quarta-feira, 27 de julho de 2011

Adeus ao trinta (e três)

Era previsível, mas não desta forma. Não foi na Joe Louis Arena, onde o goleiro foi três vezes campeão, debaixo do teto que pode algum dia ser decorado com seu número, na frente dos jornalistas que tanto o questionaram. Na terça-feira, 19 de julho de 2011, Chris Osgood anunciou sua aposentadoria, por uma conferência telefônica.

Osgood deixa o esporte como o décimo goleiro com mais vitórias na NHL (401), vestindo a camisa vermelha em 317 dessas vitórias. Suas 74 vitórias em pós-temporada o colocam em oitavo na lista, enquanto seus 15 shutouts o colocam em quarto.

Escolhido por Detroit na 3ª rodada do recrutamento de 1991, na 54ª escolha, Osgood estreou na liga em 1993, e foi o segundo colocado na disputa pelo troféu Vezina (melhor goleiro da liga) em 1996. Foi o reserva na conquista da Copa Stanley de 1997 e o titular na conquista do título de 1998. Bizarramente, Osgood foi colocado na Desistência antes da temporada de 2002 (para que Manny Legace! fosse o reserva de Dominik Hasek) e foi parar em Long Island.

Após o locaute Osgood voltou para Detroit, onde em 2008 teve uma temporada mágica e levou o time a mais um título de Copa Stanley, roubando a vaga de titular de Hasek na primeira rodada dos playoffs e segurando a posição até o fim, culminando com a incrível sequência nos segundos finais do Jogo 6. Nesta temporada Osgood também foi o goleiro titular do Oeste no Jogo das Estrelas.

A temporada seguinte não foi das melhores, mas mais uma vez Osgood calou seus críticos na pós-temporada, levando os Red Wings ao sétimo jogo da final da Copa. O goleiro sofreu com lesões na temporada 2009-10, perdendo a titularidade para Jim Howard. Como reserva, na temporada 2010-11 Osgood se tornou ao décimo goleiro na história a alcançar 400 vitórias como profissional, numa partida contra o eterno rival Colorado Avalanche. Apenas um jogo depois, Osgood foi diagnosticado com um problema na virilha e passou por uma cirurgia que terminou sua temporada e acabou por encerrar a carreira do goleiro.

Um dos goleiros mais subvalorizados da liga, Osgood não era o homem das defesas milagrosas e mirabolantes, mas sempre se superava e conquistou, a duras penas, o apreço da torcida dos Red Wings. Muitos irão discutir se Chris Osgood merece ser consagrado no Salão da Fama ou no teto da Joe Louis Arena (eu diria "não" nos dois), mas seu valor na história dos Wings é inquestionável.

Na terça-feira seguinte, 26 de julho, outro guerreiro pendurou os patins. Depois de 20 temporadas na liga, 17 delas como um Red Wings, Kris Draper anunciou que também se aposenta, oficialmente encerrando a história da Grind Line, uma das linhas mais fascinantes que o time alvirrubro já viu.

Draper foi selecionado na 3ª rodada do recrutamento de 1989, pelo Winnipeg Jets. Estreou na liga em 1990, mas não conseguiu um lugar no elenco principal dos Jets, fazendo um acordo com a gerência: se não entrasse no time, os Jets o trocariam. A negociação foi feita, e Draper foi para Detroit em troca de $1 dólar.

O central garantiu seu lugar no elenco durante a temporada, numa linha com Kirk Maltby e Joey Kocur, que ficou conhecida como Grind Line, caçando discos nas bordas, marcando os adversários ferozmente e basicamente criando confusão na zona ofensiva. A linha foi essencial na conquista da Copa de 1997. No ano seguinte, Darren McCarty entrou na linha no lugar de Kocur, e a configuração Maltby-Draper-McCarty participou das Copas de 1998, 2002 e 2008.

Quase incompetente no ataque mas incrível na defesa, Draper ganhou o troféu Selke de 2004 como o melhor atacante defensivo da liga. Em 2006 foi nomeado um dos capitães alternativos da equipe, e em 2009 alcançou a marca de 1000 jogos disputados com a Roda Alada no peito, o único entre os cinco Wings a realizar o feito que não foi recrutado pelo time.

Draper sempre foi o jogador mais esforçado do elenco (disputa ferrenha com Chris Chelios), e seu trabalho duro moldou o jogo de seus companheiros, desde Maltby e McCarty até, mais recentemente, Dan Cleary, Darren Helm, Patrick Eaves e Drew Miller. Desde os tempos de Steve Yzerman, Draper era o líder vocal do time, aquele que ia para os repórteres para parabenizar, defender ou apontar dedos. Também era, no vestiário, o cara mais bem-humorado, com as tortas de espuma de barbear no aniversário dos companheiros ou beijando todo mundo nas festas de comemoração.

Nem Osgood nem Draper queriam se aposentar. Os dois compreenderam que Ken Holland queria esperar, observar o mercado e explorar melhores opções. De Osgood, ninguém sentia segurança em suas condições físicas. Para Draper, simplesmente não havia espaço no elenco quando a gerência decidiu que chegou a hora de parar de sangrar prospectos.

A influência desses dois seguirá por muito tempo. O goleiro que não ganha salários astronômicos mas faz as defesas que a equipe precisa, o atacante que baseia seu jogo mais nas pernas do que nas mãos. Nuam cidade como Detroit, onde ninguém finge que ninguém é perfeito, jogadores que assumem seus pontos fracos e  valorizam seus pontos fortes, com a determinação necessária para se manter na melhor franquia do mundo. Não, Chris e Kris não queriam se aposentar, mas são tão torcedores desses Red Wings quanto eu ou você, e reconheceram que isso era o melhor para o time.

Obrigado por tudo, trinta (e três).

"Eu amo este esporte, eu amo ser um Red Wing. Sou um dos atletas mais sortudos que já existiu, fiz parte desta franquia por 17 anos. O que mais me orgulha foi ter vestido esta camisa vermelha mais de mil vezes. Foi ótimo" - Kris Draper

terça-feira, 19 de julho de 2011

Osgood se vai

Para os Red Wings, a aposentadoria de Chris Osgood era a melhor opção. Provavelmente eles não conseguirão um goleiro reserva do nível de Osgood por um preço tão baixo, mas será melhor pagar um pouco mais por um reserva inteiro do que reviver o sufoco de não ter uma opção no banco, como em toda a segunda metade da última temporada.

Osgood se machucou em janeiro e nunca mais se curou plenamente. Até a eliminação no jogo 7 da segunda fase dos playoffs, os Wings foram liderados por Jimmy Howard e, quando necessário, por Joey MacDonald, sempre na expectativa de que Osgood retornasse em algum momento. Ele não voltou, os Wings não trouxeram ninguém no dia-limite de trocas e tiveram que conviver com esse problema pelo restante da campanha, temendo que algo acontecesse com Howard e o time se encontrasse sem um goleiro experiente para defendê-lo nos momentos decisivos.

No instante seguinte ao anúncio de sua aposentadoria, Osgood passou a ser cotado para o Hall da Fama. Particularmente, não creio que o goleiro tenha credencial para tanto. Também não vejo sua camisa sendo aposentada pelos Red Wings.

Ken Holland afirmou que os Wings terão um goleiro reserva nos próximos dias e a imprensa especula que Ty Conklin seja esse cara. É uma opção que me agrada.

Adeus, Ozzie?

Hoje às 13hs de Brasília, Ken Holland, Chris Osgood, seu empresário e alguns jornalistas participarão de uma conferência por telefone, para anunciar seu novo contrato ou sua aposentadoria. A segunda opção, segundo os repórteres de Detroit que nunca sabem de nada, é mais provável, e homenagens já estão sendo postadas em tudo quanto é lugar.

Atualizaremos o blog após o anúncio oficial.

(aliás, estou na segunda semana seguida com cursos de manhã e de noite - inclusive sábado - e trabalho à tarde, por isso a queda no ritmo de publicações. semana que vem volta ao normal, ou o mais normal que pode ser no fim de julho)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Contratações, assistentes, garotos e possíveis aquisições (com alguns Griffins confirmados)

Enquanto outros times faziam a festa pagando no mínimo 20% a mais do que deviam em uma classe de agentes-livres fraquíssima, os Red Wings preferiram manter dois batalhadores por valor abaixo do mercado (Patrick Eaves e Drew Miller), um defensor que parecia ter saído caro até vermos os salários de outros jogadores (Jonathan Ericsson) e trazer dois defensores a preço de banana para calar a boca dos críticos de Ken Holland (Mike Commodore e Ian White).

Não olhem agora, mas com a aposentadoria de Brian Rafalski, a ida de Ruslan Salei para a Rússia (ele não achava que Michigan ficava longe da Califórnia?), a saída de Mike Modano e as possíveis despedidas de Kris Draper (deve tentar ganhar lugar no time no training camp) e Chris Osgood (Holland quer conversar com Ozzie antes de acertar com outro goleiro), e as chegadas de White, Commodore, Jan Mursak (dos Griffins), Cory Emmerton (outro Griffin que vai lutar por um lugar ao sol) e o futuro goleiro reserva (que será um veterano, mas não tanto quanto Osgood), os Wings serão realmente um time mais jovem na próxima temporada.

A juventude também pode chegar ao banco, onde estarão os novos técnicos assistentes. Amanhã serão divulgados os nomes, e entre os cotados estão jovens nomes que fazem sucesso em ligas menores e universitárias. Novos assistentes podem trazer novas filosofias de trabalho, e a esperança é que quem quer que ocupe o banco faça um trabalho melhor que Brad McCrimmon fazia com a defesa. Além disso, os assistentes passam muito mais tempo com os jogadores que o próprio treinador, por isso é importante achar quem saiba lidar com os atletas.

Por enquanto, quem trabalha com os jogadores é a equipe que comanda os Griffins, inclusive os ex-Wings Jiri Fischer, Chris Chelios e Aaron Downey, caras que focam principalmente a parte física. E sim, tem gente trabalhando com os jogadores, pois pela próxima semana os Red Wings reunirão boa parte de seus prospectos em Traverse City, numa concentração que serve para que a gerência do time conheça os jogadores e, principalmente, para que os jogadores conheçam como se trabalha ao vestir uma camisa vermelha com uma roda alada, ainda que a maioria deles só vá jogar na NHL daqui quatro ou cinco anos

Também em Traverse City, em setembro, acontecerá a concentração principal de pré-temporada. Ao contrário dos últimos anos, quando Holland parecia satisfeito com o elenco que ia para o training camp, dessa vez o gerente-geral admite que, embora não veja problemas no time atual, ainda pode mexer em alguma coisa. Além de buscar um goleiro reserva confiável (a virilha de Osgood impede que seja ele) e um veterano para Grand Rapids, Holland ainda pode fazer alguma troca para melhorar o ataque, com Jiri Hudler ainda sendo ofertado pela liga, mesmo com seu valor estando bem depreciado por suas pífias atuações na temporada passada.

Caso nada aconteça, os Wings vão manter algo em torno de $6 ou $7 milhões de espaço no teto salarial, dependendo do salário do goleiro reserva, esperando usar esse dinheiro em alguma troca no dia-limite. No momento, o time titular parece tão bom quanto o do ano passado. A capacidade ofensiva de Rafalski não é substituível, mas White sabe atacar e é, hoje, mais confiável que Rafalski foi no ano passado. Commodore é um corpo grande, que sabe jogar sujo quando necessário, e White, mesmo não puramente físico, também pode dar trancos e esconder algumas artimanhas dos juízes.

Quem está se acertando são os Grand Rapids Griffins, que sofreram algumas mudanças nessas férias. A equipe da AHL não tem mais gerente-geral, e será comandada pela diretoria dos Red Wings. Para ajudar o time na busca pelos playoffs, foram contratados o físico defensor Garnet Exelby e o rápido atacante Chris Conner, que estava nos Penguins e pode aparecer de surpresa no elenco principal.

Como disse, amanhã serão divulgados os nomes dos treinadores assistentes, e vamos falar um pouco sobre cada um. Fiquem ligados.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Os contratos do Detroit

ATUALIZAÇÃO (17h47):
Ian White é dos Red Wings por uma pechincha (menos de US$ 2,9 milhões por ano, dois anos de contrato). Ontem você leu aqui que ele seria nosso.


Que ninguém pense que os Red Wings estão satisfeitos com o seu time atual, pois não estão.

Há um rombo na defesa, onde só três defensores são unanimidade — Nicklas Lidstrom, Niklas Kronwall, Brad Stuart. Falta um nome para completar o quarteto principal e ele deve vir do mercado de agentes-livres. A lista de defensores disponíveis diminui a cada anúncio do Florida Panthers. De cabeça, sobrou um bom nome para os Wings: Ian White.

Apesar do altíssimo salário, Jonathan Ericsson não será um dos quatro principais defensores do time. Não dá pra saber o que se passava na cabeça de Ken Holland quando ofereceu aquela fortuna para o grandalhão. Duvido muito que no mercado ele recebesse algo perto dos US$ 3,25 milhões por ano. Mas o que está feito, está feito.

O defensor Mike Commodore, a única contratação do dia, chega para substituir Ruslan Salei no terceiro par. Commodore é mais jovem, maior e mais forte que o antecessor. Não dá pra reclamar da contratação de um sujeito de 1,93 m e 106 Kg por mísero US$ 1 milhão, nem mesmo por causa de seu histórico (já esculhambou Mike Babcock publicamente, foi barrado no Columbus Blue Jackets e acabou na AHL...).

Os outros dois contratos assinados hoje por Holland envolveram jogadores que já estavam no time, Patrick Eaves e Drew Miller. Por US$ 1,2 milhão ao ano, Eaves será jogador dos Red Wings por mais três temporadas. Bom atacante de terceira linha, excelente matador de penalidades, jogador de 12 gols e 22 pontos por temporada. São as mesmas características de Miller, que receberá um salário bem inferior, apenas US$ 825 mil ao ano pelas próximas duas campanhas.

No fim das contas, o atacante dos sonhos, Jaromir Jagr, foi parar no Philadelphia Flyers, que ofereceu US$ 3,3 milhões ao jogador, proposta 32% maior que a dos Wings. Com a renovação de Eaves e Miller, está praticamente decretado o fim da linha para Kris Draper, que deve se aposentar. Eu, se fosse gerente de um time tosco qualquer, ofereceria US$ 800 mil por uma temporada dele.

Os Wings já têm 14 atacantes no elenco, contando Cory Emmerton e Jan Mursak, que perderam a "isenção" à Desistência. Com cerca de US$ 9 milhões de espaço no teto salarial, será a conta para contratar um bom defensor (Ian White) e um goleiro reserva, guardando o troco para o próximo dia-limite de trocas.

E deu pena do Miller. Ele merecia uns trocados a mais pela dedicação e empenho.