Adeus ao trinta (e três)
Osgood deixa o esporte como o décimo goleiro com mais vitórias na NHL (401), vestindo a camisa vermelha em 317 dessas vitórias. Suas 74 vitórias em pós-temporada o colocam em oitavo na lista, enquanto seus 15 shutouts o colocam em quarto.
Escolhido por Detroit na 3ª rodada do recrutamento de 1991, na 54ª escolha, Osgood estreou na liga em 1993, e foi o segundo colocado na disputa pelo troféu Vezina (melhor goleiro da liga) em 1996. Foi o reserva na conquista da Copa Stanley de 1997 e o titular na conquista do título de 1998. Bizarramente, Osgood foi colocado na Desistência antes da temporada de 2002 (para que Manny Legace! fosse o reserva de Dominik Hasek) e foi parar em Long Island.
Após o locaute Osgood voltou para Detroit, onde em 2008 teve uma temporada mágica e levou o time a mais um título de Copa Stanley, roubando a vaga de titular de Hasek na primeira rodada dos playoffs e segurando a posição até o fim, culminando com a incrível sequência nos segundos finais do Jogo 6. Nesta temporada Osgood também foi o goleiro titular do Oeste no Jogo das Estrelas.
A temporada seguinte não foi das melhores, mas mais uma vez Osgood calou seus críticos na pós-temporada, levando os Red Wings ao sétimo jogo da final da Copa. O goleiro sofreu com lesões na temporada 2009-10, perdendo a titularidade para Jim Howard. Como reserva, na temporada 2010-11 Osgood se tornou ao décimo goleiro na história a alcançar 400 vitórias como profissional, numa partida contra o eterno rival Colorado Avalanche. Apenas um jogo depois, Osgood foi diagnosticado com um problema na virilha e passou por uma cirurgia que terminou sua temporada e acabou por encerrar a carreira do goleiro.
Um dos goleiros mais subvalorizados da liga, Osgood não era o homem das defesas milagrosas e mirabolantes, mas sempre se superava e conquistou, a duras penas, o apreço da torcida dos Red Wings. Muitos irão discutir se Chris Osgood merece ser consagrado no Salão da Fama ou no teto da Joe Louis Arena (eu diria "não" nos dois), mas seu valor na história dos Wings é inquestionável.
Na terça-feira seguinte, 26 de julho, outro guerreiro pendurou os patins. Depois de 20 temporadas na liga, 17 delas como um Red Wings, Kris Draper anunciou que também se aposenta, oficialmente encerrando a história da Grind Line, uma das linhas mais fascinantes que o time alvirrubro já viu.
Draper foi selecionado na 3ª rodada do recrutamento de 1989, pelo Winnipeg Jets. Estreou na liga em 1990, mas não conseguiu um lugar no elenco principal dos Jets, fazendo um acordo com a gerência: se não entrasse no time, os Jets o trocariam. A negociação foi feita, e Draper foi para Detroit em troca de $1 dólar.
O central garantiu seu lugar no elenco durante a temporada, numa linha com Kirk Maltby e Joey Kocur, que ficou conhecida como Grind Line, caçando discos nas bordas, marcando os adversários ferozmente e basicamente criando confusão na zona ofensiva. A linha foi essencial na conquista da Copa de 1997. No ano seguinte, Darren McCarty entrou na linha no lugar de Kocur, e a configuração Maltby-Draper-McCarty participou das Copas de 1998, 2002 e 2008.
Quase incompetente no ataque mas incrível na defesa, Draper ganhou o troféu Selke de 2004 como o melhor atacante defensivo da liga. Em 2006 foi nomeado um dos capitães alternativos da equipe, e em 2009 alcançou a marca de 1000 jogos disputados com a Roda Alada no peito, o único entre os cinco Wings a realizar o feito que não foi recrutado pelo time.
Draper sempre foi o jogador mais esforçado do elenco (disputa ferrenha com Chris Chelios), e seu trabalho duro moldou o jogo de seus companheiros, desde Maltby e McCarty até, mais recentemente, Dan Cleary, Darren Helm, Patrick Eaves e Drew Miller. Desde os tempos de Steve Yzerman, Draper era o líder vocal do time, aquele que ia para os repórteres para parabenizar, defender ou apontar dedos. Também era, no vestiário, o cara mais bem-humorado, com as tortas de espuma de barbear no aniversário dos companheiros ou beijando todo mundo nas festas de comemoração.
Nem Osgood nem Draper queriam se aposentar. Os dois compreenderam que Ken Holland queria esperar, observar o mercado e explorar melhores opções. De Osgood, ninguém sentia segurança em suas condições físicas. Para Draper, simplesmente não havia espaço no elenco quando a gerência decidiu que chegou a hora de parar de sangrar prospectos.
A influência desses dois seguirá por muito tempo. O goleiro que não ganha salários astronômicos mas faz as defesas que a equipe precisa, o atacante que baseia seu jogo mais nas pernas do que nas mãos. Nuam cidade como Detroit, onde ninguém finge que ninguém é perfeito, jogadores que assumem seus pontos fracos e valorizam seus pontos fortes, com a determinação necessária para se manter na melhor franquia do mundo. Não, Chris e Kris não queriam se aposentar, mas são tão torcedores desses Red Wings quanto eu ou você, e reconheceram que isso era o melhor para o time.
Obrigado por tudo, trinta (e três).


