde o "H" parecia um "N", e só depois de muito tempo fui descobrir que ele não era o "Sha-na-nan". Ele foi o autor do gol que garantiu a única Copa Stanley que eu vi ao vivo, e provavelmente aquele foi o gol sem goleiro mais legal que já vi. O filho que Shanahan e Steve Yzerman conceberam na comemoração já tem 7 anos.

Dizem que o motivo de sua saída foi o fato de não ter sido nomeado capitão com a aposentadoria de Yzerman. Não sei se acredito, mas é possível. Fato é que Shanahan foi importantíssimo nas três Copas que conquistou em Hockeytown, e um dos jogadores mais queridos de sua geração.

Ah sim, e seu cavanhaque de pós-temporada era ótimo.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Prêmios e mais prêmios

O excelente blog Winging It In Motown criou uma lista de prêmios fictícios para acompanhar o desempenho dos jogadores dos Red Wings na temporada.

Uma mistura de bom humor e informação.

Prêmio Mafiosos (concedido ao último Red Wing a ser penalizado): agora renomeado para Prêmio Patrick Eaves. Assim que Darren Helm foi penalizado no jogo de quarta-feira passada (Columbus), Eaves tornou-se o único jogador do time a não ter cometido falta na temporada.

Seu reinado durou menos de 24 horas, porque Eaves cometeu sua primeira penalidade na noite seguinte (Vancouver), mas foi o suficiente para vencer o prêmio.

Candidatos ao Prêmio Aaron Downey (concedido ao último Red Wing a marcar um gol): o prêmio recebeu este nome em homenagem a Downey, que marcou seu primeiro e único gol como um Red Wing em seu 60.º e último jogo.
A. Brad May
B. Derek Meech

Prêmio Chris Chelios (concedido ao defensor com menor número de gols marcados em mais jogos disputados): nomeado em homenagem a Chelios, que marcou 23 gols em 600 jogos com os Red Wings (temporada regular e playoffs).
1. Nicklas Lidstrom (1 gol, 18 jogos)
1. Brad Stuart (1 gol, 18 jogos)
3. Brett Lebda (1 gol, 15 jogos)
4. Brian Rafalski (2 gols, 17 jogos)
5. Jonathan Ericsson (3 gols, 16 jogos)
6. Niklas Kronwall (5 gols, 18 jogos)

Prêmio Dan Cleary "Sacrifique seu rosto" (concedido ao atacante com mais chutes bloqueados):
1. Dan Cleary (10)
2. Darren Helm (9)
2. Henrik Zetterberg (9)
4. Pavel Datsyuk (8)
5. Todd Bertuzzi (6)
5. Patrick Eaves (6)

Prêmio Derek Meech (concedido ao jogador que passou mais tempo na cabine de imprensa): Meech passou 35 jogos na temporada passada como healthy scratch.
1. Derek Meech (13)
2. Patrick Eaves (6)
3. Brad May (4)
4. Brett Lebda (3)
5. Justin Abdelkader (2)
5. Kirk Maltby (2)

Prêmio Greg Stefan (concedido ao goleiro que faz você se perguntar por que ele está na NHL e você não): Stefan disputou nove temporadas pelos Red Wings, mas somente em três teve média de gols sofridos inferior a 4,00.
1. Jimmy Howard (4-2-1, 89,8%, 2,84)
2. Chris Osgood (6-3-2, 90,2%, 2,77)

Prêmio Mikael Samuelsson (concedido ao atacante com mais chutes longe do alvo):
1. Henrik Zetterberg (30)
2. Tomas Holmstrom (17)
3. Todd Bertuzzi (16)
4. Ville Leino (15)
5. Jason Williams (14)

Todos os créditos para o Winging It In Motown.

domingo, 15 de novembro de 2009

Zetterberg e a temporada de patos




Steve Yzerman é o Capitão, Nicklas Lidstrom é o Ser Humano Perfeito, Darren Helm é Deus, Darren McCarty é o Vingador... e Henrik Zetterberg? Bom, ele é O Cara Cuja Camiseta Eu Tenho. E jogos como ontem me fazem pensar que eu fiz a escolha certa.

Na vitória por 7 a 4 sobre os (Daffy) Ducks, esses foram os números do sueco: 3 gols, 2 assistências, +1, 7 chutes e 56% de faceoffs ganhos. E só uma assistência foi antes do 3º período.

Disse antes da partida que pedir um terceiro jogo bom em sequência de Jimmy Howard seria demais, e ele provou o porque. Quatro gols sofridos em 23 chutes, e um Daniel Larsson bem feliz assistindo isso do banco.

Os dois primeiros períodos foram bem normais, e o último começou com vantagem de 2 a 1 para os Wings. Aí começou o teste cardíaco: 8 gols marcados em 20 minutos, ou seja, um gol a cada ridículos 2 minutos e meio. No período, 5 a 3 para Detroit.

Algumas notas individuais:

-Henrik Zetterberg é o cara;
-Darren Helm adora jogar contra os Patos;
-Ville Leino não marcou pontos, mas está jogando muito bem na linha de Zetterberg e Dan Cleary;
-Cleary passou 12 gols sem marcar gols depois do seu 99º na carreira. Depois de desencantar contra Toronto, são 6 pontos (3 gols) em 4 jogos;
-Brad Stuart fez defesas mais difíceis do que Howard;
-Jonathan Ericsson parece ir bem por 98% do tempo. Aí ele entrega um gol para os Patos;
-(conteúdo não Wing) odeio Scott Niedermayer, Cory Perry, Bobby Ryan e Todd Marchant. Mas admito que dá gosto assistir o (careca) Ryan Getzlaf.

Num comentário nada-a-ver, embora jogos como este me façam adorar Hank Zetta, me incomoda saber que daqui a dois anos minha camisa estará desatualizada, com o "C" em vez do "A". E mais uma coisinha: chupa, Buccigross.

Próxima partida só na fucking quarta-feira, contra Dallas. Odeio essas férias durante a temporada.

sábado, 14 de novembro de 2009

Wings x Donalds

Responda rápido: qual o maior rival de Detroit na atualidade?

Chicago tem uma história que começou no Big Bang, Denver tem os anos 90, e a torcida de St. Louis odeia tanto Detroit que assuta. Dito isto, dou o título aos Anaheim (Mighty) Ducks.

São cinco séries de playoffs entre os dois na história, com vantagem de 3 a 2 para Detroit. O problema é que, desde que Anaheim se tornou relevante, são 3 séries, com vantagem dos Super Patos. No geral são 14 vitórias de Detroit contra 11 de Anaheim, mas se desconsideramos as varridas da era-Kariya/Sellane, Detroit tem 6 vitórias e 11 derrotas.

Para piorar a confiança indo para este jogo, no gol teremos novamente Jimmy Howard. Não me entendam mal, eu quase gosto do garoto e quero que ele se dê bem, mas ele nunca é confiável. Ele sofreu um gol em cada uma das últimas duas partidas, mas sabe quantas vezes ele emendou partidas seguidas de um gol ou menos em Grand Rapids? Apenas uma vez, em 186 jogos.

O grande problema do jogo de Howard sempre foi a falta de consistência, e a consequência é falta de confiança (rebotes são um problema, mas são contornáveis). Uma sequência de três jogos, com os dois primeiros muito bons, pode ser aquilo que ele precisava. Mas tenho certeza absoluta que, se não fosse a gripe, Chris Osgood estaria no gol hoje.

E claro, o jogo é num sábado.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Isso é Detroit

Nos últimos 6 jogos, 5 vitórias. Desprezando o jogo desprezível contra Toronto, são 5 vitórias, 19 gols marcados e 4 sofridos. Aí, sim.

O placar de hoje foi 3 a 1 para os Wings, gols de Tomas Holmstrom (líder do time com 9), Henrik Zetterberg e Nicklas Kronwall (5 pontos nos últimos 2 jogos). O gol de Kronwall foi sem goleiro, num lance em que o defensor obviamente tentava se livrar do disco. Mais um lance para aqueles que adoram as bordas da Joe Louis Arena.

Kronwall foi um destaque, mas "o" destaque foi Jimmy Howard. Howie foi bem mais uma vez, mostrou um melhor controle de rebotes (menor quantidade e maior qualidade, rebatendo para os lados). The Jimmah!, jogando pela segunda noite consecutiva, parou 31 de 32 chutes (56 de 58 nos dois jogos).

O estreante Drew Miller foi aquilo que se esperava, muito esforçado e pode preencher bem o elenco destroçado por lesões de Detroit. E uma pergunta sobre meu garoto Darren Helm: ele parece jogar 75 minutos por jogo, mas nunca anota pontos. Como assim? De qualquer jeito, continue assim, Tazmania all the way.

Próxima partida é sábado, no Joe, contra os (Mighty) Ducks.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Jogo da vida

Na verdade, todo jogo para Jimmy Howard é seu jogo da vida.

Hoje à noite ele vai ter outra chance, sua segunda partida em dias seguidos, já que Chris Osgood está gripado (gripe comum, não suína). No banco vai estar Daniel Larsson, puxado da AHL.

Todo jogo dele é o da vida, mas esse é essencial. Vamos ver como ele vai lidar com seu "inimigo" sentado a poucos metros de distância. No ano passado Larsson conseguiu competir com Howard pela vaga de titular em Grand Rapids, e existem chances de isso acontecer de novo.

Quem vai estrear pelos Wings é o recém-chegado Drew Miller. Ele entra no lugar de Kirk Maltby, também gripado (também comum) na 4ª linha. O provável time para esta noite é:

Homer-Datsyuk-Tuzzi
Leino-Zetterberg-Cleary
Drapes-Helm-Eaves
Miller-Abdelkader-May

Lidstrom-Rafalski
Kronwall-Stuart
Lebda-Ericsson

Howard-Larsson

O time de Vancouver tem alguns problemas. Cinco jogadores estão machucados, inclusive uma das irmãs Sedin; Darcy Hordichuk foi suspenso pela Liga esta tarde; Roberto Luongo faz seu primeiro jogo voltando de uma micro-fratura na costela.

E vai acontecer mais uma cerimônia para Steve Yzerman, com entrega de placa e tudo mais. Que o time não se distraia (de novo).

Vingança

Lembram da derrota por 8 a 2 em casa em março? Podem esquecer.

A vitória por 9 a 1 em Columbus, num jogo em que os Blue Jackets se esforçaram para jogar o pior hóquei possível, exorcizou aquele demnônio. Pena que não foi num sábado.

O time das Jaquetas Jeans cometeu erros estúpidos com frequência, e Detroit finalmente soube se aproveitar disso. Os 12 minutos o placar era 4 a 0, com os três primeiros gols surgidos de saídas de jogo erradas de Columbus. Dan Cleary, Pavel Datsyuk e Kris Draper foram os encarregados de mandar Steve Mason para o chuveiro mais cedo, e Nicklas Kronwall marcou em Mathieu Garon.

O treinador das Jaquetas, Ken Hitchcock, estava no banco pela milésima partida, e possivelmente a festa (?) fez com que ele tomasse uma decisão estúpida: voltar para o segundo período com Mason (3 gols sofridos em 6 chutes) e não Garon (1 em 12). A partir dali foram mais 5 gols (Todd Bertuzzi, Ville Leino, Kronwall e Abdelkader, duas vezes). Como de costume, o gol de Columbus foi marcado por Rick Nash.

No nosso gol estava The Jimmah! Howard, que não foi muito exigido mas foi seguro, com 25 defesas em 26 chutes. Howard foi bem melhor que o candidato ao troféu Vezina do ano passado, que ficou em risíveis 19 de 27.

O jogo foi aquilo que exigimos faz tempo: os Wings jogaram pelos 60 minutos, não descansaram com a liderança, e realmente pisaram na garganta do adversário. Columbus errou tanto porque os Wings marcaram pressionando a defesa Azul, e (é óbvio) deu certo.

Só quero ver fazer isso com algum time de verdade (sim, os Wings estão atrás de Columbus na classificação, o que na lógica faz com que Detroit não seja um time de verdade. Esquece a lógica).

Foi a primeira vez que Detroit marcou 9 gols num jogo desde 11 de outubro de 2006 (9 a 2 em Phoenix), e só a quarta nesta temporada que fez mais de três gols.

O próximo jogo já é nesta noite, contra o Vancouver Canucks. Chris Osgood no gol, e o fato de Brett Lebda ter jogado ontem pode significar que Derek Meech vai para o jogo. Jogos em noites seguidas também podem fazer com que Drew Miller tenha de estrear hoje.

(Sendo a primeira partida em casa depois da inclusão se Steve Yzerman no Hall da Fama, tenho medo. Os Wings parecem se desconcentrar sempre que tem alguma coisa diferente no jogo -o jogo contra Toronto, em entrega de anéis e por aí vai)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Severino

Para dar uma força enquanto os contundidos se recuperam, os Red Wings buscaram na Desistência o atacante Drew Miller, irmão do goleiro Ryan Miller.

Miller, de 25 anos, está em sua terceira temporada na NHL. Escolhido na sexta rodada do recrutamento de 2003 pelo Anaheim Ducks, marcou seis gols e 15 pontos em 67 jogos na carreira, dividida entre Anaheim e Tampa Bay.

Seu contrato é de duas vias, com salário de US$ 525 mil na NHL e de US$ 105 mil na AHL.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O maior de todos está de volta — ou quase

Meu companheiro de blog Guilherme Calciolari refere-se a Darren Helm como "Deus".

Mas Helm é um deusinho, no máximo, se comparado ao verdadeiro herói, ídolo, mártir, salvador, messias, oniponente, onipresente, intangível, intocável, inexorável, infindável, incontável, inigualável Darren McCarty.

A notícia do século dia: McCarty foi contratado como novo comentarista da Versus.

Sua estreia na televisão acontecerá no dia 23 de novembro, justamente no jogo entre Detroit Red Wings e Nashville Predators, em Smashville.

De repente os comentários ficaram mais interessantes que o jogo em si.

E no time onde Ville Leino tem vaga na segunda linha, com Henrik Zetterberg, McCarty seria ponta-direita da primeira linha, organizador de vantagem numérica, matador de penalidades, goleiro, treinador e espancador de tartarugas.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Obrigado, Capitão!

Por Mitch Albom (terça-feira, 4 de julho de 2006, Detroit Free Press [um dia depois da aposentadoria de Yzerman])

No dia que em que foi recrutado, um garoto cabeludo com uma voz gentil e nervosa, ele prometeu fazer seu melhor, e ainda avisou seu entrevistador que, às vezes, tentava até demais. Quem diria que isso era até mesmo falar pouco dele? Ele fez tanto por esse time e esta cidade que não tem como explicar –e impossível repetir. Steve Yzerman, o homem, vai acordar hoje como um jogador de hóquei aposentado e seguir com sua vida.

Mas Steve Yzerman, o conceito, já se foi.

O Capitão Eterno pendurou os patins, agora oficialmente, depois de meses de especulação, e não veremos mais alguém como ele. Um cara que jogue mais do que duas décadas por uma cidade, que lidere seu time praticamente por todo esse tempo, que personifica o uniforme, o prédio, os corredores, o próprio gelo.

Não é exagero dizer que sua face poderia estar no dinheiro de Detroit, e nenhuma camisa foi usada mais vezes pelos moradores de Detroit do que qualquer outra camisa, sapato ou gravata. Se você mora nessa cidade, você se lembra onde estava quando Steve Yzerman levantou a Copa pela primeira vez, o flash das fotos refletindo em seu sorriso não tão cheio de dentes. Você se lembra dele acenando no desfile. E não importa onde você estava ontem –trabalhando, em casa, viajando neste 4 de Julho –quando você soube, te atingiu do mesmo jeito.

Os Red Wings vão mesmo entrar no gelo esta temporada sem o nº 19. Ele não vai estar machucado, ele não vai voltar.

Vai estar assistindo, assim como nós.

O Capitão Eterno não patina mais. Muitos prêmios, lesões até demais.

“Quando estou no gelo, com todos os torcedores, me sinto uma criança querendo agradar seus pais a cada passo”, disse Yzerman na coletiva de imprensa.

E á exatamente assim que os torcedores se sentem hoje: seu garotinho cresceu, se mudou, conseguiu um emprego que e não mora mais nessa casa.

É claro, Steve Yzerman ainda está vivo, apenas parou de jogar. E devemos dar uma festa, não organizar um velório. Ele veio para cá sonhando em ser o melhor, e sai do jogo não pelo drama, idade, contratos, dinheiro, gerência ou o jargão de estar com a família.

Ele sai do jogo assim como entrou, com o sonho de ser o melhor. Infelizmente, esse sonho agora não é realista.

É o que ele mesmo disse. Disse que questionava suas condições de fazer o que sempre fez. Muitas lesões, muitos quilômetros. Disse ter se tornado um “jogador em meio-período”. Especialistas já diziam isso há algum tempo, mas um verdadeiro guerreiro nunca ouve vozes que não a sua. E quando essa voz fala, ele obedece.

O Capitão Eterno não patina mais.

Assim, após 22 temporadas, três Copas Stanley, dez participações no Jogo das Estrelas, um ouro olímpico, incontáveis fãs femininas, infinitos fãs barrigudos, mais cirurgias e recuperações que um ser humano merece sofrer, Yzerman anunciou sua decisão junto com os homens que o trouxeram ao time, Mike Ilitch e Jimmy Devellano.
Mas havia outras coisas em vota dele, no ar, em seus ombros, acontecendo entre cada gesto, com a corrente de lembranças que corre pela cabeça de qualquer torcedor deste time.

Aqui estão minhas lembranças:

Lá está Steve Yzerman numa manhã no fom dos anos 80, indo para seu carro no areporto, depois dos Wings perderem a final de Conferência para os poderosos Edmonto Oilers. “Eles não são imbatíveis”, diz Yzerman, olhando para o futuro.

Lá está Steve Yzerman, anotando pontos e mais pontos, como uma máquina, considerado um dos melhores jogadores de sua época –a época de Grezky e Lemieux –e ainda assim se desculpando a uma fotógrafa por falar palavrões depois de uma penalidade.

Lá está Steve Yzerman, conversando com Jacques Demers, que o adora, e Bryan Murray, que o adora, e Scotty Bowman, que o adora, e Dave Lewis, que o adora, e Mike Babcock, que não consegue evitar adorá-lo, também.

Lá está Steve Yzerman, se chocando com as traves, sendo carregado do gelo. E lá está Steve Yzerman, caido como se acertado por um tiro, um disco que não acerta seu olho por milímetros.

Lá está Steve Yzerman se casando. No nascimento de sua primeira filha, e da segunda filha e da terceira filha. Lá está Steve Yzerman com cabelo comprido, com cabelo curto, quase sem cabelo. Lá está ele com o olho roxo, os pontos no lábio, as novas cicatrizes.

Lá está ele, ano após ano, no vestiário dos perdedores, indo para casa cedo demais, numa camisa pólo num ano, um casaco xadrez no outro –por que me lembro desses detalhes? –explicando porque seu time perdeu, o que deu errado, num discurso sombrio, sem emoção, imaginando se um dia viria a ganhar.

E lá está ele, ganhando o campeonato de 1997, encharcado em champanhe no vestiário, abraçando a todos, sorrindo à toa, falando a frase engasgada há tanto tempo, quase às lágrimas:

“Eles sempre dizem ‘ele é um bom jogador, mas não ganhou’. Não podem mais dizer isso”. Olhando em meus olhos, ele repete: “Não importa o que aconteça, não podem dizer isso, sabe?”

Sim, sabemos. Ele sabe. O mundo sabe.

Naquela hora, acreditamos que o Capitão Eterno poderia ser eterno. O homem certo, na cidade certa.

Mas homens envelhecem, o tempo pasa e decisões são tomadas. Essa é a certa. O fato é, muitos se perguntavam se ele pararia depois da Copa Stanley de 2002. Muitos próximos a ele pensaram que iria parar depois da temporada de 2004, com a lesão no olho e o locaute em seguida.

Sim, vimos traços do velho Yzerman nesta temporada, enquanto ele se aproximava de seu 41º aniversário. E sim, pela única fase dos playoffs, ele foi o jogador mais motivado –senão o melhor.

Mas era doloroso vê-lo jogar. Sim, pelo menos para aqueles que amavam seu mito e queriam vê-lo intacto. Seu joelho direito está além de ruim. Posso jurar que só aguenta por que está ligado ao coração.

E ele tira a camisa, e eles tiram seu nome dos armários, e eles aposentam seu número, e tudo mais o que pensarem. Yzerman nunca foi dessas coisas. Forasteiros nunca compreenderam a obsessão de Detroit por este cara, mas ele simboliza o que sentimos, nossa maneira de abordar as coisas, nosso jeito de sonhar. Ele um jogador de hóquei, não o maior dos esportes; tinha 1 metro e 80, não o maior dos homens; jogava em Detroit, não a maior das cidades.

Mas ele pensava grande. E nunca parou de tentar. E nunca perdeu a simplicidade. E finalmente, 14 anos após entrar na Liga, numa idade em que quase todos teriam desistido, ele realizou o maior de seus sonhos.

E é isso que queremos para nós. É com isso que os trabalhadores sonham ao colocarem a cabeça no travesseiro, uma chance para realizar seus sonhos. É a razão pela qual vão haver muitos capitães em Detroit, mas nenhum outro com letra maiúscula.
E é essa a diferença, a única diferença.

“Eu fiz o melhor que pude”, ele disse na coletiva. Esse foi seu resumo, e foi exatamente o que ele prometeu quando chegou. Steve Yzerman, é, acima de tudo, um homem de palavra, e sua palavra era boa, e ele era bom, e seu conceito bom. Melhor do que bom. Era o melhor dos conceitos, um homem em um lugar por um time em uma cidade, se despedindo e recebendo, em troca, um mar de admiradores numa saudação de adeus, digna de um capitão.

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Matéria original (para cadastrados)
http://mitchalbom.com/journalism/article/4656

domingo, 8 de novembro de 2009

O "C" é de caráter

Por Mitch Albom (sábado, 11 de maio de 2002, Detroit Free Press [o aniversário de Yzerman é 9 de maio])

Steve Yzermean está em seu carro, indo para o treino. Não que ele trabalhe muito nos trabalhos hoje em dia, afinal seu joelho não aguenta, e veteranos como ele não precisam aprender muitas coisas.

Mas ele vai. Vai porque deve estar lá. “Se o treino é às 11 horas, não posso chegar às 11:15 e fingir que está tudo bem”.

“Não se pode tirar vantagem de seu status. O outros caras podem não falar nada para não causar mal-estar, mas eles se perguntam por que deveriam ir ao treino se eu não não vou. Cria atrito”.

Engraçado, nessa semana outra estrela do esporte, Allen Iverson, 10 anos mais jovem que Yzerman, reclamou que seu treinador estava exagerando o fato dele faltar aos treinos.

“Sou a cara da franquia e tenho que falar de treino? Mesmo?”, disse Iverson.

Bem na verdade, não é o treino, é caráter. Aquilo que Yzerman tem de sobra, e Iverson ainda não. O caráter de Yzerman é quase palpável, tanto que não são raros os momentos de exagero qanto ao jogador, como os narradores que insistem que Yzerman está jogando com uma perna.

Não é bem assim, você joga com uma só perna e cai no chão. Yzerman não é um aleijado, um mártir da resistência.

“Só machuquei o joelho, é só isso. Não melhorou, nas não piorou. Não estou jogando em uma perna ou coisa assim, é só... ah, você sabe”.

Sabemos, é só mais um elogio. No fim das contas, só mais um bom aniversário [vitória por 4 a 3 sobre St. Louis no jogo 4 da semifinal de conferência].

É bom elogiar Yzerman, até porque ele não gosta muito disso. Na quinta-feira ele jogou da maneira certa para levar um time à vitória. Sim, ele marcou um gol (por acidente), mas os pontos foram de menor importância. Teve o esforço, a persistência. Foi a tempestade de trancos dos Blues que queriam anulá-lo.

Tentaram, não conseguiram. Lembrem de Chris Pronger, que tentou acertar Yzerman, que por sua vez de defendeu apenas se abaixando, parecendo saído de um filme de Jackie Chan. Pronger virou sobre ele e caiu sobre seu joelho direito, e vai ficar de fora do resto dos playoffs [acabou sendo só mais um jogo].

“Foi sem querer, ninguém quer ver alguém se machucar”. Yzerman conhece o outro lado da história. Em outros anos, poderia ser ele mancando nessa hora. Já conteceu, vezes demais.

Mas nesses playoffs, ainda está de pé. Nem ele nem seus companheiros sofreu alguma lesão. E em grande parte pela saúde, os Wigns jogam hoje o jogo 5 na Joe Louis Arena a apenas uma vitória da final de Conferência.

Então foi uma boa noite para Yzerman, em seu aniversário. Ele voou para casa com o time, entrou no carro e foi para casa. Ele não fala, mas é de se imaginar que estivesse orgulhoso de si. Afinal de contas, jogando contra caras 10 ou 15 anos mais jovens, ele foi o melhor da partida.

Como ele comemorou?

“Na verdade, só pensei uma coisa sobre meu aniversário. É que quando eu cheguei em Detroit os Wings tinham pegado Brad Park, e eu sempre admirei Brad Park. Mas ele tinha 37 anos, e eu pensava ‘uau, 37 anos, mulher e família’. E hoje esse sou eu”.

Pergunto se ele é mais jovem aos 37 anos do que Park era nessa idade.

“Sim, pelo menos me digo isso.Mas é claro, temos Igor Larionov aos 41 anos, Chris Chelios com 40. Eu ainda não sou o cara velho do time”.

Ele ri, e posso ouvir o vento pelo telefone. Penso que estamos nos aproximando do fim de uma era, a era de veteranos passando a carreira inteira em uma cidade, indo aos treinos em dias ensolarados sem reclamar.

Ele está, por enquanto, tendo a pós-temporada se seus sonhos. Lidera o time em gols, pontos, gols da vitória, e claro, respeito. O tipo de respeito que faz com que até mesmo uma estrela como Brendan Shanahan admitir que “quando Yzerman fala, as pessoas calam a boca e ouvem”.

Pode ser, pelo menos no vestiário. Em seu aniversário, yzerman chegou em casa às 2:30 da manhã do dia seguinte. Sua mulher, suas filhas e seu cachorro estavam dormindo.

Ele também foi dormir, e no dia seguinte foi para a Arena. “Sou a cara da franquia e tenho que falar de treino?”, disse Iverson.

Aqui está a cara de Detroit, joelho machucado, depois do aniversário, e nem pensaria em outra coisa que não o treino. Existem várias razões para querer que os Wings ganhem esse ano. Uma delas é para festejar com um bolo e velas.

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Matéria original (para cadastrados)
http://mitchalbom.com/journalism/article/2111

Red Wings e Real Madrid

Dois times ricos. Dois times famosos mundialmente. Dois times tradicionais. Dois times amaldiçoados.

Vocês já devem ter ouvido falar sobre o bruxo Pepe (?), que vira e mexe é contratado para fuder com a vida atrapalhar a carreira de alguns jogadores do clubes espanhol, como Ronaldo Fofômeno, David Beckham e, atualmente, Cristiano Ronaldo.

Desconfio que existe algum Pepe (!!!) perdido em Detroit, alguma alma funesta que prefere o irritante time de cestobol ou o fantástico Detroit Lions. Desde a temporada passada:

  • Andreas Lilja sofre uma concussão em uma briga
  • Marian Hossa com o ombro machucado
  • Pavel Datsyuk sem músculo da coxa e com um pé só
  • Tomas Holmstrom sem joelho
  • Brian Rafalski com hérnia
  • Jonathan Ericsson com apendicite
  • Kris Draper com problemas na cartilagem do pescoço (como assim?)
  • Nicklas Lidstrom quase ficou estéril
  • Henrik Zetterberg com problema nas costas
  • Darren Helm detona o ombro
  • Zetterberg, Dan Cleary, Jason Williams e Todd Bertuzzi com problemas na virilha
  • Johan Franzén detona o ligamento do joelho
  • Valtteri Filppula quebra o pulso
  • Patrick Eaves se machuca bloquando chutes
  • e a mais nova: Williams quebrou a fíbula na partida contra Toronto
Isso mesmo, J-Will fraturou a fíbula direita num lance em que se enganchou com Jeff Finger, e Mike Babcock estima que Jason volta em 8 semanas, mas a localização da fratura (logo acima do calcanhar) pode afastá-lo do elenco por até 12 semanas.

Por sinal, o jogo foi ridículo. 5 a 1 para Toronto, ninguém funcionou, e os melhores Red Wings da partida foram Steve Yzerman, Brett Hull e Luc Robitaille, homenageados antes do início da festa das Folhas de Bordo.

Mas o jogo é o de menos, e peço um esforço de cada um de vocês: tentem se lembrar se durante esse ano vocês molharam alguém na calçada num dia de chuva, chutaram um filhote de cachorro na rua, fizeram uma criança chorar, falaram que Curtiram A Vida Adoidado é estúpido, ou qualquer outro desses pecados capitais que podem fazer com que os deuses da borracha vulcanizada nos odeiem.

Que Yzerman nos ilumine.

sábado, 7 de novembro de 2009

Bebê Yzerman, ouça uma história sobre seu pai

Por Mitch Albom (quarta-feira, 22 de abril de 1998, Detroit Free Press)

Para: Garotinha Yzerman

Assunto: Sua mensagem de aniversário

Cara recém-nascida,

Quando você ler esta carta, muitas coisas terão mudado. Vamos estar em outro século, teremos um novo presidente. Quem sabe já teremos parado de assistir Titanic.

Além disso, quando você tiver idade para ler isso, seu pai pode não estar mais jogando hóquei, pode estar aposentado, vivendo uma vida sossegada com você, sua mãe e sua irmã mais velha, polindo seu anel (ou anéis) da Copa Stanley, seguindo uma nova carreira.

Então qual é a graça desse velho jornal que você encontrou, que já deve estar amarelo e se desfazendo? Bem, como você deve saber, pessoas ganham presentes no aniversário. Então considere essa coluna –escrita pouco depois de seu nascimento –um presente que você abre anos depois, como um horóscopo ao contrário, já que não posso ver seu futuro.

Mas posso falar sobre seu passado.

Para ser mais específico, sobre seu pai. Como sua mãe, ele é uma pessoa especial. Uma pessoa quieta, que talvez não tenha te contado sobre 1997, o ano em que levantou uma cidade aos ares dentro de uma taça prateada. Você deve se orgulhar disso. Seu pai foi um herói naquele dia. Não um herói de mentira, não um daqueles que ficam famosos por acidente ou ambição. Um herói de verdade, cuja coragem e paciência foram recompensados com o maior prêmio de todos.

Você deve ter visto fotos dele sorrinda com a Copa Stanley acima da cabeça, a Copa que que ele ajudou os Red Wings a ganhar depois de quatro décadas de decepção. Você deve ter perguntado: “pai, cadê seu dente?”

Nós também perguntamos, claro, sem chamar de pai.

Mas o importante daquela foto, na verdade, é o legado.

O que significa “legado”? Hum... Pergunte para sua mãe.

Veja só, muitos em Detroit conheceram seu pai com os anos. O chamamos de Capitão, ou Stevie Y. Ele simboliza muitos de nós nessa cidade, gente trabalhadora que nem sempre ganha o que merece, mas não reclama e trabalha duro acreditando no futuro.

Seu pai sempre acreditou no futuro, e não era fácil. Em algumas noites dos anos 80, ele se perguntava se seu time algum dia iria ganhar. E mesmo quando ele era um dos melhores em seu esporte, em muitos Maios e Junhos ele só conhecia o hóquei pela TV.

Ele nunca desistiu. O joelho de seu pai, em certas noites, doía e era possível senti-lo latejando como um coração. Em certas noites acabava mais uma temporada decepcionante, e sua alma doía tanto que parecia que a qualquer momento ele iria explodir.

E ele sempre voltava no ano seguinte, pronto para tentar de novo. Seu pai usava um “C” no ombro, que significava capitão, mas também significa tentar e não desistir.

Finalmente, em 1997, eua perseverança foi recompensada. Seu pai e os companheiros de Red Wings ganharam o campeonato da NHL. Aconteceu um grande desfile, um milhão de pessoas apareceu. Foi um momento espetacular, um momento que seu pai esperou muito anos para participar. Afinal, já tinha 32 anos.

Velho, né?

E agora, hoje, no dia que essa coluna é publicada, ele vai começar algo ainda mais difícil de conseguir. Vai tentar liderar esse time a mais um título. Dessa vez, os Wings não serão uma surpresa, todos esperam por eles.

A cidade inteira fala sobre isso. A cidade inteira se pergunta se o time pode conseguir mais uma vez., se podem defender sua coroa, se o jovem goleiro [Chris Osgood] pode suportar a pressão. E bem nesse hora em que entramos em guerra –você vem ao mundo.

Seu pai tem prioridades, estava lá com você.

Entenda, o trabalho de seu pai traz coisas muito perigosas. É o ego, o egoísmo. Antes que você perceba, está afogado em si mesmo, cheio de si, só pensando em vencer.

Seu pai nunca cedeu à isso, sempre fugiu disso. Em vez de ficar com o time nesses últimos dias, ele esteve com sua mãe, afinal queria estar por perto quando você nascesse. Falei com seu pai logo depois de sua chegada, e ele falava como se fosse o próprio bebê, extasiado por tê-la em sua vida, feliz por sua irmã ter com quem brincar. Muitos pais querem filhos homens, mas não o seu: “Estou emocionado por ter outra filha, e tudo o que importa é que ela está aqui”.

E é claro, ele estava certo. O que importa é que você está aqui. Todo esse hóquei que as pessoas ficam falando? Sim, é legal. Mas não é o que vale na vida. O que vale é a família e as pessoas que você ama.

Seu pai sempre soube disso, sempre foi esse tipo de homem. E claro, é um dos jogadores mais corajosos que já conheci.

Certo, só queria que você soubesse dessas coisas, agora que já tem idade para entender. Você deve saber que seu pai é uma pessoa maravilhosa, e sua mãe também. Não é fácil ser casada com um atleta, sabia? É uma montanha-russa de emoções.
O que é “montanha-russa de emoções”? Hum... Pergunte à sua mãe.

Enquanto isso, parabéns por aprender a ler. E obrigado por nascer quando nasceu. Sabe, a gente aqui de Detroit leva hóquei muito a sério, às vezes até demais, e nada como uma criança para nos lembrar que a vida não termina ou acaba com a Copa Stanley –embora a gente sinta isso.

Espero também que você ganhe tudo o que quer de presente.

Parabéns,
Mitch Albom

P.S. Provavelmente, quando você tiver seus 21 anos, mulheres vão jogar na NHL, então não esqueça de nós, está bem? Seria tão bom ter mais um(a) Yzerman no elenco.

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Matéria original (para cadastrados)
http://mitchalbom.com/journalism/article/1985

Alguém, por favor, desenterre o sapo

Detroit está numa sequência de 3 vitórias, nos quais cedeu apenas dois gols e o time de desvantagem numérica funcionou bem. Mas claro, nunca está tudo bem.

Um dos destaques das últimas partidas, Patrick Eaves, se machucou bloqueando um chute (PQP) com o pé esquerdo no jogo contra San Jose. Nada está quebrado, mas no momento Larry não consegue nem calçar o patim por causa do inchaço.

Para seu lugar hoje vem Brad May, de volta após uma semana, depois de ter sido acertado no olho pelo taco de Jason Williams ao se sentar no banco (PQP). May deve ser útil numa partida contra os Maple Leaves Leafs, já que o GM de Toronto é Brian Burke, o Don King do hóquei.

Vale lembrar que nessa temporada Darren Helm machucou o ombro após tropeçar no taco de um companheiro num treino, e Mula Franzén machucou o joelho e continou jogando, inclusive fazendo um gol, para depois ser divulgado que vai ficar de fora por no mínimo 4 meses.

Pelamordedeus, alguém desenterra o sapo!*

Oontem o treino apresentou essas linhas:

Bertuzzi-Datsyuk-Holmstrom
Cleary-Zetterberg-Williams
Draper-Helm-Leino
May-Abdelkader-Maltby

Lidstrom-Rafalski
Kronwall-Stuart
Ericsson-Lebda

Osgood deve começar no gol.

*Me refiro ao sapo que Vicente Matheus desenterrou de trás de um dos gols do Parque São Jorge, e teoricamente seria o culpado pelo jejum de 22 anos sem título do clube.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O objetivo final: um Campeonato para a o time e a cidade

Por Mitch Albom (sábado, 7 de junho de 1997 [dia do jogo 4 entre Detroit e Philadelphia])

Sua esposa diz que ele entra em casa e olha através dela. Senta a mesa ou no sofá, mas parece olhar através dela. Claro, ele tenta ser agradável, conversa sobre a filha ou sobre a casa – nunca sobre hóquei – mas não está realmente lá. Seus olhos fixados em alguma coisa bem longe. Nesse sentido, imagino, Steve Yzerman é como muitos pais de família. Ele não quer falar sobre isso.

Mas aquilo que ele não expressa hoje não é frustração ou vergonha, ainda que, como todos nós, ele tenha algumas. Não, o que cala Yzerman é a aproximação de um tsunami de felicidade. Ele pode escutá-lo chegando à cidade, o vê no horizonte. Se pergunta, “o que faço agora?”

Isso é o que ele faz, mergulha em si mesmo. Para de ler jornais, ouvir o rádio ou assistir televisão, franze as sobrancelhas e fala menos que o normal, afinal a batalha não terminou, ainda não, ainda não e, numa atitude típica do homem que Detroit chama de Capitão, ele tem no silêncio seu maior aliado. A quietude é sua amiga, vai patinar ao seu lado esta noite, e Yzerman vai se acalmar, dizendo a si mesmo que, por baixo da chuva de gritos e aplausos, é um jogo com qualquer outro, só mais uma noite para suar baldes e fazer o que for preciso para ganhar.

E é claro, seu coração vai bater um milhão de vezes por minuto.

Ao entrar no mundo de escrever sobre atletas, você faz um acordo de nunca perder o foco, sempre ficar um pouco afastado e não idolatrar ninguém. Eu posso quebrar esse acordo hoje. Steve Yzerman, um dos verdadeiros cavalheiros no mundo dos esportes, chegou a Detroit pouco antes de mim, em meados dos anos 80.

Nos conhecemos desde então, desde que ele era muito jovem para beber, desde que morava sozinho num apartamento, desde que nós dois tínhamos cabelo o bastante para fazer tranças.

Agora ele é casado, um pai, mora numa casa nova. Tem 32 anos, e está possivelmente no seu último contrato como jogador. Ele tem mais cicatrizes e menos cabelo do que quando era um garoto tímido de 18 anos saído dos subúrbios de Ottawa. Na verdade, parece que conhecemos cada ângulo de Yzerman, exceto um: nunca o vimos sorrindo no último dia da temporada.
Hoje à noite, em algum momento antes da meia-noite, pode finalmente acontecer. E quando acontecer para o Capitão, vai acontecer para nós.

Houve um momento, antes do jogo 3 das Finais, quando os Wings foram apresentados e a Joe Louis Arena, lotada, esteve fora de controle. Foi quando o nome de Steve Yzerman foi dito. O barulho era ensurdecedor, atingia o teto e voltava ao gelo. O locutor se silenciou, esperando a hora em que o sistema de som voltasse a ser mais alto que a torcida.

“Eu não esperava nada daquilo, Só consigo descrever como se você tem filhos, e ficou fora por um tempo, e você volta para casa, o cachorro está latindo e as crianças vem correndo todas agitadas... É como voltar para casa”.

E é por isso que O Capitão significa tanto para essa cidade. Porque nesses anos todos, ele se tornou uma parte de nós, mais um entre os cidadãos trabalhadores que às vezes se encontram em situações complicadas, mas sempre acreditam que tudo vai dar certo. Acreditem, Yzerman já teve que falar “as coisas vão melhorar” muito mais vezes do que nós.

Ele falou nos anos 80, quando o time era ma piada. Falou no começo dos anos 90, quando St. Louis, Toronto e San Jose mandaram os Wings para casa mais cedo. Falou dois anos atrás, quando New Jersey envergonhou Detroit frente ao mundo todo. As coisas vão melhorar, elas tem que melhorar.

Ele até disse isso no começo da temporada, quando virou isca para trocas, lembra? Boatos que seu armário já estava vazio e tudo. Então ele pisou no gelo da Joe Louis Arena, na primeira partida em casa na temporada, e a multidão lhe aplaudiu freneticamente, uma ovação tão intensa que faria com que qualquer um que simplesmente pensasse em trocá-lo tivesse que entrar no Programa de Proteção a Testemunhas. Naquela noite Yzerman se tornou um Red Wing pelo resto da vida.

Esta noite, ele vai entrar para a história.

“Passa pela cabeça, ‘e se ganharmos’”, ele admitiu na sexta-feira, “mas estou me esforçando para afastar esse pensamento. O que funcionou para nós até agora foi ignorar tudo ao nosso redor e só jogar hóquei”.

Yzerman inspirou essa filosofia. Depois da segunda derrota para St. Louis na primeira rodada, ele fez um raro e breve discurso. Disse o que era preciso ser dito, “não vamos sair de novo, todos tem que se entregar no gelo”.

De lá para cá os Wings se tornaram uma máquina, vencendo 13 de 15 jogos, e estão a uma vitória da Copa. Só esse discurso poderia lhe valer o troféu Conn Smythe [MVP dos playoffs], mas ele vem demonstrando com ações aquilo que falou. Ele arma jogadas, é fantástico na defesa, trabalha tão (ou mais) do que qualquer outro no gelo, e tem um gol chave em cada jogo decisivo –já são sete nesses playoffs –e é o cara que me disse, algumas semanas atrás, “ninguém nunca disse que eu era bom na defesa até eu parar de marcar pontos”.

A verdade é que Yzerman mudou se estilo de jogo pelo bem do time, qualquer coisa para chegar nessa hora. Ao longo dos anos, ele viu Wayne Gretzky, Mario Lemieux e Mark Messier juntarem anéis de campeão. Ano passado foi a vez de Joe Sakic, outro nº 19 –mais novo mas muito parecido com o antigo Yzerman –fazer o mesmo.

E esse tempo todo, seu dedo não tinha um anel.

Ele nunca reclamou, nunca pediu para ser trocado ou queimou um de seus companheiros menos esforçados. E se você perguntar para os jogadores de Detroit quem deve ser o primeiro a dar uma volta no gelo com a Copa, a resposta será unânime.

“Não apenas seus companheiros gostam e respeitam Stevie, mas os adversários também sentem isso”, disse Darren McCarty.

E veja essa de Joe Kocur, que poderia ver essa conquista pelo ponto de vista de sua virada pessoal, mas diz que “o que vai fazer essa vitória tão especial é poder ganhar ao lado de caras como Stevie”.

É isso que um capitão faz, ele faz com que as pessoas deixem de pensar em si mesmas.

Admito, Steve mudou ao longo dos anos. Ele não é mais o garoto tímido demais para se apresentar a Gordie Howe, ou aquele que se desculpava por xingar ao entrar no banco de castigo.

Hoje ele é mais maduro, moldado pela paciência, endurecido pelas decepções, mas ainda assim gentil o bastante para sempre dar autógrafos a uma criança, nunca ser mal-educado numa entrevista e ficar envergonhado quando elogiado por uma mulher.

Acima de tudo, das lesões, das esnobadas da imprensa nacional, Yzerman é e sempre foi Detroit. Ele começou a carreira de vermelho e vai terminar de vermelho. Sua mãe certa vez me contou que quando ele era pequeno, e ela o levava à escola, às vezes ele voltava para casa logo que ela ia embora.

Ele sempre soube seu lugar, e hoje à noite seu lugar vai ser lá no meio do gelo.

Pergunto se ele está fazendo algo para guardar sobre essa semana, gravando os jogos ou recortando páginas de jornal. Ele responde que não, que só quer se preparar e não baixar a guarda.

Ele está com o mesmo olhar do último jogo, quando o público entrou em delírio ao seu nome ser anunciado, e Yzerman estava dividido entre um momento feliz e o medo de se entregar ao momento. Ele levantou o taco e agradeceu à torcida, mas seu com um olhar de matador.

Mas o tsunami está chegando, e então ele vai poder se soltar. Com uma vitória dos Wings, Yzerman não vai precisar segurar sua emoção, poderá abandonar a solidão. Será o fim da longa e solitária espera. Depois de 42 anos, o time dos trabalhadores vai sentir o gosto de “olha-para-mim-nós-ganhamos” que Edmonton, Pittsburgh e Nova Iorque sentiram. E esse barulho que Yzerman escuta é seu destino chegando. Se a buzina tocar por um final feliz esta noite, nada mais apropriado que o nº 19 começar a festa, levantar a Copa, jogar a cabeça para trás e soltar a fera que é, da brilhante carreira que construiu.

Afinal, ele é O Capitão.

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Matéria original (para cadastrados)
http://mitchalbom.com/journalism/article/1834

De volta para o presente

Dando uma pausa no Especial Yzerman (volta hoje à tarde), vamos lembrar que ontem teve jogo. Na Joe Louis Arena, vitória por 1 a 1 (?) contra o San Jose, nos pênaltis (!).

Começando pelo que deveria ter sido dito antes do jogo, a defesa ontem estava completa, com a volta de Jonathan Ericsson e Brian Rafalski.

O jogo teve cara de pós-temporada, muito intenso e com os goleiros tendo muito trabalho. Devemos destacar o incrível trabalho de Chris Osgood, que teve muito mais trabalho nessa partida do que em seu shutout da terça-feira contra Boston. Ozzie defendeu 33 de 34 chutes, e foi bem na decisão por pênaltis.

O gol dos Atuns foi marcado por Logan Couture, num contra-ataque em que Ericsson caiu no chão e Brett Lebda não marcou ninguém. Péssimo. O gol foi no fim do 2º período, quando os Wings ainda tinham apenas 16 chutes a gol, e parecia que tudo poderia desgringolar (?) dali para frente.

No gelo nesta hora estava a linha de Kris Draper, Patrick Eaves e Darren Helm, que está jogando muita bola. Fora este lance, a força defensiva dessa linha, marcando pressão e com uma velocidade assustadora se fez presente. Muitos trancos e roubos de disco, e algumas boas chances no ataque. Sabendo que Mike Babcock é leitor assíduo do blog (oi, Tio!), peço: não separe esses três nunca mais.

No começo do jogo (logo em seu primeiro turno) Henrik Zetterberg mostrou muita vontade, e deu a impressão que alguma coisa boa ele faria na partida. Dito e feito, aos 5 minutos do último período Hank marcou o gol de empate, e daquele em momento em diante o jogo foi um tiroteio, com 16 chutes a 13 para Detroit. Evgeni Nabokov é um bom goleiro, e foi muito bem ontem, mas é freguês.

O arqueiro San Joseísta deve ter tido pesadelos esta noite com os gols de Zetterberg e Pavel Datsyuk. Belíssimos gols que sacramentaram o placar por 1 a 1 a favor dos Wings (!!!).

Com esta vitória, a terceira seguida, Detroit alcançou 17 pontos, apenas 1 atrás de Columbus na liderança da divisão, e empatado com Chicago no segundo lugar. Isso porque a temporada está ridícula.

O próximo jogo é o comemorativo do fim de semana do Hall da Fama, no sábado, contra os Maple Leaves.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Cicatrizes do passado curariam com a Copa


Por Mitch Albom (sábado, 30 de abril de 1994, Detroit Free Press)

Steve Yzerman parece saído do inferno. O lado esquerdo de seu rosto tem uma marca vermelha da testa ao queixo, e seu lábio superior ainda tem a cicatriz feita por 30 pontos, ficando meio roxo e inchado. Seus dois joelhos estão na “zona de perigo”, um de uma velha lesão e um de uma nova lesão (que os Wings tentam esconder, mas lhes digo que é o ligamento do que costumava ser seu joelho “bom”), e a gravidade dessas contusões faria a maior parte das pessoas nem pensar em correr, muito menos jogar hóquei.

Yzerman não é como a maioria das pessoas. Ele tem cargas extras de coragem e um estoque cada vez mais vazio de paciência. Ele está jogando profissionalmente faz 10 anos, é uma super estrela da NHL, e mesmo assim, a cada primavera, lá está ele lutando por sua vida nos playoffs, tudo para ser eliminado na primeira rodada.

“Outro dia estava pensando em 1987, quando chegamos às semifinais contra Edmonton”, diz Yzerman, depois do treino, de moletom e boné de beisebol. “Eu olho para o vestiário e vejo os pucos caras que sobraram, só Shawn Burr, Bob Probert, Steve Chiasson e eu”

“Minha maior lembrança é que estávamos jogando uma noite, e aquele era o único jogo na TV, nos Estados Unidos ou Canadá. Só quatro times sobraram na pós-temporada, e aquela noite era só nosso jogo. O mundo do hóquei estava nos vendo. Foi uma grande sensação”.

Ele olha para baixo, que sabe se dando conta que o ponto alto de sua carreira foi uma semifinal que terminou em derrota. E qualquer fã de esportes tem que sentir por ele.

Steve Yzerman não precisa de minha simpatia ou da sua, mas converse um pouco com ele e você vai querer ajudá-lo, como ajudaria um garoto que precisa de uma bolsa de estudos ou um motorista com problemas na estrada.

Yzerman também parece meio perdido numa estrada. Pela maior parte de sua carreira ele foi alçado a posição de um dos três grandes da Liga, ao lado de Wayne Gretzky e Mario Lemieux, Mas Gretzky e Lemieux já tomaram champanhe na Copa Stanley mais de uma vez, e agora Gretzky está de fora, e Lemieux fala sobre aposentadoria. Enquanto isso Yzerman, que completa 29 anos mês que vem, diz: “Eles podem se aposentar, já conquistaram tudo o que queriam. Eu ainda estou perseguindo meu sonho”.

Então, pensando nessa última frase, adiciona: “Além disso, não tenho mais o que fazer”.

Isso é mentira, ele tem muito o que fazer. Steve Yzerman agora é pai, se tornou um faz pouco mais de um mês. Ele e sua esposa, Lisa, descobrem a cada dia as maravilhas da criação de um filho, os choros e noites mal dormidas, mas também o novo par de olhos que agora os esperam em casa. Yzerman admite que agora pensa toda hora em ir para casa só para ver a filha. Esse é o tipo de declaração que podemos esperar de um homem.

Mas não é a declaração que ele quer nos jornais. Com certeza Yzerman preferiria uma coluna sobre suas ainda afiadas habilidades ou, melhor ainda, sobre o time. Fale hóquei, ele diria. Mas o fato é que muitos podem patinar e chutar. O que Yzerman fez – jogar em alto nível, ano após ano, se levantar após incontáveis lesões, silenciosamente liderar o time pelo exemplo, nunca reclamar sobre dinheiro, nunca discutir com companheiros, se atirar toda noite num campo de batalha gelado e ainda ter de encarar a imprensa após o último jogo da temporada, explicando em silêncio o que deu errado, porque eles perderam – bem, isso mostra mais que habilidade, mostra caráter.

A cidade de Detroit sabe disso, o resto do país não. Sua hora vai chegar?

Em 1983, quando Yzerman chegou aos Wings, "os caras mais velhos eram Ron Duguay, Brad Park, Johnny Ogrodnick, com 27, 28 anos. Eles tinham famíla, e eu lembro de me sentir bem intimidado".

"Agora eu tenho essa idade, eu tenho família. Eu sou o cara velho. A parte estranha é que nada parece diferente".

A minha teoria é que os sonhos deixam as pessoas jovens. Os sonhos de hóquei de Yzerman, ainda não realizados, continuam adiando o fim de seu arco-íris.

E ele continua lutando para chegar lá. Nós sabíamos que o cara iria se forçar a voltar da sua mais recente lesão, como voltou tantas vezes antes. E ele vai estar lá novamente esta niote, com o "C" na camisa, tentando mais uma vez estender a temporada até maio.

Mesmo assim, todas essas eliminações durante seu auge o devastaram por dentro. Nas últimas férias, após ser eliminado por Toronto e da volta dos irritantes boatos de troca, alguma coisa aconteceu.

"Eu apenas decidi que tinha que parar com isso, de me preocupar se nunca vou ter minha chance. Não consigo mais, é muito cansativo, Vou tentar ser um bom jogador, uma boa pessoa, e as coisas boas podem acontecer. Eu me incentivo, digo que tenho muito hóquei dentro de mim, e assim consigo viver 'em paz'".

Um jornalista nunca deve torcer, regras do trabalho. Mas admito, tem uma cena que eu gostaria de ver antes de parar. Essa cena é Steve Yzerman, depois do último jogo da temporada, gritando de alegria, ao invés de murmurando explicações.

Esse sonho não é exclusivo de Yzerman, eu sei, e poucos chegam lá. Mas quando você pensa em Yzerman, depois de tanto tempo e tantas cicatrizes, não parece ser pedir muito, não mesmo.

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Matéria original (para cadastrados)
http://mitchalbom.com/journalism/article/2763

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O humilde Steve Yzerman se encaixa no papel de herói


Por Mitch Albom (sexta-feira, 9 de dezembro de 1988, Detroit Free Press)

Meu maior medo em relação a Steve Yzerman é que um dia o sucesso o agarre pelo pescoço e diga: "ei, garoto, acorda! Você é uma estrela, pare de tratar todo mundo tão bem!"

Pode acontecer. Muitos atletas surgem como homens humildes e no fim estão arrotando champanhe, e quer saber? Ninguém liga. Não há nada como o estrelato nos Estados Unidos, homens e mulheres bajulam você.

Mas é difícil bajular Yzerman, que gosta de se esconder como um homem normal. Semana passada liguei para ele, perguntei o que ele estava fazendo. "Nada", ele disse, "minha noiva está numa reunião da Tupperware".

Reunião da Tupperware?

Recentemente ele gravou um comercial para a Ford. Não precisou de empresário, apenas entrou na sala, ouviu a proposta e aceitou. "Bem, eu não ganhei nenhum Oscar, então não podia exigir muita coisa".

Na segunda-feira ele ultrapassou um recorde do grande Gordie Howe -- mais jogos consecutivos com no mínimo um gol. Eu pergunto se ele já se encontrou com o Sr. Hóquei.

"Algumas vezes", ele responde. "Ele sempre aparece e vem falar 'oi'".

Você nunca cumprimenta primeiro?

Ele olha para baixo: "Claro que não. Não dá para chegar em Gordie Howe do nada".

Por que não?

"Porque ele é Gordie Howe. O que vou falar, 'ei, Gordie, como vai?'"

Você não acha que chegou nesse ponto?

Balançando a cabeça, "eu nunca vou chegar nesse ponto".

Agora lembrem-se, não estamos falando de Butch Deadmarsh. Esse é o cara que muitos acreditam ser o terceiro melhor jogador da NHL, atrás "apenas" de Wayne Gretzky e Mario Lemieux, É o capitão dos Red Wings, um mago nos patins que parece a "versão hóquei" de um cervo: gracioso, ágil e inteligente. Ele tem 28 gols em 27 jogos nessa temporada, montanhas de assistências, seu passe é certeiro, sua precisão assustadora, é possivelmente o atleta mais famoso de Detroit e com certeza um dos mais queridos no país. Outro dia ele foi a um show de Stevie Wonder, um encontro que poderiam chamar de "Stevie Wonder e Steve Wonderful [maravilhoso]".

E ele tem vergonha de falar "oi" para Gordie Howe? Oh, Yzerman, você não vai durar.

Ainda assim.. bem, quem sabe? Talvez dessa vez seja para valer. Talento e humildade em um só pacote. Você pode jogar as iscas o quanto quiser, ele nunca se elogia, Fale seu nome junto com o de Gretzky e ele se esquiva.

"Não tem comparação entre Gretzky e eu. Ele fez de tudo, ganhou Copas Stanley, liderou a Liga em pontos... Essas pessoas que nso comparam, que diz que ele, eu e Mario somos 1-2-3, é injusto com caras como Mark Messier, Dale Hawerchuk, Ray Bourque. Não dá para comparar".

E Gordie Howe? "Sem chance. Estava vendo seus recordes um dia desses, ele tem marcas que são eternas. Ele jogou numa dinastia, e se um dia virarmos uma dinastia, outros caras vão quebrar recordes também".

Ele cruza as pernas e segura as mãos, parecendo um garoto de 15 anos esperando a mãe levá-lo para o treino. Todo mundo vê Yzerman no gelo, quando está suado, com o cabelo molhado e os poucos pelos no rosto lhe dando um ar de dureza. Mas veja ele em casa qualquer dia. Eu aposto que precisa mostrar a identidade para entrar no cinema.

Por tudo isso sua maturidade surpreende. E saiba que não é só no hóquei, ele é maduro em tudo, nos negócios e na vida, e tem só 23 anos. Olhando para ele, você pensa em colégio, falando com ele, pensa em escritório.

Você sabia que Steve Yzerman está estudando para ser analista financeiro, fazendo um curso na Shearson Lehman Brothers? “Não quero ser o típico atleta burro, quero poder falar de coisas além de hóquei”.

Ele planeja se casar ano que vem com sua namorada Lisa Brennan, data marcada e tudo. Veja só, não quero dizer que ele está desperdiçando oportunidades, mas se levarmos Yzerman a uma casa noturna de Detroit e avisarmos as mulheres que ele está lá, provavelmente ele some do mapa.

Quando perguntado sobre seu fã-clube feminino, ele responde: "Eu sei o que quero da vida. Lisa está comigo desde antes de tudo estar bem, e vai ficar comigo depois. Normalmente, quando a gente sai, eu tento mostrar a todos que estou com ela, mas às vezes as pessoas vem conversar mesmo assim. Se eu esqueço de apresentá-la, ela me chuta na canela".

Como todo capitão, Yzerman aprendeu a conciliar as necessidades do time com as necessidades do público, isso é normal. O que não é normal é a velocidade em que ele aprendeu isso. O que pode irritar Yzerman agora? Quando uma lesão no joelho o afastou da temporada regular ano passado, muitos comentaram, alguns disseram que ele jamais seria o mesmo. O que ele disse? "Vou voltar", e só.

Depois das recentes "escapadas" de Bob Probert e Petr Klima, ele não poupou críticas, nem bancou São Steven para a imprensa. "Acho que já falamos até demais sobre isso", e é verdade.

Quase todo atleta foge da responsabilidade como o diabo da cruz. Ainda assim, nos quatro anos em que o conheço, vi Yzerman escrever pessoalmente um "diário dos playoffs" para um jornal, e esperar até o meio da madrugada no areoporto para garantir que todos os jogadores tinham ido para casa.

Dia desses o analista Don Cherry colocou Yzerman pouco atrás de Gretzky e Lemieux em termos de talento, mas adicionou que, "se perguntarmos para os jogadores, Steve vai ser o mais procurado para sentar e conversar tomando uma cerveja. Ele é o mais comum dos três".

E tem essa história, contada por Mary Schroeder, fotógrafa do Free Press. Durante os jogos ela senta atrás do banco de penalidades da Joe Louis Arena. Sempre que Yzerman é penalizado, vai para o banco soltando palavrões, cobras e lagartos, até ver Mary. "Desculpa, Mary", ele diz, sentando-se mais calmo. Boas maneiras.

Certo, não vamos colocar asas nas costas de Yzerman, que às vezes tem suas manias, fica mau-humorado e é tão quieto que dá raiva. MAs ele pode se tornar uma lenda, o Gordie Howe desta era. Ele já é uma estrela numa equipe à beira da excelência, e tem só 23 anos. Detroit é uma cidade de hóquei, e quanto o time vai bem, os bons são canonizados.

Recentemente seu contrato virou motivo de discussão, afinal e ganha US$ 385 mil por ano, enquanto Gretzky e Lemieux ganham por volta de US$ 2 milhões. Ele diz que tudo vai dar certo, que não precisa conversar sobre isso com a mídia. "Não sei porque não podemos conversar, as partes entrando em sintonia". Yzerman, de que planeta você veio?

Quem sabe? Talvez os Bobby Knights, Joaquin Andujars e Jim McMahons nos estragaram. Talvez existam caras legais que só querem jogar bem e casar com a namoradinha de colégio. É difícil escrever boas coisas sobre atletas hoje em dia, afinal no momento em que o jornal chega na banca, o jogador é preso.

Não acho que isso vá acontecer com Yzerman, pode ser palpite ou fé cega. Agora o livro dos recordes de Detroit tem um capítulo onde Yzerman é o primeiro e Howe o segundo, e imagino que não será o último. Mas claro que posso estar errado.

Yzerman, você está feliz com sua imagem hoje? "Hum... não sei qual é minha imagem".

Eu não estou errado.

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Matéria original (para cadastrados)
http://mitchalbom.com/journalism/article/600

Steve Yzerman no Salão da Fama

Como vocês sabem, dia 9 de novembro, em Toronto, o eterno Capitão será incluído no Salão da Fama do Hóquei. O Humberto vai me matar, mas vou citar um jogador de bola ao cesto, Michael Jordan: "Me sinto honrado, mas ao mesmo triste. Estar no Salão da Fama significa que acabou".

Sim, acabou. Essa é basicamente a última vez que vamos poder falar sobre o jogador Steve Yzerman. A partir do dia 10 só falaremos do executivo Steve Yzerman, da lenda Steve Yzerman, do Capitão Steve Yzerman.

Eu (e grande parte dos torcedores brasileiros) vi principalmente a parte final da carreira de Yzerman, quando ele contribuía mais para a equipe no vestiário do que no gelo, o que dificulta falar sobre o central. Por isso recorro a um dos maiores jornalistas dos Estados Unidos, Mitch Albom, que chegou em Detroit pouco depois de Yzerman, e praticamente escrevia suas colunas do sofá da sala do jogador.

Serão seis textos, cada um trazendo um momento da carreira de Yzerman, desde as frustrações do começo até a sua aposentadoria em 2006, passando pelas três Copas Stanleys. O primeiro texto sai hoje, e o último é no dia da cerimônia.

Programação prevista:

4/11: O humilde Steve Yzerman se encaixa no papel de herói (1988)
5/11: Cicatrizes do passado se curariam com a Copa (1994)
6/11: Um Campeonato para este time e esta cidade (1997)
7/11: Bebê Yzerman, ouça uma história sobre seu pai (1998)
8/11: O "C" é de caráter (2002)
9/11: Obrigado, Capitão (2006)

Fiquem ligados!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Red Wings ao vivo

Vamos inovar neste blog. Enquanto os Red Wings descansam após o fim do primeiro período contra o Boston Bruins, eu escrevo o que só eu vi (?) nos 20 minutos iniciais.

Os Wings não começaram bem o jogo, mas para sua sorte havia Chris Osgood no meio do caminho dos atacantes do Boston.

Osgood fez duas defesas difíceis no mesmo lance. Em outras intervenções pontuais, manteve o 0-0 no placar.

A equipe até matou uma penalidade de Niklas Kronwall sem que os Bruins levassem muito perigo ao gol.

Quando foi a vez dos Red Wings atuarem em vantagem numérica, Henrik Zetterberg aproveitou a sobra do faceoff e pegou a defesa adversária de surpresa. Foi o gol de PP mais rápido da história. Faceoff, chute, gol.

Três minutos depois, Todd Bertuzzi fez um lançamento para Pavel Datsyuk, que fez uma jogada genial e tocou pra trás, onde estava Tomas Holmstrom. O Demolidor passou por cima dos adversários e meteu na rede o segundo gol dos Wings.

Foi o primeiro gol de Holmstrom contra o Boston, a única equipe contra a qual ele não havia marcado — curiosidade apontada por Guilherme Calciolari e pela equipe da Versus (via ESPN America).

No geral os Bruins ameaçaram mais o gol de Osgood do que os Wings apertaram Tim Thomas, mas o 2-0 é o que importa. Os Bruins lideram em chutes a gol e em faceoffs, números em que o Detroit costuma ser absoluto.

E agora o segundo período.

Os 20 minutos do meio foram bem parecidos com os iniciais. Domínio do Boston, vantagem em chutes e faceoffs, porém sem gols dos Wings em troca.

Outra vez Osgood impediu que os Bruins marcassem. Até agora o goleiro é o melhor jogador dos Wings na partida, pelo tempo de suas defesas. E pela sorte de ter uma trave a seu favor.

Ótima partida de Brad Stuart e não tenho críticas a Todd Bertuzzi. Se ele jogar assim, estou satisfeito. Só precisa chutar mais.

Pior jogador em campo: Ville Leino. Ou Jason Williams.

Vamos para o terceiro período. Que a liderança continue e os Wings vençam. Mas eu só volto aqui amanhã.

E voltei só "amanhã" de manhã mesmo.

O terceiro período, ao contrário do que o jogo indicava, não foi dominado pelo Boston, mesmo que o time precisasse buscar a vitória. Mas sem Marc Savard, sem Milan Lucic e diante da má fase de alguns atacantes que explodiram no ano passado, esse é um time, digamos, inofensivo.

O jogo deu sono em alguns momentos pelo avançar da hora. Não foi um confronto muito vistoso, mas foi um bom trabalho de equipe do Detroit.

Glórias e louvores aos matadores de penalidade dos Wings, que ficaram 80 segundos encurralados na defesa e ainda assim não permitiram que Osgood sofresse gol. Trabalho muito bem feito.

A defesa não comprometeu com Brett Lebda, Derek Meech e Doug Janik. O Griffin teve mais tempo de gelo que Meech, por sinal.

No fim, o grande nome do jogo foi mesmo Chris Osgood. Não exatamente pelo shutout. Osgood não roubou o jogo para o Detroit, mas permitiu que o time continuasse vivo. Ozzie fez boas defesas, algumas difíceis, em momentos fundamentais. Se ele jogasse assim todas as noites...

Henrik Zetterberg, pra mim, foi o segundo nome. Também não foi apenas pelo gol da vitória, mas por todo o conjunto. Ele é fantástico.

E completando o pódio Brad Stuart. Baita partida do defensor, disparado o mais "sujo" entre os nossos. Bateu, apanhou e fez o seu trabalho.

Da próxima vez vamos combinar um "live chat" durante o jogo aqui no blog.