domingo, 10 de janeiro de 2010

Boletim do trimestre

Autor: Fábio Monteiro

Companheiros da causa redwinguiana (?), é um prazer estar falando para convosco uma vez mais. Sem mais delongas, vamos ao que interessa.

O Detroit Free Press publicou este artigo, dando notas aos nossos jogadores, de acordo com o que fizeram nessa primeira metade da temporada. Além do desempenho no gelo, um critério importante das avaliações foi quanto o jogador está custando para o time. Jogadores baratos que estão rendendo bem tiveram notas boas, enquanto altos salários com fraco desempenho contaram negativamente. A maioria teve notas boas, motivadas pelo alto número de contusões.

Com base nisso, o Red Wings Brasil também dará os seus pitacos, seguindo essa mesma lógica. Daremos notas de 0 a 10 – diferente do padrão americano de notas de A até F-, que pode ser a mesma avaliação dada pelo Freep. Ou não. É uma discussão pontual.


ATACANTES:

Justin Abdelkader: 8
Os planos para a temporada eram deixar os meninos evoluindo no Grand Rapids, como fizemos com Jimmy Howard por anos a fio. Contudo, o alto número de contusões que assolam os Red Wings fez com que a molecada fosse chamada. Tem agradado a comissão técnica, principalmente pela energia natural de um garoto de 22 (quase 23) anos.

Todd Bertuzzi: 9
Dar nota 9 é quase um absurdo para o conhecido anticristo. Mas, além de ter sido O ÚNICO atacante a marcar em mais de 200 minutos de ação, Bertuzzi tem jogado até razoavelmente nos aspectos defensivos. E custa “só” US$1,5 milhão.

Daniel Cleary: 7
Desde que voltou, Cleary tem mostrado que está disposto a jogar como nas temporadas anteriores, embora seu começo foi bem aquém do que sabemos que ele pode. Marcou 16 pontos e tinha um +- de -8 antes de quebrar o ombro.

Pavel Datsyuk: 7
Apesar do “A” na camisa, Datsyuk não é bem o que podemos chamar de líder. Ficou perdido por boa parte da temporada e parece só ter se achado quando voltou a jogar ao lado de Henrik Zetteberg. Nota baixa nem tanto pela incapacidade técnica – que sabemos que não é o caso – mas por não fazer jus ao seu salário, que está lá pelos US$ 6,7 milhões.

Kris Draper: 8,5
Quem viu a temporada passada sabe o tanto que desejamos aqui a aposentadoria de Draper e Maltby. Lentos, velhos e inúteis, dizíamos. Pois bem, quem imaginaria que esses quase quarentões voltariam a ser úteis ao Red Wings? Draper, além de ter voltado a matar penalidades, Draper tem sido um puta mentor para Darren Helm.

Patrick Eaves: 8
Ao lado de Draper e Helm, Eaves tem ajudado na melhor linha defensiva do time. A química deles é impressionante. Chegou como agente livre-irrestrito, custando US$500 mil. E no auge dos seus 25 anos, ele é muito mais do propósito para o qual veio.

Valtteri Filppula: 8
Teve um começo de temporada muito intenso, daí quebrou o pulso. Voltou recentemente e marcou um gol e quatro assistências nos últimos cinco jogos. Coincidentemente (ou não), desde que voltou o ataque do time saiu da inércia que o assolou no mês de dezembro.

Darren Helm: 9
Primeira nota que discordo do free.com. Afinal, se Bertuzzi ganhou 9, por quê não Helm? Só porque ele não é jogador de primeira linha atualmente? Helm tem sido aquele fôlego de esperança do time nas horas difíceis, aquele garoto que enche os olhos dos espectadores. Não fosse Jimmy Howard, seria o melhor novato do time.

Tomas Holmstrom: 9
Homer decidiu superar o barril de gatorade, que disputava acirradamente a vaga com ele na temporada passada, para voltar a ser uma pedra no patins dos adversários. Não só Homer voltou a marcar gols na sua especialidade (desviando pucks na frente dos goleiros), mas agora marca gols de jogadas mais trabalhadas. Está no ritmo de marcar 30 gols na temporada, ótimo para quem está com quase 37 anos. Não merece o 10 que o freep deu, mas é importante para o time.

Ville Leino: 5
Mais desprestigiado que um torcedor do Colorado Avalanche, Leino não é uma migalha do que foi na temporada passada. Deu declarações falando que não sabe jogar duro nas linhas de baixo. Oras, quer chegar sentando na janela? Talvez tenha sido um erro colocá-lo nos playoffs do ano passado, sentindo o máximo de adrenalina logo no começo. Seja como for, já se especulam negociações envolvendo o nome de Leino, o que não deveria ser feito, na minha humilde opinião.

Kirk Maltby: 7
Outro que está renascido, se comparado com a temporada passada. Mesmo que seja para a quarta linha, é a experiência em matar penalidades e os conselhos passados para a molecada que mostram a importância de Maltby no time.

Brad May: 7
Veio para ser o porradeiro do time, e tem cumprido bem essa função. Pagamos só US$500 mil e para ele só falta a estrela de xerife e o bigodão de Charles Bronson. Tem um -2 e uma assistência. Mas não temos ele no gelo pra isso.

Drew Miller: 6
Podemos considerar ele um garoto, já que tem 25 anos? Não sei. Ele tenta se fixar como jogador de segunda linha, mas quando teve a chance não fez lá grandes coisas. De qualquer forma, tem quatro gols, quatro assistências e um +6. É alguma coisa, já que tava na desistência e só pagamos US$525 mil.

Jason Williams: 6
Nem temos muito o que falar de Williams. Quebrou a perna em 7 de novembro, quando tinha dois gols e sete pontos em quinze jogos. Veio para ser o substituto de Mikael Samuelsson, mas não convenceu muito.

Henrik Zetterberg: 9,5
Era (e ainda é, arrisco) o cara do time até contundir o ombro. Tinha 10 gols e 32 pontos. Voltou na partida contra o Kings, não marcou ainda, mas é o segundo do time em pontos. Sinceramente, acho que se não fosse Zetterberg, não estaríamos nem perto do G8. Não chega a ser um candidato ao Hart, mas é essencial para esse time.


DEFENSORES:

Jonathan Ericsson: 6
Grandalhão que sabe patinar e tem talento. Mas ainda tem que aprimorar seu jogo, principalmente saber usar o corpo todo que tem. Tinha -7 em 31 jogos antes de ir visitar os médicos.

Doug Janik: 7
Veio para recompor o time depois de uma gripe que pegou boa parte da defesa do time. Como Kronwall estava lesionado, acabou agradando ao tio Mike, principalmente pela sua capacidade em matar penalidades.

Brett Lebda: 5,5
Ele me faz ter saudades do Lilja.

Nicklas Lidstrom: 9
Jovens, o Lidstrom é humano. Prova disso que ele não é o melhor defensor da liga nessa temporada. Depois de ter ganhado quase todos dos anos 00, nosso capitão não faz a melhor das temporadas. Dizem que a idade influencia, mas eu acho que ninguém é capaz de jogar sozinho, e se até Lidstrom está tendo dificuldades para encontrar seu melhor jogo, imagine os outros pobres mortais.

Niklas Kronwall: 9,5
Não vou dar 10 para ninguém, porque o time não está sequer no G8. Mas se tem alguém que merecia, esse alguém é Kronwall. Era o melhor defensor no gelo antes de se tornar outra vítima dessa bruxa desgraçada que circula a Joe Louis Arena. Se Kronwall voltar da mesma maneira que começou a temporada, podemos vislumbrar um futuro melhor nessa temporada.

Derek Meech: 7,5
Outro que ainda está cru para a NHL. Mas como não temos opção, ele tem quebrado o galho, quando não nos mata do coração querendo sair jogando errado.

Brian Rafalski: 7,5
Desde que ficou de fora de uns dois jogos em dezembro, a produtividade dele caiu drasticamente. Rafalski até tem ajudado no ataque, mas tem cedido vários turnovers. Precisa melhorar para valer o salário.

Brad Stuart: 9
É o defensor sólido do time na temporada. Tem sido útil tanto lá na frente quanto atrás. Quando atua ao lado de Lidstrom, é a melhor dupla do time. O problema é que precisamos de três assim.


GOLEIROS:

Jimmy Howard: 9,5
É um sério candidato ao Calder, troféu destinado ao melhor novato da temporada. Depois das 51 defesas no jogo contra os Kings, calou aqueles que o criticaram por inconsistência. Ainda há muita especulação por ser muito novo e se seria confiável para os playoffs. Na minha humilde opinião, Howard está num momento muito melhor que nosso outro goleiro e está roubando jogos.

Chris Osgood: 7
Já conhecemos Ozzie de outras temporadas. Sabemos do potencial e somos gratos por tudo que ele fez. Muitos acham que ele é goleiro para o Hall da Fama e de camisa aposentada (e isso já foi discutido aqui). Mas essa temporada ele não fez muita coisa. Saiu na imprensa semana passada que ele está infeliz com a reserva, mas só há uma forma dele voltar a ser titular: Roubar jogos, como em 2008. Nas poucas chances que teve, Osgood não aproveitou. Paciência.

Comissão técnica: 8
O Freep dá nota 10, mas temos Brad McCrimmon e ele é, no mínimo, contestável. Mike Babcock é um excelente treinador e o resto dos assistentes consegue fazer o time manter um bom nível de hóquei, mesmo com tantas baixas no elenco.

Johan Franzen e Andreas Lilja não estão em condições de serem avaliados.

E você? Que nota dá para o time?

Por: Fábio Monteiro

9 comentários:

Humberto Fernandes disse...

Vindo de um morador de Taguatinga, era de se esperar notas tão superfaturadas :D

Deve ser a boa fase do time influenciando (para cima) a avaliação dos jogadores.

Bela matéria, Fábio!

Alguns pontos que me chamaram a atenção:
O 9 de Bertuzzi (hahaha!), o 6 de Miller (pô, menos que o Brad May?!), o 7,5 do Meech (isso tudo?)... :P

Fabio disse...

Bertuzzi foi a prova de que podemos mudar nossa opinião acerca das pessoas no desespero. Até você recrutou ele pra fantasy, betão :P


Miller pra mim foi muita expectativa e não rendeu tanto quanto podia. Que melhore na segunda parte da temporada.

Meech não é de todo ruim, embora Janik tenha mais talento que ele. Mas Meech tem mais 'feeling' de liga top do que Janik. Ano que vem isso muda :)

Guilherme Calciolari disse...

Opa, calma lá, Drew Miller chegou com muita expectativa? Ele tinha acabado de sair do Tampa Bay, onde não fez nada em 14 jogos (0 pts, -3), e tem 8 pontos em 28 jogos em Detroit, além da boa fase em Dezembro.

E Brad May... Bom, ele chegou para ser o brigador do time, mas só briga com os amigos de sempre (Barch e Cia.), quem tenta brigar mesmo é o Abdelkader.

E o Bertuzzi com 9 não dá. Ele só funcionou em Dezembro, e ainda comete muitas penalidades (é perseguido pelos juízes? Sei lá, mas falta é com ele mesmo)

Vinicius Villatore disse...

Bertuzzi chegou pra ser o odiado...

mas ele ganhou jogos pros Wings...
e ele foi um dos poucos que teve vontade de jogar em mais de 50% dos jogos... (na minha opiniao)

David disse...

O Big Bert salvou os Wings em dezembro, mas 9 tb acho alto demais!

Nao concordo que o Dats nao e um lider, pq msmo nao tendo um boa temporada, ele sempre da 100% e ainda e o melhor defensivamente, liderando a liga em takeaways!

nicolas disse...

Confere ai, mas rafalsky acho que esta no top 10 ou 15 de turnovers na NHL.
Muito ruim pra um cara que custa 6mi por ano.

Guilherme Calciolari disse...

Bertuzzi- fui procurar números, só pra não perder a chance de achincalhar o Anticristo. Nos ultimos anos:

-ANH- 68 jogos, 40 pts (0.58/jogo)
-CGY- 66 jogos, 44 pontos (0.66/jogo)
-DET- 44 jogos, 25 pontos (0.56/jogo)

Datsyuk- discordo que dê 100% em todo jogo,parece estar desinteressado. O time está dando conta lá atrás, o que falta é ataque, e é isso que ele deveria fazer. Um dos maiores clichês do esporte: "Um líder quer a bola na hora da decisão". Agora me diga, quantas vezes a gente viu Pavel livre na frente do gol e passando o disco?

Comissão técnica- não tinha comentado ainda, mas tenho uma observação. Se McCrimmon é questionável, devemos questionar também Paul MacLean. A defesa e o time de desvantagem numérica agora funcionam (e muito bem), o ataque e o power play é que sumiram.

Jack disse...

Novo no blog e uma dúvida meio que fora do contexto: Onde vocês assistem os jogos?

NHL Gamecenter mesmo?

Eduardo Costa disse...

Matéria ótima do nosso amigo candango, mas as notas estão mesmo superfaturadas ahahhaha