terça-feira, 1 de maio de 2012

Os números e o futuro (parte III)

Esta é a terceira parte da análise sobre os Red Wings no confronto contra os Predators. A primeira tratou dos números defensivos e a segunda dos ofensivos.

Os times especiais são o assunto da terceira parte.

Os Red Wings tiveram um aproveitamento em vantagem numérica de 17,4%, superior ao da temporada regular (16,1%), mas ainda assim muito ruim. Foram quatro gols marcados em 23 oportunidades. O fraco desempenho em 5-contra-4 foi um dos fatores determinantes para a eliminação. Se os Wings tivessem criado mais e aproveitado as chances, a série poderia ter sido mais longa, quem sabe com um final diferente.



# Jogador PP PP/J
5 N. LIDSTROM 25:50 5:10
40 H. ZETTERBERG 22:58 4:36
13 P. DATSYUK 20:49 4:10
55 N. KRONWALL 19:52 3:58
96 T. HOLMSTROM 19:38 3:56
18 I. WHITE 14:45 2:57
93 J. FRANZEN 13:58 2:48
26 J. HUDLER 13:13 2:39
51 V. FILPPULA 13:07 2:37
27 K. QUINCEY 9:21 1:52
44 T. BERTUZZI 1:22 0:16
11 D. CLEARY 0:44 0:09
8 J. ABDELKADER 0:38 0:08
52 J. ERICSSON 0:17 0:03
23 B. STUART 0:09 0:02


* TOI em minutos:segundos


O principal quinteto dos Wings em vantagem numérica é o mesmo de sempre: Tomas Holmstrom à frente do goleiro, Pavel Datsyuk e Henrik Zetterberg no ataque, Nicklas Lidstrom e Niklas Kronwall na linha azul. A sobrecarga não funcionou, assim como não funcionou o 5-contra-4 de uma forma geral. Poucos chutes a gol, quase nenhum perigo ao adversário.

Curioso que uma das justificativas para a aquisição de Kyle Quincey era a possibilidade de utilizá-lo em vantagem numérica. Ele até esteve no gelo em dois dos quatro gols marcados assim, mas seu tempo de gelo foi muito reduzido.

Com Zetterberg, Jiri Hudler e Valtteri Filppula, os Wings marcaram três dos seus quatro gols em PP.

Todd Bertuzzi e Dan Cleary foram descartados em vantagem numérica, o que diminui ainda mais seus papéis no time. Os três últimos entraram por acaso. Gustav Nyquist, a grata surpresa dos Griffins, não jogou um segundo sequer em PP.

Se com um homem a mais o time foi muito mal, com um (ou dois) a menos a equipe se superou. Das 22 vezes em que estiveram em desvantagem numérica, os Red Wings escaparam em 20, aproveitamento de 90,9%, muito melhor que na temporada regular (81,8%).



# Jogador SH SH/J
23 B. STUART 22:31 4:30
52 J. ERICSSON 17:00 3:24
55 N. KRONWALL 16:26 3:17
20 D. MILLER 14:12 2:50
13 P. DATSYUK 13:56 2:47
11 D. CLEARY 13:20 2:40
27 K. QUINCEY 9:47 1:57
8 J. ABDELKADER 9:05 1:49
40 H. ZETTERBERG 8:57 1:47
51 V. FILPPULA 4:44 0:57
18 I. WHITE 4:34 0:55
43 D. HELM 1:10 1:10
48 C. EMMERTON 0:25 0:05
93 J. FRANZEN 0:02 0:01



Os Wings estiveram sem Darren Helm desde o jogo 1 e jamais utilizaram Lidstrom nesta situação, para diminuir os riscos de perder o capitão por alguma contusão.

O time de desvantagem numérica foi liderado por Brad Stuart, que evidentemente estava no gelo nos dois gols marcados pelos Predators em PP. Mas o maior destaque dos Wings foi Jonathan Ericsson, que aparentemente aprendeu a utilizar seu tamanho para cobrir espaços e impedir gols.

Entre os atacantes, Drew Miller, Datsyuk e Cleary foram os mais acionados, até com alguma sobrecarga, sendo que o camisa 11 também estava no gelo nos dois gols sofridos.

Por fim, o tempo de gelo por partida, em média, de cada jogador, considerando todas as situações de jogo.



# Jogador TOI TOI/J
5 N. LIDSTROM 118:35 23:43
40 H. ZETTERBERG 115:26 23:05
55 N. KRONWALL 112:41 22:32
13 P. DATSYUK 106:25 21:17
52 J. ERICSSON 99:07 19:49
23 B. STUART 96:50 19:22
51 V. FILPPULA 96:41 19:20
18 I. WHITE 92:50 18:34
26 J. HUDLER 84:24 16:53
27 K. QUINCEY 82:23 16:29
93 J. FRANZEN 80:35 16:07
11 D. CLEARY 75:53 15:11
8 J. ABDELKADER 62:3712:31
44 T. BERTUZZI 61:35 12:19
20 D. MILLER 57:38 11:32
96 T. HOLMSTROM 49:01 9:48
14 G. NYQUIST 35:27 8:52
48 C. EMMERTON 25:51 5:10
43 D. HELM 3:08 3:08



Nenhuma surpresa ao encontrar Lidstrom como o dono do maior tempo de gelo do time, sinal de que os Wings precisam dele por mais uma temporada.

A notória ascensão de Ericsson se refletiu em seu tempo de gelo, o terceiro maior entre os defensores. Em uma das partidas, ele foi o jogador que mais minutos disputou em todo o time.

Quincey, que não foi aproveitado em PP, nem em PK, se tornou basicamente um defensor de 5-contra-5, um desperdício de escolha de primeira rodada.

No ataque, é notável a dependência de Zetterberg, Datsyuk e Filppula, ainda que o finlandês tenha sido improdutivo durante toda a série.

Aquele que deveria ser o goleador do time, Johan Franzen teve apenas o quinto tempo de gelo entre os atacantes, atrás até de Hudler, que foi muito mais eficiente.

Alguém pode me explicar por que renovaram o contrato de Bertuzzi para mais duas temporadas? Mais de US$ 2 milhões para um oitavo atacante, que não joga nem em PP, nem em PK?!


Às avaliações:
Foi apenas por um confronto, mas Ericsson justificou o seu contrato inflacionado assinado na última temporada. O defensor jogou com uma confiança proporcional a sua altura, foi extremamente eficiente em desvantagem numérica e se tornou o terceiro defensor do time em tempo de gelo. Na próxima temporada, será ele, não Quincey, o substituto de Stuart. Ainda seremos fãs do Big E.

Holmstrom marcou um gol em vantagem numérica, bem ao seu estilo, mas chegou a hora de dizer adeus e ir curtir a vida na Suécia. De nada adiantou plantá-lo à frente do goleiro, porque os Wings foram incapazes de chutar os discos que ele, em outros tempos, desviaria para dentro do gol. Menos de dez minutos de gelo por partida, sendo mais de três minutos em vantagem numérica, ou seja, não fosse por sua especialidade, seria tão aproveitado quanto Cory Emmerton. Portanto, adeus, Homer. Por favor, não volte.

Os dois últimos gols dos Wings nos playoffs foram marcados por Hudler, aquele que é uma das maiores incógnitas do time. O atacante "montanha-russa", cheio de altos e baixos. Eu o manteria em Detroit, por algo próximo de US$ 3 milhões, pra jogar na segunda ou terceira linha ofensiva, mas não sem antes obrigá-lo a adaptar seu jogo, tornar-se um finalizador. Apenas seis chutes em cinco jogos? Envergonhe-se, Hudler.

2 comentários:

Vinicius Villatore disse...

Hudler foi uma boa surpresa (embora não seja tanta surpresa assim) esse ano...
concordo quando vc diz que ele deveria chutar mais... (pô alguem que bate DUAS VEZES o Luongo - numa fase ótima - chutando de relativamente longe... merece creditos...

o medo é ele voltar a ser preguiçoso e inutil...

Victor Falkemback disse...

http://www.youtube.com/watch?v=ZtIF-9MvMs4
Isso mostra bem o que precisamos(não que não tivessemos, apenas precisamos de mais desses momentos que fazem o adversario literalmente se cagar de medo)