Durante o recrutamento
A tradicional postagem gigante (quem sabe não tão gigante assim... é 1h da manhã) do período de férias, nesse ano, vem após a primeira noite do recrutamento, antes dos Red Wings fazerem qualquer escolha.
Isso porque a primeira escolha de Detroit neste ano foi trocada para Tampa Bay, com os Wings adquirindo Kyle Quincey. Quincey, o defensor agente-livre irrestrito que ainda não renovou o contrato e pode ficar sem vínculo direto com o clube a partir de 1º de julho. Nessas férias os Red Wings já perderam Nicklas Lidstrom (aposentado) e Brad Stuart (San Jose), ficando com apenas Niklas Kronwall, Ian White, Jonathan Ericsson e Jakub Kindl no elenco principal, com a provável subida de Brendan Smith de Grand Rapids.
Como podem ver, esse grupo defensivo é uma porcaria. Por isso Detroit coloca todas as fichas na contratação de pelo menos um dos defensores que ficarão sem contrato em julho, Ryan Suter (NAS), Dennis Wideman (WAS), Matt Carle (PHI) e Jason Garrison (FLA), e provavelmente algum outro nome que só Ken Holland vai considerar.
O problema? Esses são os bons defensores no mercado. Só esses. E entre times querendo se reforçar e outros querendo atingir o piso salarial (jogando o salário dos jogadores medíocres lá no alto e mais ainda os de elite), podem contar com pelo menos uma dúzia de pretendentes para cada um desses jogadores.
E isso só na defesa, porque a safra de atacantes sem contrato deve ser uma das fracas já vistas. O melhor e mais requisitado será Zach Parise (NJ), jogador com cara de Red Wings que promete ser a joia da coroa do mês de julho. Depois vem Alexander Semin (WAS), que todos dizem ser um Johan Franzén russo. E o terceiro melhor atacante é o nosso Jiri Hudler, que mais uma vez deve sair de Detroit para perseguir um cheque gordo apesar de amar a cidade e todo aquele discurso bonito.
Pois é, mais uma vez Detroit tem dinheiro, tem espaço no teto salarial, e o mercado está mais raso do que nunca. As opções de agentes-livres são pouquíssimas, e trocas estão fora de cogitação a não ser que os Red Wings vendam o futuro a algum time que vai cobrar um preço absurdo por alguém que, no fim das contas, pode nem ser aquilo que o time precisa.
Falta uma semana para 1º de julho, mas provavelmente a história não vai terminar tão cedo. Lembra quando os Red Wings queriam assinar Mike Modano, um jogador ultrapassado que viria para Detroit só para encerrar a carreira? Pois agora multipliquem aquela época por 10, e em dobro, para Parise e Suter, cada um com uma fila de 15 gerentes-gerais prontos para oferecer contratos longos e caros para reforçar seus times. Jogo de beisebol no Comerica Park, bate-papo com Gordie Howe e promessas de competitividade pelos próximos 15 anos? Tudo isso pode ser pouco para atrair os maiores alvos desse ano.
Rumores para lá, rumores para cá. "Parise não vai ficar em New Jersey porque o time vai falir", "Suter quer ficar numa cidade pequena", "Parise quer jogar em Minnesota, onde nasceu", "Suter quer um contrato para a vida toda", "os dois combinaram durante as Olimpíadas que iriam jogar no mesmo time", "Holland não quer mais assinar contratos longos"... Provavelmente boatos que não vão levar a lugar algum, mas o suficiente para assustar qualquer torcedor de Detroit que se viu em pânico quando o time foi eliminado na primeira rodada e seu capitão se aposentar.
Pânico que só aumenta quando vemos times fazendo trocas para limpar espaço no teto salarial, como Pittsburgh se livrando de Jordan Staal e indo atrás dos direitos para negociar com Suter (pânico infundado, aliás, já que o defensor com certeza vai testar o mercado).
A verdade é que há tempos Ken Holland não faz jus à fama de melhor gerente-geral da NHL (mais especificamente, desde a troca por Brad Stuart em 2008. nem mesmo a vinda de Marian Hossa no ano seguinte foi responsabilidade de Holland, já que foi o empresário de jogador que ligou para Holland enquanto este abastecia o carro[!]).
Agora Holland, Jim Nill (gerente assistente) e Ryan Martin (especialista em teto salarial e assistente de Holland) enfrentam seu maior desafio desde o locaute, fazer os ajustes necessários sem precisar parar e colocar os Red Wings de volta na elite da liga, com permissão (para não dizer "ordem") de Mike Ilitch para gastar o que for preciso para tanto, tanto em dólares quanto em suor, mesmo sem saber em que vai resultar a negociação do acordo coletivo de trabalho.
Neste sábado Detroit faz as suas escolhas no recrutamento, e daqui a pouco tem o período de agentes-livres. No verão mais importante em muito tempo, Holland vai definir seu legado e os Red Wings vão definir seu papel na NHL para os próximos anos.
Um comentário:
Se tem $$$ e teto, não tem como ir em qualquer outro time e catar um defesa e um atacante bom, como no futebol??? como funciona isso??
Ótimo post..abraços
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