Julho
"Não temos tantas necessidades quanto todo mundo pensa. Atribuo isso ao desenvolvimento de Brendan Smith. Ninguém consegue substituir Nicklas Lidstrom, ele vai ser substituído por uma melhora de todos os defensores. Temos a chegada de Kyle Quincey, Smith e Jonathan Ericsson se desenvolvendo. Temos Niklas Kronwall, Jakub Kindl tem 25 anos e Ian White teve um ano bom. Não temos grandes nomes, mas temos bons jogadores.
Precisamos nos mexer dia 1º de julho? Com certeza. Precisamos de uma chegada bombástica? Acho que não". - Ken HollandE assim nos aproximamos de julho, mês dos agentes-livres, mês que vai consagrar Holland ou derrubá-lo do posto de melhor gerente-geral da NHL. E foi assim que ele falou do time, numa declaração que assustou muita gente.
Tenham uma certeza: ele mentiu. Admitam, vocês adoram quando Holland ou Mike Babcock mentem para a torcida. Eles adoram derrubar qualquer expectativa para depois levantarem das cinzas em que se colocaram para voltar ao topo.
Também admitam: esse discurso é basicamente o mesmo "gostamos do nosso time" que ouvimos nos últimos 1ºs de julho ou em dias-limites para troca. Adoramos que mintam, mas não temos mais certeza do que é mentira.
Tentando ajudar a decifrar a bagunça que será esse domingo, dia em que ninguém é de ninguém a partir de 13h de Brasília, vamos lá.
Começando por algo que todo mundo sabe, mas vou falar mesmo assim: Rick Nash (CBS) não vem para Detroit. Os Red Wings perguntaram aos Jackets o que eles gostariam pelo atacante, mas o time de Ohio não quer trocá-lo para o time que consideram seu grande rival.
Só o fato de Holland ter expressado interesse pelo jogador já me mostra que o time está disposto a alguns esforços. Os Red Wings também quiseram assinar o defensor agente-livre Justin Schultz, saído direto da faculdade e considerado "o melhor jogador fora da NHL", que não assinou com o Anaheim Ducks, equipe que o recrutou. Holland estava disposto até a garantir um lugar no elenco para o jovem jogador, mas Schultz descartou Detroit.
A defesa é a prioridade de Holland, com o principal alvo (de todos os outros times também) sendo Ryan Suter (NAS). Nada garante que Suter não vai ficar em Nashville, e muitos acreditam até que o jogador vai avaliar todas as ofertas que receber para, no fim das contas, ver se os Predators conseguem pagar o mesmo valor. Seja onde for, Suter espera assinar um daqueles famosos contratos para a vida toda, e Mike Ilitch é um dos poucos donos que pode carregar os primeiros anos de contrato com um pagamento bem acima da média.
O outro grande alvo é o asa-esquerdo Zach Parise (NJ). Parece estranho imaginar que o capitão da equipe vice-campeã da Copa Stanley vá deixar seu time, mas os Devils passam por situação econômica complicada e podem não conseguir arcar com o salário do jogador. Para que se tenha uma idéia, até Martin Brodeur, maior goleiro da história da franquia, pode estar com os dias contados em New Jersey.
Vários relatos dão conta que Suter e Parise querem assinar pela mesma equipe e, pela necessidade (aposentadoria de Lidstrom, falta de uma presença ofensiva) e oportunidade (muito espaço no teto salarial), Detroit está no seleto grupo de franquias que podem acomodar dois contratos caros.
Outros times também estão de olho nos jogadores. Minnesota espera que Parise queira voltar para sua cidade-natal, enquanto Pittsburgh conta com a amizade do atacante com Sidney Crosby (que foi treinado pelo pai de Parise, e assistiu às finais da Copa num camarote com a família do jogador) e realizou trocas para abrir espaço no teto salarial. Provavelmente mais uns cinquenta times estão interessados na dupla, e dificilmente eles terão um destino já no domingo.
Aí está outra dificuldade, como focar nos dois principais jogadores disponíveis sem esquecer dos planos B, C e D. Se a prioridade é a defesa, Matt Carle (PHI) e Jason Garrison (FLA) parecem ser as melhores opções, que podem ter ficado mais caras no momento que Dennis Wideman assinou seu contrato de $5,25 milhões com o Calgary Flames.
No ataque, os Red Wings esperam que Parise chegue para preencher as linhas de cima. A segunda opção parece ser Alex Semin (WAS), que é tão irregular quanto Johan Franzén. Se o negócio é adicionar tamanho ou força, os veteranos Ryan Smyth (EDM) e Shane Doan (PHO), que podem não agradar boa parte da torcida mas tem o perfil "veterano-sem-Copa" que por tanto tempo completou o elenco dos Wings.
Além disso, Babcock e Holland também querem reforçar as linhas de baixo, e aí nem adianta tentar prever alguma coisa. Ao menos parece que Detroit já acertou com o plano... M, ou coisa parecida. É o suíço Damien Brunner, estrela da liga de seu país. O atacante de 26 anos foi procurado por algumas equipes da NHL, mas tudo indica que ele vai fechar com os Red Wings.
Nos últimos três anos, Brunner anotou 164 pontos em 134 jogos, e tem um ótimo chute que lhe garante muitos pontos. Babcock pretende lhe dar todas as condições para brigar por um lugar na equipe, contanto que mostre que consegue ajustar seu jogo ao modelo norte-americano e simplificar seu jogo.
Pelo menos por enquanto, o teto salarial foi fixado em $70,2 milhões, mas isso pode mudar dependendo do que acontecer nas negociações do novo acordo coletivo de trabalho, mas isso é assunto para outro dia.
É óbvio que não vai ser um suíço duvidoso que vai recolocar os Red Wings no topo, e que muito mais trabalho deve ser feito. Essa temporada de contratações ganhou proporções muito maiores, se tornando basicamente em um teste para a franquia. Será que os Red Wings ainda são Os Red Wings, a equipe que todo jogador adoraria defender, onde a garantia de competitividade, entra ano, sai ano, consegue superar uma cidade que não oferece atrativos climáticos ou glamurosos?
Nos últimos anos os Red Wings passaram por períodos turbulentos (ou tão turbulentos quanto podem ser esses períodos em Detroit). Eliminações precoces, saída de nomes que marcaram história, enquanto ninguém surge para tomar seus lugares. Isso sem contar a rotatividade alta de treinadores assistentes, com Todd McLellan, Paul MacLean e Brad McCrimmon buscando vagas de técnicos principais em outras equipes, com seus substitutos Bill Peters e Jeff Blashill não tendo muito sucesso.
Tanto que, com a saída de Curt Fraser do comando do Grand Rapids Griffins, Blashill foi "rebaixado" para o cargo de treinador principal do time da AHL. Ou seja, além de jogadores, a diretoria de Detroit também busca alguém com experiência na NHL para assumir a vaga de assistente.
Falta um dia e catorze horas para o ínicio da temporada 2012-2013. Em Holland confiamos.
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