Os números e o futuro (parte I)
Eu sou o cara das estatísticas. Adoro números. Não sou retardado como os americanos, que calculam estatísticas de faceoffs vencidos depois de icing durante o terceiro período de jogos perdidos por menos de três gols de diferença como visitante entre janeiro e abril, mas vejo muito sentido em alguns números, como os apresentados abaixo.
Os números servem para análise do que aconteceu, para reflexão e, principalmente, para o planejamento da próxima temporada.
Durante os jogos contra os Predators, o que mais chamava a atenção dos torcedores era o fato de Brad Stuart estar no gelo em quase todos os gols do adversário. Então criei o "índice Brad Stuart", que mostra em quantos gols sofridos cada jogador estava no gelo.
| # | Jogador | G- |
| 23 | B. STUART | 9 |
| 44 | T. BERTUZZI | 6 |
| 8 | J. ABDELKADER | 5 |
| 51 | V. FILPPULA | 5 |
| 55 | N. KRONWALL | 5 |
| 11 | D. CLEARY | 4 |
| 26 | J. HUDLER | 4 |
| 52 | J. ERICSSON | 4 |
| 40 | H. ZETTERBERG | 4 |
| 27 | K. QUINCEY | 3 |
| 18 | I. WHITE | 3 |
| 13 | P. DATSYUK | 3 |
| 20 | D. MILLER | 2 |
| 93 | J. FRANZEN | 2 |
| 5 | N. LIDSTROM | 2 |
| 48 | C. EMMERTON | 1 |
| 96 | T. HOLMSTROM | 1 |
| 14 | G. NYQUIST | 0 |
| 43 | D. HELM | 0 |
O líder do "índice Brad Stuart", claro, é Brad Stuart. Considerando que os Red Wings sofreram 13 gols durante toda a série, percebe-se que o desempenho do defensor foi assustador, presente em 69% dos gols sofridos. Todd Bertuzzi também se destaca negativamente.
Não surpreende encontrar Nicklas Lidstrom próximo do fim da tabela. O capitão continua sendo extremamente confiável.
Alguns jogadores entre os que mais sofreram gols podem se defender por estarem entre os que mais marcaram gols. Produzem muito e, talvez por isso, sofram muito, como Niklas Kronwall e Jiri Hudler. Em compensação, outros pouco ou nada produziram e ainda afundaram o time.
| # | Jogador | SG |
| 23 | B. STUART | -7 |
| 44 | T. BERTUZZI | -5 |
| 8 | J. ABDELKADER | -5 |
| 11 | D. CLEARY | -3 |
| 52 | J. ERICSSON | -2 |
| 51 | V. FILPPULA | -1 |
| 18 | I. WHITE | -1 |
| 43 | D. HELM | 0 |
| 26 | J. HUDLER | 0 |
| 55 | N. KRONWALL | 0 |
| 27 | K. QUINCEY | 0 |
| 20 | D. MILLER | 0 |
| 40 | H. ZETTERBERG | 0 |
| 13 | P. DATSYUK | 0 |
| 93 | J. FRANZEN | 0 |
| 14 | G. NYQUIST | 1 |
| 48 | C. EMMERTON | 1 |
| 96 | T. HOLMSTROM | 2 |
| 5 | N. LIDSTROM | 2 |
Stuart, de novo, é o líder do saldo de gols negativo, mas não é seu papel produzir gols. O defensor até poderia se aproveitar do seu tempo de gelo elevado para acumular uns gols, porém isso não aconteceu. Já Bertuzzi e Justin Abdelkader, atacantes, não têm álibi algum. Saldos horrorosos.
Apenas quatro patinadores tiveram saldo de gols positivo e, para a surpresa de ninguém, Lidstrom está entre eles.
Há uma outra forma de olhar para o "índice Brad Stuart", dividindo o tempo de gelo de cada jogador pelos gols sofridos. Aí há um novo líder em matéria de ruindade.
| # | Jogador | G-/TOI |
| 44 | T. BERTUZZI | 10:16 |
| 23 | B. STUART | 10:46 |
| 8 | J. ABDELKADER | 12:31 |
| 11 | D. CLEARY | 18:58 |
| 51 | V. FILPPULA | 19:20 |
| 26 | J. HUDLER | 21:06 |
| 55 | N. KRONWALL | 22:32 |
| 52 | J. ERICSSON | 24:47 |
| 48 | C. EMMERTON | 25:51 |
| 27 | K. QUINCEY | 27:28 |
| 20 | D. MILLER | 28:49 |
| 40 | H. ZETTERBERG | 28:52 |
| 18 | I. WHITE | 30:57 |
| 13 | P. DATSYUK | 35:28 |
| 93 | J. FRANZEN | 40:18 |
| 96 | T. HOLMSTROM | 49:01 |
| 5 | N. LIDSTROM | 59:18 |
*TOI em minutos:segundos
Sim, senhoras e senhores, Bertuzzi foi ainda pior que Stuart. Apesar de estar no gelo em três gols a menos que Stuart, Bertuzzi sofria gol mais rápido que o defensor. Reparem que Abdelkader completa o pódio do mal, outro que definitivamente não era confiável, e depois há uma grande diferença até o quarto colocado.
Lidstrom, mais uma vez, se impõe: quase uma hora de jogo pra sofrer um gol.
Conclusão:
Três estatísticas do mal, em todas elas se destacam Stuart, Bertuzzi e Abdelkader.
Não é novidade que Stuart deve deixar o time por questões pessoais (sua família mora na Califórnia), mas por seu desempenho durante os playoffs, a gerência não deveria renovar o seu contrato. Acredito até que pelas declarações de Mike Babcock, o time não se interessa por ele. Obrigado por tudo, especialmente pela Copa em 2008, mas está na hora de ir.
Bertuzzi já teve o seu contrato renovado por dois anos, o que é lamentável. O jogador se destacou nos playoffs por ter brigado com Shea Weber e pela falsa notícia de que teria tocado os Predators do jogo de pingue-pongue quando, na verdade, ele apenas chamou a segurança. Pela disposição e experiência, talvez seu contrato pudesse ser renovado, apenas por um ano, e se Tomas Holmstrom se aposentar.
Já Abdelkader merece ser amarrado em um coqueiro e apanhar de mangueira. Para se manter no time, não basta ser porra-louca e fazer o que quiser no gelo, ele precisa ser mais responsável defensivamente. Abdelkader poderia ser o Kirk Maltby deste time, mas está a anos-luz disso por culpa sua. Apesar do desempenho sofrível nos playoffs, merece a renovação de contrato por não mais do que $ 1,5 milhão ao ano.
E aqui faço uma confissão: tinha dúvidas quanto ao futuro de Lidstrom, se os Red Wings deveriam renovar o seu contrato. Ainda que ele tenha se beneficiado por não atuar nunca em desvantagem numérica, Lidstrom continua produzindo ofensivamente e sendo extremamente confiável defensivamente. Portanto, mais um ano de contrato para o capitão, de preferência com desconto (US$ 5 milhões está muito bom), mas sem essa de condicionar a sua permanência ao retorno de Holmstrom.
Um comentário:
Gosto muito do índice Brad Stuart. Claro que o campeão seria Brad Stuart.
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