H2H: os Wings, a Joe e o Deus
A Joe Louis Arena
Torcedores de Montreal podem reclamar, mas para mim não há atualmente uma arena na NHL tão cheia de história quanto a Joe Louis Arena.
Por isso, entrar no ginásio e olhar para cima é inevitável. São muitas e muitas histórias para contar.
Na quinta-feira um grupo sortudo pôde dar uma volta pela Joe Louis quase vazia, exceto pela parte administrativa e alguns garotos da liga Little Caesar. Nós entramos pela porta dos jogadores, e foi lá que começaram as surpresas.
A primeira foi a camisa de Darren Helm que o pessoal do H2H me deu de presente. Logo em seguida, a "ex-blogueira-que-agora-trabalha-para-o-time" Christy Hammond me entregou a placa autografada por todo o elenco e me disse que depois do jogo eu conheceria deus Helm.
De lá, fomos passear pelo ginásio. As paredes internas comemoram as conquistas da equipe, tanto as Copas Stanley quanto prêmios individuais. Pudemos entrar no vestiário dos visitantes, mas naquela hora o dos Wings estava trancado. Como uma boa franquia nunca esquece suas raízes, lá estava a placa que ficava próxima à antiga arena, o Olympia Stadium.
Entrando nas arquibancadas, uma história curiosa: quando a arena foi construída, em 1979, esqueceram de construir a parte reservada a imprensa. Assim, tiveram que destruir parte das arquibancadas para fazer aquela que é a pior cabine da NHL. O espaço da Fox Sports Detroit é mínimo. Também pudemos ver onde ficam, durante os jogos, Ken Holland, Steve Yzerman, Jim Nill e Derek Meech.
Saindo do gelo e indo para os corredores, o que chama a atenção são as estátuas de alguns dos maiores Wings da história. Lá estão Ted Lindsay, Alex Delvecchio e Gordie Howe (que, por sinal, hoje completa 82 anos).
Tivemos acesso a um local super-restrito, o Olympia Club. Este é basicamente um pub para os poucos que podem pagar 850 dólares por ano para não pegar filas no banheiro ou nos restaurantes. As paredes estão forradas com fotos de jogadores de Detroit de todas as épocas.
No dia do jogo
Tudo começou no treino da manhã (que já comentei anteontem), e a festa do pré-jogo foi no Hockeytown Café. Eles foram muito gentis e escreveram "Welcome to Hockeytown, Herm" ("Bem-vindo a Hockeytown") no luminoso. Na festa estavam cerca de 150 pessoas.
Pegando o ônibus para ir à Joe Louis, chegamos e fomos direto para o banco de penalidades, andando pelo gelo, para acompanhar bem de perto o aquecimento. "Roubamos" um puck e fomos para nossos lugares, que eram muito próximos do gelo apesar de serem no anel superior. Quando eu fui à cabine da Fox, um funcionário da NHL me entregou um disco usado no 1º período.
No vestiário com Deus Helm, #43
A idéia era me levar até a porta do vestiário, onde Christy iria levar Darren Helm. Mas Jim Bedard, técnico dos goleiros, me chamou para entrar. Passei ao lado de Mike Babcock mas não o vi, e quando cheguei no vestiário vi Nicklas Lidstrom dando uma entrevista.
Jonathan Ericsson passou ao meu lado, me pedindo licença para guardar seu taco junto com o dos outros. O defensor é imenso. Ao longe, na academia privativa, vi Pavel Datsyuk fazendo uma dança bizarra com as mãos na cintura.
Enquanto eu tirava fotos e mais fotos, Darren Helm chegou. Nas entrevistas ele sempre foi tímido, no pré-jogo disse que estava surpreso por ser o jogador preferido de um brasileiro, então achei que poderia ser uma conversa bem silenciosa.
Mas assim que ele chegou foi muito legal, perguntou o que eu achei do jogo, como foi o voo e não estranhou eu apertar sua mão uma vez a cada 12 segundos. Quando Christy lhe entregou a caneta para que assinasse minha camisa, ele mesmo ofereceu o taco utilizado no jogo. Depois disso, ele pareceu ficar um pouco envergonhado (e feliz) quando eu tive a coragem de contar que o chamo de Deus. Darren Helm é o cara.
Quando saí do vestiário ele estava brincando com os filhos de Kris Draper, e mais uma vez eu não pude acreditar que aquele cara tão legal é só dois anos mais velho do que eu.
Depois disso eu a Jen McRostie, que organizou o H2H, pudemos sentar no banco de reservas. Indo embora do ginásio ainda falei por 8 segundos com Paul MacLean, técnico assistente responsável pelo ataque e power-play.
Os Red Wings me receberam muito bem, com surpresas atrás de surpresas neste que foi um baita fim de semana. Fico feliz que eles sejam tão legais quanto parecem, principalmente Darren Helm (tive uma experiência ruim com um ídolo quando era pequeno, então conhecer Deus foi muito legal).
No final, saí de lá com uma camisa, um puck de treino, um puck de jogo e um taco autografado. Sensacional.


