Contagem regressiva para a Copa.

 Contagem regressiva para a Copa.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Julho

"Não temos tantas necessidades quanto todo mundo pensa. Atribuo isso ao desenvolvimento de Brendan Smith. Ninguém consegue substituir Nicklas Lidstrom, ele vai ser substituído por uma melhora de todos os defensores. Temos a chegada de Kyle Quincey, Smith e Jonathan Ericsson se desenvolvendo. Temos Niklas Kronwall, Jakub Kindl tem 25 anos e Ian White teve um ano bom. Não temos grandes nomes, mas temos bons jogadores.
Precisamos nos mexer dia 1º de julho? Com certeza. Precisamos de uma chegada bombástica? Acho que não". - Ken Holland
E assim nos aproximamos de julho, mês dos agentes-livres, mês que vai consagrar Holland ou derrubá-lo do posto de melhor gerente-geral da NHL. E foi assim que ele falou do time, numa declaração que assustou muita gente.

Tenham uma certeza: ele mentiu. Admitam, vocês adoram quando Holland ou Mike Babcock mentem para a torcida. Eles adoram derrubar qualquer expectativa para depois levantarem das cinzas em que se colocaram para voltar ao topo.

Também admitam: esse discurso é basicamente o mesmo "gostamos do nosso time" que ouvimos nos últimos 1ºs de julho ou em dias-limites para troca. Adoramos que mintam, mas não temos mais certeza do que é mentira.

Tentando ajudar a decifrar a bagunça que será esse domingo, dia em que ninguém é de ninguém a partir de 13h de Brasília, vamos lá.

Começando por algo que todo mundo sabe, mas vou falar mesmo assim: Rick Nash (CBS) não vem para Detroit. Os Red Wings perguntaram aos Jackets o que eles gostariam pelo atacante, mas o time de Ohio não quer trocá-lo para o time que consideram seu grande rival.

Só o fato de Holland ter expressado interesse pelo jogador já me mostra que o time está disposto a alguns esforços. Os Red Wings também quiseram assinar o defensor agente-livre Justin Schultz, saído direto da faculdade e considerado "o melhor jogador fora da NHL", que não assinou com o Anaheim Ducks, equipe que o recrutou. Holland estava disposto até a garantir um lugar no elenco para o jovem jogador, mas Schultz descartou Detroit.

A defesa é a prioridade de Holland, com o principal alvo (de todos os outros times também) sendo Ryan Suter (NAS). Nada garante que Suter não vai ficar em Nashville, e muitos acreditam até que o jogador vai avaliar todas as ofertas que receber para, no fim das contas, ver se os Predators conseguem pagar o mesmo valor. Seja onde for, Suter espera assinar um daqueles famosos contratos para a vida toda, e Mike Ilitch é um dos poucos donos que pode carregar os primeiros anos de contrato com um pagamento bem acima da média.

O outro grande alvo é o asa-esquerdo Zach Parise (NJ). Parece estranho imaginar que o capitão da equipe vice-campeã da Copa Stanley vá deixar seu time, mas os Devils passam por situação econômica complicada e podem não conseguir arcar com o salário do jogador. Para que se tenha uma idéia, até Martin Brodeur, maior goleiro da história da franquia, pode estar com os dias contados em New Jersey.

Vários relatos dão conta que Suter e Parise querem assinar pela mesma equipe e, pela necessidade (aposentadoria de Lidstrom, falta de uma presença ofensiva) e oportunidade (muito espaço no teto salarial), Detroit está no seleto grupo de franquias que podem acomodar dois contratos caros.

Outros times também estão de olho nos jogadores. Minnesota espera que Parise queira voltar para sua cidade-natal, enquanto Pittsburgh conta com a amizade do atacante com Sidney Crosby (que foi treinado pelo pai de Parise, e assistiu às finais da Copa num camarote com a família do jogador) e realizou trocas para abrir espaço no teto salarial. Provavelmente mais uns cinquenta times estão interessados na dupla, e dificilmente eles terão um destino já no domingo.

Aí está outra dificuldade, como focar nos dois principais jogadores disponíveis sem esquecer dos planos B, C e D. Se a prioridade é a defesa, Matt Carle (PHI) e Jason Garrison (FLA) parecem ser as melhores opções, que podem ter ficado mais caras no momento que Dennis Wideman assinou seu contrato de $5,25 milhões com o Calgary Flames.

No ataque, os Red Wings esperam que Parise chegue para preencher as linhas de cima. A segunda opção parece ser Alex Semin (WAS), que é tão irregular quanto Johan Franzén. Se o negócio é adicionar tamanho ou força, os veteranos Ryan Smyth (EDM) e Shane Doan (PHO), que podem não agradar boa parte da torcida mas tem o perfil "veterano-sem-Copa" que por tanto tempo completou o elenco dos Wings.

Além disso, Babcock e Holland também querem reforçar as linhas de baixo, e aí nem adianta tentar prever alguma coisa. Ao menos parece que Detroit já acertou com o plano... M, ou coisa parecida. É o suíço Damien Brunner, estrela da liga de seu país. O atacante de 26 anos foi procurado por algumas equipes da NHL, mas tudo indica que ele vai fechar com os Red Wings.

Nos últimos três anos, Brunner anotou 164 pontos em 134 jogos, e tem um ótimo chute que lhe garante muitos pontos. Babcock pretende lhe dar todas as condições para brigar por um lugar na equipe, contanto que mostre que consegue ajustar seu jogo ao modelo norte-americano e simplificar seu jogo.

Pelo menos por enquanto, o teto salarial foi fixado em $70,2 milhões, mas isso pode mudar dependendo do que acontecer nas negociações do novo acordo coletivo de trabalho, mas isso é assunto para outro dia.

É óbvio que não vai ser um suíço duvidoso que vai recolocar os Red Wings no topo, e que muito mais trabalho deve ser feito. Essa temporada de contratações ganhou proporções muito maiores, se tornando basicamente em um teste para a franquia. Será que os Red Wings ainda são Os Red Wings, a equipe que todo jogador adoraria defender, onde a garantia de competitividade, entra ano, sai ano, consegue superar uma cidade que não oferece atrativos climáticos ou glamurosos?

Nos últimos anos os Red Wings passaram por períodos turbulentos (ou tão turbulentos quanto podem ser esses períodos em Detroit). Eliminações precoces, saída de nomes que marcaram história, enquanto ninguém surge para tomar seus lugares. Isso sem contar a rotatividade alta de treinadores assistentes, com Todd McLellan, Paul MacLean e Brad McCrimmon buscando vagas de técnicos principais em outras equipes, com seus substitutos Bill Peters e Jeff Blashill não tendo muito sucesso.

Tanto que, com a saída de Curt Fraser do comando do Grand Rapids Griffins, Blashill foi "rebaixado" para o cargo de treinador principal do time da AHL. Ou seja, além de jogadores, a diretoria de Detroit também busca alguém com experiência na NHL para assumir a vaga de assistente.

Falta um dia e catorze horas para o ínicio da temporada 2012-2013. Em Holland confiamos.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Isso não quer dizer nada

Será?

Alexander Semin, no twitter:

"Remember Detroit press: if I'm Datsyuk's teammate in 1 week, plz use headline "Alex Seminem, aka Slim Sashady, signs with #RedWings." K? Thx"
"Imprensa de Detroit, não se esqueçam: se eu estiver com Datsyuk em uma semana favor usar a manchete 'Alex Seminen, conhecido como Slim Sashady [sic - WTF?], assina com os Red Wings. Vlw [?]"

Interessante... muito interessante.

Ressucitaram a postagem depois que eu apaguei. Essa conta era fake.

sábado, 23 de junho de 2012

Durante o recrutamento

A tradicional postagem gigante (quem sabe não tão gigante assim... é 1h da manhã) do período de férias, nesse ano, vem após a primeira noite do recrutamento, antes dos Red Wings fazerem qualquer escolha.

Isso porque a primeira escolha de Detroit neste ano foi trocada para Tampa Bay, com os Wings adquirindo Kyle Quincey. Quincey, o defensor agente-livre irrestrito que ainda não renovou o contrato e pode ficar sem vínculo direto com o clube a partir de 1º de julho. Nessas férias os Red Wings já perderam Nicklas Lidstrom (aposentado) e Brad Stuart (San Jose), ficando com apenas Niklas Kronwall, Ian White, Jonathan Ericsson e Jakub Kindl no elenco principal, com a provável subida de Brendan Smith de Grand Rapids.

Como podem ver, esse grupo defensivo é uma porcaria. Por isso Detroit coloca todas as fichas na contratação de pelo menos um dos defensores que ficarão sem contrato em julho, Ryan Suter (NAS), Dennis Wideman (WAS), Matt Carle (PHI) e Jason Garrison (FLA), e provavelmente algum outro nome que só Ken Holland vai considerar.

O problema? Esses são os bons defensores no mercado. Só esses. E entre times querendo se reforçar e outros querendo atingir o piso salarial (jogando o salário dos jogadores medíocres lá no alto e mais ainda os de elite), podem contar com pelo menos uma dúzia de pretendentes para cada um desses jogadores.

E isso só na defesa, porque a safra de atacantes sem contrato deve ser uma das fracas já vistas. O melhor e mais requisitado será Zach Parise (NJ), jogador com cara de Red Wings que promete ser a joia da coroa do mês de julho. Depois vem Alexander Semin (WAS), que todos dizem ser um Johan Franzén russo. E o terceiro melhor atacante é o nosso Jiri Hudler, que mais uma vez deve sair de Detroit para perseguir um cheque gordo apesar de amar a cidade e todo aquele discurso bonito.

Pois é, mais uma vez Detroit tem dinheiro, tem espaço no teto salarial, e o mercado está mais raso do que nunca. As opções de agentes-livres são pouquíssimas, e trocas estão fora de cogitação a não ser que os Red Wings vendam o futuro a algum time que vai cobrar um preço absurdo por alguém que, no fim das contas, pode nem ser aquilo que o time precisa.

Falta uma semana para 1º de julho, mas provavelmente a história não vai terminar tão cedo. Lembra quando os Red Wings queriam assinar Mike Modano, um jogador ultrapassado que viria para Detroit só para encerrar a carreira? Pois agora multipliquem aquela época por 10, e em dobro, para Parise e Suter, cada um com uma fila de 15 gerentes-gerais prontos para oferecer contratos longos e caros para reforçar seus times. Jogo de beisebol no Comerica Park, bate-papo com Gordie Howe e promessas de competitividade pelos próximos 15 anos? Tudo isso pode ser pouco para atrair os maiores alvos desse ano.

Rumores para lá, rumores para cá. "Parise não vai ficar em New Jersey porque o time vai falir", "Suter quer ficar numa cidade pequena", "Parise quer jogar em Minnesota, onde nasceu", "Suter quer um contrato para a vida toda", "os dois combinaram durante as Olimpíadas que iriam jogar no mesmo time", "Holland não quer mais assinar contratos longos"... Provavelmente boatos que não vão levar a lugar algum, mas o suficiente para assustar qualquer torcedor de Detroit que se viu em pânico quando o time foi eliminado na primeira rodada e seu capitão se aposentar.

Pânico que só aumenta quando vemos times fazendo trocas para limpar espaço no teto salarial, como Pittsburgh se livrando de Jordan Staal e indo atrás dos direitos para negociar com Suter (pânico infundado, aliás, já que o defensor com certeza vai testar o mercado).

A verdade é que há tempos Ken Holland não faz jus à fama de melhor gerente-geral da NHL (mais especificamente, desde a troca por Brad Stuart em 2008. nem mesmo a vinda de Marian Hossa no ano seguinte foi responsabilidade de Holland, já que foi o empresário de jogador que ligou para Holland enquanto este abastecia o carro[!]).

Agora Holland, Jim Nill (gerente assistente) e Ryan Martin (especialista em teto salarial e assistente de Holland) enfrentam seu maior desafio desde o locaute, fazer os ajustes necessários sem precisar parar e colocar os Red Wings de volta na elite da liga, com permissão (para não dizer "ordem") de Mike Ilitch para gastar o que for preciso para tanto, tanto em dólares quanto em suor, mesmo sem saber em que vai resultar a negociação do acordo coletivo de trabalho.

Neste sábado Detroit faz as suas escolhas no recrutamento, e daqui a pouco tem o período de agentes-livres. No verão mais importante em muito tempo, Holland vai definir seu legado e os Red Wings vão definir seu papel na NHL para os próximos anos.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Helm assina contrato

O central Darren Helm, agente-livre restrito, assinou contrato com duração de 4 anos, com média de $2,125 milhões ao ano.

Os Red Wings agora tem 19 jogadores assinados, faltando renovar os outros agentes-livres restritos Justin Abdelkader e Kyle Quincey, ver o que acontece com Tomas Holmstrom e Jiri Hudler, e encontrar pelo menos um defensor de elite e um atacante que marque gols. Para tudo isso, $24 milhões de espaço no teto (se as previsões de teto desalarial de $70 milhões se confirmarem).

Belo contrato para Helm, que dobra seu salário, e para os Red Wings, que seguram seu melhor matador de penalidades por um preço bem decente e por um bom prazo.


terça-feira, 12 de junho de 2012

Derrota do time?

As últimas de Detroit informam que Tomas Holmstrom quer jogar por mais um ano e que o time estaria disposto a renovar o seu contrato, basicamente para ser aproveitado em vantagem numérica, com turnos na quarta linha quando necessário.

O futuro do jogador dependerá do que os Wings conseguirem no mercado de agentes livres, o que permite ao time aguardar antes de tomar qualquer decisão em relação ao atacante sueco, especialmente porque não há a menor chance de ele assinar com outra equipe.

O Detroit tem onze atacantes com contrato e mais quatro para assinar (além de Holmstrom, Darren Helm, Justin Abdelkader e Jiri Hudler). Se Holland conseguir algum bom atacante no mercado, as chances de Holmstrom retornar para mais um ano serão reduzidas ao mínimo.

Nós já dissemos adeus a Nicklas Lidstrom, nos despedimos de Brad Stuart e possivelmente veremos nossa relação com Hudler chegar ao fim, mas Holmstrom precisa se aposentar.

Renovar o contrato do camisa #96 é dar dez passos atrás na reconstrução de um time competitivo. Holmstrom não é mais aquele jogador eficiente, de desvios inacreditáveis à frente do goleiro. Ele está velho e cansado, enquanto uma ninhada de prospectos aguarda a sua chance.

Holmstrom construiu uma carreira belíssima em Detroit, conquistou o que jamais alguém imaginaria que ele poderia conquistar e vamos nos lembrar de seus gols até o fim dos tempos. No entanto, está na hora de colocar o time em primeiro plano e deixar o sentimentalismo e a fidelidade um pouco de lado.

Que o seu lugar na quarta linha seja de um atacante jovem e rápido. Que o seu lugar no time de vantagem numérica não seja de ninguém, porque ninguém pode substituir o #96.

Em outras palavras, sendo bastante direto: eu vou ficar puto se a gerência renovar o contrato dele.

domingo, 10 de junho de 2012

Vitória da família

Até mais, e obrigado pela Copa Stanley.

Depois de quatro temporadas e cinco playoffs em Detroit, Brad Stuart teve os seus direitos negociados com o San Jose Sharks, com quem deve assinar contrato nas próximas semanas.

Stuart realiza, enfim, o desejo de voltar a viver com a sua família que, por questões legais, não pode se mudar da Califórnia.

Nestes cinco anos com os Red Wings, Stuart nunca deixou que a distância que o separava de sua mulher e de seus filhos prejudicasse o seu desempenho dentro do gelo. Nem todas as noites foram perfeitas, não foram poucos os jogos em que ele foi xingado por um ou outro erro, mas de não se esforçar o suficiente Stuart nunca fora acusado. Ele sempre fez o seu melhor, ainda que, às vezes, isso não fosse o bastante para os exigentes torcedores dos Wings, especialmente os brasileiros.

Stuart chegou a Detroit em 26 de fevereiro de 2008, trocado pelas escolhas de segunda e quarta rodadas. Uma pechincha. Já naqueles playoffs, com um gol, seis assistências e saldo +15, sagrou-se campeão da Copa Stanley pela primeira vez em sua carreira.

No ano seguinte, ficou marcado pela fatídica atuação no jogo 7 das finais contra o Pittsburgh Penguins, que ainda hoje o persegue. Ou talvez ele a tenha esquecido há tempos e nós é que continuamos insistindo com isso, vá saber.

Com a camisa dos Red Wings, foram 306 jogos em temporada regular, com 16 gols, 78 pontos e saldo +11. Nos playoffs, somou 72 jogos, 6 gols, 25 pontos e saldo +27.

Na semana passada, Ken Holland enviou uma proposta de contrato para o empresário do defensor, mas por mais que Stuart gostasse do time e da cidade, não conseguia mais colocar os Red Wings à frente de sua família.

E ninguém pode dizer que ele está errado em sua decisão.