Contagem regressiva para a Copa.

 Contagem regressiva para a Copa.

domingo, 29 de abril de 2012

Os números e o futuro (parte II)

Esta é a segunda parte da análise sobre os Red Wings no confronto contra os Predators. A primeira parte está no post logo abaixo.

O foco agora é o ataque. Quantas vezes cada jogador esteve no gelo em gols marcados pelos Red Wings? É o inverso do "índice Brad Stuart".



# Jogador G+
55 N. KRONWALL 5
51 V. FILPPULA 4
26 J. HUDLER 4
40 H. ZETTERBERG 4
5 N. LIDSTROM 4
27 K. QUINCEY 3
13 P. DATSYUK 3
96 T. HOLMSTROM 3
23 B. STUART 2
52 J. ERICSSON 2
18 I. WHITE 2
20 D. MILLER 2
93 J. FRANZEN 2
48 C. EMMERTON 2
44 T. BERTUZZI 1
11 D. CLEARY 1
14 G. NYQUIST 1
8 J. ABDELKADER 0
43 D. HELM 0



À parte a liderança de Niklas Kronwall, no gelo em cinco dos nove gols marcados pelos Red Wings, destaca-se a presença da linha Jiri Hudler, Henrik Zetterberg e Valtteri Filppula, responsáveis por praticamente metade dos gols do time. No entanto, em situações de 5-contra-5, a linha marcou apenas um gol, sendo os outros três anotados em vantagem numérica.

Pavel Datsyuk aparece na parte de cima, mas a sua linha com Johan Franzen e Todd Bertuzzi rendeu apenas um gol. Os outros dois foram marcados em 4-contra-4 e em vantagem numérica com atacante extra.

Em resumo, em situações de 5-contra-5, quando deveriam levar vantagem, os Wings fracassaram totalmente. Os questionados Bertuzzi, Dan Cleary e Justin Abdelkader aparecem entre os últimos últimos.

Mas vejamos a distribuição de gols por minutos no gelo para saber de quem os Red Wings não podiam esperar nada de bom.



# Jogador G+/TOI
48 C. EMMERTON 12:56
96 T. HOLMSTROM 16:20
26 J. HUDLER 21:06
55 N. KRONWALL 22:32
51 V. FILPPULA 24:10
27 K. QUINCEY 27:28
20 D. MILLER 28:49
40 H. ZETTERBERG 28:52
5 N. LIDSTROM 29:39
14 G. NYQUIST 35:27
13 P. DATSYUK 35:28
93 J. FRANZEN 40:18
18 I. WHITE 46:25
23 B. STUART 48:25
52 J. ERICSSON 49:34
44 T. BERTUZZI 61:35
11 D. CLEARY 75:53

* em minutos:segundos


Cory Emmerton não é a aposta para o Troféu Hart, sua liderança é justificada pelo pouco tempo de gelo e pelos gols marcados pela linha 4 no jogo 2. Tomas Holmstrom se beneficiou disso também.

Preocupante é ler a lista e encontrar Datsyuk depois de dez outros nomes. O russo gastou 35 minutos, em média, para estar no gelo em gols marcados. Franzen foi ainda pior, com 40 minutos. Ou seja, nossos principais atacantes não entregaram aquilo que era esperado.

Bertuzzi e Cleary, para variar, se destoam dos demais em matéria de ruindade.

A conclusão a que vamos chegar aqui:
Apesar de esforçado, com trancos e demonstração de raça, Cleary foi uma merda defensiva e ofensivamente. Com ele no gelo, o time levou gols aos montes e não produziu nada, o que prova que ser rápido e dar trancos não significa porra nenhuma. Por outro lado, deve ser levado em consideração que o jogador estava machucado. De qualquer forma, Cleary não merece o salário de US$ 2,8 milhões que vai receber na próxima temporada. E a rescisão contratual deveria ser estudada.

Franzen fracassou, como o time em geral, mas era ele quem deveria marcar os gols. Foi pra isso que Ken Holland renovou seu contrato por 200 temporadas e quase US$ 4 milhões por ano, no maior erro de sua gestão. Uma precipitação que vai nos custar caro. Ainda assim, Franzen vai continuar em Detroit, mas eu preferia vê-lo em um papel menor, até porque seus números defensivos foram melhores que os ofensivos.

Apelidado de "novo Stuart", Kyle Quincey também frustrou a torcida, mas deve ter seu contrato renovado pelo Detroit. O cara é meio maluco e esse time precisa de alguém assim, que assuma riscos, que faça algo diferente, que saia da mesmice detroitiana. Agora que Holland já queimou uma escolha de primeira rodada por ele, que dê uma segunda segunda chance (isso mesmo) para o defensor. O certo teria sido não fazer a troca, mas agora é tarde. Por algo em torno de US$ 3 milhões, vai valer a pena. Sinto que ele ainda vai ser importante para o time.

sábado, 28 de abril de 2012

Os números e o futuro (parte I)

Eu sou o cara das estatísticas. Adoro números. Não sou retardado como os americanos, que calculam estatísticas de faceoffs vencidos depois de icing durante o terceiro período de jogos perdidos por menos de três gols de diferença como visitante entre janeiro e abril, mas vejo muito sentido em alguns números, como os apresentados abaixo.


Os números servem para análise do que aconteceu, para reflexão e, principalmente, para o planejamento da próxima temporada.

Durante os jogos contra os Predators, o que mais chamava a atenção dos torcedores era o fato de Brad Stuart estar no gelo em quase todos os gols do adversário. Então criei o "índice Brad Stuart", que mostra em quantos gols sofridos cada jogador estava no gelo.


# Jogador G-
23 B. STUART 9
44 T. BERTUZZI 6
8 J. ABDELKADER 5
51 V. FILPPULA 5
55 N. KRONWALL 5
11 D. CLEARY 4
26 J. HUDLER 4
52 J. ERICSSON 4
40 H. ZETTERBERG 4
27 K. QUINCEY 3
18 I. WHITE 3
13 P. DATSYUK 3
20 D. MILLER 2
93 J. FRANZEN 2
5 N. LIDSTROM 2
48 C. EMMERTON 1
96 T. HOLMSTROM 1
14 G. NYQUIST 0
43 D. HELM 0


O líder do "índice Brad Stuart", claro, é Brad Stuart. Considerando que os Red Wings sofreram 13 gols durante toda a série, percebe-se que o desempenho do defensor foi assustador, presente em 69% dos gols sofridos. Todd Bertuzzi também se destaca negativamente.

Não surpreende encontrar Nicklas Lidstrom próximo do fim da tabela. O capitão continua sendo extremamente confiável.

Alguns jogadores entre os que mais sofreram gols podem se defender por estarem entre os que mais marcaram gols. Produzem muito e, talvez por isso, sofram muito, como Niklas Kronwall e Jiri Hudler. Em compensação, outros pouco ou nada produziram e ainda afundaram o time.


# Jogador SG
23 B. STUART -7
44 T. BERTUZZI -5
8 J. ABDELKADER -5
11 D. CLEARY -3
52 J. ERICSSON -2
51 V. FILPPULA -1
18 I. WHITE -1
43 D. HELM 0
26 J. HUDLER 0
55 N. KRONWALL 0
27 K. QUINCEY 0
20 D. MILLER 0
40 H. ZETTERBERG 0
13 P. DATSYUK 0
93 J. FRANZEN 0
14 G. NYQUIST 1
48 C. EMMERTON 1
96 T. HOLMSTROM 2
5 N. LIDSTROM 2


Stuart, de novo, é o líder do saldo de gols negativo, mas não é seu papel produzir gols. O defensor até poderia se aproveitar do seu tempo de gelo elevado para acumular uns gols, porém isso não aconteceu. Já Bertuzzi e Justin Abdelkader, atacantes, não têm álibi algum. Saldos horrorosos.

Apenas quatro patinadores tiveram saldo de gols positivo e, para a surpresa de ninguém, Lidstrom está entre eles.

Há uma outra forma de olhar para o "índice Brad Stuart", dividindo o tempo de gelo de cada jogador pelos gols sofridos. Aí há um novo líder em matéria de ruindade.


# Jogador G-/TOI
44 T. BERTUZZI 10:16
23 B. STUART 10:46
8 J. ABDELKADER 12:31
11 D. CLEARY 18:58
51 V. FILPPULA 19:20
26 J. HUDLER 21:06
55 N. KRONWALL 22:32
52 J. ERICSSON 24:47
48 C. EMMERTON 25:51
27 K. QUINCEY 27:28
20 D. MILLER 28:49
40 H. ZETTERBERG 28:52
18 I. WHITE 30:57
13 P. DATSYUK 35:28
93 J. FRANZEN 40:18
96 T. HOLMSTROM 49:01
5 N. LIDSTROM 59:18

*TOI em minutos:segundos


Sim, senhoras e senhores, Bertuzzi foi ainda pior que Stuart. Apesar de estar no gelo em três gols a menos que Stuart, Bertuzzi sofria gol mais rápido que o defensor. Reparem que Abdelkader completa o pódio do mal, outro que definitivamente não era confiável, e depois há uma grande diferença até o quarto colocado.

Lidstrom, mais uma vez, se impõe: quase uma hora de jogo pra sofrer um gol.

Conclusão:
Três estatísticas do mal, em todas elas se destacam Stuart, Bertuzzi e Abdelkader.

Não é novidade que Stuart deve deixar o time por questões pessoais (sua família mora na Califórnia), mas por seu desempenho durante os playoffs, a gerência não deveria renovar o seu contrato. Acredito até que pelas declarações de Mike Babcock, o time não se interessa por ele. Obrigado por tudo, especialmente pela Copa em 2008, mas está na hora de ir.

Bertuzzi já teve o seu contrato renovado por dois anos, o que é lamentável. O jogador se destacou nos playoffs por ter brigado com Shea Weber e pela falsa notícia de que teria tocado os Predators do jogo de pingue-pongue quando, na verdade, ele apenas chamou a segurança. Pela disposição e experiência, talvez seu contrato pudesse ser renovado, apenas por um ano, e se Tomas Holmstrom se aposentar.

Já Abdelkader merece ser amarrado em um coqueiro e apanhar de mangueira. Para se manter no time, não basta ser porra-louca e fazer o que quiser no gelo, ele precisa ser mais responsável defensivamente. Abdelkader poderia ser o Kirk Maltby deste time, mas está a anos-luz disso por culpa sua. Apesar do desempenho sofrível nos playoffs, merece a renovação de contrato por não mais do que $ 1,5 milhão ao ano.

E aqui faço uma confissão: tinha dúvidas quanto ao futuro de Lidstrom, se os Red Wings deveriam renovar o seu contrato. Ainda que ele tenha se beneficiado por não atuar nunca em desvantagem numérica, Lidstrom continua produzindo ofensivamente e sendo extremamente confiável defensivamente. Portanto, mais um ano de contrato para o capitão, de preferência com desconto (US$ 5 milhões está muito bom), mas sem essa de condicionar a sua permanência ao retorno de Holmstrom.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Título dispensado.

A pergunta que não quer calar foi feita por Drummond: "E agora, José?".

Agora que a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu e a noite esfriou, podemos traduzir os sentimentos e sensações dos playoffs em palavras menos hiperbólicas, eufemísticas e ufanistas.

Ansiedade tornou-se angústia; Raiva tornou-se alívio; Vergonha tornou-se certeza; Decepção virou normal.

Eu já disse a diferença que faço entre Detroit e Red Wings, mas vale repetir: Detroit é um time; Red Wings é uma equipe. E a estes dou mais um: Wings.

Faz tempo que o Detroit deixou de ser o Red Wings e, para "nOOOOOOssa" tristeza, o Red Wings tem deixado de poder ser o Wings.

O Wings é o que a gente viu pela última vez em 2008; é a meca do hockey no gelo; é o ideal de coletivo de todos os times de todos os esportes; é a Regina Duarte da TV brasileira dos anos 70. Acima de tudo, o Wings é o Wings do "GO WINGS!".

O Wings é nosso primeiro amor do colégio, não existe mais e, muito provavelmente, nunca voltará.

Porém, claro, viveremos aventuras, viveremos altos e baixos, viveremos aventuras e, eventualmente, encontraremos um novo amor que nos faça suspirar e ver o mundo mais belo. Esse amor virá do futuro; não o buscaremos no passado.

A julgar pela série que, graças a Deus, acabou em cinco jogos, vimos que no Detroit tem faltado três coisas, basicamente:
  1. Experiência;
  2. Liderança;
  3. Sujeira;
  4. Respeito.
Experiência é: Brett Hull,  Dominik Hasek, Darren McCarty, Dallas Drake, Steve Duchesne;
Liderança é: Steve Yzerman, Igor Larionov, Brendan Shanahan, Chris Chelios, Kris Draper;
Sujeira é o uso disso a seu favor. É saber como jogar. É bater quando necessário. É apanhar se preciso. É se impor no gelo. É ganhar a Copa.

Respeito é mostrar que todos são um e um não é nada.

Sabe qual a principal diferença entre o Lidstrom da temporada de 2011-12 e o Konstantinov em 97-98?

A resposta está neste texto. Konstantinov tinha o Wings; Lidstrom tem o Detroit.

Vocês acham, realmente, que um time que se confia em Todd Bertuzzi como algoz de Shea Weber merece passar da primeira fase? Antes uma concussão no Zetterberg e ele jogar como o Franzen jogou em 2008 do que uma briga do Bertuzzi e uma mera ilusão.

Não, senhoras e senhores, o Detroit jamais será campeão. 

Nós somos como o Tom Hanks: estamos tentando desvendar O Código Da Vinci, enquanto estamos À Espera de Um Milagre, como um Náufrago em estado Terminal. Entretanto, deveríamos estar fazendo o Resgate do Soldado Ryan, como Matadores de Velhinhas.

"E agora, José?". 

Agora é esperar a próxima temporada pra ver se continuaremos contando histórias mirabolantes de como foi a temporada, à la Forest Gump.

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Depois de escrever o título deste post percebi que ele faz mais sentido do que o que eu quis dá-lo. O título que dispensei foi o deste texto, mas vejo que dispensado foi o desta temporada.

Até a próxima temporada. Seja o que Deus quiser.

-
P.S.: Na minha opinião, sabe quem foi o melhor jogador no jogo 5? Gustav Nyquist. Por que? Por, durante alguns segundos, ter querido dominar o disco como se estivesse jogando com crianças. Pelo menos ele tentou fazer algo diferente do resto do time.

sábado, 21 de abril de 2012

Foi bom (não) enquanto durou...

E é assim que acaba a temporada, em Nashville, com o último faceoff adiado por alguns segundos enquanto toalhas amarelas eram retiradas do gelo.

Nos próximos dias (semanas, meses) daremos nossas opiniões sobre a série contra os Predators, a temporada que passou e também sobre o futuro do time. Como sempre, contem com a seriedade do Humberto e a genialidade do zeh. Eu, vocês sabem, sou o torcedor irracional que não entende de nada.

Quem sabe por não entender de nada é que eu queira Mike Babcock longe. Agora é a hora que vocês me perguntam quem eu gostaria em seu lugar, e já digo que não sei a resposta. Mas para mim é claro que Babcock não atinge mais seus jogadores, que seu olhar de mau não assusta mais ninguém.

Babcock é um rabugento, um Muricy Ramalho da NHL. No fim das contas, é um teimoso. Tem um grupo em sua mente, em que é difícil entrar e mais difícil sair. É por isso que ele esperou até os 8 minutos finais da temporada para colocar Johan Franzén na 4ª linha, por isso que afirmou que Pekka Rinne não teve a vida facilitada pelos atacantes de Detroit, por isso que deixou Brendan Smith de fora do time, por isso que Cory Emmerton jogava 5 minutos por noite.

A filosofia de trabalho de Babcock é simples. "Se não funciona, tente de novo". Ter um treinador que não entende quando as coisas não estão dando certo é uma das piores coisas que pode acontecer. Com o tempo, os jogadores que ele gosta se acomodam, os que ele não gosta desistem, e no fim das contas a ambição acaba. E que não digam que isso foi por causa da mudança de liderança (com a aposentadoria de Chris Osgood, Brian Rafalski e Kris Draper), ou da mudança de assistentes (Bill Peters e Jeff Blashill), por que isso vem por três temporadas.

Ok, concordo com o Humberto, Nashville tinha um goleiro melhor e uma defesa melhor (o ataque de Detroit é melhor, mas foi eliminado, então fuck it). Detroit sabe por experiência própria como um time inferior vence, tendo sido vítima de alguns azarões: trabalho, trabalho, trabalho. E os Wings não trabalharam.

Os Red Wings não trabalharam bem na defesa, permitindo muitas chances cara-a-cara e forçando James Howard a fazer aquilo que goleiros de Detroit não teriam que fazer, isso quando não ajudavam Nashville com erros crassos. Não trabalharam bem no ataque, onde fizeram tudo aquilo que não se deve fazer. Preguiça, apatia, falta de vontade... Ora, os Red Wings empatam o jogo, fazem uma ótima metade de 2º período, vão para o vestiário para ouvir o treinador... Voltam e levam um gol 13 segundos depois. Depois, assim como em 98% dos jogos desde 2009, o time acorda e tenta compensar o tempo perdido com um 3º período de pressão, uma pressão sem chutes que não assusta ninguém.

Claro, é até compreensível que Babcock seja assim, vendo o comportamento da gerência. Ken Holland, melhor Gerente-Geral da Liga? É difícil dizer, até porque ele não fez muita coisa ultimamente. Mas quando fez... Negociações que afetaram as linhas de baixo, sem nenhuma transação de impacto. Holland está inerte desde a troca que trouxe Brad Stuart em 2008, o jogador que Detroit precisava naquele ano.

De lá para cá, só jogadores para compor elenco, e o mesmo papo de "gostamos do nosso time". A grande aquisição, Marian Hossa em 2009, só veio quando o empresário do jogador contatou Holland. Se em outros anos a desculpa era a falta de espaço no teto salarial, nesse ano morremos na praia com quase $5 milhões sobrando.

Holland sabia desse espaço na pré-temporada, quando trouxe Ian White a preço de banana e Ty Conklin, que é um banana. E com o dia-limite de trocas chegando, com o time indo bem mas com claras deficiências, Holland foi buscar Kyle Quincey por uma escolha de 1ª rodada, reforçando (será?) o setor da equipe que não precisava. Holland e Babcock repetiam que "gostavam do time", mas o treinador acaba de dizer que a falta de profundidade derrubou o time.

Como disse antes do jogo, a decepção desse ano não foi muito grande, porque a expectativa não era das melhores. Sabíamos que o time não era tão forte. Mas também sabíamos que poderia ser forte.

Os Predators eram melhores? Com 4-1 na série, não vou negar isso. Mas isso não é motivo para virar um time preguiçoso, um bando de Franzéns se arrastando no gelo.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Fim da linha

Acabou. A temporada 2011-12 para o Detroit Red Wings não existe mais.

No primeiro momento, basta tentar entender que perdemos para um time melhor que o nosso. Posição por posição, o Nashville Predators tem um elenco superior ao dos Red Wings. No gol, na defesa, no ataque, na comissão técnica. Até a torcida deles é mais barulhenta.

Se já era assim durante a temporada, com os reforços adquiridos durante a campanha os Predators se distanciaram ainda mais em termos de qualidade.

Eles terminaram a temporada regular com melhor campanha e eram favoritos no confronto. Ainda que possa se dizer que "eles nunca ganharam nada" ou "não têm tradição", bom, se eles vencerem mais 12 jogos, não será o amarelo da camisa ou a falta de história que vai impedir a ida da Copa Stanley para o Tennessee.

Os Red Wings fizeram muita coisa errada, antes e durante o confronto, e isso vai aparecer aqui nas próximas semanas. Dava para ganhar mais do que um jogo, dava para marcar mais do que os nove gols que nós fizemos. Podia ter sido mais difícil, sim, mas os Predators não deram moleza pra nós.

Mais do que uma derrota nossa, foi uma vitória deles. Por mais que exista a tendência de achar que o mundo gira em torno do nosso vermelho e branco.

Só um jogo

Tem alguém otimista aí? Acho que não.

É muito difícil se sentir otimista. Perdendo a série por 3-1 (só 9% dos times conseguem virar o placar), indo jogar fora de casa (campanha de menos de 50%) contra um time que não tem motivos para ter medo da gente... Pois é, quem sabe dessa vez a decepção não seja tão grande, pois a expectativa nunca foi das maiores, mas nossa temporada tem boas chances de acabar hoje.

Não confundam aceitar esse fato com torcer contra. Sempre que qualquer um de nós xinga alguém da franquia é visando o melhor, aquilo que o time já foi e pode voltar a ser. Essa equipe de 2012 tem muitos críticos, mas o que mais queremos é queimar a língua.

Só gostaria de uma coisa. Se tudo ocorrer normalmente e perdermos essa série, só não quero que seja hoje. O "Só mais um jogo" da temporada passada era uma forma de encarar a tarefa impossível. O "Só mais um jogo" deste ano é um apelo para que vejamos ao menos mais algumas patinadas de duas lendas.

Steve Yzerman saiu do gelo de Edmonton em 2006, mas pelo menos naquele gelo patinaram grandes homens, na frente de uma torcida que não merece o time que tem hoje. Imaginar Nicklas Lidstrom e Tomas Holmstrom patinando pela última vez em Nashville, Tennessee, na frente de torcedores de NASCAR e ao som de apitos de Jordin Tootoo?

Por favor, Red Wings. Pelo menos por hoje, se esforcem. Lidstrom e Holmstrom podem até jogar por mais um ou dois anos, mas não vamos arriscar. Se for para perder, que seja em 6, que seja em casa.

Hoje não.

Shanahan é Red Wings

No escritório do Departamento de Segurança dos Jogadores da NHL, Brendan Shanahan revê pela décima vez o lance em que Shea Weber atacou Henrik Zetterberg.

"Puta que pariu, ele deu uma porrada e ainda pegou a cabeça do cara e socou nas bordas," pensa alto o homem responsável por julgar os jogadores violentos. "E naquele ângulo da câmera 2 fica ainda pior! Vou suspendê-lo e isso vai ficar marcado pelo restante dos playoffs."

Shanahan desvia a atenção da TV para o laptop na mesa ao lado. Nunca havia visto a opinião pública tão unânime diante de um lance de violência na NHL. Todos os jornalistas, do Detroit Free Press à TSN, torcedores de todos os times, todo mundo que viu o lance condena Weber e exige uma punição.

O ex-jogador dos Red Wings pondera por um longo momento e, então, manda um e-mail para o responsável pelas publicações oficiais da liga. "Escreva aí que não vou suspendê-lo," afirma Shanahan. O sujeito devolve, "tem certeza, campeão?" Então, Shanahan pega o telefone e dispara: "Escreve essa merda logo. Não tem suspensão nenhuma!"

Ele fecha os olhos, retira o celular do bolso e o coloca sobre a mesa. Sabe que o aparelho vai tocar a qualquer momento e sabe quem estará do outro lado da linha. Menos de dois minutos depois, toca o telefone. É Ken Holland, gerente geral dos Red Wings.

"Que porra foi essa, Brendan?", questiona Holland. "Você viu o capacete do Hank? O cara quebrou o capacete dele! Se isso não é pra suspensão, não sei mais o que é!".

"Kenny, eu tomei essa decisão pensando nos Red Wings, pensando no melhor para o time," responde Shanahan.

"Que melhor para o time? Tá maluco? Como é que não suspender o melhor jogador daqueles caipiras é melhor para os Wings?"

"Porque eu conheço o seu time, Kenny. Eu estive lá por muitos anos, lembra?"

E Shanahan continua sua explicação... Kenny, satisfeito, se impressiona com a sabedoria do ex-jogador e agradece ao final da ligação.

Minutos depois do anúncio da não suspensão de Weber, a conta de Shanahan no twitter enfrenta um flood de desaforos e ele tem seu trabalho questionado por todo o mundo do hóquei, além de ser xingado em quase todos os idiomas conhecidos. "What the fuck is that 'vai tomar no cu'?"

E ele sorriu. Conseguiu o que queria.

No jogo seguinte, os Red Wings entraram para matar, o jogo ou qualquer jogador dos Predators, tiveram sua melhor atuação na série e venceram a partida de ponta a ponta. Porque estavam com raiva.

Moral da história: se não fosse por Shanahan, a série teria terminado em 4 jogos.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Mais ou menos assim:

Pra ser sincero não espero de você...
...mais do que um jogo bom;
...powerplay que marque;
...penalty killing que os mate.

...uma vitória;
...se sentir capaz de ganhar
mesmo que perca cada jogo.

Nós dois temos os mesmos defeitos, sabemos tudo ao nosso respeito.
Queremos um time perfeito, mas times perfeitos não jogam tão feio.

Pra ser sincero não espero de você...
...mais do que um jogo bom;
...um gol por período;
...um shut out com goleada.

...brigas!;
...five-hole no Pekka Rinne,
mas ele não vendeu a alma ao diabo.

Nós dois temos os mesmos defeitos, sabemos tudo ao nosso respeito.
Torcemos por um time com defeitos, mas tantos defeitos não lhes dizem respeito.

Pra ser sincero não espero que você me perdoe...
...por ter perdido a calma;
...por ter cantado a pedra;
...por já saber disso em fevereiro.

Um dia desses, num desses encontros casuais, talvez o time se encontre; talvez o time encontre explicação...
Um dia desses, num desses desastres usuais, talvez eu diga: - Meu amigo, encheu o pote! Papai tiau!

Nós dois temos os mesmos defeitos, sabemos tudo ao nosso respeito.
Não queremos um time perfeito, mas times imperfeitos que não joguem tão feio.


Vocês fingem que são bons e a gente finge que acredita.

Ontem, depois do jogo, imaginei qual seria a resposta do Babcock para pergunta: "Coach, what happened tonight?".


A resposta seria: "We lost. Simple as that; we lost. And by ‘we lost’ I mean they did not win the game, we lost it, you know?".

Foi isso que ele disse, mas não esperava pelo lançamento do miserável do Howard "aos leões", como bem disse o Dudu. Será que ele tem razão? Será que não dá pra jogar a defesa também? Será que não dá pra jogar o cargo?


Se bem que ele pagou pra todo mundo, até pros que achavam que o time poderia vencer o jogo passado.

Meu povo, prestem mais atenção nas coisas que eu posto.

A propósito... o Red Wings vai ganhar o jogo 5. E vai ganhar fácil. Vai tomar um ou nenhum gol e marcar, pelo menos três. Mas o jogo 6... ainda não sei.

terça-feira, 17 de abril de 2012

A espera maldita

3 a 1 para os Predators, e começam as piores 72 horas que um torcedor de hóquei enfrenta: você sabe que seu time vai ser eliminado, vê tudo aquilo que está errado, quer xingar meio mundo... mas são esses caras que podem fazer um milagre e mudar alguma coisa.

Dessa vez não vai ter milagre (será?). Os Wings do ano passado quase foram varridos no que seria a varrida mais injusta da história. Perderam três como poderiam ter ganho três. O time deu motivos para esperança da torcida.

Neste ano não.

Sexta-feira será uma noite divertida. Ou nos iludiremos com a mínima chance de uma virada, ou descascamos o que está engasgado faz um tempo (pode ser uma semana ou três anos).

Babcock, vai se ferrar.

Direto do velório 4

Barry Trotz, no intervalo, falando para seus comandados: "Chega, cansei dessa putaria... vão lá e acabem com isso." Mal começou o terceiro período e gol dos Predators. O juiz tinha a intenção de apitar, o jogo ele parou, o gol ele anulou e os Wings ele ajudou.

"Não tem problema," gritou Trotz do banco. Os Predators foram lá e marcaram de novo.

Nesta série, quem marcou o primeiro gol venceu todos os jogos.

Na vantagem numérica logo a seguir, um chute de Niklas Kronwall foi desviado por Jiri Hudler e os Red Wings empataram. Ainda havia esperança, afinal.

Mas que porra Jimmy Howard e TRÊS jogadores estavam fazendo todos de um lado só do gelo, deixando um adversário com a rede vazia para marcar o gol da vitória dos Predators? Que merda foi essa?

Quando eu pensar nesta série, é deste lance que eu vou me lembrar. Porque ele foi bizarro, porque ele determinou a segunda derrota seguida em casa, porque ele definiu a série, porque ele acabou com o nosso ano.

O time é patético, mas vou deixar para esculhambar um por um depois do último jogo.

Teve um cara gritando na arquibancada, mas acho que era o vendedor de amendoim.



Em mais 20 minutos de jogo, nada mudou. Os Red Wings seguem fingindo que atacam, Rinne segue fingindo que defende e o placar continua 0-0. Nenhuma dúvida de que o empate tem gosto de vitória para os Predators.

É novembro e os times estão se aquecendo para a longa temporada que vem pela frente.

Nos outros jogos, Jimmy Howard pelo menos era ameaçado; nesse, não viu o disco, não deve saber nem quem é o adversário.

Alguma coisa precisa mudar. Dá pra contratar um atacante decente agora? Teria dado no dia-limite, quando Ken Holland preferiu não fazer nada. E aí o resultado é nada. Nada de Copa Stanley.

Eu poderia escrever mais sobre o segundo período, mas estou de olho na torcida porque parece que um cara gritou "Let's go Wings" e está sendo preso neste momento...



Scotiabank Place, Ottawa. Jogo 3 entre Ottawa Senators e New York Rangers. A cada passe certo dos Sens, a torcida que lotava o ginásio vibrava, "eeeeeeehhhhhhhh"; quando o goleiro adversário defendia um chute, "aaaaaaaaaahhhhhhhh"; diante de uma clara chance de gol inimiga, "ooooooohhhhhhhhh". Entre um e outro eeeeeehhhhh, aaaaahhhhh e ooooooohhhh, muitos gritos de "Go Sens Go".

E foi assim a noite inteira. E os Senators voavam no gelo. E sua torcida vibrava e cantava, feliz, com seu time. Eles eventualmente perderam o jogo, não marcando um gol sequer, mas o time jogou pra caralho e a torcida gritou pra caralho.

Joe Louis Arena, Detroit. Jogo 4 entre Detroit Red Wings e Nashville Predators. Quem foi que morreu? De quem é o velório? Pra que esse silêncio todo?

E será assim a noite inteira. Porque os Red Wings não voam, apesar de seu nome. Porque sua torcida não vibra e não canta, não está feliz com seu time.

Nem deveria estar. Esse time não empolga, dificilmente ameaça o gol de Pekka Rinne, não consegue organizar uma jogada em vantagem numérica e insiste em não chutar a gol. O lado defensivo vai bem, o lado ofensivo inexiste.

Aí as penalidades vão se acumulando, para os dois lados, por fruto da incompetência dos árbitros. E o jogo segue chato, como a maioria dos jogos dos Red Wings.

Ouvi dois torcedores conversando um pouco mais alto agora há pouco. Acho que vão ser expulsos da Joe Louis Arena.

Ganhar. Por um gol

Os jornalistas notaram uma tendência, uma coincidência que podemos não ter percebido, mas no fundo já sabíamos.


As dez últimas derrotas dos Red Wings em pós-temporada foram por um gol de diferença. Como digo que sabíamos disso, no fundo?

Porque quando um gol faz a diferença, nós lembramos dele. Do passe despretensioso que desviou em Brad Stuart, do chute que pegou na rede acima das bordas e os juízes não viram, da cobertura errada de Brian Rafalski ou de um chute ruim que James Howard deixou passar após milhares de defesas impossíveis.

É assim que acontece, a liga dos pênaltis e do teto salarial e que não pune estrelas, a liga da paridade, nivelou até a sorte? Já tivemos tanta sorte no passado que somos amaldiçoados pelo azar?

Óbvio que não. A sorte premia aqueles que trabalham duro. E com exceção de Howard, Nicklas Lidstrom e Darren Helm, quem trabalhou? Com uma derrota hoje, basicamente assegurando outra eliminação precoce da equipe que considera "precoce" perder a Copa no segundo final de um Jogo 7, dedos serão apontados.

Por isso, o que vale é a vitória. Se os Red Wings aprenderam alguma coisa nos últimos anos, é que não quer dizer nada humilhar Coiotes ou marcar 7 gols em Tubarões desinteressados. O que importa é, com a série em 2 a 1, precisando da vitória para se manter vivo, conseguir essa vitória com unhas, dentes e, se preciso (somente se preciso), com os punhos, 1 a 0 ou 2 a 1 ou 3 a 2, igualar a sorte, trabalhando duro e reconhecendo, finalmente, que a Roda Alada no peito não dá direito a uma Copa Stanley e um desfile no começo de junho.

Tem que começar agora, o tempo está acabando.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Bertuzzi para presidente

História real: depois do treino, jogadores do Nashville Predators jogavam tênis de mesa numa mesa que fica nos corredores da Joe Louis Arena. Todd Bertuzzi viu aquilo, disse "Arranjem sua própria mesa", dobrou aquela e a levou para o vestiário dos Red Wings.

Isso significa alguma coisa? Nada, a não ser que Bertuzzi realmente não gosta dos Predators. Depois de uma briga inteligentíssima no Jogo 2 da série (não apenas por responder à agressão de Shea Weber, mas também por tirá-lo do gelo no powerplay que Nashville teria no momento), Bert continua se divertindo às custas do pessoal de amarelo.

Não acho que isso influencia alguma coisa, mas gostaria muito que esse sentimento anti-Predator fosse compartilhado pelo resto do elenco. Talento os Wings sempre tiveram, mas também sempre precisaram de um algo "a mais" para incentivar a ganhar o título (a busca por respeito em '97, a Copa pelo Vladdy em '98, a  Copa por Hasek e Robitaille em '02, a frustração do ano anterior em '08).

Será que Todd Bertuzzi, um cara que (merecidamente) comeu o pão que o diabo amassou, é aquele que vai acender um fogo debaixo desses Red Wings? Será que os outros homens de vermelho vão fazer de tudo para que o #44 seja o segundo a levantar o cálice sagrado?

Griffins em Detroit

Com o Grand Rapids Griffins eliminados na AHL, onze jogadores foram convocados para Detroit, os famosos "Black Aces". Os Ases Negros (?) sobem para a Joe Louis Arena basicamente para treinar e aprender com o elenco da NHL, mas às vezes alguém causa uma boa impressão e ganha lugar no time (Helm, Ericsson, Abdelkader, nos últimos anos).

A lista deste ano tem o goleiro Thomas McCollum, os defensores Travis Eardhart, Garnet Exelby, Doug Janik, Brian Lashoff e Brendan Smith, e os atacantes Joakim Andersson, Louis-Marc Aubry, Fabian Brunnstrom, Francis Pare e Tomas Tatar. Com chances reais de jogar, talvez apenas Smith, Brunnstrom e Tatar.

domingo, 15 de abril de 2012

A soberba que cega

* Por Fábio Monteiro
Esse time não merece ir adiante nos playoffs.

A razão é simples: há um comodismo — de anos, diga-se — que tomou conta do elenco. É uma sensação de "podemos virar essa merda a qualquer momento". E quando falham, há uma soberba do tipo "Foda-se, a gente não virou esse jogo, mas a gente é melhor que esses merdas, mesmo".

E provo meu ponto. Acompanhei a última partida pela transmissão da NBC. Lá, faltando 1:36 para acabar a partida e dois gols de diferença, um faceoff eminente para os Red Wings. E o que a tv mostra? O banco do Detroit, com Johan Franzen rindo de alguma coisa. Não um riso nervoso, aquela risada de "estamos fodidos", mas um riso de "caramba, esse roupeiro é muito engraçado, olha a foto que ele compartilhou no Facebook, risos".

Esse sentimento de soberba contaminou um pouco a torcida. Já cansaram de dizer aqui, e reitero: somos muito mal acostumados. Nos orgulhamos de ter duas décadas de playoffs seguidos, de não termos elenco baseado em primeiras escolhas de recrutamento, achamos que podemos tudo e nada pode nos parar.

Com essa visão, extremamente distorcida da realidade, até o Blue Jackets sem Rick Nash dá canseira na gente. É preciso uma mudança de postura, que não consigo ver esse elenco tomar.

Não tenho bola de cristal, mas hoje, após esse jogo, apostaria que não passaremos para a próxima fase. O que seria uma pena, com a provável aposentadoria de Lidstrom e (talvez) Holmstrom, caras que participaram das nossas últimas quatro campanhas vencedoras.

Mas pro time e para a torcida está tudo bem. Muitos vão postar no Facebook ou no Twitter "Pô, não deu, mas chegamos aos playoffs, chupa Comissário, chupa Cindy, chupa Avalixo". O Franzen vai ler e achar engraçado. E vamos continuar nessa.

É o bastante?

Direto do jogo 3

O segundo período foi muito parecido com o primeiro jogo, com diversas penalidades marcadas, algo atípico para Red Wings e Predators, os dois menos penalizados na temporada.

Em uma das penalidades, os Wings estiveram em vantagem numérica, mas desperdiçaram a chance, demonstrando mais uma vez a fraqueza do time no 5-contra-4. Logo na sequência, os Predators marcaram o seu segundo gol. Quem estava no gelo? Brad Stuart.

Como se tornou tradicional na série, os Wings mataram mais uma vez uma desvantagem de dois jogadores, desta vez por 23 segundos. O time de matar penalidades permanece como o ponto forte do time nos playoffs, especialmente por causa de Jonathan Ericsson e Howard.

Em um momento de rara genialidade, Pavel Datsyuk roubou o disco de Roman Josi atrás da rede e fez o gol mais fácil de sua carreira. Descrevo a genialidade como rara porque, nestes playoffs, Datsyuk não tem sido decisivo, talvez por jogar sozinho em sua linha.

No fim do segundo período, os Wings empataram o jogo com Johan Franzen, mas o tempo já havia acabado e o gol foi corretamente anulado. Os adoradores da teoria da conspiração vão dizer que o cronômetro demorou a parar no lance anterior, mas de fato este time não mereceu qualquer ajuda hoje.

O massacre do terceiro período fez lembrar os piores momentos dos Wings nos playoffs de anos recentes, especializando-se em consagrar os goleiros adversários. Pekka Rinne fez 18 defesas, algumas delas em chutes que não o ameaçaram. Ainda que não tenha dado resultado, é melhor tentar de qualquer jeito do que não tentar, que é a forma como o time se comportou nos 40 minutos anteriores.

Adivinhe quem estava no gelo no terceiro gol dos Predators...

No último minuto, Zetterberg marcou o segundo gol, em vantagem numérica, mas já era tarde demais.

Não fossem os gols perdidos, os minutos desperdiçados, as oportunidades com um jogador a mais jogadas fora, talvez o resultado fosse diferente.

A certeza agora é que, no jogo 4, é vencer ou morrer.



Os primeiros 20 minutos dos playoffs na Joe Louis Arena foram, também, os piores 20 minutos do confronto entre Red Wings x Predators. Deve ser aquela tradicional preguiça de depois do almoço deixando o jogo mais lento e os jogadores menos dispostos.

A torcida, ao contrário do time, não sofreu de forma alguma, pelo menos não antes do jogo. A cor vermelha por todos os lados, os cantos de Let's go Red Wings antes do jogo começar, dois polvos, sendo um muito grande, arremessados ao gelo e os gritos de Todd Bertuzzi em agradecimento ao que o atacante fez no jogo 2.

Pena que com o disco deslizando o time não correspondeu ao apoio da torcida. Na primeira vez em que estiveram com um jogador a menos (ou dois, se considerarmos que Pavel Datsyuk estava sem taco), os Wings levaram o primeiro gol em 4-contra-5 nos playoffs, justamente de Shea Weber, o vilão, vaiado em todas as vezes em que tocou no disco.

Foi a quinta vez no confronto que um jogador dos Wings ficou no gelo sem ter um taco. De que adianta fazer número, se não se pode tocar no disco? Tem sempre alguém para dizer que o sujeito pode bloquear um chute, ser um corpo para atrapalhar... se eu fosse o técnico, mandava o cara sair feito louco e pegar um taco no banco.

Jimmy Howard, como de costume, fez defesas quase milagrosas e evitou que o prejuízo fosse maior, mas o cenário do primeiro período foi desolador. Não tem ninguém neste time pra chutar ao gol não?

Detroit, Hockeytown

O confronto entre Red Wings x Predators continua hoje, em Detroit, com o jogo 3 às 13h.

Há muitas razões para ser otimista. Em primeiro lugar, pela atuação soberba no jogo 2, por tudo que aconteceu e pelo modo como o time reagiu. Em segundo lugar, por atuar na Joe Louis Arena, onde os Wings venceram 31 dos 41 jogos disputados, ao contrário dos apenas 45% de aproveitamento como visitantes.

Foi outro dia mesmo que os Red Wings estabeleceram o novo recorde da NHL de vitórias consecutivas em casa.

Estar em Detroit significa ouvir Let's Go Red Wings em vez de cada merda dita pela torcida do Nashville, ler Hockeytown gravado no gelo no começo de cada período e ver Al Sobotka agitando o polvo por cima de sua cabeça.

Também significa jogar de vermelho, e eu preferia a época em que jogávamos de branco em casa. Maldita NHL.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

V de vingança, V de vitória

Você já sabe que os Red Wings venceram o jogo 2 por 3-2, empatando o confronto contra os Predators em 1-1. Com este resultado, eles "roubaram" o mando de gelo e, se os donos da casa vencerem cada jogo daqui pra frente, a série termina em 6, com a nossa classificação.

Na vitória de hoje, não foram Nicklas Lidstrom, Pavel Datsyuk ou Henrik Zetterberg os heróis dos Red Wings. Porque os playoffs são feitos de gols inesperados de jogadores surpreendentes. A vitória do jogo 2 é contada por heróis improváveis.

Todd Bertuzzi. No começo do jogo, em sua primeira oportunidade, Bertuzzi caçou Shea Weber e instigou a briga, retribuindo, dentro das regras, o que aconteceu no final do jogo 1. Os Wings têm, de fato, alguém que olha por eles. Esse alguém é Bertuzzi.

Ian White. De grande contratação a defensor da linha 3, do lado direito de Nicklas Lidstrom para o lado direito de Kyle Quincey, sem contar o jogo em que foi barrado. Foi White quem marcou o primeiro gol dos Wings em 5-contra-5, depois de mais de 68 minutos de hóquei na série.

Cory Emmerton. Muita gente se pergunta o que diabos Emmerton faz no time. Eu tenho a resposta. Emmerton bloqueia um chute na linha azul da defesa, patina o gelo todo e não desperdiça a chance. Ele faz gol no jogo 2. É isso o que Emmerton faz no time, gol no jogo 2. Por mim, já se garantiu pelo restante do confronto.

Brad Stuart. Vilão do jogo 1, Stuart fez a jogada do terceiro gol, 58 segundos depois do primeiro gol dos Predators. Resposta imediata, para deixar o time-mostarda e a torcida-mostarda em seu devido lugar.

Heróis improváveis, ao lado de um monstro chamado Jimmy Howard. Excelente atuação do goleiro, com defesas seguras, sem permitir rebotes perigosos ou causar qualquer desconfiança. Uma confiança que vi em poucos momentos nos vários goleiros que tivemos ao longo de uma década.

Mas eu quero voltar ao começo do jogo, quando os Wings sequer sabiam o que se passava no gelo. Eles entraram para brigar, não derrubando as luvas (exceto Bertuzzi), mas encarando os jogadores adversários. Várias vezes os jogadores largaram o disco para desferir um tranco. Em algumas dessas vezes os Predators tiveram chances claras de gol, mas desta vez a sorte estava do lado de cá.

Com o passar do tempo e depois da briga de Bertuzzi, o time se acalmou, mas sem perder a intensidade. Porque contra um time tão bom quanto o dos Predators (e eles são bons mesmo, talvez o melhor adversário de primeira fase que os Red Wings enfrentaram nos últimos 15 anos), você não pode deixar a intensidade de lado. Créditos para Mike Babcock, que incendiou o time.

No segundo período, os Wings mataram uma desvantagem numérica de dois homens por 30 segundos. O time de matar penalidades está invicto, matando 12 chances dos Predators. Olha, muito se fala da falta de vontade do time durante a temporada regular e dos jogos em que eles atuam por 10 ou 20 minutos, mas nestes playoffs não há o que se falar, apenas elogiar a determinação do time, especialmente nos momentos críticos.

E para não passar em branco, no final do segundo período Zetterberg agarrou a cabeça de Weber e o jogo seguiu. Nada de esfregar sua cara nas bordas, apenas um "tapa de luva".

Se foi a agressão de Weber no jogo 1 que tornou os Wings tão intensos, então obrigado, Weber.

"Se grito resolvesse, porco não morria".

É com esse provérbio cearense, eternizado pelo Falcão, que abro um este post pra acabar com a ideia torpe de que as coisas teriam sido diferentes se diferentes tivessem sido.


Sentir saudades do McCarty, do Kocur, do Probert não vai resolver absolutamente nada. Principalmente se o argumento for: "ver sangue"; "retaliação"; "briga, porra!".

Este post tem como objetivo falar coisas que alguns não sabem, não entendem e/ou não aceitam.

Entre as temporadas de 1954-55 e 1996-97 ficamos sem títulos. Por mais que tivéssemos um time competitivo, faltava alguma coisa - além da Copa.

Os opostos se atraem e os dispostos se distraem. 

Talento é bom. Força bruta é legal. Juntos são perfeitos. Nasceram um para o outro, como Adão e Eva.

Quando o Red Wings conseguiu tirar o dedo e se impor como time completo (vide o jogo do dia 26 de março de 1997), começou a "Dinastia". De lá pra cá, cinco finais e quatro conquistas da Copa. De lá pra cá os brutos foram saindo e os talentosos foram chegando, dando uma nova cara - e identidade ao time. O problema é que deu certo; não mais. 

Já publiquei aqui que os torcedores do Detroit somos mimados; acostumados com vitórias, vitórias e vitórias. Só que 80% delas foram do time misto. Está na hora de esquecer isso ou mudar.

Temos alguns dos melhores jogadores da Liga? Sim.
Temos um dos melhores goleiros da Liga? Sim.
Temos alguns dos melhores e mais respeitados grinders da Liga? Não.

E precisamos deles. O Detroit Red Wings precisa deles. Pelo simples fato de que não se pode olhar por cima do muro sem escada. 

Quem eleva o jogo dos talentosos são os brutos.

Primeiro, troquem Abdelkader, Emmerton e Miller por McCarty, Kocur e Probert. Em seguida troquem Zetterberg por Lidstrom no cheap shot do Weber. Lidstrom é o único do Detroit Red Wings que deveria sofrer o golpe baixo do Weber. Não caiam na besteira de botar um valentão no lugar do Zetterberg. 

No mundo ideal dos torcedores-crepúsculo (vampiros), onde só o sangue salva, seria lindo.

No mundo ideal dos torcedores de hockey, não ia dar em nada, só em briga e - do jeito que o Bettman curte o Red Wings - em suspensão.

Aceitem: enquanto o time não tiver um goon-grinder de respeito, apenas um, que possa ajudar os "wannabe" (como o Abdelkader) a se decidirem se querem ser mocinho ou bandido, a gente vai viver nessa pasmaceira sofista.

Torcer Detroit Red Wings hoje é estar à espera de um milagre.

E, estejam cientes, próxima temporada o time vai jogar até o final do President's Trophy. Se conquistar ou não, um bocado de gente vai descansar pros playoffs e os desavisados estarão desesperados, achando que o time tá bichado.

E, estejam preparados, hoje a coisa não vai ser muito diferente (mas estou torcendo para que seja).
É assim que a banda toca.

Não perca o foco

Alguém vai dizer que os Red Wings deveriam caçar Shea Weber, que um dos jogadores deveria dar uma porrada nele, uma espécie de retribuição pelo que ele fez com Henrik Zetterberg.

Não há ninguém no time com colhões para fazer isso, exceto o goleiro Jimmy Howard. E Weber não vai passar a menos de cinco metros de Howard, então não há a menor possibilidade de isso acontecer.

E, quer saber? A melhor resposta que os Red Wings podem dar hoje é ganhar o jogo 2. A melhor vingança, a melhor porrada, sair de Nashville com o confronto empatado, levando o "momentum" para Detroit.

Não adianta usar a não-suspensão de Weber como desculpa ou justificativa para o fracasso. O lance aconteceu depois do jogo, mas ainda que tivesse acontecido durante, também não seria a causa da derrota. Zetterberg não se machucou e vai para o jogo normalmente.

O que me preocupa nos Wings é isso, a recorrente estratégia de tirar o foco da derrota. Não deveriam estar preocupados com Weber, Brendan Shanahan ou quanto representa US$ 2,5 mil para o capitão dos Predators. Não. Deveriam é estar no gelo treinando a vantagem numérica, um horror completo no jogo 1, apesar dos dois gols marcados.

Que a violência de Weber seja estímulo para os nossos jogadores. Que eles se vinguem no gelo, mas com gols e defesas. Porque de um lado está o Detroit Red Wings, com quase 100 anos de tradição, 11 vezes campeão da Copa Stanley, o time da Cidade do Hóquei, e do outro está o Nashville Predators, o time do cara que agora é inimigo público número um.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Tópicos

Darren Helm se machucou no meio do primeiro período. Cory Emmerton jogou 2:52 minutos. Ou seja, com um central a menos, Mike Babcock não colocou Emmerton no gelo.


Enquanto isso, Henrik Zetterberg jogou 25:48 minutos. E Johan Franzén estava no gelo nos minutos finais. E Gustav Nyquist estava no hotel.

Na boa, Babcock se perdeu.

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Foi preciso a lesão de Helm para Babcock colocar Nyquist na equipe. O sueco entra como central da 3ª linha, entre Dan Cleary e Justin Abdelkader. Emmerton vai continuar na 4ª linha, e Babcock disse que o ideal é que as linhas de baixo fiquem um pouco mais no gelo. (sério, Mike? gênio)

Pessoalmente, gostaria de ver Emmerton fora e da entrada de Chris Conner. Conner foi bem em Detroit durante a temporada regular, é muito rápido e sabe jogar penalidades. E se tem uma coisa que faz falta nos matadores de penalidade de Detroit (agora, sem Helm) é velocidade, alguém que pegue o disco e corra para o ataque. Não que a desvantagem numérica precise fazer gols, mas sempre é bom dar ao adversário algo mais no que pensar.

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Num jogo extremamente mal-apitado para todos os lados, os Wings mataram 6 penalidades, inclusive 1:14 minuto em 3-contra-5. Não olhem agora, mas Jonathan Ericsson descobriu que é grande e virou um baita matador de penalidades.

Por outro lado, como diria o Humberto, Kyle Quincey é o novo Brad Stuart. O problema é que o atual Brad Stuart também joga como Brad Stuart, e uma defesa com dois Stuarts não dá. Quando um jogador dá tanto azar toda hora, começamos a imaginar se é mesmo azar.

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Não se deixem enganar pelos 2 gols em 8 oportunidades, os times de vantagem numérica continuam horrorosos.

Tomas Holmstrom fez um gol, mas está difícil aguentá-lo no time. Ele só serve pra fazer parede em frente ao goleiro adversário, o que não adianta quando o goleiro tem dois metros de altura e consegue enxergar por cima da sua cabeça.

É incrível a quantidade de chutes bloqueados pelo oponente, mas fica menos incrível quando vemos que o power-play só tem uma jogada, aquela em que dão 58 passes inofensivos até algum defensor ficar de saco cheio e chutar, enquanto ninguém se mexe lá na frente.

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Shea Weber ganha $7,5 milhões por ano, e vai pagar multa de $2,5 mil de multa por fazer o que é proibido até em UFC. Essa Liga hipócrita diz que quer evitar colisões na cabeça e afins, mas pune toques sem querer e deixa passar o lance mais óbvio da temporada.

Vamos suspender quem falar da vida pessoal dos jogadores (Sean Avery), quem falar palavrão na TV (Tortorella, dos Rangers, ao criticar os Penguins, multado em $20 mil), e deixar ataques gratuitos como este impunes.

Como sempre, fica o lema: hóquei é sensacional, o que estraga é a NHL.

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As linhas para amanhã devem ser:
Filppula-Zetterberg-Hudler
Franzén-Datsyuk-Bertuzzi
Abdelkader-Nyquist-Cleary
Miller-Emmerton-Holmstrom

Lidstrom-Ericsson
Kronwall-Stuart
Quincey-White

Howard

Shanahan, vai se #$%!

Shea Weber foi multado em US$2500,00 dólares por bater a cabeça de Henrik Zetterberg nas bordas.

Só pra registrar, o treinador John Tortorella, dos Rangers, foi multado em $20 mil por criticar os Penguins.

Resumindo...

Darren Helm não joga.

"Ontem à noite passou por uma cirurgia bem sucedida para reparar tendões cortados o seu braço direito. Ele está fora de todo o Playoff da Copa Stanley de 2012, mas deverá se recuperar totalmente".
(Fonte: facebook.com/DETROITREDWINGS)

Vai demorar pra carregar

Se você quer ler sobre o jogo, veja a postagem do Humberto logo abaixo. E esse post tem duas imagens pesadas. Mas se você não viu, aqui está Weber no minuto final.

Só avisando, tirei as imagens pra não pesar o blog.

Se esse cara não for suspenso dos playoffs, Brendan Shanahan falhou.

Mas não, ele não será suspenso dos playoffs.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Não foi só falta de sorte

Vamos tirar algumas lições do jogo 1, uma dura e triste derrota para começar muito mal os playoffs 2012.

O time como um todo precisa arriscar mais. Ganha o jogo quem marca mais gols, não quem dá mais piruetas com o disco. Os Wings marcaram dois gols aproveitando rebotes, mas nem com o seu próprio exemplo passaram a chutar mais.

Apesar de ter marcado dois gols em vantagem numérica, ainda assim jogar em 5-contra-4 foi um horror. O único que tentou algo diferente foi Kyle Quincey e daí surgiu o gol de Tomas Holmstrom.

Os 32-13 em chutes nos 40 minutos finais mostram que esse time pode vencer, mas não jogando desse jeito. Se existe sorte, ela esteve do lado dos Predators, especialmente no terceiro período. Quantas vezes o disco ficou pererecando próximo ao gol de Pekka Rinne e o goleiro conseguiu defendê-lo de alguma forma estranha, ou um patinador conseguiu desviá-lo, sabe-se lá como?

Mike Babcock preferiu Cory Emmerton a Gustav Nyquist. Tudo isso para nove turnos e menos de três minutos de gelo. Emmerton é um quarta linha, Nyquist pode fazer algumas aparições entre os melhores atacantes do time. Não vai mudar muita coisa, mas é uma outra opção ofensiva a mais. De quartas linhas esse time já está cheio.

Exceção feita a Jimmy Howard, apenas um jogador dos Red Wings esteve no gelo em todos os três gols: o defensor (?) Brad Stuart. Nenhum outro esteve sequer em dois gols.

No fim do jogo, a escrotidão imperou, com Shea Weber atacando Zetterberg, inclusive socando sua cabeça contra as bordas. Não creio que a liga vá punir o capitão dos Preds por um lance ocorrido depois dos 60 minutos.

Os dois times menos penalizados de toda a temporada se enfrentaram e os juízes inventaram 34 minutos de punições. Que merda.




Os Wings foram superiores no segundo período, mas o máximo que conseguiram foi empatar em 1-1 durante os 20 minutos intermediários, o que significa que eles perdem o jogo por 2-1.

Culpa de um gol de sorte dos Predators. Um chute de lugar nenhum desviou em alguém de forma que passou por cima do ombro (da mão do taco!) de Howard. Algo que não vai acontecer de novo neste século.

A novidade do segundo período é que funcionou o time de vantagem numérica, mas para isso foi preciso que um defensor do outro time errasse na frente do goleiro para o disco sobrar para Henrik Zetterberg, depois que um jogador dos Wings errou o passe que iniciou a jogada. Uma coletânea de erros que resultou no gol.

E somente assim para marcar em PP. Na outra oportunidade, ficaram circulando o disco, impressionado a todos com suas habilidades de patinação.

O Detroit jogou todo o período, e vai ficar o restante do jogo, sem Darren Helm, que cortou o pulso. Ele não tentou se matar, mas temo pelo que o Calciolari vá fazer se for confirmado que Helm não jogará mais nos playoffs. Neste momento, ele está no hospital (o Helm, claro, o Calciolari eu não sei onde está).




Fim do primeiro período. Já podemos parar de putaria e começar a jogar hóquei?


Os Red Wings vão para o intervalo no lucro, perdendo apenas por 1-0, gol contra de Brad Stuart. Aquela outra cagada ensaiada felizmente terminou na trave, senão o prejuízo seria muito maior. Não fosse Jimmy Howard, que fez boas defesas, também estaríamos liquidados a essa altura.

Imagino que os Wings tenham cometido mais penalidades no primeiro período do que em toda a temporada regular. Fruto do rigor dos árbitros, que apitaram pra tudo. Felizmente, o time de matar penalidades foi perfeito, anulando até 74 segundos com dois homens a menos no gelo, o momento mais tenso até agora.

Por outro lado, o time de vantagem numérica é o pior que eu já vi nos Wings em mais de dez anos acompanhando a equipe. Não vou pesquisar, mas o aproveitamento durante a temporada regular deve corroborar com o que eu afirmo. Esses caras não conseguem criar uma jogada decente, nem no gol chutam. Jogadores como Jiri Hudler prendem demais o disco, mas a ineficiência é geral, envolve todos os dez atletas que participam da vantagem numérica.

Três parágrafos, dois sobre times especiais. A especialidade dos Wings é o 5-contra-5, então precisamos de mais tempo assim no segundo período. E que nossas armas ofensivas (?) despertem para o jogo. É a Copa, caramba.

Resumindo...

Darren Helm joga.

Polvos, barbas e calmantes

Playoffs. Época de polvos fervidos, barbas de lenhador, época de Henrik Zetterberg anulando adversários e Darren Helm matando penalidades e James Howard defendendo sem máscara e Johan Franzén fazendo merecer seu salário e todo torcedor passando os próximos dois meses assim:

Tirado durante uma vitória por 8 a 0
Na dúvida entre qual time vai aparecer, se aquele apático de 1º período ou o acordado dos cinco minutos finais? Ouça Mike Babcock:

"Nosso time de verdade vai jogar os playoffs. Eu estou confiante e eles estão confiantes. Por algum motivo, ano após ano, parece que encontramos maneiras de ganhar jogos. Estou aqui há sete anos e ganhamos muitos jogos de playoff, e espero que isso continue". - Babcock


Eles estão confiantes, de Mike Babcock a Ken Holland, de Mike Ilitch a Al Sobotka, e é isso que importa. Dane-se se nós vamos assistir aos jogos com a camisa vermelha por cima de uma camisa de força, e se nossa barba de playoff cresce enquanto nossos cabelos caem.

É bom mesmo que estejam confiantes, após não fazer nada no período de agentes-livres ou no dia-limite de trocas. Qual é a mensagem, "esse é o seu time"? É esse o time que possivelmente vai se despedir de Nicklas Lidstrom e Tomas Holmstrom, de preferência com uma foto final um pouco mais feliz que aquela em Edmonton seis anos atrás?

"Você nunca sabe quanto mais você vai jogar, quem sabe seja meu último ano, quem sabe tenho mais um. Mas é claro, é o fim da estrada, mas você se diverte, esquece tudo e vê o que acontece... Essa é a melhor época do ano". Holmstrom


Sim, é a melhor época do ano. Ou não. Tudo depende de vocês. Todos sabem que vencer Nashville (e qualquer outro time depois disso) tem mais a ver com Detroit do que com o adversário. Todas as previsões dizem que os Red Wings tem que jogar 60 minutos por noite, que os times especiais devem ser mesmo especiais, que Detroit precisa se encontrar fora de casa. E todas as previsões cravam Predators na 2ª fase, prevendo que os Red Wings não vão se transformar.

Cabe ao time provar quem está errado. Só temos que torcer, e tentar sobreviver até junho.

12ª Copa em 2012? A 5ª para o camisa 5? Veremos.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Cleary e... Helm?

Os Red Wings chamaram Chris Conner de Grand Rapids (e assim que os Griffins forem eliminados, espere ver Brendan Smith, Tomas Tatar e Fabbian Brunnstrom treinando com o time principal).

Dan Cleary, que descansou nos dois últimos jogos da temporada, disse que vai jogar o Jogo 1 da série contra Nashville, mas que não está 100% (na verdade, 50%. cara, fica em casa...) e vai precisar de injeções antes de cada partida (porque diabos você falou isso? para virar alvo de um time 80 vezes mais físico que o seu?).

A surpresa mesmo é Darren Helm, que se empolgou com a Páscoa e pode até mesmo jogar a primeira partida da série. Após ser basicamente barrado da primeira fase, Helm se recuperou na mesma velocidade que patina e pelo menos para o Jogo 2 é uma certeza.

domingo, 8 de abril de 2012

Predators (4) vs Red Wings (5)

Primeira rodada

Porque tudo era mais legal nos anos 80.

Nashville
Estatísticas
Detroit
104
Pontos
102
48
Vitórias
48
26
Derrotas
28
8
OT/SO
6
2.83
Gols pró/jogo
2.91
2.50
Gols contra/jogo
2.44
21.6
PP (%)
16.1
83.6
PK (%)
81.7

Calendário

11/04 - Quarta-feira - 21h - Nashville
13/04 - Sexta-feira - 20h30 - Nashville
15/04 - Domingo - 13h - Detroit
17/04 - Terça-feira - 20h30 - Detroit
* 20/04 - Sexta-feira - 21h - Nashville
* 22/04 - Domingo - A definir - Detroit
* 24/04 - Terça-feira - A definir - Nashville

* Se necessário

Histórico em temporada regular

  • Total: 46 vitórias de Detroit, 31 vitórias de Nashville, 4 empates
  • Desde o locaute: 26 vitórias de Detroit, 22 vitórias de Nashville
  • Em 2011-12: três vitórias para cada
  • Séries de playoffs: Duas vitórias de Detroit (2004 e 2008)

Palpites

Thiago Simões, ESPN.com.br, Predators em 6
Craig Custance, ESPN.com: Predators em 7
Greg Wyshynski, Puck Daddy: Red Wings

Humberto: Predators em 5
zeh: Wings em 5
Guilherme: Wings em 7

sábado, 7 de abril de 2012

O confronto óbvio

Então está decidido: os Red Wings enfrentarão os Predators na primeira fase dos playoffs, o que não chega a ser uma surpresa. Na verdade, é o que se esperava há vários dias, antes dos Blackhawks emendarem uma boa sequência de vitórias e os Wings desaprenderem a fazer gol.

O que nos causa espanto é o fato de ter que começar a campanha fora de casa, com os jogos 1 e 2 em Nashville. Fora de casa, onde a campanha dos Wings é espetacular: 17-21-3. Mais um jogo de 60 minutos, em vez de espasmos de 20, e teríamos a quarta colocação, o que significaria jogar em Detroit, onde a campanha é ligeiramente inferior: 31-7-3.

A enquete adicionada ontem ao blog demonstra o nível de confiança da torcida. Cinco dos 11 votos (45%) indicam que os Red Wings vão perder na primeira fase, para os Predators ou para qualquer que fosse o time.

No cenário ideal, os Wings seriam campeões de sua divisão e enfrentariam um adversário entre sétimo e oitavo lugar. No cenário aceitável, os Wings terminariam na quarta posição e teriam o mando de gelo. No cenário esperançoso, os Wings ficariam em sexto e enfrentariam o Phoenix Coyotes. No cenário puta-que-pariu-fudeu, os Wings acabariam na quinta colocação para enfrentar os Predators.

Puta-que-pariu-fudeu!

O Red Wings Brasil vai falar muito mais dos Wings e dos Predators nos próximos dias. Afinal, a temporada começa agora. Pode ser que termine daqui a duas semanas, ou menos, mas os playoffs da Copa Stanley vão começar e é isso o que importa agora.