Recrutamento 2010 (post grande)
1ª rodada (21ª escolha), Riley Sheahan, C
Para começar, uma frase que vocês vão ver bastante aqui: "Ele teria sido escolhido bem mais cedo se não fosse...". Sheahan teria sido escolhido entre os 10 primeiros se não tivesse se envolvido numa confusão universítária recentemente.
Não é todo dia que um atacante muito responsável com o disco e bem defensivamente está disponível para o 21º time a escolher. Sheahan tem 1.88m e 91kgs, e é comparado a Johan Franzén (palavras de Jim Nill, Gerente-Geral Assistente).
Sheahan também disse o que pode trazer ao time de Detroit: "Eu sou um jogador grande, gosto de tomar vantagem do meu tamanho. Sou um cara que procura o passe antes do chute, gosto de fazer meus companheiros jogarem bem e sou responsável na defesa, gosto de jogar fisicamente. Me considero um líder e acho que tenho o respeito de meus colegas. Estou ansioso para melhorar meu jogo e provar ter sido uma boa escolha para os Red Wings". Tem como não ficar na expectativa pelo futuro do rapaz?
E uma coisa para se pensar: no ano passado os Wings trocaram sua escolha de 1ª rodada por duas escolhas (uma de 2ª e uma de 3ª rodada). Se eles não repetiram a tática, é porque confiam em Sheahan.
2ª rodada (51ª escolha), Calle Jarnkrok, C
Cara de Red Wing. Garoto extremamente habilidoso e rápido, tem uma visão de jogo acima da média e era considerado um dos melhores criadores de jogada no recrumento. Porém, um problema: com 1.80m e apenas 75kgs ("apenas" para um jogador de hóquei, óbvio), Jarnkrok pode ser afastado do disco facilmente.
O central foi um monstro na equipe sub-20 do Brynas, com 31 pontos em 19 jogos, merecendo ser chamado ao time adulto, onde teve uma respeitável marca de 10 pontos 33 partidas. A diretoria de Detroit vê em Jarnkrok um jogador similar a Henrik Zetterberg, que quando foi recrutado também era um garoto mirrado e teve que crescer para causar algum maior impacto.
Conhecido como "Ironhook", o jogador precisa, além de crescer, chutar mais. Em 33 jogos foram apenas 18 chutes (fazendo 4 gols), e a última coisa que um armador pode ser é previsível.
3ª rodada (81ª escolha), Louis-Marc Aubry, C
Sabe aquele "espichão" que você teve aos 15 anos? Aubry teve um espichão absurdo de 24 centímetros em 4 anos, que infelizmente não foi acompanhado por massa corporal. Sem força nas pernas, Aubry é a típica girafa, e precisa se fortalecer se quiser conquistar seu espaço.
As projeções são de Aubry como um central de terceira linha. Ele tem boa visão e tem passes precisos. Tem também um diferencial em relação a jovens de sua idade: é ótimo em faceoffs, sabe bloquear chutes e se movimenta bem mesmo sem o disco. Apesar de ser um palito de fósforo, não tem medo de brigar pelo puck nas bordas ou se enfiar na frente do gol.
E como eu sempre gosto de procurar alguma ligação com Detroit, fica a informação que Louis-Marc é filho de Pierre Aubry, que jogou nos Wings nos anos 80 e anotou 9 pontos em 40 jogos.
4ª rodada (111ª escolha), Teemu Pulkkinen, LW
De várias fontes: "Puro atirador", "ótimo chute", "disparo rápido". "Incrível conhecimento do esporte", "instinto nato para se posicionar, comparável a Brett Hull e Jari Kurri". "Adora estar com o disco". "Tem o melhor chute entre os prospectos". "Em se tratando de talento, é um dos 5 melhores deste ano".
Como um cara desses cai para a 4ª rodada? É ponto pacífico que a velocidade não é seu ponto forte, mas um ala chutador não precisa ser rápido. Também não foi seu jogo defensivo questionável que causou a demora para ser escolhido.
O problema é sua saúde. Aos 18 anos, Pulkkinen já passou por cirurgias no ombro, pulso e joelho. Todos os prontuários dessas cirurgias foram colocados à disposição dos times da NHL, e Detroit escolheu arriscar ao recrutar o finlandês.
É claramente uma aposta, mas o risco não é tão grande. Se não der certo, foi apenas uma escolha de 4ª rodada. Se der certo, os Wings terão garimpado outro talento na metade final do draft (e um baita talento), e já estou babando imaginando uma linha com Pulkkinen-Jarnkrok-Tatar.
5ª rodada (141ª escolha), Petr Mrazek, G
Apesar de Sheahan, esse foi o recrutamento dos jogadores PP em Detroit. O goleiro Petr Mrazek é outro exemplo, com 1.85m e 73kgs. Mesmo sendo alto, Mrazek não se encaixa na nova escola de goleiros robustos que preenchem a frente do gol (Luongo e Lundqvist, por exemplo).
O tcheco compensa o tamanho com uma boa capacidade atlética e muita força de vontade, além de uma boa capacidade em ler as jogadas e ser muito ágil. Olheiros ficaram imporessionados com sua concentração e confiança. (leia de novo esse parágrafo. pensou em Hasek? eu também)
Sua temporada na OHL foi sólida, mas isso foi dividindo a carga com outro goleiro, e isso com certeza teve repercussão na demora para ser escolhido. A temporada 2010-11 será essencial para seu desenvolvimento.
6ª rodada (171ª escolha), Brooks Macek, C
73 pontos em 72 jogos, 52 deles em assistências. Sim, é mais um criador de jogadas. Macek é outro jogador prejudicado pelo seu tamanho, e embora mostre potencial, alguns dizem que ele pode ter uma grande queda no rendimento ao jogar em ligas adultas.
O lado bom é a velocidade e a visão de jogo. Apesar de ser peso-pena, não vê problemas em se enfiar na rede de vez em quando. Se ficar mais forte e trabalhar na consistência, pode ser um jogador útil daqui alguns anos.
7ª rodada (201ª escolha), Ben Marshall, D
A última rodada é hora de arriscar. A aposta desse ano é o defensor Ben Marshall, com seu 1.75m e 72kgs. Se isso não é aposta, eu não sei o que é.
Como Adam Alqvist ano passado, Marshall é um fedelho com bom potencial ofensivo. Se não fosse seu tamanho, teria sido escolhido muito (muito) antes, graças a seu chute forte, alta velocidade e criatividade. Ele é um típico armador de vantagem numérica, com boa visão e paciência para o passe.
Marshall sabe conduzir o jogo de transição, seja carregando o disco ou com seu bom passe de saída. Precisa ficar um pouco mais inteligente, principalmente em relação a posicionamento e para diferenciar a hora de correr feito louco ou se segurar um pouco mais.
Se não conseguir melhorar o jogo defensivo em ligas mais competitivas (só jogou no colégio até agora) pode facilmente ser convertido em atacante.