Man of the hour
Poderia ter sido ano passado. Poderia ter sido ano que vem. Poderia ter sido em 1999, se Mitch Albom não trouxesse as montanhas e as loiras de Vasteras em um caminhão de mudança. Deveria ser só em 2020, mas foi hoje.
Foi hoje que Nicklas Lidstrom anunciou que aposenta os patins, 23 anos depois de ser recrutado, depois de 20 temporadas, 7 troféus Norris, 4 Copas Stanleys e mais elogios do que alguém pode contar. Foi mais tempo do que ele imaginava ao iniciar a carreira, em 1991, e menos do que gostaria de jogar.
No fim das contas, o tempo e o cansaço vencem, o corpo enferruja e apenas pensar em mais uma temporada acaba sendo demais. O Humano Perfeito, por tanto tempo enganando relógios e calendários, não conseguiu escapar.
E como soube escapar. Em todas as temporadas disputou mais de 70 jogos, só teve uma lesão significativa na carreira (a que acaba de ser divulgada, uma fratura no tornozelo que foi disfarçada de hematoma nos últimos meses). Ganhou o primeiro Norris aos 31 anos, o último aos 40. Ganhou o Conn Smythe naquele que foi provavelmente o time mais brilhante já montado. Não ter vencido o troféu Hart durante a carreira é provavelmente a maior injustiça da história da Liga.
Lidstrom sempre disse que não seria um Chris Chelios, que deixaria o esporte antes que o esporte o deixasse. Deixa o hóquei para ir para a Suécia, hoje provavelmente seu segundo lar, para cuidar de seus quatro filhos e ajudar a esposa, a quem agradeceu carinhosamente por ser a mãe que é. Deixa para trás o número 5 a ser pendurado no Panteão que é o teto da Joe Louis Arena, deixa uma avenida com seu nome em Novi, e deixa lembranças em quem o viu jogar.
O sueco agradeceu os treinadores que o ajudaram, seus assistentes, as lendas Wingianas que sempre visitam a Joe, ex-companheiros de anos '90, '00, '10. Agradeceu médicos, Mike Illitch, Al Sobotka, o rapaz que enche as garrafas d'água, a senhora que faz o almoço, os funcionários do ginásio, jornalistas, os fãs, sua família.
Mas nós temos que agradecer. Pelas milhares de vezes que não deu um tranco, mas roubou um disco. Que não tocou no adversário, mas o forçou na direção da parede. Que enfrentou Jarome Iginla, ou Alexander Ovechkin, que terminaram o jogo sem chutar a gol. Por saber quando subir ao ataque, quando ficar na defesa, pelos passes geniais que levavam ao gol ou os passes de dois metros que acalmavam o time. Pelo gol em Dan Cloutier, pelo hat-trick aos 40 anos, por jogar após uma cirurgia que nenhum homem deveria enfrentar, por continuar o que Steve Yzerman começou e liderar a melhor franquia dos esportes americanos.
Ele, que sempre deu orgulho à torcida dos Red Wings, hoje se mostrou um orgulhoso cidadão de Detroit. Se mostrou orgulhoso do que conquistou, ainda que os troféus nunca fossem seu maior objetivo. E é por orgulho que se aposenta, por não poder mais ser quem sempre foi, por ter jogado hóquei de uma maneira tão brilhante que nem mesmo ele próprio consegue chegar perto.
É o fim de uma era, e a encerro como comecei a temporada: "Porque o homem do momento dá seu aceno final"...
Obrigado, Sr. Lidstrom. Muito obrigado.
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| NOHS |

9 comentários:
Excelente texto.
Ainda bem que eu preferi não escrever, por enquanto.
Todos sentimos muito quando Yzerman se aposentou, porém acho que nunca vamos nos acostumar com o time sem o #5 na defesa.
Sem palavras para descrever oque Lidstrom significa.
Detroit perde seu melhor jogador. O hockey perde seu maior defensor.
Que o Lidstrom tenha uma boa aposentadoria, ele vai sentir falta de jogar, e a gente vai sentir falta dele nos guiando.
Quem viu jogar viu, quem não viu, só tenho a lamentar aqueles que não viram jogar um dos maiores defensores da NHL de todos os tempos.
Lidstrom você é MitoOOOOO!!!!
Obrigado por tudo...
Let's Go Red Wings hehe...
Nunca pude acompanhar totalmente pois devido minhas condiçoes financeiras NUNCA consegui ter SKY ou internet (falo de uma lan house)mas sei de tudo o qe ele representa pra nossa amada equipe. Mesmo tendo nascido já na metade de sua carreira (nasci em 1997) assisti todos os videos de nossa grandes conquistas pré meu nascimento e vejo qe embora lidstrom tenha chegado no final da epoca do terror (Dead-Wings Era)ele sempre demonstrou a vontade de vencer.
Ele sabia qe nao era o mais forte,o mais alto ou o mais pesado, e isso faz dele o mais humilde e com certeza o mais inteligente.
Ele nos mostrou qe assim como Yzerman nao precisa gritar para ser lider e qe nao precisa ser forte para desarmar um "forward" e qe nao precisa ser forward para fazer muitos gols e assists.
Ele nos mostrou o qe significa a palavra gratidão agradecendo inclusive a mulher qe faz os lanches e o senhor qe enche as garrafas de agua e tambem agradeceu Al Sobotka por deixar o gelo limpo antes de cada jogo.
Ele nos mostrou o qe significa habilidade.
Ele nos mostrou o qe significa lealdade poisn mesmo com saudade da familia continuou mais 13 anos jogando no mais alto nivel.
Ele nos mostrou o qe eh ser vitorioso erguendo uma Stanley Cup e participando de três outras conquistas, sem contar os 7 Norris e o Conn Smythe.
Ele nos mostrou o qe eh perseverança pois após sofrer a cirurgia "qe nenhum homem deveria sofrer" ele continuou jogando hoquei.
e Finamente...
Ele nos mostrou o qe eh ser RED WINGS.
Boa Aposentadoria Nick!
e eu quero saber quando eh o proximo vestibular para escritor do Blog pq EU QUERO PERTICIPAR!
GO GO RED WINGS!!
Boas, gostaria de fazer parceria com vocês, aqui esta o link do meu blog.
http://lakingspt.blogspot.pt/
Caso aceitem gostaria que me enviassem um e-mail.
fabio-raw@hotmail.com
Da mesma forma que o grande Yzerman, Niklas Lidstrom merece uma bandeira nas Joe Louis> LIDSTROM #5 1991-2012. Apenas o grande Detroit Red Wings tem a honra de ter em sua história dois grandes capitães do nível de Yzerman e Lidstrom.
Parabéns pela ilustração.
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