A vitória da derrota
Eu já disse que odeio os jogos que começam tão tarde? E também odeio os primeiros cinco minutos de jogo que eu sempre perco enquanto procuro uma transmissão decente.
Os Sharks começaram a amarelar antes mesmo do jogo começar. Patrick Marleau, um dos três grandes do ataque do time, pediu pra sair. "Eu desisto", ele gritou. Com febre, talvez ele tenha tomado a vacina contra H1N1 e ficado doentinho. Ui.
Tudo ia bem no primeiro período, o jogo estava equilibrado, até que chegamos aos piores 79 segundos da história da humanidade. Os Red Wings erraram um passe no ataque, outro no centro do gelo e Valtteri Filppula cometeu uma penalidade na linha azul para impedir que Joe Thornton tivesse uma clara oportunidade de gol.
Com cinco segundos de vantagem numérica, os Sharks fizeram o primeiro gol do confronto. Apenas 56 segundos depois, marcaram o segundo gol do confronto. E 23 segundos mais tarde, marcaram o terceiro gol do confronto.
Tudo o que aconteceu, da extinção dos dinossauros até a erupção daquele vulcão na Islândia, aconteceu por causa da penalidade de Filppula, que aconteceu por causa dos passes errados, que aconteceram porque os jogadores dos Red Wings não conseguiram trocar passes de um metro sem fazer cagada.
Após o terceiro gol, Mike Babcock poderia ter substituído Jimmy Howard por Chris Osgood, mas isso seria o equivalente a jogar a toalha. Howard está quente, Osgood está frio. Além do mais, Jimmy não falhou em nenhum dos gols. Babcock nem olhou pro lado e o jogo seguiu.
Menos mal que Jonathan Ericsson fez a jogada que Pelé não fez, relembrando os seus tempos como atacante na Suécia, dando um passe preciso para Dan Cleary marcar o seu primeiro gol nos playoffs 2010.
Os Red Wings tiveram duas oportunidades de vantagem numérica após o gol e não conseguiram sequer pressionar os Sharks. Não chegaram perto do gol, não ameaçaram de forma alguma.
O segundo período foi vermelho e branco. Johan Franzen marcou o seu segundo gol nos playoffs, acertando um belo chute enquanto Cleary cobria toda a visão de Evgeni Nabokov.
Pena que isso foi tudo. De novo a equipe teve duas chances em vantagem numérica e não conseguiu ficar mais do que meio segundo no ataque. Pior: a melhor chance de gol foi dos Sharks, que quase marcaram mesmo com um jogador a menos no segundo período.
Apesar de continuar atrás no placar, o segundo período foi bom para os Wings porque eles se mostraram plenamente capaz de derrotar os Sharks. Lembrando que os favoritos são eles, não nós, vide a campanha de cada um na temporada.
Uma aula sobre os tubarões... os Sharks têm um ataque muito bom e o estilo de jogo é basicamente o mesmo dos Red Wings, privilegiando a posse do disco. O time joga e deixa jogar, ao contrário do Phoenix. Outra grande diferença em relação aos Coyotes, e isso vai favorecer o Detroit, é que os defensores dos Sharks não são tão rápidos e não atacam tanto quanto.
Só que o time é mortal, absurdamente fatal em vantagem numérica e se protege como poucos em desvantagem numérica. Ou seja, se os Wings quiserem aumentar as suas chances de vitória, é melhor ficarem longe do banco de penalidades.
Há um jogador chamado Joe Thornton, conhecido como Grande Joe, mas ele não é grande, não. O Joe grande é o outro, o Pavelski, que marcou dois gols, incluindo o da vitória, em 5-contra-3 no começo do terceiro período.
O Detroit ficou a um chute do empate depois do gol de Brian Rafalski, que aproveitou o belo passe de Datsyuk.
Os Wings poderiam ter vencido o jogo 1. No 5-contra-5, eles até fizeram mais gols (3-2). No entanto, os times especiais tiveram uma atuação vexaminosa e custaram a partida.
Não foram os Wings do jogo 7. Também não foram os Wings que passaram aperto durante a temporada regular e levaram surra até do New York Islanders. Dá pra vencer o confronto, só é preciso caprichar um pouco mais.
Tubarão que amarela não morde.















