"Se grito resolvesse, porco não morria".
É com esse provérbio cearense, eternizado pelo Falcão, que abro um este post pra acabar com a ideia torpe de que as coisas teriam sido diferentes se diferentes tivessem sido.
Sentir saudades do McCarty, do Kocur, do Probert não vai resolver absolutamente nada. Principalmente se o argumento for: "ver sangue"; "retaliação"; "briga, porra!".
Este post tem como objetivo falar coisas que alguns não sabem, não entendem e/ou não aceitam.
Entre as temporadas de 1954-55 e 1996-97 ficamos sem títulos. Por mais que tivéssemos um time competitivo, faltava alguma coisa - além da Copa.
Os opostos se atraem e os dispostos se distraem.
Talento é bom. Força bruta é legal. Juntos são perfeitos. Nasceram um para o outro, como Adão e Eva.
Quando o Red Wings conseguiu tirar o dedo e se impor como time completo (vide o jogo do dia 26 de março de 1997), começou a "Dinastia". De lá pra cá, cinco finais e quatro conquistas da Copa. De lá pra cá os brutos foram saindo e os talentosos foram chegando, dando uma nova cara - e identidade ao time. O problema é que deu certo; não mais.
Já publiquei aqui que os torcedores do Detroit somos mimados; acostumados com vitórias, vitórias e vitórias. Só que 80% delas foram do time misto. Está na hora de esquecer isso ou mudar.
Temos alguns dos melhores jogadores da Liga? Sim.
Temos um dos melhores goleiros da Liga? Sim.
Temos alguns dos melhores e mais respeitados grinders da Liga? Não.
E precisamos deles. O Detroit Red Wings precisa deles. Pelo simples fato de que não se pode olhar por cima do muro sem escada.
Quem eleva o jogo dos talentosos são os brutos.
Primeiro, troquem Abdelkader, Emmerton e Miller por McCarty, Kocur e Probert. Em seguida troquem Zetterberg por Lidstrom no cheap shot do Weber. Lidstrom é o único do Detroit Red Wings que deveria sofrer o golpe baixo do Weber. Não caiam na besteira de botar um valentão no lugar do Zetterberg.
No mundo ideal dos torcedores-crepúsculo (vampiros), onde só o sangue salva, seria lindo.
No mundo ideal dos torcedores de hockey, não ia dar em nada, só em briga e - do jeito que o Bettman curte o Red Wings - em suspensão.
Aceitem: enquanto o time não tiver um goon-grinder de respeito, apenas um, que possa ajudar os "wannabe" (como o Abdelkader) a se decidirem se querem ser mocinho ou bandido, a gente vai viver nessa pasmaceira sofista.
Torcer Detroit Red Wings hoje é estar à espera de um milagre.
E, estejam cientes, próxima temporada o time vai jogar até o final do President's Trophy. Se conquistar ou não, um bocado de gente vai descansar pros playoffs e os desavisados estarão desesperados, achando que o time tá bichado.
E, estejam preparados, hoje a coisa não vai ser muito diferente (mas estou torcendo para que seja).
É assim que a banda toca.
3 comentários:
É ... pelo visto o time não vai fazer nada. A atitude do Weber foi mais do que um cheap shot, covardia, babaquice ou uma porrada. Foi um statement que escreveu em letras bold com fonte 76: NÃO RESPEITAMOS VOCÊS.
Hockey, e principalmente o hockey, não é um esporte de meninos bonzinhos. Em tudo na vida deve haver trabalho ético; mas em algumas ocasiões é preciso abrir a mão e dar uma porrada na mesa. Infelizmente não vejo isso neste time.
Em um dos feeds aí do lado estava escrito que os caras ficaram literalmente imitando a porrada do Weber no Zetterberg e rindo durante o treino. Por isso, digo e repito, perderam o respeito pelo nosso time. Isso é pior do que perder qualquer jogo.
Ainda acho a habilidade muito mais importante do que os hits. É muito melhor ver o Datsyuk fugir dos hits do que o Kronwall destruir os adversários com os hits. Porém, neste jogo, ambos são necessários para se chegar ao título (principalmente em playoffs). Cada um com a sua importância, mas ambos necessários.
Outro dia aqui havia um post sobre o jogo histórico entre Redwings e Avalanche. Aquele jogo foi uma briga, sangue, vampirismo ou uma luta por respeito? Eu me tornei muito mais torcedor deste time depois daquele jogo. Depois de ver o Vernon enfrentar o Roy porque não queria ser desrespeitado.
Rivalidades que movem os esportes surgem pelo desejo de respeito. É bem dícil vencer em qualquer situação sem ele.
Alguma coisa diferente da demonstração de talento deve ser feita hoje. Ou mostramos que o nosso talento vale mais que o respeito e consegue vencer jogos de playoffs. Ou teremos que assumir de vez que não somos mais um time vencedor.
Eu não assisti ao jogo 1, mas vi o lance do Weber.
Concordo com o Betão, a melhor resposta é vencer o jogo 2 e levar a série empatada para Detroit.
Agora resta saber como o time jogará hoje...
Abraços
Nós temos TODD BERTUZZI!
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